OS PEQUENINOS
sábado, 11 de julho de 2026
MENORES NA MIRA - II
MENORES NA MIRA
“Com apoio de 79% da população, a redução da maioridade penal avança no Congresso
e vira um dos principais temas da campanha presidencial na área de segurança” –
abertura de reportagem da revista Veja (3 de julho de 2026) com o título “CADEIA PARA MENORES”.
Resumo, para ilustrar o fato, reproduzo um texto do livro Caio Martins – uma história de amor, na página seguinte.
OS PÁSSAROS
“Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem segam, nem
ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta...”
A palavra de Jesus no Sermão da Montanha tem significado profundo, uma lição prática contra a ansiedade, reforçando que temos muito valor aos olhos do Criador. Benditas sejam, pois, as aves que me trazem a mensagem de Jesus e tanto alegram nossa vida. Tenho-as em meu quintal. Algumas costumeiras refastelando-se da quirela que lhes ofereço e que, depois de se fartarem, retribuem com uma sinfonia de tons variados, porém harmoniosos: sabiá e sofrê – com sofejos apaixonados e doces; cardeal com o tope encarnado, rolinhas majestosas no caminhar, pardais saltitantes e arrelientos construindo ninhos nos beirais da casa e o bem-ti-vi denunciando não se sabe o quê. Estes são os costumeiros, do dia-a-dia. De quando em quando aparecem anus-brancos – sempre em trica – tão majestosos; uma dupla de xexéu que chama atenção pela barulheira que aprontam no alto da mangueira. Ultimamente, surgiram outros visitantes: sanhaços e maritacas atraídos pela jabuticabeira e cajá-mangueira frutificando. É uma farra. Fartam-se muito mais que os moradores da casa, pois cuidam da colheita bem de madrugada. Tudo bem. Eles não plantam...
O que me surpreendeu, e muito, foi a visita da uma pomba-trocal, majestosa paloma. É uma ave arisca, sempre vista nas grimpas das árvores onde arrulham e cantam apaixonadamente. Pois bem, certa manhã eis que deparei com uma delas bebiricando água escorrida da vasilha da cadela Serena. Bebericava tranquila, sem atropelo, sem se importar com a minha presença. Emocionei-me, pois era uma cena rara, quase impossível, ela ali tão tranquila, levantando a cabecinha e me olhando como velha companheira. Tive tempo em ligar o celular e filmá-la e fotografá-la. Ela ficou o tanto que quis e eu ali, chamando as pessoas para contemplarem o belo espetáculo da mãe natureza.
Mais tarde telefonei para o Guilherme Barranqueiro, o homem das aves, e narrei o fato para ele que me respondeu: “Tiraram as matas e elas estão cada vez mais urbanas”.
Aí está um dos resultados, uma demonstração sobre o que fazem com o meio ambiente os homens descuidados e, de certa forma, inconscientes.
Uma observação: a foto que ilustra esta página não resulta de IA.
sábado, 4 de julho de 2026
SÃO FRANCISCO PARA CNBB
O município de São Francisco foi incluído no roteiro empreendido pelo padre Luciano da Silva Roberto aos municípios de Januária, Maria da Cruz e São Romão com objetivo de conhecer as expressões culturais, lugares, memórias e a riqueza de sítios naturais. Em primeiro momento, padre Luciano encontrou-se com o escritor João Naves, que em breve interlóquio discorreu sobre a história e a cultura são-franciscana. Presente ao encontro o advogado Allan Johnnes, membro do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico que, por sua vez, destacou os pontos relevantes do município, culminando com a apresentação do seu maior patrimônio histórico: o pôr do sol.
O pe. Luciano é sacerdote do Clero da Arquidiocese de Mariana - MG. Realizou seus estudos de Filosofia na Faculdade Dom Luciano (FDL) e Teologia no Instituto Teológico São José, ambas instituições do Seminário de Mariana (em funcionamento desde 1750). Pós-graduado em História da Arte Sacra e Arquitetura Religiosa (FDL) e Análise e Gestão do Patrimônio Cultural (Uni-BH). Atualmente é mestrando em História na linha Patrimônio Cultural e Territórios (PUC-Goiá) e Assessor do Setor Cultura e Setor Bens Culturais da Comissão Episcopal para a Cultura e a Educação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil com sede em Brasília.
Pe. Luciano está em visita ao município de São Francisco e região conhecendo as expressões, bens culturais, lugares de memória e riquezas naturais para o acervo cultural/social da CNBB.
sábado, 27 de junho de 2026
DE OLHO NO FUTURO
A leitura é uma porta aberta para um mundo de descobertas sem fim - Sandro Costa

Na E.M. São Judas Tadeu, em um programa literário, um garotinho foi chamado para compor a “mesa de honra”. Serenamente ele tomou o assento e participou da programação, inclusive tomando parte em alguns números. Distinção: era um assíduo leitor (leu vários livros neste ano) tendo recebido o primeiro lugar no “Projeto Estrela” realizado pelas professoras bibliotecárias Eva Eliane Cecília Barbosa Pinto e Elzita Lemos de Almeida. Conversamos um pouco e ele, com muita desenvoltura revelou-me que adorava a leitura. Levei a notícia ao meu filho Ricardo, em Belo Horizonte, que se entusiasmou com o envolvimento do menino com a leitura resolvendo presenteá-lo com um belo livro: O Pequeno Príncipe, que se diz para criança, mas que o adulto gosta de ler e tirar lições. Nesta semana fiz a entrega do livro para ele ganhando de volta um doce sorriso de contentamento.
O nome do pequeno aluno: Murilo Alves Dias, 12 anos, cursando o 7º ano, filho de Joelson Pereira Dias e Silvana Alves de Jesus, morador no Brejo dos Angicos, zona rural.
Direção da Escola Municipal São Judas Tadeu: Daniela Moreira Lima e Jucélia Ferreira de Souza.
É muito importante esse trabalho da escola motivando os alunos para a leitura, pois com isso, proporciona-lhes um mundo de conhecimento ensejando-lhes a formação de salutar cidadania.
UM EXEMPLO DE CIDADANIA
Um pouco mais sobre o projeto de revitalização de nascentes e recuperação ambiental na comunidade de Gildete Cunha Rocha, de autoria de Eredi Gonçalves Ferreira Fernandes, membra dessa comunidade e proprietária de parte da área destinada à implantação do projeto apresentado em agosto de 2023.
Da proposta à realização o que se vê em 2026 é que não se trata apenas de uma ideia, de um propósito, mas de uma realização concreta. Em reunião do Codema, Eredi discorreu sobre o trabalho da comunidade na implantação do projeto e, o que é importante, com resultados: nascentes recuperadas e água represada onde antes tudo era árido. Segundo Eredi “a iniciativa surgiu diante da crescente degradação da nascente e da necessidade urgente de ações estruturadas de proteção ambiental, recuperação do solo e conscientização comunitária acerca da importância da preservação das águas. Além das ações de revitalização da nascente, o projeto contempla intervenções complementares voltadas à contenção de erosões, recuperação de áreas degradadas, implantação de cercamento protetivo, recomposição da mata ciliar e fortalecimento da educação ambiental comunitária”.
A presença dela à reunião do Codema foi além afirmando, na ocasião, que “a proposta busca integrar esforços entre comunidade, poder público, órgãos ambientais e instituições parceiras, promovendo uma atuação coletiva em defesa dos recursos naturais e da segurança hídrica das famílias rurais”.
Sem dúvida, trata-se de um importante projeto que deve inspirar todas as comunidades rurais e chamar a atenção do poder público no sentido de disseminar tão importante iniciativa que, outrora esteve na pauta da administração municipal.
ROMARIA DA FAMÍLIA FREIRE COSTA
Joaquim Meira, coordenador do Grupo de Poetas de São Francisco, enviou um relato sobre a “Romaria da Família Freire Costa” à Serra das Araras. O roteiro remete-nos a um acontecimento que mistura realidade a uma lenda: o achado de uma pequena imagem de Santo Antônio em uma loca da Serra das Araras, isso sem registro no tempo. No sopé da serra havia um pequeno povoado com moradores muito religiosos, como de comum no meio rural. A pequena imagem foi entregue aos cuidados de uma devota e, mais tarde, levada para a igreja da Vila de São José de Pedras dos Angicos (São Francisco) de onde, pouco depois, evadiu-se, voltando para a Serra. Daí, uma história (ou lenda) envolta em muitos mistérios teve início a peregrinação, as jornadas de romeiros ao pequeno povoado que tem, conforme registrado pelo viajante inglês George Gardner, em 1840 (em um pouso ele encontrou uma mulher que lhe disse que ia cumprir uma promessa a Santo Antônio, feita pouco antes quando estivera doente). Em princípio, as romarias tinham apenas o caráter religioso: cumprir promessas, celebrar batizados e casamentos. Com o tempo, além do ato de fé, o evento se transformou em uma festa popular e com forte apelo comercial. Contudo, o ato religioso persiste, com o pagamento de promessas. É o que conta o Meira.
“Na madrugada do domingo, sete de junho deste ano, um grupo formado pela família Freire Costa partiu, em romaria, rumo ao santuário de Santo Antônio na Vila de Serra das Araras cumprindo uma promessa de realizar a romaria durante treze anos em busca de um milagre.
A família Freire Costa, “dona da romaria” reside no bairro Sagrada Família. Neste ano contaram com o apoio de mais duas famílias compondo uma caravana de 21 pessoas. A caravana chegou à vila de Serra das Araras no dia 11 regressando no dia 14, um dia após a festa do padroeiro, Santo Antônio”.
sábado, 20 de junho de 2026
BIBLIOTECA DR. GERALDO RIBAS - II
O acesso dos são-franciscanos aos livros limitava-se a acanhado acervo da biblioteca da AASF. Circulava na cidade o pequeno jornal semanal SF – O Jornal de São Francisco, editado pela Associação dos Amigos de São Francisco, que publicava uma página literária. Mais nada. Então, Aristomil voltou a sua atenção para o campo cultural: a criação da primeira biblioteca pública da cidade. Sem recursos para investir na aquisição de livros, ele teve a iniciativa de chamar a comunidade para participar do projeto e, assim, ele conseguiu que muitas pessoas comprassem coleções de livros doando-as à biblioteca. A consagrada Editora José Olímpio apresentou mostruários de coleções aos doadores contratando, diretamente, a venda e, com isso, a entrega imediata das coleções à biblioteca que nascia e que foi entregue à administração da Fundação Municipal Alice Mendonça. Ela recebeu o nome de Artur Versiani, consagrado filósofo e educador de Minas Gerais.
Em 1977 a Fundação Municipal Alice Mendonça foi extinta. a administração da biblioteca passou à Prefeitura Municipal.
No dia 26 de agosto de 2019, através da Lei Municipal nº 2.300 de 11 de abril de 2006 a biblioteca recebeu a denominação de Dr. Geraldo Ribas em homenagem ao consagrado escritor e político são-franciscano. Ela funciona de segunda à sexta-feira no horário de 7h às 18h oferecendo excelente acervo para pesquisas de estudantes e público em geral contando com um corpo de cinco funcionários e coordenação da bibliotecária Jussara do Nascimento Pereira Madureira.
De dois em dois meses a biblioteca estende o horário de funcionamento a horário noturno participando do projeto Noite Mineira de Museus e Bibliotecas, ocasião em que são feitas apresentações e atividades culturais prestigiando escritores e cantores da terra.
BIBLIOTECA DR. GERALDO RIBAS
São Francisco perde muito de sua história por falta de registros. Depois da fase dos jornais SF-O Jornal de São Francisco, Nosso Tempo, O Barranqueiro e Veredas, não se encontra nenhum registro escrito dos fatos que marcam o dia a dia do município. Perde-se na transitoriedade das postagens eletrônicas, que são vistas hoje e esquecidas amanhã. É o que acontece com a Biblioteca Dr. Geraldo Ribas cuja história é desconhecida levando o Portal Veredas registrá-la em dois capítulos.
COMO FOI CRIADA A BIBLIOTECA MUNICIPAL
Década de 1960. São Francisco ainda era uma pacata cidade. Poucas ruas pavimentadas. Nenhum bairro, apenas a vila de Pescadores conhecida como Quebra e poucas casas além do hospital onde se encontrava o local da matança de gado, que recebeu o nome de Matadouro. Na saída para Montes Claros, a cidade limitava-se na caixa d´água do DNOCS (hoje COPASA). Na margem direita da avenida havia a manga de Gisélio Generoso, inclusive com um curral; do outro lado o cemitério e o campo de aviação com a residência do zelador, (tempos depois a Escola Municipal Dona Ditinha). Escolas haviam apenas o ginásio municipal (depois Escola Estadual Dona Alice Mendonça), Grupo Escolar Coelho Neto e Escola Caio Martins. A atividade esportiva se limitava a jogos e campeonatos de futebol no campo que se localizava ao lado do Ginásio Municipal, atualmente Centro Cultural, e quadra esportiva para prática de vôlei dos sócios da Associação dos Amigos de São Francisco cuja sede era onde hoje funciona a Câmara Municipal. O mercado municipal não fora ainda construído. As compras de peixes, abóboras e melancias eram feitas na beira do rio.
Nesse cenário, Aristomil Gonçalves de Mendonça assumiu o a administração municipal, isso no ano de 1967. Seu governo teve como destaque a pavimentação da avenida Presidente Juscelino, criação de uma feira popular, construção da Vila Militar, criação do bairro Aparecida. À míngua de recursos, pois àquela época os municípios não contavam com repasses do Fundo de Participação do governo federal, Aristomil construiu o Mercado Municipal adotando o sistema de incorporação – a venda antecipada das lojas a terceiros que faziam o pagamento diretamente à Incorporadora que, por sua vez, assumiu a construção do Mercado. Ao município ficou reservada a área central interna.
COPA NA ORLA DO SÃO FRANCISCO
De bom gosto e com muita arte a ornamentação do paredão do cais do rio São Francisco na cidade tendo como motivo a Copa do Mundo. Um trabalho muito esmerado, com muita arte, executado pelos artistas plásticos Fábio Ramos, Uelton Souza, Júlio César e Dyony Oliver, iniciativa da Prefeitura Municipal através das secretarias municipais da Cultura e Infraestrutura. Ressalte-se, ainda, o apoio de muitos comerciantes do município.
O painel reverenciou a figura de craques que deixaram marcas as suas atuações em Copa do Mundo com a camisa brasileira, entre eles Pelé, Ronaldinho, Ronaldo Fenômeno e, dos craques atuais Neymar e Vinicius Jr., com uma qualidade de pintura excelente.
Foi muito interessante a iniciativa da Prefeitura apoiando os jovens artistas plásticos que demonstraram que São Francisco tem excelentes profissionais da arte da pintura. E mais: uma atração para aquele recanto que tem recebido grande público, frequentadores dos três bares e apreciadores do famoso pôr do sol são-franciscano.
Quanto ao futebol é temerária a participação da seleção brasileira, distante dos escretes que tantas glórias trouxeram aos brasileiros conquistando por cinco vezes o título máximo do futebol mundial. Vinte e quatro anos decorridos sem que a camisa canarinho se revestisse de glória, algumas vezes com seleções pífias. O futebol de outros países evoluiu muito, até mesmo saindo do eixo europeu para ganhar a Ásia, a África e a América do Norte. Isso sem mencionar a fantástica evolução da seleção argentina. Infelizmente interesses econômicos e políticos, arrastam o futebol brasileiro a uma posição de desprestígio a nível mundial.
VALMIR DE OLIVEIRA, CIDADÃO SÃO-FRANCISCANO
Em reunião solene realizada na sexta-feira 19 a Câmara Municipal fez a entrega do título de cidadão honorário de São Francisco ao advogado Valmir José de Oliveira. A solenidade, presidida pelo vereador Ramiro Ferreira Lima, foi prestigiada pela família do homenageado, amigos e, especialmente, por membros da Loja Maçônica Acácia Sanfranciscana da qual ele é ativo membro e venerável por dois mandatos.
Em emocionado e profundo discurso Valmir agradeceu a comenda destacando que, de fato, sentia-se um são-franciscano, terra em que se realizou profissionalmente como advogado, constituiu sua família e tornou-se membro ativo da sociedade.
Falaram sobre o evento a desembargadora Karin Emmerich, João Naves de Melo e Franklin Vieira – orador e venerável da Loja Maçônica Acácia Sanfranciscna – ressaltando o importante papel do homenageado em prol da comunidade, que o tornava, de fato, um são-franciscano o sendo agora por direito. Sem dúvida, pois ele chegou a São Francisco com apenas 9 anos acompanhando seus pais José de Oliveira e dona Maria, e seus irmãos Creuza, Milsa e Airton. Em São Francisco frequentou as escolas do fundamental ao médio (Coelho Neto e Instituto Cel. José Ortiga), ausentou-se uma temporada para bacharelar-se em direito na Universidade de Itaúna-MG e, feito advogado, passou a trabalhar na comarca de São Francisco constituindo respeitável escritório. Como advogado, ainda, exerceu outras atividades como chefe de gabinete do prefeito José Carlos, advogado da agência do Banco do Brasil de São Francisco, advogado do PROCON-SF, presidente de diversas entidades, membro da diretoria da subseção da OAB de São Francisco e rotariano.
Coincidência: Valmir recebeu o título de cidadão são-franciscano no dia de seu aniversário, sendo saudado por todos os presentes ao evento.
sábado, 13 de junho de 2026
SEGUNDA NOITE DA SERESTA
5 de junho: repetiu-se a noite de encantamento, muito arte e alegria o evento promovido pela Ong Preservar na Casa da Cultura: a II Noite da Seresta. Formidável público prestigiou o evento vibrando, em vários momentos, com os cantores.
Gesilda Paraizo, mestre de cerimônia que conduziu a apresentação da seresta com muita classe, fala sobre o evento ao Portal.
“A noite de 5 de junho foi marcada por um capítulo fundamental para a salvaguarda da história e da identidade são-franciscana. A Casa da Cultura abriu suas portas para a II Noite de Seresta, um evento dedicado ao resgate, à preservação e à celebração da música popular brasileira e das ricas tradições que moldam a nossa comunidade. Promovida pela ONG PRESERVAR, em parceria com a Prefeitura Municipal, Secretaria Municipal de Cultura e Fundação Caio Martins (FUCAM), a ação transformou o espaço histórico em um ponto de encontro entre passado e presente, mantendo viva a memória afetiva e o patrimônio imaterial do município”.
O palco destacou guardiões dessa memória, os artistas/cantores: Sergio Santiago, Higor Cardoso, Sergio Alves, Wendell Brito, Cibele Brizola e Negrito Marques.
Destacou Gesilda: “Além da música, a Feira FUCAM enriqueceu o ambiente com artesanato local e gastronomia tradicional, preservando saberes passados de geração em geração. O Projeto Social Costura Criativa também esteve em foco com o sorteio de uma colcha de retalhos, unindo solidariedade e o resgate de técnicas manuais”.
E arrematou: “O sucesso da II Noite de Seresta consolida o compromisso de São Francisco com sua história. Os principais resultados incluem: preservação da tradição seresteira; valorização dos artistas e detentores do saber local; fortalecimento do Projeto Social Costura Criativa e integração entre música, memória, artesanato e gastronomia. Valorizar o patrimônio cultural é o caminho para construir o futuro de uma comunidade consciente de suas raízes”.
ROMARIA DE SANTO ANTÔNIO DE SERRA DAS ARARAS
No mês de junho São Francisco se transforma com as festas juninas, uma tradição que avança nos anos. Na primeira quinzena as atenções estão voltadas para a Vila de Serra das Araras, município de Chapada Gaúcha (desmembrado do município de São Francisco) onde se celebra, anualmente, a festa de Santo Antônio, que provoca um movimento extraordinário na travessia do rio São Francisco e deixa a cidade em estado de frenesi. A culminância da festa é hoje, dia do santo cuja imagem, segundo uma lenda, foi encontrada por caçadores de ninhos de araras na serra, que foi batizada com o mesmo nome. Indo além diz-se que a pequena imagem, que causou alvoroço no pequeno povoado plantado ao pé da serra, foi levada para a Vila de São José das Pedras dos Angicos onde foi entronizada em belo nicho. O santinho não gostou do agrado e fugiu na calada da noite, enfrentando a pé, uma longa jornada por trilhas arenosas. Nasceu, daí a famosa romaria. E o registro dela vem de longe anotado pelo naturalista inglês George Gardner em 1840 no livro Viagem ao Interior do Brasil (39 anos antes da criação da cidade de São Francisco).
De simples romaria, em jornada enfrentada a pé, com carro de bois ou a cavalo, por trilhas que avançando pelos gerais, cortando encantadoras veredas, ponto de pouso de romeiros, chegou-se, atualmente, a um fantástico aglomerado de milhares de romeiros que transformam a pequena vila em um imenso formigueiro.
Tudo resumindo com tanta expressão, como manifestação religiosa ou simplesmente entretenimento; com o encanto das jornadas com visão de paisagens paradisíacas (veredas), é se perguntar por que São Francisco, sem qualquer esforço, perdeu tão preciso patrimônio religioso, histórico e cultural?
sábado, 6 de junho de 2026
FESTIVAL II – AS CRIANÇAS
Prosseguindo nas observações do Nino vamos encontrar o papel de destaque das crianças no evento e observações pertinentes quanto a organização.
“Foi marcante a expressiva participação de crianças e adolescentes nos grupos. A presença das novas gerações nas quadrilhas demonstra que a cultura popular continua viva e em processo de renovação. Em tempos nos quais muitas tradições enfrentam dificuldades para manter sua continuidade, observar jovens envolvidos de forma ativa nas manifestações culturais é um indicativo positivo para a preservação do patrimônio cultural imaterial do município. Esse cenário reforça a importância de que o poder público amplie os investimentos em infraestrutura, formação e fomento, garantindo condições adequadas para que esses grupos possam continuar desenvolvendo seu trabalho.”
A observação do Nino é muito pertinente e comunga com a preocupação que tem sido expressada na Ong Preservar, Conselho Municipal de Cultura e Codema, indicando a necessidade e importância de inserir no trabalho escolar do município abordagens a respeito do meio ambiente, da história e da cultura são-franciscana. Tudo no sentido de que não se perca, de vez, o elo com a história, a cultura e a tradição do povo são-franciscano.
Em futura postagem serão abordadas outras observações e sugestões apresentadas pelo Nino no embalo do Festival.
O VI Festival de quadrilhas foi um sucesso
O VI Festival de Quadrilhas realizado pela Secretária Municipal de Cultura de São Francisco foi um sucesso em todos os aspectos: rara beleza plástica, evolução, histórico, encenação e, sobretudo, reflexo de participação popular, sobretudo crianças.
Nino, Arquiteto, Urbanista e Fotógrafo que atualmente preside o Conselho Municipal de Patrimônio Cultural de São Francisco, que assistiu ao festival fez, para o Portal, um comentário que merece uma atenção especial do público e, principalmente das autoridades municipais.
Nino relata: “A experiência permitiu não apenas apreciar as apresentações, mas também observar aspectos relevantes relacionados à dinâmica cultural do município e ao fortalecimento das manifestações populares. Como fotógrafo, aproveitei a oportunidade para realizar registros dos grupos culturais participantes, especialmente dos coletivos de São Francisco. Essa é uma prática que procuro desenvolver sempre que possível, pois muitos grupos possuem poucos registros sistematizados de sua trajetória. A produção e posterior disponibilização dessas imagens contribuem para a construção de seus acervos documentais, fortalecendo a memória cultural local e oferecendo subsídios para comprovação de suas atividades em processos de fomento e reconhecimento cultural”.
“O festival foi dividido em duas categorias: municipal e profissional. A categoria municipal reuniu quatro grupos de quadrilha do município, enquanto a categoria profissional contou com a participação de grupos oriundos de Brasília de Minas, Salinas e São Romão. Os grupos da categoria profissional já haviam participado de edições anteriores do festival e retornaram este ano para disputar a competição em um nível mais elevado de exigência técnica e artística. Um dos aspectos que mais me chamou atenção foi o fato de os quatro grupos representantes de São Francisco serem oriundos do Bairro Sagrada Família, sendo um deles originalmente dedicado à manifestação cultural do Boi de Reis e que, este ano, estreou sua atuação com um grupo de quadrilha. Essa concentração e diversificação de atuação cultural dos grupos evidencia a força da mobilização comunitária naquele território e demonstra a existência de um ambiente favorável à manutenção e ao desenvolvimento das tradições culturais populares. Trata-se de uma informação relevante para o planejamento das políticas culturais do município, uma vez que revela a capacidade de organização e engajamento cultural existente nessa comunidade”.
AINDA HÁ ESPERANÇA
Na reunião do Codema realizada no dia 2 p. passado foi apresentado um projeto de revitalização de nascentes e recuperação ambiental da mais elevada importância. Ele foi elaborado por Eredi Gonçalves Ferreira Fernandes, membra da Associação Comunitária da Comunidade Gildete Cunha Rocha e proprietária de parte da área destinada à implantação do projeto, na região da Barriguda. Os membros do Conselho receberam com entusiasmo o projeto, que revela uma grande preocupação de uma comunidade em defesa do meio ambiente com uma ação relevante de proteger e preservar um recurso hídrico tão precioso para aquela comunidade. O projeto apresentado remete os são-franciscanos aos anos que havia uma preocupação muito expressiva no sentido de revitalizar a bacia do rio São Francisco, o que teve início com a recuperação da bacia do Pajeú com o projeto Plantando Água do PJBN e, depois, Codema. O quanto se fez no município com proteção de nascentes, construções de barraginhas, terraços e tanques recuperando mananciais e dando sustentação a poços tubulares. Quantas as ações foram além protegendo cerrado e veredas com a participação ativa do Ministério Público. Lá se foi o tempo.
Agora, a comunidade Gildete Cunha, por iniciativa e com recursos próprios demonstra que é possível recuperar e manter mananciais que, por extensão, além de servir às comunidades, leva água ao São Francisco. Que seja pouca, mas é importante dizer que se houvesse um trabalho desta natureza em todo o município certamente a contribuição ao rio seria muito maior.
O Portal Veredas traz, nesta página, uma ilustração de parte desse trabalho fantástico. Em páginas futuras serão prestadas mais informações e da verdadeira dimensão desse trabalho.
sábado, 30 de maio de 2026
É BONITO DE SE VER
Minha terra tem palmeiras/onde canta o sabiá/
As aves que gorjeiam/ Não gorjeiam como lá – Gonçalves Dias
Coloque-se na orla do rio São Francisco, da praça dos Pescadores à Lagoa da Luzia. Pare! Assunta em tempo de meditação. Comungue-se com a natureza... E aí vai descobrir quão imensa é a riqueza ecológica que a Natureza presenteia ao são-franciscano que, despercebido, não mergulha no encanto de um paraíso. O trabalho fotográfico de Guilherme Barbosa Pereira registra com rara beleza e sensibilidade, um espetáculo que foge aos olhos das pessoas desatentas que passeiam pela orla. Nem dá para acreditar que da Pousada do Peixe-vivo, passando pela mata da Fundação Caio Martins, bosques da orla (da Praça dos Pescadores à Lagoa da Luzia), exibem-se, com plumagens multicoloridas, poses especiais, tantas aves, tantas de espécies até desconhecidas comumente. O trabalho fotográfico do Gui vai além fronteiras e são muitas as mensagens de pessoas manifestando desejo de vivenciar tal espetáculo. (Abaixo uma pequena amostra de tão raro espetáculo alado – no geral, da Fucam à Tapera ele registrou 225. Há ainda, uma diversidade de animais: iguana, teiú, cachorro do mato, jaguarundi, coelho do mato, barbado e mico.
Pois é, com tal riqueza ecológica, há muita gente que pede, e insiste, que essas lagoas pluviais às margens do rio, na cidade, sejam patroladas apontando uma causa, sem comprovação: que elas são viveiros do mosquito da dengue. Com a existência de peixes e visita de tantas aves, a possibilidade é reduzida. Pior, no caso, é o que causam pessoas inescrupulosas que jogam lixo nas margens dessas lagoas. Sem o acúmulo de lixo e folhas secas em suas margens o mosquito não encontra refúgio seguro para depositar os ovos.
Em resumo: cidades como Montes Claros, Sete Lagoas (tem 17 lagoas), Lagoa da Prata, Lagoa Santa e Belo Horizonte têm também lagoas na área urbana.
EM DEFESA DO RIO SÃO FRANCISCO
O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco instituiu 3 de junho como Dia Nacional de Mobilização em Defesa do Rio São Francisco. A ação tem como objetivo promover debates sobre a importância de preservar a bacia, que abrange 8% do território nacional, que tem uma extensão de 2.863 km e uma área de drenagem de mais de 639.219 km² se estendendo desde Minas Gerais, onde o rio nasce, na Serra da Canastra, até o Oceano Atlântico, onde deságua, na divisa dos estados de Alagoas e de Sergipe.
O município de São Francisco tem um privilégio duplo em relação ao rio. Primeiro por ser seu caminho na extensão de Sul-Norte; segundo por ser homônimo dele. Em tempos passados o município tinha certa importância com muitos tributários: Acari, Pardo, Angical, Renascença, Mangaí, Guaribas, Pajeú, Boi Morto – muitos deles extintos ou intermitentes – e dois rios: Acari e Pardo seriamente comprometidos por enormes bancos de areia e pouquíssima água. Então é muito séria e comprometedora a situação do município neste contexto, ou seja, somente se vale do rio, o veio principal, e pouco se lhe dá.
O município chegou a avançar muito com ações mitigadoras em defesa do São Francisco, trabalho constante realizado nas áreas de reposição com construção de barraginhas, tanques e proteção de nascentes. Uma desastrada administração municipal não entendeu a importância vital de proteger as águas do município e, consequentemente, o rio São Francisco. Trabalho eficiente perdido.
São Francisco foi responsável (através do Codema) da criação do Comitê de Bacia Hidrográfica-SF9 cobrindo 24 municípios. Neste ano, nem mais isto tem o município, a sede do CBHSF9 foi transferida para Montes Claros. Fica a pergunta: o que há para se comemorar? Tempo há, é o que se vê na página seguinte.
sábado, 23 de maio de 2026
5ª FESTA DO CARRO DE BOIS DE PEREIROS
No último sábado (16), aconteceu mais uma edição da tradicional Festa do Carro de Bois das famílias Ribeiro e Almeida, reunindo carreiros, cavaleiros e moradores em um grande momento de cultura, fé e tradição sertaneja.
A programação teve início na Fazenda Capitólio, com a bênção dos carros de bois, carreiros e cavaleiros, que participaram da carreata. Em seguida, os participantes seguiram em cortejo pelas estradas da região, com parada para almoço na fazenda de Tone da Cantina, ponto de encontro marcado pela confraternização entre as famílias e visitantes.
A chegada dos carreiros na Fazenda Almeida foi marcada pela emoção do público, que acompanhou e aplaudiu a apresentação de cada comitiva. Neste ano, o evento contou também com a participação especial de carreiros do município de Pintópolis, fortalecendo ainda mais a valorização das tradições culturais da região.
Encerrando a festa, o público aproveitou shows com artistas da terra. A programação musical começou com a apresentação de viola de Geann Aquino e seguiu animada ao som das bandas de forró Klevinho Soares e Márcio Leal.
Texto: Jonas Silva Ribeiro
sábado, 16 de maio de 2026
O PÔR DO SOL
Várias tardes eu vaguei,
Nas coroas que são filhas
Do vale das maravilhas,
Do saudoso Noraldino;
Indizível alegria
Se apoderava de mim,
Ao mirar o céu sem fim
De fulgor esmeraldino.
Nunca mais esquecerei
O belo efeito de luz,
Que de tarde o sol produz,
Ao despedir-se do dia,
Contrastando com a sombra
Da noite triste caindo
E, meigamente sorrindo,
O astro-rei se despedia.
Era uma vista soberba,
Era um cenário radioso,
Quando o astro formoso
No ocaso se escondia,
Fantasiando novos quadros
Das cores mais brilhantes,
Joias finas e elegantes
De encantadora poesia.
Se um dia quiseres ver
Esplendorosas pinturas
E o canto das saracuras,
Que é o hino do arrebol,
Vinde cá na minha terra,
No meu torrão belo e arisco,
Vinde ver em São Francisco
Como é lindo o pôr do sol!
Revolvendo velho arquivo encontrei esta beleza de poesia com uma dedicatória: “Ao fulgurante talento do Professor João Naves. Januária, 21 de setembro de 1961. Joviniano dos Santos”. Como ele foi generoso comigo, um jovem professor
Eu tinha um ano e meio de vivência em São Francisco, transferido da Escola Caio Martins do Núcleo Vale do Urucuia para dirigir o Centro de Treinamento para Jovens Líderes Rurais da Escola Caio Martins substituindo o Coronel Oscar Caetano, que se afastara depois de prestar inestimável contribuição à obra, que inaugurou. À época eu já era cronista do saudoso jornal SF-O Jornal de São Francisco o que ensejou, certamente, contado com o poeta Jovem da Mata.
Diante de tão inspirada poesia, que canta o maior e inigualável tesouro de São Francisco, antes que se perca no tempo, a publico no Veredas, rendendo homenagens ao amigo, para nós conhecido como da Jove da Mata, posto ser fazendeiro na Mata do Engenho, nas barrancas do São Francisco, município de Januária, cidade irmã de São Francisco. Enviada, ainda, cópias para o pessoal do Conselho Municipal da Cultura e Grupo Poetas de São Francisco.
13 DE MAIO: UMA DATA COM DOIS SENTIDOS
UM: O Dia de Nossa Senhora de Fátima comemorado intensamente pela Igreja Católica em dezenas de países, com destaque especial para Portugal onde ela apareceu para três pastorinhos.
DOIS: dia da Abolição da escravidão, a Lei Áurea assinada pela princesa Isabel em 1889. O ato provocou a impopularidade da Monarquia e a princesa Isabel foi a mais execrada principalmente pelos barões, os grandes fazendeiros do café, porque não foram indenizados pela perda dos escravos (a explicação dada a respeito não se justifica). A princesa foi esquecida pelos brasileiros, nem sequer é festejada a data da abolição, contudo deixou uma célebre mensagem: . "Se mil outros tronos eu tivesse, mil tronos eu perderia para pôr fim à escravidão!"]
TRÊS: escritores, políticos, jornalistas engenheiros e outros negros que se destacaram na história do Brasil e não são reverenciados, conquanto tanto se deve a eles.
José do Patrocínio: foi um dos maiores jornalistas, escritores e líderes abolicionistas do Brasil. Conhecido como o "Tigre do Abolicionismo", ele usou sua oratória e seus jornais para mobilizar a opinião pública contra a escravidão.
Luiz Gama: advogado, abolicionista, orador, jornalista e escritor. É o Patrono da Abolição da Escravidão do Brasil. Nascido de mãe "negra, africana livre" e pai "fidalgo", Gama era livre quando o próprio pai o vendeu como escravo aos 9 anos de idade, e permaneceu analfabeto até os 17.
André Rebouças: engenheiro, inventor, empresário e intelectual foi um dos mais importantes articuladores do movimento abolicionista
Nilo Peçanha: professor, advogado, deputado, senador, governador e presidente da República. Teve papel importante no desenvolvimento da educação no país e na relação com os indígenas com um dos marcos mais importantes da história indigenista brasileira: a criação do Serviço de Proteção aos Índios (SPI), que mais tarde deu origem à atual Fundação Nacional dos Povos Indígenas.
Sem dúvida, o Brasil coleciona outros vultos que foram esquecidos e não são reverenciados pelo tanto que fizeram à nação. 13 de maio, pelo que eles representaram no movimento abolicionista seria a data apropriada para lembrar do feito deles.
MUITO COM TÃO POUCO – I
O trabalho social no município tem se desenvolvido com a participação do voluntariado, associações comunitárias e outras que, às duras penas, promovem mudanças de destaque. Nesse campo encontra-se a Associação Esperança Capoeira que tem à frente Antônio Ferreira Silva, conhecido como Tok-Tok que há mais de 30 anos trabalha com crianças, jovens e adultos sem qualquer apoio do poder público. O centro de suas ações está no CT Esperança localizado no Jardim Milena, onde trabalha com crianças e adolescentes, de 7 a 16 anos ministrando-lhes aulas de capoeira e muay thai. Noutras áreas ele atende nas seguintes comunidades: Porto Velho, Bom Jardim, Santa Helena e na sede da Ong Preservar ministrando aulas de capoterapia para adultos, na maioria idosos; e capoeira e mauy thai para crianças e jovens. E mais, dedica-se ao futebol coordenando a equipe Unidos de São Francisco – infantil, juvenil e amador – que, atualmente, está disputando um torneio regional (Norte de Minas).
Os mestres Tok-Tok e Coyote, outro que se dedica à mesma atividade, recentemente levaram 2 jovens ao Rio de Janeiro para participar de um torneio nacional de muay thai que foram bem sucedidos sagrando-se campeões. Atualmente ele está preparando uma equipe de 8 alunos para participar de um torneio de muay thai regra K1, em Montes Claros, no dia 16, com a participação do CT Energia, de Coyote (inclusive um representante do município de Icaraí de Minas).
É formidável o trabalho do Tok-Tok praticamente voluntário, pois o que recebe pelas aulas de capoterapia e de alguns alunos, mal cobre as despesas de locomoção para as comunidades rurais, inclusive pagando a travessia da lancha. Quantos jovens mudaram de vida graças o envolvimento com as práticas esportivas e as lições recebidas no CT Esperança (o nome já diz tudo)?
Apoio decisivo Tok Tok só tem recebido de Francis D´Ávila Soares (Nino) na parte organizacional e captação de recursos com o fim de custear as viagens dos alunos/atletas – tema para o próximo capítulo.
sábado, 9 de maio de 2026
REFLEXÃO
O Brasil se encontra como um navio à deriva em alto mar açodado por violentas ondas que, à falta de lastro, está adernando com risco de naufrágio. Para o cidadão de bem e cônscios de seus deveres a situação é crítica se constituindo num verdadeiro dilema expressado em dito popular: “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. O fato é que o cenário é de total desencontro em todas as camadas. Destrambelhou-se a governança tornando-se difícil encontrar um porto seguro (qualquer um é um risco), pois as ondas convergentes não se ajustam e não permitem a governabilidade do leme do barco.
No Brasil, pelo que se acompanha em eventos sociais, culturais e, principalmente, artísticos, as pessoas que desejam uma rota do bem, alcançar um porto seguro, ficam desnorteadas. O governo federal não tem a indicação da rota segura, perdeu-se a bússola e, tenta-se tampar os rombos no caso do grande navio. Os marinheiros se desencontram nas ações. Querem, uns, arcar com a responsabilidade de conduzi o barco, produzem esforços nesse sentido; outros apenas esperam a ração e se contentam com isso sem se importar com a tragédia prevista, pois só se interessam pelo presente, o agora. Aí, conclui-se, tem falhado a escola de formação de marinheiros, pois nelas nada mais interessa do que o proselitismo, ou aproveitar-se de benesses apenas pelo comparecimento nela. Aprender, desenvolver-se, tudo não passa de mera questão de aproveitar o tempo. A educação afunda-se como o navio.
Emite-se o SOS. Ouvidos moucos. O grito perde-se no etéreo. Na cabine confortável, desprezando o perigo, o capitão desenha rotas e mais rotas sempre com o propósito de encontrar um porto que seja do seu e dos seus. Leva-se a uma frase de Kant: “Age de tal modo que possas tratar sempre a humanidade, seja em tua pessoa, seja no próximo, como um fim; não te sirvas jamais disso como um meio”. Pois é, enquanto o capitão e seus comandados e seguidores agirem egoisticamente pensando apenas em si, a outra banda da tripulação corre o risco do naufrágio.
PROFESSORA SEBASTIANA PEREIRA DA SILVA
Muitos vultos que tiveram papel importante na história de São Francisco não têm destacados a sua importância e o seu trabalho em prol da coletividade e fatos de sua vida. Dos mais ilustres aos mais humildes, consultando suas trajetórias, descobre-se como foram elos significativos na composição de nossa história. Neste contexto temos a figura da professora Sebastiana Pereira, um caso à parte, pois seu nome foi dado a uma escola estadual (Santana de São Francisco) e Biblioteca da EE Dr. Tarcísio Generoso. Conquanto relevante os destaques, mister ir além e levar seu trabalho ao conhecimento público apresentando sua biografia.
A professora Sebastiana Pereira da Silva nasceu no dia 8 de agosto de 1939 e faleceu 29 de dezembro de 1979. Filha única do casal Francisco Rodrigues de Macedo e Maria Senhora Natividade, desde cedo demonstrou responsabilidade, força e sensibilidade. Era casada com José Rodrigues Damião com quem teve sete filhos, reconhecida sempre como uma mãe exemplar e uma filha dedicada. Uma destacada família na região de Santana de São Francisco (Jiboia).
Ela destacou-se como uma mulher provedora, resiliente e determinada, enfrentando desafios com coragem e dignidade. Com formação até o Ensino Fundamental (anos finais), cursado na EEDAM em São Francisco, demonstrou grande vocação para o magistério, o que se realizou, pois atuou por 24 anos como educadora em escolas rurais, com dedicação e compromisso. Lecionou na comunidade de Logradouro e foi professora fundadora da Escola Estadual Sapé de Relíquias. Trabalhou na Escola Estadual Doutor Tarcísio Generoso, onde encerrou sua carreira.
Contribuições e Legado: a professora Sebastiana foi uma educadora dedicada que transformou vidas por meio da educação, especialmente em comunidades rurais. Mesmo com poucos recursos, levou conhecimento, esperança e oportunidades a muitos alunos, deixando um legado de compromisso, amor e transformação social.
Sua memória permanece viva na comunidade escolar e entre todos que foram impactados por sua trajetória vê-se manifestações – de ex-aluno: “Ela ensinava com paciência e carinho, e acreditava no potencial de cada aluno”. De uma ex-aluna: “Mais que professora, foi como uma mãe para muitos de nós”. De uma colega de trabalho: “Foi uma professora dedicada, que nunca desistia diante das dificuldades.”.
A professora Sebastiana sempre foi respeitada como dedicada mestra, comprometida com a missão e de trabalhar como agente transformadora da educação. Seu legado permanece vivo nas escolas, na comunidade e na memória de todos que tiveram a oportunidade de conhecê-la ou aprender com seu exemplo.
sábado, 2 de maio de 2026
LOCHA NOS DEIXOU
No dia 22 deste mês uma fatalidade levou o folião Locha ao encontro de sua esposa Tonica (Antônia da Silva Souza) que o precedeu no encantamento deixando-lhe imenso vazio, reclamado dia a dia. No dia 22 ele sentado no tradicional banquinho, como ficava todos os dias, na frente de sua casa, mais uma vez manifestou: “Tonica, venha me buscar”. Ao regressar ao interior de seu lar, um escorregão e na queda sofreu uma concussão cerebral que o levou à morte. Foi realizado o seu pedido.
Filomeno Alves de Souza, era seu nome de batismo; Locha o nome comum entre seus companheiros dos ternos de folia e nos campos da Escola Caio Martins fabricando tijolos. Era uma criatura alegre, que se mostrava sempre tão feliz com vida, o que ele sempre irradiava. Na Escola Caio Martins ele era parte de uma grande família, não apenas como oleiro, mas como grande companheiro e propagador do nosso folclore. Exímio folião, que se exibia tanto na caixa quanto na viola; criador de versos para as danças do Quatro e do Lundu sempre se inspirando na fauna, inventando palavras que ganhavam sentido conforme a história narrada no canto: “Vô m´imbora, vô m´imbora não/ Pois eu vi duas roxa chorando debaixo do laranjá”, “Papai mamãe não qué que eu case com José/ José é um malandro, não dá conta da muié”. E o belo e sensível verso que embalava a dança do quatro: “Canarim preso na gaiola, que tristeza num será/ Canarim panhô solto, ôiá/ Que alegria num será/ Canarim, passarim bunitim/ Foi pra rua passeá”.
Na década de 1980, quando eu dirigia o Centro Integrado das Escolas Caio Martins de Esmeraldas, onde estudavam diversos jovens de São Francisco e região, formei um grupo para apresentações do nosso folclore – coral, dança e jogral. Sem problema para o coral e o jogral, mas no caso da dança, para ter autenticidade, reproduzindo o nosso folclore, era indispensável o toque inebriante da viola e o sonoro e apaixonado repique da caixa no lundu, no quatro e na catira. Encontrei um meio para resolver o problema, chamei o meu amigo Locha e ele, prontamente, passou meses no CI ensinando os repiques da caixa e os acordes da viola. Com nosso coral era convidado para apresentações em Betim, Belo Horizonte e, uma, de maneira especial em Divinópolis a convite do prefeito. O coral se apresentou em uma acústica em praça pública recebendo cumprimentos do prefeito e, especial, da grande poeta Adélia Prado – Locha foi parte do grande feito.
Em São Francisco Locha era um folião respeitado e amado, sempre alegre, feliz, criativo, excelente cantor e “dançador” do Quatro e do Lundu. Sem dúvida, um nome para a nossa galeria de mestres da arte popular ao lado de Minervino, Nego de Venança, Adão Barbeiro, Vicente Quiabo, Henrique Quente, como parte de uma galeria de tantos foliões que se transformaram em agentes que cultuavam, preservavam e divulgavam a nossa cultura.
Locha se encantou aos 85 anos. Com Tonica ele teve oito filhos (sete mulheres).
Locha, sentimos saudades. Você, agora estará tocando viola com Minervino e Adão Barbeiro para agradar São Pedro.
REFLEXÃO
O poeta J.G. Jorge de Araújo inaugurou o soneto Naturismo com esta estrofe: “Foi aprendendo a ler que aprendi a pensar/ e hoje pelo pensar sou um degenerado, / – já foi puro o meu Ser, tal como a Luz e o ar,/ Como o ar e a luz de um céu sereno e descampado...”.
Um sentimento de pessimismo que leva a Shopenhauer, que defende que a existência é fundamentalmente sofrimento, movida por uma "vontade" (desejo) insaciável que gera frustração contínua.
Tanto um caso quanto o outro leva-se ao momento que tem tornado a vida de muitos cidadãos brasileiros em uma incógnita: o que é certo e o que é errado. Vive-se, hoje, até mesmo o cerceamento da palavra, exigindo-se constante vigilância a respeito de tudo que possa expressar o pensamento. Ainda que pudesse ser caricato – para alguns, mas arguidor do pensamento do povo – o fato leva-se a uma das “tiradas” de Kafunga, comentarista esportivo: “O certo é o errado; o errado é o certo”. E, aí, volta-se a Schopenhauer, que argumenta que “a vida oscila como um pêndulo entre a dor (desejo não realizado) e o tédio (desejo realizado), tornando a felicidade duradoura impossível e a existência o "pior dos mundos possíveis”.
No Brasil da atualidade, aquele que de anos tantos passados era anunciado como “O País do futuro”, no cenário pátrio e internacional mostra-se em tela diferente. A sucessão interminável de escândalos políticos, financeiros, tráfico de influência, geração de influenciadores e por aí afora, são tantas as “verdades” que impossível é distinguir as tantas “mentiras”. E, enquanto isso, abre-se uma vala enterrando o país. E pensar que quando jovem ouvi a análise de um professor diante da então crítica situação do país, que pior não poderia ficar, pois ele já se encontrava no fundo do poço. Infelizmente ledo engano, muito otimismo, pois hoje vejo que o poço não em fim!
sábado, 25 de abril de 2026
ABRIL EM SEIS TEMPOS
DIA 19
21: O DESCOBRIMENTO
21. TIRADENTES
21: ANIVERSÁRIO DE BRASÍLIA
24: A NOITE DA SERENATA - I
24: A NOITE DA SERENATA - II
24: VENERÁVEL PROFESSORA MARIA CÉLIA
SÍNTESE OS SEIS DIAS DE ABRIL
1. 18: Dia Internacional do Livro Infantil: um olhar para o futuro. Formar o jovem para que, adulto, não seja objeto de manobra e sim um cidadão consciente e útil à Pátria.
2. Dia dos Povos indígenas. Reverenciá-los com um dia pouco significa quando ainda hoje eles são alvos de políticas de interesse sem resultado de ganho para eles.
3. Tiradentes foi levado à forca porque protestou contra a derrama e quis a liberdade. Hoje, como se encontra o pais, pode-se dizer que foi traído pelo Brasil. A história se repete: derrama (ganância do governo) e restrições à liberdade.
4. Descobrimento do Brasil. Marco de um novo tempo para um continente desconhecido com perspectivas de formar uma grande nação, tantas as suas riquezas. O status quo do país não corresponde aos anseios de desenvolvimento e bem estar da população que vive na insegurança quanto ao dia de amanhã
5. Brasília é, por um lado, uma grata e tão bela cidade, mas o poder que ela comporta deixa a nação à deriva. Não era o sonho de Juscelino.
6. A Noite da Seresta, muito mais que um show artístico é o sinal da largada de um importante projeto cultural. São Francisco precisa, sem dúvida de um local para arquivar a sua memória e promover a sua cultura, tão rica cultura.
Venerável educadora Maria Célia. Que bom seria se o brasil tivesse tantas educadoras como dona Maria Célia e menos engajamentos e orientações doutrinais transformando jovens alunos em robôs.












































