quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

NATAL


  Os três reis do Oriente não foram os únicos atraídos pela estrela que surgiu, sem previsão dos astrônomos, no céu do Oriente. Noutras distantes regiões a sua luminosidade atraiu olhares ao céu e, mais em campo humilde, despertou os olhares de pastores. Que estrela misteriosa!

Corria nesse tempo revelações de profetas que causavam agitação com anúncios da chegada de um Salvador para a glória da oprimida nação de Israel. Era esperado. E foi numa noite luminosa com coro angelical e humildes saudações de pastores que foi revelado o magnânimo presente do Criador para a humanidade: o nascimento de Seu filho entre nós – Jesus.

Tanto encantamento tem implícito um grande mistério. Passados anos aquele evento levou Lucano a suscitar emocionado “Porque Deus naquele pequeno pedaço de terra, fizera Seu próprio lar, entre os que escolhera para ouvi-Lo”. E repetimos porque Deus enseja que Jesus nasça a cada d: é sempre momento de espera para que aconteça a presença de Jesus. ia em nossos corações e, assim, exaltamos o encanto na noite de Natal na reafirmação de tão grande amor. Com o Natal, a cada ano, temos  que Deus fez em cada um de nós, um templo para ouvi-Lo. 

A festa, a alegria plena de emoção, justifica-se, porque nada pode se igualar, em qualquer plano, com o privilégio e a bênção de poder receber o Menino Jesus em nossos lares, em nossos corações.

Um Feliz e abençoado Natal.

sábado, 20 de dezembro de 2025

O PAU PRETO E O PAVÃO

 


O céu turvou-se, tarde tenebrosa. De repente uma violenta ventania assobiando braviamente pelas ruas isoladas do bairro Jardim Graziela. Ajuizados moradores se esconderam em casa. Passada a tormenta, saíram de casa os moradores da rua Tarcísio Generoso e se surpreenderam espantados: “cadê o Pau Preto?” A ventania tombara a frondosa e centenária árvore que acompanhava parte da história de São Francisco.

Espantada, uma moradora, diante da árvore estendida no chão, ergueu as mãos ao céu e agradeceu a Deus porque a ela tombara perfilada na rua e não atingira nenhuma casa; e não tinha, no momento, um veículo na rua.

Lamentará mais, o pavão que tinha no Pau Preto o pouso para se recolher e cantar ao cair das tardes.


ESTIGMA DA IGNORÂNCIA

 





Muito se tem falado da importância da educação no lar e o trabalho nas escolas na preparação de cidadãos responsáveis e quem tenham compromissos com a Pátria. O tempo vai passando e o que se vê e tem está em sentido contrário. Entre tanto que se anota no dia a dia, apenas dois recentes instantâneos.


VANDALISMO


Crianças, totalmente irresponsáveis, sem formação social divertiam-se destruído enfeites da ornamentação natalino na Praça da Matriz. Não tinham noção, sequer, da importância e do significado daquela ornamentação; não davam mínima importância à beleza que era oferecida à população e, indo mais longe, uma manifestação de júbilo pela festa natalina, comemorando-se a vinda do Deus Menino. Uma pena! O que será o amanhã.





SÃO FRANCISCO LIXEIRO


Estudantes do Campus da Unimontes de São Francisco, tendo à frente o coordenador professor Roberto Mendes, constantemente se entregam a campanhas demonstrando o absurdo da ação de pessoas inescrupulosas que fazem das margens do Rio São Francisco um local de descarte de lixo.  É incrível, repetindo-se o ditado, “bater em ferro frio” que recolhem grandes volumes de lixo, expõem o absurdo da ignorância e a situação vai ficando no mesmo mantendo-se o descarte de lixo na orla. E o rio São Francisco, um dom de Deus para a população são-franciscana, o que poucas cidades têm, é tratado com tanto desprezo, um lixeiro.

A foto acima é o testemunho da insanidade de um indivíduo que achou de despejar um sofá no barranco do rio para ser levado pelas águas, quando poderia ter deixado (ainda que errado) na porta de sua casa para ser recolhido pelo caminhão do lixo.

NATAL PARA OS IDOSOS

 


A Associação de Homens e Mulheres da Terceira Idade, sempre atuante, proporcionou momentos de grande alegria para os idosos acolhidos no Lar São Francisco de Assis, na quarta-feira 17: números de catoterapia, danças e cantos, com César Coyte no comando. Os idosos participaram das brincadeiras e danças com entusiasmo.

A mensagem natalina foi proferida por João Naves, co-fundador do lar com Aristomil Mendonça, ressaltando o importante trabalho da Associação da Terceira Idade, do instrutor César Coyte e dos abnegados cuidadores do lar que, com amor e desvelo cuidam dos idosos.

Foi uma festa muito alegre, bonita e emocionante.

DOIS JOVENS CAMPEÕES

 


Rodrigo Souza da Silva e Mateus Santos Souza, dois jovens oriundos dos bairros Sagrada Família e Vila Vicentina, levaram o nome de São Francisco e de Minas Gerais ao Rio de Janeiro para a disputa final do Campeonato Brasileiro semi profissional de Muay Thai (São Francisco foi o único município de Minas Gerais participando da final). Dois garotos que, na ponta, representam centenas de jovens e crianças da cidade, que são assistidos pelas academias de César Coyte e Tok Tok, um trabalho que vai além do esporte – o que já é muito importante – servindo como uma escola de caráter e formação de cidadania. Este aspecto foi observado por uma das mães destes jovens atletas, que levou a um dos instrutores a sua satisfação e agradecimento, ao ver “o rumo que seu filho estava tomando na vida”.

Os dois atletas, na sua ida ao Rio de Janeiro, foram acompanhados pelos instrutores César Coyte e Tok Tok e por Ane Carolina e José Evanei que, na oportunidade, ao lado dos dois instrutores, fizeram curso de arbitragem de Muay Thai.

Com os troféus às mãos, os dois vitoriosos atletas manifestaram sua gratidão às pessoas que possibilitaram esta conquista através de patrocínio. Os instrutores destacaram, ainda, o importante apoio que têm recebido do Nino em todos momentos do seu trabalho e, especialmente. Fica uma verdade: se a sociedade planta esperança, haverá de fazer uma boa colheita. 

LEGISLATIVO E A COMUNICAÇÃO

 


Na sexta-feira 19 foi inaugurada a TV Câmara de São Francisco, canal 17 e da Rádio Câmara 95,5 FM. Segundo o presidente da Casa, vereador Daniel Fonseca Rocha, “a inauguração representa um marco histórico para o Legislativo Municipal consolidando a modernização da Casa Legislativa, ampliando a transparência fortalecendo a comunicação institucional. Esta iniciativa aproxima mais ainda o Poder Público à comunidade e reafirma o compromisso da Câmara com a oferta de informação de qualidade à população”. Vários autoridades do município prestigiaram o evento que contou, ainda, com a presença do deputado Estadual Ricardo Campos, Rayne Soares Santos – representando o deputado Jean Freire –, Geane Gomes, representante da Rede  Legislativa de Rádio e TV.

Discursaram, destacando o evento: o presidente Daniel Rocha, Geane Gomes, Calil Ubaldo Teixeira Júnior (responsável pela gestão, operação e supervisão da Rádio e TV Câmara, Ranulfo Ribeiro dos Santos Júnior, representando o prefeito municipal, Luiz Rocha e o deputado Ricardo Campos.

Vai além a importância da Rádio e TV Câmara, que poderá  dar conhecimento do trabalho do Legislativo e ensejar meios comunidade divulgar eventos de  todo interesse coletivo alcançando maior amplitude e duração que as notícias veiculadas pelo WhatsApp, tão efêmeras.  

ORNAMENTAÇÃO NATALINA

 MATRIZ E PRAÇA JANUÁRIA



A paróquia de São José deu o pontapé inicial ornamentando a matriz e a praça Januária (da Matriz) com motivos natalinos   causando grande admiração e interesse dos são-franciscanos levando-os a visitar o ambiente. Sem dúvida, foi uma iniciativa muito apropriada dando destaque à maior data da cristandade: o nascimento do Menino Deus. Foi muito bem recebida a iniciativa do pároco da Paróquia de São José.



PRAÇA CENTENÁRIO

No mesmo espírito natalino a Prefeitura Municipal procedeu a ornamentação da Praça Centenário, o que já era reclamado pela população tendo como exemplo o que havia sido feito em cidades vizinhas. O importante é que a ornamentação foi feita comungando, da mesma forma, com o mesmo espírito: preparar o ambiente para comemorar o nascimento de Jesus, a grande dádiva do Criador para a humanidade.

sábado, 13 de dezembro de 2025

NOVOS CIDADÃOS SÃO-FRANCISCANOS

 

Em solenidade realizada na terça-feira, 9, a Câmara Municipal outorgou títulos de  Cidadãos Honorários de São Francisco a diversas personalidades. O plenário da Câmara recebeu um grande público prestigiando a solenidade que, de fato tem grande significado, para os agraciados e para a comunidade são-franciscana.

O título é conferido a pessoas que tenham prestado relevantes serviços à comunidade, que se identifiquem com sua história e seu povo. Desta forma estabelece-se um elo importante entre o agraciado que se torna um cidadão são-franciscano de direito e a comunidade que o acolhe. 

Foram agraciados com o título: Ten-Cel  Wilson Fabiano da Silva (comandante da 13ª Cia Independente da PMMG de São Francisco), Capitão Clever Alessandro de Oliveira Santos, 2º tenente Dener Costa Gonçalves, 1º tenente Elizeu Ferreira dos Santos,  sargento Edmilson Pereira da Silva, sargento Orlando Celso Araújo Martins – da 13ª Cia – e o Ten-Cel. Helmer Marques Costa de Souza- Comandante do 51º Batalhão de Polícia.

Sem dúvida, trata-se do reconhecimento do trabalho da Polícia Militar no município e na região da circunscrição da Companhia, em especial do Ten-Cel. Wilson sempre presente em eventos em que são tratados de assuntos do interesse da comunidade demonstrando o empenho da Polícia Militar em São Francisco. 

DEIXAI VIR A MIM AS CRIANCINHAS

 

Assisti a uma cena comovente na matriz Nossa Aparecida no domingo em que se comemorava a imaculada conceição da Virgem Maria. O celebrante, na companhia de acólitos celebrava a Santa Missa seguindo o ritual quando uma criança subiu ao altar passando pelo fundo, exatamente onde se encontrava o sacerdote. Ingenuamente estendeu a mão para ele, como a cumprimentá-lo e passou. O celebrante apenas o contemplou passivamente e riu. O garoto chegou ao lado do altar onde encontrou-se com um pequeno cão ali deitado. Displicente e carinhosamente sentou-se ao lado do pequeno cachorro e começou a acariciá-lo. Não foi incomodado ou admoestado pelo padre ou pelos acólitos. Os fieis acompanhavam a cena admirados. Passos seguintes, o garoto levantou e desceu do altar e pequeno cão o acompanhou e, então, brincaram felizes, sorrindo, percorrendo os corredores da imensa matriz, entre os bancos. Os fiéis orando apenas contemplavam sem dar sinal de incômodo. Ninguém se espantou com o que parecia inusitado. Parecia, pois aquela ocorrência levou-se a uma situação, envolvendo crianças, ocorrida na Igreja de Santa Inês, em Belo Horizonte, onde ouvi, na cerimônia de batismo do meu bisneto João Naves, o padre contar que de certa feita observou a ausência de uma senhora com seu filhinho, que sempre eram presentes no ofício da Santa Missa. Zeloso foi à casa dela para saber do seu afastamento (“o bom pastor vai onde se encontram suas ovelhas”). Dela ouviu a explicação: o seu filhinho corria na igreja rindo na hora da missa incomodando as pessoas, que olhavam com reprovação. Observou-lhe o padre que a igreja acolhe as crianças, como Jesus os acolhe e que, ainda criança Ele visitou um  templo ouvindo e interrogando os doutores da Lei, maravilhando a todos com sua sabedoria, e afirmando estar na casa de seu Pai. Arrematou o padre que a conclamou voltar a participar da missa com seu filho, lembrando que o chamado não era dele e sim de Jesus, que disse aos seus apóstolos: "Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino dos céus pertence aos que são semelhantes a elas". Volte à igreja e leve seu menino que é a alegria de nossa Casa e a de Jesus.

Vi aquele garoto correndo pelas alas da igreja, zanzando pelo altar acompanhado de seu cachorro como uma manifestação tão sublime quando nos preparamos o espírito para a celebração do Natal. Fui informado que aquele garoto sofria de algum distúrbio comportamental. Poderia ser, mas o que vi foi uma alma inocente acolhida por Jesus, no colo de Jesus.

Ah! Que Natal especial terei neste ano no encontro daquele menino no colo de Jesus! E, ainda de imaginar que o fato se deu quando se comemora a concepção da Virgem Santíssima, quando do anúncio que nos chegaria o Salvador, a graça do Criador.

CARAVANA SÃO-FRANCISCANA DA CULTURA

 


José dos Passos  Pereira Barbosa e Antônio José  Raposo, membros do Conselho Cultural de São Francisco, levaram a Pirapora e Várzea da Palma, nos dias 6 e 7 deste mês, uma caravana cultural com diversos grupos de são-franciscanos.

José dos Passos, em relatório apresentado ao Conselho Cultural, diz “Este relatório constitui uma devolutiva espontânea das atividades realizadas pela Caravana Cultural dos Grupos Culturais de São Francisco, da viagem aos municípios de Pirapora e Várzea da Palma. A comitiva foi convidada pelo Ponto de Cultura Trupe Art'Manhas (Pirapora) e pela Secretaria Municipal de Cultura (Várzea da Palma),  composta pelos seguintes grupos:   Reis dos Cacetes do Mestre Duzim (seguimento Adão Barbeiro), Ciranda da Comunidade Quilombola de Santa Helena (Território Quilombola de Bom Jardim da Prata), terno de Folia de Reis da Comunidade Quilombola de Santa Helena, com participação do Mestre Zé Paulo (Região de Retiro).

Atividades desenvolvidas em Pirapora: visita ao  Centro de Hemodiálise Dilson de Quadros Godinho: apresentação musical do cantor Hudson e do Grupo de Cirandas, levando alegria e emoção a pacientes em tratamento dialítico e funcionários. Na orla do Rio São Francisco: visita guiada por Eliane Gardel ao vapor Benjamim Guimarães, proporcionando uma imersão cultural e histórica. Apresentações artísticas na ocasião: apresentação do Grupo Reis dos Cacetes. Na sede do Ponto de Cultura Trupe Art'Manhas: recepção pelos coordenadores Madalena Raposo e José Antônio Lopes, intercâmbio cultural com o Grupos Vozes da Arte (Buritizeiro), Trupe Art'Manhas (Pirapora) e Projetos Brincadeirinhas e Maria Bonita – Produções (Várzea da Palma), apresentações  do Terno de Folias, do Grupo de Cirandas e do Reis dos Cacetes. Várzea da Palma,  atividades onde se deu o encontro com a comitiva de Taiobeiras. A comitiva foi recepcionada pelo Secretário Municipal de Cultura, Pedro Camargo, seu adjunto Marquinhos Caiau e equipe técnica. Apresentações de grupos locais e grupos dos municípios de Taiobeiras, Corinto, Três Marias, Buritizeiro, Pirapora, Várzea da Palma, e Lassance, e distrito Andrequicé. De Três Marias. Participação de São Francisco: cantores Hudson e Mestre Zé Paulo; terno de Folia de Reis, grupo de Ciranda e Reis dos Cacetes. Ao final das apresentações os mestres Duzim, Zezim de Cloves, Dona Nita, Zé Paulo e o Ponto de Cultura Fazapóia Cultural foram agraciados, pelo Secretário Pedro Camargo, com bandeira de São Sebastião, padroeiro daquele município.

Segundo José dos Passos o intercâmbio cultural resultou no compromisso de que grupos de Várzea da Palma e de outros municípios participem de eventos culturais de São Francisco a partir de 2026, fortalecendo a rede cultural regional.


O SER-TÃO e os SERTÕES: REFLEXÕES

 


Wenderson Ramos Almeida, barranqueiro são-franciscano da gema nos presenteou com o belo livro O Sertão e os Sertões: Reflexões. Em suas páginas o leitor é levado à vivências no sertão e reflexões bebidas nas palavra de Jesus e de seus apóstolos, todas muito apropriadas para os tempos em que vivemos, levando-os à revelação do que somos e do que podemos ser no plano do Criador: “que é e no que podemos ser”. Ele nos leva a uma viagem ora tranquila no sabor de crônicas descritivas do nosso sertão; ora emparedados pela angústia diante de questões sociais que permeiam a nossa vida. Crônicas telúricas que guardam a pequena terra e as cores das flores do campo; a singeleza da vida fraterna nos lares simples que no entrelaçamento familiar se transformam em paraísos. Provoca saudade em que viveu no sertão a vida bucólica: “E a hortinha. Esta parecia uma criança convidando para brincar. Molhá-la com o prato velho de esmalte era como dar banho em criança” levando-nos à vida comum de anos idos quando em muitos quintais era comum o plantio em canteiros de cebolinha, salsa, coentro, couve e folhas medicinais, tudo verdinho e perfumado. Tempos... tempos. 

Numa passagem, para quem já cuidou de gramado em jardim de sua casa certamente vai aprofundar num passeio telúrico quando Wenderson traz à lembrança uma:  “... e a teimosa tiririca, que ali pousava de dona da casa”, metáfora realçando a soberania da pequena planta, difícil de extinguir.

Noutra passagem ele busca a relação de São Francisco com os angicos símbolo da nossa história primeira: “A São Francisco chorava os angicos que na sua infância tinha”. E cadê o famoso bosque de angicos soberanos no ponto de espia onde nasceu São Francisco?

Outra evocação que conduz ao sublime remete o leitor ao Natal, a uma figura do encantamento da graça que serve tanto de exemplo para a humanidade quando tantos só almejam o poder, a riqueza: “...Menino pobre no ter, mas rico no ser”.

A esperança, a fraternidade entre todos os seres humanos depende de um amor que seja universal, Utopia, mas uma verdade. Assim, Wenderson passeio pelo o espírito do Natal como a grande dádiva para todos os males da humanidade. 

A certa altura Wenderson mostra  preocupação com o mal, a violência e chama atenção, com um alerta valendo-se do eufemismo para uma realidade: “A cada formiga que se combate, descobre-se um formigueiro a ser combatido”. Tão atual no cenário brasileiro.

Um capítulo especial é dedicado à interpretação da canção Romaria de Renato Teixeira empregando, com propriedade a metonímia para adequar, cada verso a situações do nosso cotidiano. Um trecho ilustrativo ressaltando a fé, a confiança em Deus “Ele é sempre o porto seguro onde se aportar, é sempre uma luz (que ilumina a mina escura e funda”).

Ao descrever o São João, aquele São João bão, da roça, a crônica foi especial, precisa, telúrica, pictórica. A sensação que ele passa é que estamos no meio da festa (a tradicional, claro) e, depois no final triste por ter que ir querendo ficar.

Na crônica sobre o sertão, agradavelmente retratada, um resumo que diz tudo: “Ser-tão é a vida. Ser-tão”.

Resumo: um livro para ficar fora da estante, à mão, para se mergulhar na simplicidade, mas tão rica vida nossa: Ser-tão, sertão!

PROMOVENDO A JUVENTUDE

 


Na atenção à terceira idade, juventude e adolescentes, São Francisco conta com dois dedicados e voluntários professores: César Coyote e Tok-Tok. O trabalho deles se desenvolve através de artes marciais (Muay Thai, Jiu-Jitsu ... ) e Capoterapia na promoção social de crianças, jovens, adultos e idosos. Desenvolvem atividades em associações, escolas e espaços abertos. O trabalho dois é independente, mas tem o mesmo objetivo, proporcionar a melhoria de vida de idosos, fortalecendo a juventude e cooperando nas escolas, pois as aulas são coadjuvantes do ensino tradicional através da melhoria da concentração, de proporcionar a autoestima, a disciplina e a saúde com total segurança. A manutenção deste trabalho exige muito sacrifício, muita dedicação, locomoções internas e fora da cidade atendendo solicitações comunitárias – tudo às suas expensas. A remuneração é insignificante, pois a maioria das pessoas atendidas são de baixa renda.

Tok Tok tem o CT Esperança e o Coiote o CT Energia – ONG Resgate da Vida,  as duas com ampla difusão no município e até mesmo em municípios vizinhos.

Nesta semana os dois viajaram para o Rio de Janeiro acompanhando dois atletas são-franciscanos: Matheus Santos, 17 anos, aluno do professor Coyte e Rodrigo, atleta do professor Tok Tok, campeões na categoria Muay Thai em torneios realizados em São Fancisco, Montes Claros, Jequitai  e Bocaiuva nos quais acumularam pontos que os levaram às finais do Campeonato Brasileiro de Muay Thai. As lutas serão realizadas nos dias 13 e 14 deste mês.

Para cobrir as despesas da delegação – viagem e hospedagem – Tok Tok foi contemplado, em parte, pela PNAB com um projeto cultural através da Secretaria Municipal de Cultura e Esportes, e o Coyote viajará por conta própria. A complementação dos recursos deu-se através de doações e do apoio de um grupo de mulheres da comunidade, As Lobas,  que promoveram um bazar para arrecadação de fundos.

A Confederação Brasileira de Muay Thai (CBMT), que promove o campeonato, é a principal entidade desse esporte no Brasil, com mais de 30 anos, promovendo o Muay Thai autêntico, formando campeões e organizando competições nacionais e internacionais, sendo reconhecida pela WMF e PAMC, e oferecendo cursos e graduações. 

sábado, 6 de dezembro de 2025

PARA NÃO PASSAR ESQUECIDO

 Oh, Minas Gerais! / Oh, Minas Gerais! / Quem te 

conhece não esquece jamais/ Oh, Minas Gerais!



Minas Gerais foi criada oficialmente como uma capitania separada em 2 de dezembro de 1720, quando a Coroa Portuguesa desmembrou a antiga Capitania de São Paulo e Minas do Ouro, estabelecendo a Capitania de Minas Gerais, com Vila Rica (atual Ouro Preto) como capital. Essa data marca o surgimento de Minas Gerais como uma unidade política distinta no mapa colonial brasileiro.

Nos seus 305 anos de história, Minas Gerais se distinguiu das demais regiões que compuseram a América Portuguesa em vários aspectos relacionados à economia, sociedade e política. Com a descoberta de ouro e pedras preciosas, no final do século XVII, houve rápida ocupação do território que hoje corresponde a Minas Gerais, tornando-a a região mais populosa do Brasil até os anos 1940. Centrada na mineração de ouro e depois de diamantes, a diversificação da vida econômica de Minas foi incrementada nos séculos seguintes, mantida a importância das atividades mineradoras. Minas se transformou em importante centro de produção metalúrgica, principalmente ligado à siderurgia.

A mineração, especialmente do ouro e do diamante, transformou na causa maior para a criação de Minas Gerais deflagrada com a guerra dos Emboabas. Não precisava da revolta, segundo João Camillo de Oliveira Torres in História de Minas Gerais: “Os Emboabas acabariam vencendo por si mesmo, que não houvesse luta de mão armada. O fato de conhecerem os ofícios mecânicos, os seus hábitos de vida comercial e agrícola levariam vantagem sobre o nomandismo dos paulistas”.

A disputa pela primazia da exploração do ouro entre os paulistas descobridores da região e os forasteiros chamados de “emboabas” desencadeou a guerra. Então, como causa principal, estava o ouro, o dinheiro, a busca da fortuna. O interesse de se fixar na terra ensejou a criação de Minas Gerais, assim como aconteceu com a povoação da região do São Francisco, sem guerra, mas com a ocupação pacífica. Nem tão pacífica se nos determos nas disputas políticas.

Vá lá, Deus salve Minas Gerais, nosso torrão tão querido e tão importante na história do Brasil, em diversos campos: político, literatura, arte, invenção, história, educação, saúde, espiritualidade e esporte: Presidente Juscelino, Tancredo Neves, João Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade, Aleijadinho, Milton Nascimento, Santos Dumont, Manuel Almeida, Carlos Chagas, Chico Xavier, Pelé e uma fila enorme. Salve todos!

MEDALHA DESEMBARGADOR HÉLIO COSTA

 



Em sessão realizada no salão do Júri do Fórum desta Comarca, na quarta-feira 3, a desembargadora Kárin de Lima Emmerich e Mendonça foi agraciada com a Medalha Desembargador Hélio Costa, instituída em homenagem ao meritório trabalho dele  durante sua brilhante carreira de magistrado. Concedida bienalmente ela destina-se a agraciar pessoas que venham prestando ou tenham prestado relevantes serviços ao Poder Judiciário desta Comarca.

A solenidade foi presidida pelo juiz diretor do foro, Bruno Motta Couto anotando-se as presenças do desembargador Luiz Carlos Gomes da Mata, representando o presidente do tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais; prefeito municipal de São Francisco, Miguel Paulo Souza Filho; presidente da Câmara Municipal, vereador Daniel Fonseca Rocha; juiz de direito da Comarca de Brasília de Minas  Iago Abreu Barbosa dos Santos; promotor de justiça Tiago de Morais Nogueira; presidente da subseção da OAB de São Francisco Révio Umberto Figueiredo Ribeiro; comandante da 13ª Cia da PMMG de São Francisco, Ten-Cel. Wilson Fabiano Gonçalves; presidente da sub comissão da ABMCJ-MG, Gracyelle Almeida Rodrigues Bicalho; defensoras pública da Comarca, Letícia Cardoso Ferreira e Lívia Martins Nunes Braga, advogados, servidores da justiça, familiares da agraciada e convidados.

O juiz diretor do Foro, Bruno Motta Couto abriu a solenidade, em seguida  saudou a agraciada ressaltando o seu trabalho em prol da Comarca como juíza e discorreu sobre a importância da comenda. Passou-se, a seguir, à entrega da medalha e do diploma, convidados o desembargador Luiz Carlos e Alexandre Mendonça, esposo da agraciada para fazê-la. O desembargador Luiz Carlos Gomes da Mata saudou a agraciada evocando o trabalho dela na Comarca e no judiciário mineiro  em tom coloquial carregado de emoção.

Em seu discurso a agraciada fez um histórico sobre a sua vinda para São Francisco, como se fosse traçado pelo destino, pois aqui ganhou o respeito e amizade da comunidade, casou-se e apaixonou-se pelo rio São Francisco e pela cidade.

Cantores são-franciscanos, de primeira linha – Sérgio Alves, Sérgio Ricardo e Wendel Brito, e o músico Jefferson Felizardo, apresentaram um repertório com canções de Tom Andrade, relacionadas ao Rio São Francisco, o que teve a aclamação dos presentes, em especial da agraciada que discorrera tanto sobre o rio em sua fala.

Após a solenidade, a agraciada recebeu os convidados no salão social da sede da Subseção da OAB, ocasião em que recebeu os cumprimentos pela honraria recebida, manifestação de muito carinho de todos, ressaltando-se, não apenas o trabalho que ela desempenhou na Comarca como juíza, mas sobretudo, agora, com diligência muito significativa, com a OAB e Prefeitura, no sentido de construir o novo fórum da Comarca. 

A comissão presidida pelo juiz diretor do foro, formada para a escolha da agraciada, foi constituída pelos seguintes membros: representantes da OAB-MG Révio Humberto Figueiredo Ribeiro; do Prefeito Municipal, Carlos Pereira de Carvalho Júnior e do presidente da Câmara Municipal, André Saraiva de Queiroz.


AGRACIADOS PELA MEDALHA NA COMARCA DE SÃO FRANCISCO



A Medalha Desembargador Hélio Costa, concedida pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, foi instituída no ano de 1995 e a primeira entrega ocorreu no ano de 1996. Na comarca de São Francisco foram, cronologicamente, agraciados os seguintes:

João Naves de Melo, 1996; Oscar Caetano Júnior, 2000, Aristomil Gonçalves de Mendonça, 2003; Irene Veloso Gangana, 2005; João Botelho Neto, 2007; José Euclides Vieira, 2009; Epifânio Rodrigues Cordeiro,2011; Luiz Carlos Gomes da Mata, 2013; Jarbas Soares Júnior, 2015; Maria Mendes Ramos, 2017; Petrônio Braz, 2019; Élcio Gangana Ferraz, 2013 e Kárin Liliane Emmerich e Mendonça, 2025.

DETALHE: a indicação de agraciado para receber a medalha é constituída por uma comissão presidida pelo juiz diretor do foro, com os seguintes membros: representantes da OAB-MG Révio Humberto Figueiredo Ribeiro; do Prefeito Municipal, Carlos Pereira de Carvalho Júnior e do presidente da Câmara Municipal, André Saraiva de Queiroz.

Até este ano, em São Francisco, aforam agraciados com a medalha.


GRUPO DO BONDE E A AMIZADE

 


Um grupo de casais mantém, na cidade, um salutar encontro ocasional. Sugestivo o nome dado a ele: Grupo do Bonde. Poderia referir-se ao veículo, o que conduz pessoas, no entanto tem outra conotação popular: um grupo de amigos, uma turma, uma galera. Indo um pouco mais além, lembra-se da antiga expressão “andar de bonde”, ou seja, lado a lado, caminhar juntos, remetendo-se ao antigo footing em torno de uma praça. Em todos os casos implica em estar junto. Bem o disse Cícero, filósofo e orador romano,   sobre a importância da amizade: “Pois aquele que olha um verdadeiro amigo, olha um como outro, exemplar de si mesmo. Graças à amizade, os ausentes são presentes, os pobres são cumulados, os fracos são fortes, e, o que é difícil de se dizer, os mortos vivem: vivem na honra, na memória, na dor amigos”. Então, assim foi que nos idos de 2020, mais precisamente no dia 8 de março, um grupo de casais resolveu estreitar mais ainda seus laços de amizade promovendo encontros rotativos em suas residências. A iniciativa vingou-se, tornou-se rotineiro o encontrar para contar casos, rir, cantar, dançar e, porque não, saborear algumas iguarias. O grupo hoje é constituído pelos casais Tarcísio Generoso e Socorro Neves, Sérgio e Zane, André e Beatriz, Airton Veloso e Fatinha, Charlim e Dione, Evilton (in memoriam) e Letícia.

Neste mês o Grupo reuniu-se na bela residência do casal Tarcísio e Socorro, com uma ornamentação natalino foi muito especial, com alegria espontânea, muitos abraços, sorrisos, fotos e música, muita música levada por Umbelino e Dudu, e intervenções de Socorro,  Luizão, Renata e Luciana.

Nesta quadra de tantas preocupações em nosso País abrir um espaço para o refrigério da alma é reconfortante, renovam-se as energias, dá asas à alma para que ganhe a plenitude da paz, do amor, tudo o que enseja a amizade. Recorrendo, ainda ao Cícero: “Tudo o que existe e se move na natureza é criado pela amizade e dissolvido pela discórdia”.  

Assim, alimentar o sentimento de amizade é um pressuposto de viver feliz superando as ansiedades.

sábado, 29 de novembro de 2025

OS OITENTA ANOS DO LUIZ DA ACAR


  É uma grande realização quando possível ter reunida a família e muitos amigos para festejar mais um ano de vida e mais ainda quando se comemora 80 anos. O que significa comemorar oitenta anos de vida? É como um marco de sabedoria, experiência e uma jornada cheia de histórias e realizações. É uma ocasião para celebrar a longevidade, a sabedoria acumulada, os laços de amor e família, e para reunir gerações. As celebrações geralmente envolvem reconhecer o legado da pessoa, aprofundar as conexões familiares e reforçar os votos de saúde e felicidade para os anos que virão. Destarte, o lar de Luiz e Belinha, recebeu no domingo 23 amigos para a comemoração, ao lado de seus filhos e parentes. Foi um encontro aprazível, acolhedor, que teve a participação dos Mensageiros da Emoção para contar um pouco de sua história. 

Luiz Gandra Bittencourt Filho nascido em Viçosa cedo foi morar na fazenda São Geraldo onde iniciou o curso primário fazendo o primeiro contato com o campo que se atrelava à sua vida futura. Foi além cursando Agronomia na universidade de Viçosa. Ingressou na ACAR (hoje EMATER) vindo, em 1971, servir em São Francisco, onde criou profundas raízes e tanto se dedicou a esta terra. O seu trabalho foi reconhecido pela Câmara Municipal concedendo-lhe o Título de Cidadão Honorário de São Francisco.

Casando-se com Belinha ele plantou raízes firmes no município, unindo as famílias Gandra Bittencourt e Souza Pinto, tradicional família são-franciscana, constituindo uma bela família: os rebentos Luiz Neto, Danilo, Renata e Adriana; a noras  e neta.  

Luiz despontou assistindo o homem do campo como extensionista. Colaborou na formação de alunos do Centro de Treinamento de Jovens Líderes Rurais da Escola Caio Martins, que tinha como objetivo formar líderes rurais. 

Uma faceta interessante na vida do Luizão: o craque. O esporte são-franciscano teve em Luizão e Valfrido uma das maiores zagas do nosso futebol atuando pelo Estrela, que levava uma grande torcida ao estádio cantando hinos de amor.

Luiz se integrou de corpo e alma à equipe do Codema na realização de programas direcionados à recuperação da bacia hidrográfica do rio são Francisco e preservação do meio ambiente. Em reconhecimento de sua ação ele recebeu a Comenda do Buriti conferido por ambientalistas do município. 

Luiz como cidadão consciente de seus deveres para com a sociedade e a Pátria dedicou-se ao trabalho em prol da comunidade são-franciscana e de municípios da região: elaboração de projetos agropecuários, implantação da feira livre de animais, participação na fundação do Sindicato dos Produtores Rurais, implantação de projetos agrícolas no PADSA (hoje Chapada Gaúcha); na implantação de vaquejadas na região e, no âmbito de ação social, foi presidente da APACOM. 

CULTURA SÃO-FRANCISCANA

 


José dos Passos, membro do Conselho Municipal de Cultura do município de São Francisco fez uma interessante abordagem sobre a cultura são-franciscana em que destaca algumas manifestações que já se perdiam no tempo e que têm uma beleza muito especial. Assim ele escreveu:

Hoje gostaria de compartilhar um pouco sobre a rica cultura local, com ênfase nas manifestações tradicionais, especialmente aquelas ligadas aos grupos de batuques. Essas manifestações possuem diferentes nomes na nossa região: algumas chamadas de batuque, outras de Carneiro ou lambe-ro. Independente do nome, essas práticas representam a identidade cultural das nossas comunidades tradicionais, especialmente as  quilombolas e ribeirinhas, que preservam suas histórias e saberes de geração em geração. Além dos batuques, nossa região possui diversas danças tradicionais que fazem parte da memória coletiva. Entre elas, destaco o Lundu, frequentemente utilizada durante as folias, dança com forte presença histórica, que nos chegou através das tradições populares. Dentro do Lundu, encontramos variações conhecidas como 4, 4 de 8 e 4 de 12, cada uma com seu ritmo, sua cadência e seu papel social, refletindo a diversidade de expressões culturais do município.

Outro aspecto importante são as cantigas de roda e a prática da ciranda, que ainda hoje se mantém viva na comunidade de Santa Helena, sob a liderança da mestra Dona Anitta. Essa prática é um elo entre as crianças e os mais velhos, promovendo a transmissão de valores, histórias e afetos através da música e da dança. Também temos a Curraleira, uma dança que envolve muitas pessoas e que, embora tenha suas origens mais fortes na região norte de Minas Gerais e no estado de Goiás, ainda se faz presente em comunidades como Pau D´Óleo, Rio Pardo, São Martim e Catarina. Nessas localidades, a Curraleira ainda faz parte das folias, mantendo viva uma tradição que conecta pessoas, espaços e histórias locais. Outro exemplo da diversidade cultural do município é a dança do Muzuá, pressentes, ainda, em algumas comunidades. Nessa prática, os participantes colocam uma trouxa de roupa na cabeça e dançam em roda, convidando outras pessoas a se juntarem. Essa dança é um reflexo da coletividade, da criatividade popular e da preservação de práticas que carregam significados profundos sobre identidade e memória cultural. Além dessas, temos também a dança do Mergulhão, que ainda faz parte da história cultural de algumas comunidades. Eu acompanhava muito essa dança na região do Lajedo, mas ela também é encontrada em outras comunidades da margem esquerda do Rio São Francisco. O Mergulhão representa mais uma manifestação viva das tradições locais, mantendo-se como parte essencial da nossa herança cultural.

O que vemos em nosso município é uma cultura viva, que se manifesta em cada canto das nossas comunidades. Cada dança, cada batuque, cada cantiga e cada folia carrega a história, a memória e os valores das pessoas que aqui vivem. Preservar essas tradições não é apenas manter danças e músicas, é fortalecer a identidade de nosso povo, reconhecer a importância das comunidades tradicionais e garantir que essas práticas continuem a ser transmitidas para as futuras gerações.

SÃO FRANCISCO CANTA TOM ANDRADE

 



São Francisco, através da Secretaria Municipal de Cultura, Patrimônio Cultural, Turismo, Esporte, Lazer e Juventude prestou uma merecida e muito bonita homenagem ao grande poeta e músico Tom Andrade. O programa inserido na 14ª Noite Mineira de Museus e Biblioteca foi realizado na frente da Biblioteca Dr. Geraldo Ribas na quinta-feira, 27. Muito eficiente, e brilhante, a condução do programa pela historiadora da Secretaria de Cultura,  Gesilda Paraízo,  que, depois de saudar o público presente, falou sobre o homenageado, TOM, GRANDE POETA.

Tom Andrade tem lugar especial meio aos grandes músicos e compositores de São Francisco. Desde jovem já revelava seus pendores como intérprete de músicas com sua voz suave, muito afinada. Com o tempo, na vivência musical, foi-lhe despertado o pendor poético e, então, começou a compor suas próprias canções com uma poesia muito apreciada. A sua sensibilidade chama atenção. Ele deu às suas canções um conteúdo histórico e regionalista, como vemos em muitas de suas canções e, em especial, no hino a São Francisco, que ele nos brindou. Vem-nos  à lembrança a sua trajetória manifestada ainda quando muito jovem cantando em rodadas de amigos e  participando das reuniões do grêmio da Escola Caio Martins e das apresentações do jogral. Por fim, como era de se esperar, ele deu um salto formidável, foi para Montes Claros e lá encontrou outras artistas como ele participando do excelente Grupo Agreste – Gútia, Pedro Boi, Zé Chorró, Sérgio, Manoelito e Braúna, cantores e compositores que se consagraram, assim como o Tom. Um destaque muito especial quando Tom nos presenteou, em parceria com o  poeta Fernando Rubinger, a música Andança. Depois, Saudade Teimosa e uma adaptação do Bumba meu boi com Manuelito. No segundo LP do Grupo Agreste, “Chegança”  Tom, participou com duas parcerias com Manoelito: Quebra de Milho e Lamento Agreste.   O terceiro LP, em 1988, o LP “O Caminho se faz no caminhar...” Tom Andrade tinha uma relação muito afetiva com os jovens caiomartinianos e isto o levou, na década de 1980, a gravar um belo LP com um coral formado por alunos da Escola Caio Martins de Esmeraldas gravado em Belo Horizonte. São muitas canções e gravações, solo ou com bandas famosas; várias de suas músicas foram gravas por cantores famosos. Um belíssimo trabalho foi o CD Eternos Girassóis, com canções admiravelmente interpretadas por sua talentosa filha Lívia Andrade. Tom foi sempre muito generoso dando força a novos cantores.

A trajetória do Tom não foi só na música. Ele prestou serviço na Funai como técnico. Preocupado na formação de lideranças indígenas, ele encaminhou um grupo de indígenas para estudar no Centro de Treinamento da Escola Caio Martins de Esmeraldas, o que rendeu frutos sendo o principal Sonia Guajajara ministra do assuntos indígenas.

Atualmente Tom reside em Penedo, numa cidade que o remete diariamente à sua terra natal, pois ela fica às margens do rio São Francisco. 

Nesta noite congratulamo-nos, em nome de todos os são-franciscanos, com nosso tão ilustre conterrâneo e amigo. Sabemos do tanto que ele ama sua terra, assim como ele por ela é amado. Tom, receba nosso carinho e nossas homenagens.


UM SHOW DE GRANDES CANTORES


A participação de cantores da terra foi sensacional. Todos muito emocionados pela oportunidade de cantar para o amigo Tom enviando-lhe emocionadas mensagens, que ele acompanhou através de transmissão ao vivo por Fernando Luiz Fernando Araújo. Cantores e canções interpretadas, todas de autoria do Tom Andrade:  João Herbber: Saudade teimosa; Janine: Meu Olhar; Sérgio Ricardo e Umbelino: Voz da gente; Sérgio Ricardo: Zabumba; Guilherme Barbosa: Desventura do coração; Serjão: As meninas e  Meu Rio; Wendel: Carrancas; Adilson Canhoto: O caminho se faz no caminhar; Kaká Sposi: Quebra de milho (com coro do público); Adilson Chacrinha e Dedé: Saudade Severina; Edna Maria: Chuva no sertão; Dedé, Urucuiana, Agnaldo Roberto e Pepino – Zumbi. A belíssima canção Na minha terra passa um rio teve o solo de flauta de Jefferson Felizardo e a lindíssima declamação de Damaris com perfeita performance.

Apoio musical: Christian - contra – baixo, Tiago Moura - teclado e auxiliar de transmissão. Participação especial: coral de crianças da EE Coelho Neto, cantando o Hino da Escola composto pelo Tom Andrade. 


NOITE FANTÁSTICA


As pessoas que tiveram o privilégio de assistir a este belo espetáculo constaram como São Francisco tem enorme potencial artístico, são tantos e excelentes cantores que deram, com muita cainho e arte um “tom” muito especial às canções do Tom. Foi maravilhoso e a moçada tão talentosa mostrou o seu valor.

De parabéns, também e muito especialmente está o secretário João Hebber e sua equipe – da biblioteca e da Secretaria, que num esforço comum e com muita dedicação, ofereceram ao são-franciscano um espetáculo de rara beleza e muita arte. Melhor, ainda, foi ouvir a mensagem do Tom, lá da distante Penedos, quase à beira do mar, agradecendo, comovido a homenagem do seus conterrâneos e amigos.


 UM DETALHE


Do céu veio um abençoado presente para a festa: a dadivosa chuva. O público resistiu ao vento e ao aguaceiro, agradecendo a chuva e o espetáculo de tanta arte.

sábado, 22 de novembro de 2025

DOIS GRANDES RIOS – DUAS TRAGÉDIAS

 


O rio São Francisco, maior rio totalmente brasileiro, considerado o “fator precípuo da existência do Brasil”, o rio da “Integração Nacional”, tem uma pungente história da sua navegação.

Rio Volga principal via fluvial da Rússia, fundamental para o transporte, economia, cultura e ecossistema

Os dois importantes rios têm, em comum, o registro de uma pungente história: os barqueiros.

No rio São Francisco as barcas faziam o transporte de cargas e passageiros  no percurso entre Pirapora e Juazeiro num percurso de 2.300 km em viagens que duravam  quinze ou mais dias. Segundo  Zanoni Neves (Os remeiros do Rio São Francisco)  “as varas que os remeiros utilizavam para empurrar as embarcações rio acima eram instrumentos de trabalho contundentes, isto é, produziam ferimentos ... O contato do instrumento de trabalho com a pele do “reculta” (recruta), ou seja, o remeiro que que se iniciava na profissão, provocava o surgimento de pequenas bolhas no peito, conhecidas entre eles como cabeça de prego. Na verdade iniciava-se desta forma um processo inflamatório. Até consumar-se a cura, o principiante passava por uma longa e dolorosa iniciação, podia culminar com a utilização de toucinho quente, fervendo (ou sebo quente) aplicado ao ferimento – considerado pelos veteranos muito útil para a formação do calo. Às vezes era preciso segurar o recruta pelos pés e pelas mãos, pois a terapia não era propriamente indolor. O toucinho quente servia para cauterizar a ferida, formando-se então o calo”. Diz Zanoni que mesmo doente, o remeiro às vezes submetia-se ao trabalho para não sofrer agressões de seus pares. A alimentação dos remeiros, comum, era a jacuba feita de farinha de mandioca, rapadura e água.

A história dos barqueiros do Volga   e do São Francisco reflete a dureza e a resignação dos trabalhadores ribeirinhos. Ela evoca a imagem de pessoas simples, que enfrentam o sofrimento, a exaustão e o peso de sua sina com determinação e resistência, simbolizada pelo repetido comando "Firme, puxa!". Há uma comparação entre a grandiosidade indiferente do rio e a dura realidade dos barqueiros, que, apesar do sacrifício, continuam em sua jornada. Há uma reflexão sobre o destino e o ciclo da vida, inspirada em conceitos como o de semeadura e colheita, sugerindo que tudo tem seu tempo determinado, conforme ensinado pelo O Caibalion. O texto busca consolar e homenagear esses "pobres inocentes", reconhecendo a dureza de sua existência e desejando-lhes um descanso ou recompensa divina.

Triste trabalho e sina dos barqueiros, uma vida difícil e sofrida dos barqueiros, trabalhadores que puxam ou empurram barcos ao longo dos rios. Ele mostra a luta e a dor que enfrentam diariamente, carregando cargas pesadas e sentindo o cansaço e o sacrifício físico. Apesar de toda essa dificuldade, eles continuavam firmes em seu trabalho.

O que se deduz: a mensagem espiritual que, apesar das dificuldades, há um tempo certo para tudo. Ele traz a ideia de que existe um equilíbrio na vida, onde o sofrimento faz parte de um ciclo maior. Segundo a espiritualidade, tudo está conectado e nada acontece sem um propósito. Os barqueiros, com toda a sua dor e esforço, também têm um lugar e um momento de descanso no plano divino.

sábado, 15 de novembro de 2025

REALIZAÇÃO DE UM SONHO

 


Na avenida Oscar Caetano Gomes um pequeno prédio se destaca desde o mês de janeiro deste ano ostentando no frontispício o nome: Clínica dos Olhos Alto São Francisco. É mais que simplesmente mais uma clínica, a história desse empreendimento revela muito mais: a realização do sonho da jovem empresária Naiane Cordeiro Oliveira. À frente de uma ótica, no contato constante com clientes ela percebeu como para eles, alguns da zona rural, era precário o atendimento oftalmológico e o acompanhamento em casos de emergências. Aquela vivência, que lhe causava preocupação, a levou realizar um projeto ousado – e põe ousado nisso – construir uma clínica ótica onde pudesse proporcionar um atendimento diário, facilitado e prático às pessoas que dependem de acesso a oftalmologista. Construiu um pequeno prédio para instalar a clínica muito prático, desde o recebimento ao atendimento dos.  Depois, a aquisição dos equipamentos:  oftalmoscópio (para visualizar o fundo do olho), a lâmpada de fenda (para examinar as partes anteriores do olho com alta ampliação), o tonômetro (para medir a pressão ocular) e o autorrefrator (para medir o grau do olho). Prédio e aparelhos não foi tudo. Naiane conseguiu reunir oftalmologistas altamente qualificada, que atendem em Montes Claros e Belo Horizonte. Destarte, tornou possível à clínica agendar atendimento de segunda a sexta-feira. Um detalhe: o atendimento diário do oftalmologista é importante no caso de ocorrência de acidentes oculares como ocorrência de corpos estranhos nos olhos decorrente de acidentes de trabalho e outros. 

Corpo de oftalmologistas: Dr. Juliano Maia, Marden Azevedo, Lucas Veloso e Thiago Bassi. Dr. Juliano tem uma relação familiar com São Francisco, ele é neto do casal José D´Àvila Pinto e Jandira de Souza Pinto. Belo Horizonte tem consultório próprio, atende no Hospital Felício Roxo e em Montes Claros. Em São Francisco, ele faz um atendimento mensal por desprendimento pessoal em benefício da comunidade. A clínica é gerenciada por Leiliane Rocha Neves que, ao mesmo tempo, cuida dos procedimentos que antecedem o atendimento do profissional.

O desprendimento da jovem Naiane mais que um espírito empreendedor, é um exemplo de tenacidade, de trabalho, tudo refletindo em benefício da população são-franciscana.

CONSCIÊNCIA NEGRA

 





No dia 20 de novembro, feriado nacional, celebra-se a importância da cultura e luta do povo negro contra o racismo e a opressão. É oportuno que se faça uma revisão sobre a história do negro no Brasil e, consequentemente, ao fio da nossa etnia. Então, somos levados a ultrapassar a antropologia detendo-nos em um aspecto singular, o que certamente mais fala do negro em nossa formação: à sua personalidade e à sua alma. Isto pode ser visto no fantástico livro MÃE ÁFRICA de Fidêncio Maciel de Freitas, que nos leva a mergulhar na África onde ele viveu na República Camarões por mais de quatro anos como diretor de uma grande construtora brasileira. Interessado apaixonadamente pela África, escreveu o livro revelando religiões, crenças e costumes africanos com singularidade e honestidade – uma obra apaixonante de imenso valor histórico e cultural.

Na apresentação do livro, ele delineia o seu conteúdo fundamental: “Nada mais ultrapassado do que discutir superioridades raciais. Os homens são iguais, embora as culturas sejam diferentes. Usando uma linguagem moderna podemos dizer que o homem é uma máquina viva, dotada de um computador. E o que diferencia um indivíduo do outro não é a máquina, nem o computador, mas o software instalado em cada um. Este software é a cultura da pessoa, no seu sentido mais amplo. Acrescente-se a esta definição materialista o sopro de Deus, já que o homem é um ser religioso, mesmo que, às vezes, possa não aceitar esse fato”. Ele cita Gilberto Freyre (Casa Grande & Senzala) uma verdadeira ode referencial à nossa etnia:  “Todo brasileiro, mesmo o alvo, de cabelo louro, traz na alma, quando não na alma e no corpo (...), a sombra, ou pelo menos a pinta do indígena ou do negro (...) A influência direta, ou vaga e remota do africano. Na ternura, na mímica excessiva, no catolicismo em que se deliciam nossos sentidos, na música, no andar, na fala, no canto de ninar menino pequeno, em tudo que é expressão sincera da vida trazemos quase todos a marca da influência negra da escrava ou sinhama que nos embalou. Que nos deu de mamar. Que nos deu de comer, ela própria amolengando na mão o bolo de comida. Da negra velha que nos contou as primeiras histórias de bicho e de mal-assombrado. Da mulata que nos tirou o primeiro bicho de pé de uma coceira boa, da que nos iniciou no amor físico e nos transmitiu, ao ranger da cama-de-vento, a primeira sensação completa de homem, do moleque que foi o nosso primeiro companheiro de brinquedo”.

Tudo resumido não há de se negar, nem estender polêmicas, somos uma nação com uma bela mescla: branco, negro e índio. E Deus seja louvado!


A ÁFRICA – II

Ao ensejo da comemoração da Consciência Negra, que implica num conceito que a todos interessa pela formação do povo brasileiro, vamos dar um giro ao grande continente africano.  

Na África, onde ficou a alma do negro? Nas savanas, florestas, rios, lagos, vales, animais, choças, instrumentos de caça e de trabalho, nos cantos e ritos livres, na voz da natureza, no murmurejar dos rios e fragmentar de cachoeiras, nos perfumes inebriantes da flora e tudo resumido no espírito coletivo: homem – terra na liberdade plena do seu assentamento milenar na Terra-Mãe. Ah! África milenar! África do Kilimanjaro de pico nevado beijando o céu, das cataratas da Vitória cavando abismos, dos lagos alimentando veios d´água, que serpenteiam suas extensas planícies. África milenar que na travessia da história traça os fios da civilização na estrutura de Lucy.  Do ouro, do diamante, do marfim, objetos da cobiça de homens que, não satisfeitos em usufruir e usurpar seus bens naturais foram além, quiseram o homem dele fazendo seu escravo ou objeto de riqueza no comércio humano. Alex  Haley em tintas vivas e marcantes pela ignomínia, no livro RAÍZES, descreve com realismo a escravidão, o desenlace extraordinário de tudo que naturalmente existia, a posse vital, que ao negro foi roubado arrancando-o da sua terra. Roubaram-lhe a Mãe-África e o levaram a um mundo que lhe era estranho em todos os sentidos. Contudo, como dádiva para a nova nação, da Mãe-África ele trouxe traços de sua alma base de uma nova raça. Por curiosidade, um são-franciscano quis conhecer a sua ancestralidade e para isto recorreu ao laboratório Genera fazendo o teste de ancestralidade genética e como resultado, ainda que considerado branco, teve como resultado que seu DNA procedeu de diversas regiões da África, concluiu, como Fidêncio, que a cor da pele não significa nada, pode ser a “máquina”, mas não o software.

São tantas as histórias, romances, poesias e músicas que buscam descrever a sanha do negro arrancado de sua terra-mãe, que com seu o trabalho, a sua arte e a sua alma, transformou-se em uma agente na criação de novas nações. Encontramos na literatura pátria registros do grito lancinante de revolta de autores diante de tão aviltante ignomínia, dentre eles Castro Alves em dois plangentes poemas: Vozes da África e Navio Negreiros, que em tempos idos eram declamados nas escolas primárias despertando nas crianças o conhecimento da etnia brasileira. Melhor, muito melhor, que o estardalhaço que se vê nos dias atuais sem sequer dar conhecimento daquilo que é mais importante para nossa nação: o que somos!

sábado, 8 de novembro de 2025

EE DR TARCÍSIO GENEROSO HOMENAGEIA PROFESSORES

 


A E.E. Dr. Tarcísio Generoso promoveu no sábado 8 o Programa Minas com Todos: acolher para avançar. O evento aconteceu no auditório do Colégio Pentágono com a presença dos diretores, professores e servidores do estabelecimento.

A abertura do evento foi feita pela vice-diretora, Vilma Beatriz, e diretor Antônio Marcos, manifestando a satisfação e alegria de contar com o trabalho tão dedicado e produtivo do corpo docente e servidores. Participação especial foi a palestra do professor João Naves, exaltando a importância do papel do educador na construção de uma sociedade melhor e na grandeza da pátria.

Participação especial, ressaltando o papel do educador: Mensageiros da Emoção.


Confraternização


Após o programa, a escola promoveu um momento de confraternização entre a direção, professores e familiares. Foi um momento de grande alegria.

terça-feira, 4 de novembro de 2025

CULTO AOS MORTOS


A História revela fatos demonstrando o respeito e veneração aos mortos passando pelo Egito, Índia, Grécia, México, Peru, entre tantos outros países. Segundo Fustel de Ccoulanges “os mortos eram tido como entes sagrados. Os antigos davam-lhe epítetos mais respeitosos que podiam encontrar em seu vocabulário; chamavam-lhes de bons, santos, bem-aventurados (...) os túmulos eram templos destas divindades. Por isso tinham a inscrição sacramental Dis Manibus (Deus, dê-me mãos). Diante do túmulo havia um altar para os sacrifícios igual ao que há em frente dos templos dos deuses”.

O que é visto atualmente difere um pouco do culto que os antigos reservavam aos seus mortos, mas preserva-se o sentimento, o que se observa nas manifestações do Dia de Finados – visita aos cemitérios onde túmulos de mortos mais recentes são cuidadosamente ornamentados com flores e manifestações de saudades. Por outro lado, o que chama atenção são os túmulos mais antigos de mortos que não têm mais parentes vivos ou famílias amigas que deles pudessem cuidar. Assim, no conjunto do cemitério, no caso o da Saudade, existem muitos túmulos em ruinas totalmente esquecidos. Alguns conservam antigas lápides onde são identificadas pessoas sepultadas, que tiveram vida ativa na sociedade e que fizeram parte da história de São Francisco. Um exemplo: o túmulo de José Rodrigues Bispo e sua esposa Maria Teodora. Ele era anspeçada da Polícia Militar de Minas, destacado no Palácio da Liberdade. Ele participou da Revolução de 1930, conquanto tenha recebido medalhas de honra, nela sofreu ferimentos que comprometeram sua saúde levando-o a morte prematura. Sua esposa, dona Maria Teodora participou da história são-franciscana como afilhada de Antônio Ferreira Leite,  Presidente da Câmara Municipal de São Francisco (chefe do executivo). O túmulo do casal estava abandonado com galhos de árvores e grades de ferro cobrindo a lápide e um imenso crucifixo de Jesus (nem o Divino Mestre mereceu atenção).

A Prefeitura, através de órgão específico, deveria cuidar da preservação desses túmulos: limpeza, alguns retoques, por menores que sejam, para preservá-los e transmitir uma atitude de respeito àqueles que foram parte ativa da sociedade são-franciscana. 

SÃO FRANCISCO: 148 ANOS


No dia 5 de novembro de 1877 a Vila São José de Pedras dos Angicos foi elevada à categoria de cidade recebendo o nome de São Francisco e, com tal ato, para ela foi transferida a sede do município de São Romão. São Francisco, contudo, tem uma história mais remota, possivelmente ao ano de 1702 (não há registro da data exata), com o assentamento da gleba de Domingos do Prado e Oliveira, que recebeu o nome de Pedras de Cima, referência ao belo cais de pedras azuis onde foi plantada a fazenda que, depois receberia o nome de Pedras dos Angicos, referência ao bosque de árvores do mesmo nome existente nas proximidades do cais. Com a criação da paróquia de São José em 1876, o povoado foi elevado à categoria de Vila de São José de Pedras dos Angicos. Em o resumo da origem de São Francisco.

O tempo foi passando. Pelo caminho do rio, embarcado em vapores, chegavam as famílias (Bahia, Pernambuco, Piauí, Maranhão e outros estados), que foram formando a sociedade da nova cidade. Outras famílias vieram pelo sertão, do núcleo fundado por Antônio Gonçalves Figueira, fundador de Montes Claros, companheiro de Matias Cardoso, pai de Januário Cardoso e tio de Domingos do Prado). Nos primeiros anos foram muitas as batalhas de combate a índios e bandoleiros e a índios rebelados no Nordeste.

Muita história passada, tantas lutas, tantas tragédias que geraram fatos marcantes, ainda que indesejáveis: Antônio Dó, Andalécio, o Barulho, que resultados da sanha política muito deletéria. São Francisco ocupava uma vasta área indo a limite com Goiás, englobando São Romão, Buritizeiro, Arinos, constituindo grande município. Vieram as emancipações: São Romão, Arinos e Buritizeiro e ainda assim, o município de São Francisco ocupava um vasto território de mais de 8.141km². Foi depois fracionado perdendo os distritos de Urucuia (que englobou Pintópolis) Serra das Araras (Chapada Gaúcha) e Icaraí de Minas. Atualmente com a área de 3.208 km², o 20º maior município do estado em extensão territorial São Francisco tem uma expressiva pecuária, com o maior rebanho bovino do Norte de Minas e grande produtor de leite. Certamente que portas se abrirão ensejando seu desenvolvimento com a ligação com o Noroeste de Minas e Brasília-DF através da ponte sobre o rio São Francisco. São novos tempos, é preciso, contudo, dar maior ênfase a sua cultura, que é muito expressiva em vários campos, uma das maiores do Norte de Minas. No caso, desponta-se o trabalho que vem realizando a Secretaria Municipal de Cultura com uma atenção muito especial para vários setores da manifestação da cultura popular e alavancando o turismo.

Há, então, motivo para comemorar os 148 anos da cidade e o desenvolvimento do município. 

terça-feira, 28 de outubro de 2025

REFLEXO DA CONSTRUÇÃO DA PONTE

 


Os são-franciscanos vivem a expectativa da construção da ponte sobre o rio São Francisco. Trata-se de um sonho acalentado há muitos anos, algumas vezes anunciada a construção com pompas para cair no esquecimento, logo depois dos períodos eleitorais, em desilusão. O governo Zema, neste ano,  reativou a esperança depois de um período de frustração com a paralisação da obra, então iniciada com festas. Neste ano o ritmo de trabalho desperta atenção e confiança. Ao mesmo tempo vê-se o avanço na pavimentação de trecho da rodovia MG 402, São Francisco – Pintópolis, que possibilitará a ligação do município a Brasília-DF e diversos municípios do Noroeste de Minas.

Interessante observar – o que passa despercebido em diversos setores da comunidade – é o reflexo da construção fora do município. Há um interesse de empresários com os olhos no futuro, o que poderá mudar o cenário de São Francisco em diversas áreas. Chama atenção, em primeiro plano, os projetos de construção de hotéis na cidade, que poderão cobrir uma lacuna muito grande no sistema de hospedagem com qualidade. Isso é importante quanto ao acolhimento confortável que poderá ser ofertado a viajantes e turistas (para quem não conhece, tem o exemplo de um hotel de meio de viagem localizado em Buenópolis – sabe-se de viajantes que amenizam o tempo de viagem, que vindo de Belo Horizonte, pousam naquela cidade. Tal pode acontecer com São Francisco que estará na rota de ligação do Nordeste com a Capital Federal. Estão sendo anunciadas as construções de três modernos hotéis na área próxima das barrancas do São Francisco. 

Outro fato que não pode passar despercebido foi a visita do empresário Pedro Lourenço de Oliveira, também conhecido como “Pedrinho BH” que está por trás do Supermercados BH, além de ser o dono da Sociedade Anônima de Futebol (SAF) do Cruzeiro. Ele visitou  o supermercado que tem na cidade, mantendo encontro com o prefeito Miguel Paulo. Como grande empreendedor que é, com ampla visão. Certamente a construção da ponte que ligará o Nordeste a Brasília não lhe passa despercebido.

São sinais externos. E aqui no município, o que se faz a respeito? Em alguns setores da comunidade já vem sendo debatida a situação, sobretudo quanto ao anel rodoviário colocando em apreciação o risco do acesso à ponte ser através de via urbana, a avenida Perimetral Oscar Caetano Júnior como se propala até mesmo em meios oficiais.

Trata-se de uma questão que deve ser discutida e debatida pela Câmara Municipal e com a sociedade, pois há detalhes importantes que devem ser observados anteriormente para que não se possa lamentar no futuro quanto ao que se tornar inconveniente.