sábado, 11 de abril de 2026

POETA MEIRA NA EE DR. TARCÍSIO GENEROSO

 


Na manhã deste sábado, 11, o poeta Joaquim Meira, presidente da Associação dos Poetas de São Francisco, foi entrevistado por alunos da EE Dr. Tarcísio Meira, oportunidade em que ele discorreu sobre seu trabalho literário desde a adolescência como aluno da Escola Caio Martins de São Francisco, quando se apresentava no Grêmio Estudantil declamando poesias de vários autores e os seus primeiros ensaios. O tempo passou... passou, e o Meira continuou vivendo o sonho do poeta escrevendo continuamente as suas poesias chegando à publicação do primeiro livro – Minha Vida, publicado em 2019. E não tem parado, semanalmente – ou quase diariamente – ele publica suas poesias no Grupo dos Poetas de São Francisco.

O trabalho do Meira se estende, ainda, a ações sociais, especialmente na Conferência de São Vicente de Paulo no bairro Aparecida, que tem como presidente a sua esposa Lia.

Meira é um exemplo de cidadão comprometido com a sua terra, com seu país para a juventude são-franciscana. A entrevista que concedeu aos alunos da escola Dr. Tarcísio Generoso teve excelente acolhida e repercussão segundo a professora Vilma Beatriz.

Na página seguinte o Portal traz a apreciação do livro Minha Vida feita pelo nosso editor João Naves de Melo.


MINHA VIDA



Apresentação de um belo livro

Joaquim Meira – poetinha, como carinhosamente o tratamos – nos brinda com a publicação do seu primeiro livro. Insistimos para que o fizesse, pois era preciso registrar e deixar gravada uma trajetória poética que teve início nos idos de 70, quando, aluno da Escola Caio Martins, ele alegrava as reuniões dominicais do grêmio declamando belos poemas. Ficou na memória de muitos amigos daquela época a sua performance declamando o poema Furar Abelha, que escrevi especialmente para ele. O Poetinha era atento. Ele acompanhava com atenção as apresentações do grupo de jogral da Escola – Jorge, Valdecy, Valdir e Ricardo – e, com isso, foi ganhando mais e mais amor pelos versos. De repente começou a poetar, também. Ele tem uma característica peculiar: poemas de versos curtos – especialmente monossílabos, dissílabos e trissílabos, no muito – em que fala muito com poucas palavras. E mais, tem registro do simbolismo, quase sempre. É isso, quem lê precisa penetrar nas palavras como um analista de alma para buscar seus sentidos e, encontrando-os terá revelada a maravilha do seu conteúdo. Não é fácil escrever poesia como o faz o Meira. À vista pode parecer muito singelo, despretensioso, mas mergulhando no sentido de cada palavra costurando-a em cada verso, chega-se ao que quis dizer o poeta – Minha Vida. São muito expressivos os seus poemas. Às vezes me parecem misteriosos, enigmáticos, o que contrasta com o jeito afável e aberto do Meira. Isso é possível ver no poema Busca – “sofrei os sonhos / e os espinhos / para florir caminhos”. E segue filosofando com brandura: “busquei-me no sol / raio de luz / busquei-me na tarde / calma e paz / busquei-me flor / para florir caminhos”. E fecha a sua busca com belo verso: “tornei-me dia / ave de sonhos / vivi em alegrias / e tive sede / de saber o meu ser”.Acredito, Meira, pelo tanto que sei de você (sei?), dos nossos anos de convivência, desde você menino na nossa escola, que, na sua felicidade sempre mostrada, você sabe muito bem o seu ser. Seus versos revelam sua alma pura e bondosa.Em vista de poemas tão curtos, falar muito seria um despropósito e poderia quebrar o encanto. Meira, fico por aqui, com meu abraço e minha alegria pela realização de seu grande sonho: o livro.
João Naves de Melo


SEMPRE ALERTA!

 


Companheiros, amigos marchemos/ Pela estrada de Caio Martins/ Escoteiros! alerta exaltemos/ O seu nome na voz dos clarins.  Quantas vezes ouvi este refrão na voz de crianças na expectativa do futuro; de jovens que abriam as asas para empreender jornadas na vida; de homens feitos saciados no ideal. O Hino às Escolas Caio Martins de autoria do saudoso mestre Saul Martins, caiomartiniano da gema, embalou sonhos, sustentou ideais e sempre se leva a deslumbrar tempos radiosos para o nosso Brasil, sabendo-se que levas e mais levas de cidadãos conscientes de seus deveres para com a Pária e a sociedade estavam sendo formados. Quanto são eles? É difícil somar, mas os tem na perene lembrança como construtores de novos tempos.

Há 78 anos as sementes foram lançadas no município de Esmeraldas à sombra da Serra Negro, no vale do Paraopeba e, de lá se estendeu ao Norte desbravando o sertão. Foram formadas as Bandeiras de Buritizeiro, Carinhanha e o Urucuia, chegando-se aos Centro de Educação de São Francisco e Januária, prestando inestimável serviço à sociedade e ao país a preço tão somente de um ideal e parquíssimos recursos. Lembro que neste ano a Escola de São Francisco completa 70 anos de uma vida que foi marcada por realizações e de tantos serviços prestados ao município na formação de jovens e na transformação do meio. Pelos campos do Brasil espalharam-se os caiomartinianos e todos guardam o mesmo sentimento pela Escola querida, a reverenciam e rendem louvor pelo que a eles ela ensejou. Reconhecem-na e a amam. Atualmente, pelo estado de abandono em que todos os núcleos se encontram, distante do seu fulgor e de serviços, é de se lamentar profundamente; é de se quedar incrédulos ao perguntar: por que o governo de Minas deixou sucumbir tão precioso tesouro humano, cultural e cívico?

O corpo físico se deteriora, mas o sentimento do caiomartinano está vivo, sempre estará vivo. Vamos erguer nossa bandeira, conclamamos. Um ex-aluno vem lutando para manter a flâmula caiomartiniana em diversos momentos: Amauri! Ele está buscando caminhos e, na sua luta poderá ser o porta-voz e manter aceso o nosso ideal. Vamos conhecer o seu trabalho e Sempre Alerta!

IMPERMANÊNCIA - IV

 


Não precisava ser como as águas do São Francisco na sua impermanência. Ora, o que passou, passou; outras águas serão outras, certamente. O fato leva a uma reflexão sobre o mote criado pelo historiador João Botelho Neto: “São Francisco, cidade do já teve”. Então, segue-se ao terceiro capítulo, outra jornada.


FONTE  LUMINOSA


São Francisco passou por uma fase de destruição de patrimônio cultural e religioso com explicações pouco plausíveis e, muitas vezes por idiossincrasia. Ponha-se, no caso, o Coreto, o sobradão da Renascença, casarão-sede da Escola Caio Martins, entre outros. Assim foi o destino da Fonte Luminosa, um presente do governo de Aristomil Mendonça na década de 1960, que era uma atração para a população da cidade e visitantes. Essa fonte, localizada na Praça Heráclito Cunha Ortiga (Peixe-vivo) era uma alegria para as crianças que acorriam ao local, ao cair da noite para assistir a um belo bailado de água colorida. Com a construção do aterro, uma obra contestada, sem necessidade, a fonte foi demolida. E mais causou o aterro: a separação da cidade do rio.


GRUTA DE NOSSA SENHORA


No mesmo governo, ou seja, de Aristomil Mendonça, por iniciativa da primeira dama Gercina Botelho de Mendonça, foi construída uma gruta encravada no cais, o portentoso penedo que distingue a cidade de São Francisco nela entronizando uma imagem de Nossa Senhora. Tornou-se um local de contemplação e oração ao cair da tarde. Fiéis e não fiéis visitavam o local geralmente ao pôr do sol, agraciados com o encanto que Deus nos contempla a cada tarde com atos de fé. A construção do aterro foi a explicação pela demolição da gruta. 

Nada  foi feito para compensar a demolição de dois sítios da maior importância para a cidade, um cultural e outro religioso.

sábado, 4 de abril de 2026

IMPERMANÊNCIA - III




Não precisava ser como as águas do São Francisco na sua impermanência. Ora, o que passou, passou; outras águas serão outras, certamente. O fato leva a uma reflexão sobre o mote criado pelo historiador João Botelho Neto: “São Francisco, cidade do já teve”. Então, segue-se ao terceiro capítulo, outra jornada.

OS CLUBES DE SERVIÇO

LIONS CLUB – Janeiro de 1965 instala-se em São Francisco o Lions Club uma organização internacional de clubes de serviço voluntário teve existência em São Francisco reunindo-se, semanalmente no salão da AASF cultivando o companheirismo. Os sócios tratavam-se como companheiro leão estabelecendo-se forte elo de amizade. A esposa de um membro do Lions Clube era chamada de Domadora, desempenhava um papel fundamental no leonismo, apoiando atividades de serviço comunitário. O Lions deixou como marca de sua passagem na história de São Francisco, a criação do Lar dos Idosos sob a presidência de João Naves com o apoio do então prefeito e leão Aristomil Gonçalves de Mendonça. Ainda naquela época já se falava em organizar o trânsito em São Francisco com um projeto do então presidente do clube Mário Mendes. Por mais de uma década o Lions esteve em frutífera atividade e depois...

ROTARY CLUB é uma rede global de líderes comunitários, amigos e vizinhos que se unem para causar mudanças duradouras, promovendo a paz, saúde, educação e alívio da pobreza em suas comunidades. O membro é tratado como Companheiro e sua esposa como Dama Rotária. Em São Francisco o Rotary desenvolveu campanhas no combate à poliomielite e promoveu ações atendendo dezenas de pessoas em cirurgias de catarata realizadas no município de Coração de Jesus. O Rotary tinha atenção voltada para a juventude com a criação do Clube Rotaract para jovens adultos. No auge de sua atividade em São Francisco o Rotary construiu sede própria, atualmente um prédio abandonado. Sem maiores explicações, o Rotary deixou de existir em São Francisco e muitas têm sido as tentativas para reerguê-lo, frustradas até os dias atuais.

sábado, 28 de março de 2026

IMPERMANÊNCIA - II

 


Não precisava ser como as águas do São Francisco na sua impermanência. Ora, o que passou, passou; outras águas serão outras, certamente. O fato leva a uma reflexão sobre o mote criado pelo historiador João Botelho Neto: “São Francisco, cidade do já teve”. Então, segue-se ao primeiro capítulo, outra jornada.

AUTOMÓVEL  CLUBE


As décadas de 1970 e 1980 foram de esplendor da sociedade são-franciscana com os eventos sociais realizados no Automóvel Clube além de shows artísticos com bandas consagradas em Minas. Destaques para os  bailes de gala do aniversário da cidade,  carnaval, festa das debutantes de tanto encanto e em homenagens a São-franciscanos ausentes ou beneméritos do município. O AC nasceu em decorrência do fim da AASF – a cidade ficou sem um local para a realização de eventos sociais, o que levou à iniciativa de formar uma sociedade para construir um clube para preencher o vazio.  Assim nasceu o AC. Com o tempo os sócios fundadores, por motivos diversos, deixaram o clube e seus sucessores não manifestaram o mesmo interesse. Com isso o AC descerrou as portas e seu ressurgimento está complicado pelo surgimento de diversos salões de festas na cidade. Interesse tem por parte de um grupo, mas tantas são as dificuldades que a ideia não sai da vontade e o prédio, com o tempo, vai se deteriorando.


CLUBE CAMPESTRE CARQUEJO


Nem tanto esplendor como o AC, mas de uma esfuziante força de juventude nasceu o Clube Carquejo em uma área privilegiada que, sem dúvida, cobiçada por muitos visitantes à cidade. Por muitos anos até a entrada do século XXI o clube tinha uma atividade fervilhante: futebol soçaite, churrascadas, encontros sociais e, o que chamava atenção, o ancoradouro de barcos no belíssimo Rio São Francisco. Como se fosse de uma noite para o dia, o clube deixou de existir e hoje se encontra abandonado.

DIA MUNDIAL DA ÁGUA

 


Em 1993, no dia 22 de março a ONU instituiu o Dia Mundial da Água para conscientizar a população sobre a preservação, gestão sustentável e o acesso universal a água potável, alertando sobre a escassez hídrica. Milhões de pessoas ainda carecem de água potável no mundo, tornando a data um chamado global para ação imediata e o quanto se aplica a São Francisco que enfrenta, por comum o problema da seca a cada ano. 

A situação hídrica no município de São Francisco foi alvo de muita atenção anos atrás, quando era intenso o trabalho da Secretaria de Meio Ambiente e do Codema com a construção de barraginhas, terraços, abertura de tanques e campanha de preservação do cerrado “Pai das Águas”. Houve um grave interregno quando ficou comprometida a conquista alcançada. Agora anuncia-se a retomada das ações, sobretudo com o Projeto Plantando Água. Um tanto atrasado, mas com bom propósito, abraçado pelo prefeito Miguel Paulo com equipes da Secretaria e do Codema. Importante, pois a cada ano mais crítica fica a situação hídrica no município, com interrupção de muitos cursos d´água e lagoas. Pior se vê quando chega o período das chuvas que se sabe, de regime muito baixo no município: toda água precipitada é perdida, passava velozmente em enxurradas que parecem riachos, que desaparecem num instante sem deixar sinal. Em vários pontos do município ocorreram inundações, córregos transbordando, passando sobre pontes, invadindo propriedades rurais e, passada a chuva, de novo, tudo seco. O que se viu no córrego do Angical e no Mocambo é um retrato da situação. É preciso proteger. É preciso guardar a água da chuva. É preciso plantar água. 

SÃO JOSÉ – SÃO FRANCISCO: UMA HISTÓRIA - II

 


O artigo publicado na semana passada evocando algumas passagens da história da Matriz de São José trouxe à memória de Ana Maia Neves Mendes, ao lê-lo, uma lembrança muito especial e que, guarda, muito sentimento. Falou sobre o sentido de acolhimento do interior da igreja com três naves e belas pilastras, do altar de madeira e, o que uma geração não conheceu: o coro cuja acesso era dado por uma escada em caracol, que lembrava a escada de Loretto, de São José.  E no coro, o harmônio que com um coral levava a música sacra às solenidades religiosas. Lembrou mais: debaixo do coro ficava o esquife com o Senhor Morto  tradicionalmente utilizado para carregar a sua imagem na paraliturgia da Procissão do Enterro do Senhor de Sexta-feira Santa.

Era, a matriz, muito acolhedora e muito apropriada à meditação, contemplação e momento de intensa serenidade de espírito.

sábado, 21 de março de 2026

SÃO JOSÉ – SÃO FRANCISCO: UMA HISTÓRIA

 


1866 o pequeno povoado Pedras dos Angicos, remanescente da fazenda de Domingos do Prado e Oliveira, foi rebatizado com o nome de Vila de São José de Pedras dos Angicos, consequência da criação da Paróquia de São José erguendo-se, logo, uma capelinha consagrada ao padroeiro. Em 1867 o inglês Richard Burton a registrou para a história: “capelinha de São José, padroeiro da localidade”. Em 1877 a Vila de São José de Pedras dos Angicos foi elevada à categoria de cidade recebendo o nome de São Francisco, contudo a mística de São José permaneceu com dois santos para proteger a dadivosa terra: São José e São Francisco. Avançando no tempo a pequena igreja, em estado precário, foi demolida erguendo-se outra, contudo consagrada a Santo Antônio, noutro local. Em 1900 os fiéis decidiram pela construção de nova igreja no mesmo local da antiga capelinha. Os anos foram passando sem concluir a obra. Em 1935 ela foi retomada estando à frente da paróquia o padre José Ribeiro. Foi criada uma comissão presidida pelo prefeito Oscar Caetano Gomes, Sancho Ribas o coordenador da obra e o construtor Garibaldi responsável pela construção da majestosa torre. Fiéis trabalhavam aos domingos, depois da Santa Missa, transportando material para a obra em mutirão. Em 1972, com o padre Vicente realizou-se ampla reforma na Igreja com a retirada das naves laterais criando-se um espaço único e amplo. Com outras alterações internas foi demolido o altar em madeira trabalhada (não havia, à época, o Conselho de Patrimônio Cultural). Padre Genivaldo, à frente da paróquia (de 2009 a 2015) fez a segunda reforma motivando os fiéis para a execução da empreitada: troca de piso, forro, aquisição de novos bancos e instalação de moderno serviço de som.

160 anos decorridos e a devoção ao santo que, ao lado de Maria, cuidou e protegeu Jesus Cristo até o início de sua missão messiânica, mantem-se viva e ardente, e isto comprovou-se com os festejos realizados pela paróquia em sua homenagem neste ano: 9 dias de orações e um encerramento santo e muito festivo.

IMPERMANÊNCIA - I




  Não precisava ser como as águas do São Francisco na sua impermanência. Ora, o que passou, passou; outras águas serão outras, certamente. O fato leva a uma reflexão sobre o mote criado pelo historiador João Botelho Neto: “São Francisco, cidade do já teve”. Pode parecer pejorativo, pessimismo declarado, que contraria a possibilidade de renovação com a chegada de outras águas, que não trazem o passado de volta, mas pode servir de incentivo à renovação ou revivência do que foi bom e produtivo. Figura, apenas como ilustração – e teses para debates e reflexões – um fato real: São Francisco ao longo de sete décadas teve um considerável esvaziamento nas áreas social, cultural, produção e política. O que se perdeu nesse período histórico é de se lamentar considerando o que o compôs na história e participação social do são-franciscano – um enorme vazio.

O Portal propõe a análise, desdobrada em vários capítulos, dos seguintes fatos, ou seja, de perdas consubstanciais.

Um: Associação dos Amigos de São Francisco – uma entidade criada por um grupo de jovens da cidade com sede onde hoje funciona a Câmara Municipal. AASF tinha finalidades recreativa (bar, bailes e cinema), cultural (biblioteca, teatro, jornal (SF-O Jornal de São Francisco), shows artísticos (apresentações de orquestras, bandas, grupos, cantores solo e, em especial, uma inovação como o Theremin, um dos primeiros instrumentos musicais eletrônicos, inventado em 1920, tocado sem contato físico. 

Na década 1970 a AASF encerrou sua atividade

Dois: Cine Canoas que durante anos foi o ponto de encontro da sociedade são-franciscana e a alegria da criançada com os matinês e shows de calouros nas manhãs domingueiras, proporcionados pelo empresário Helvécio Mendes.                  

            Marcou época, mas sucumbiu à chegada da televisão em São Francisco, ainda que precária.

REFLEXÃO

 


Quando a gente pensa que a coisa está ruim, pode esperar que pode ficar pior – é a sensação que experimenta o brasileiro de bom senso diante dos ruidosos escândalos do INSS e Banco Master. Some-se ao fato a perspectiva desanimadora diante de uma relevante massa de pessoas que tem se abdicado do trabalho contentando-se com um benefício social.  Mais assustador é saber da história da criação e formação de um estado novo (o que ocorreu com Israel) com uma prioridade: “o trabalho era considerado detentor da vida moral e rico em qualidade terapêutica, tanto para o indivíduo quanto para a sociedade” O trabalho, como é importante e, sem estender muito, fique com o que descreve a Bíblia em Gênesis quanto aos irmãos Abel e Caim afeitos às atividades do campo. É sagrado. Ora, por outro lado, tem-se que a grandeza do Estado e a melhoria de vida de um povo não virá através de pessoas das altas esferas políticas, mas sim de grupos de trabalhadores. Não é preciso ir longe, basta perguntar de onde vem a riqueza do país e verá, sem dúvida, que é do trabalho. Assim, a política do assistencialismo, ainda que tenha seu lado benéfico e necessário, por extensão apenas com viés político é deletéria e um grande mal para o país. 

Fique-se em São Francisco. Lá se vão os tempos em que a fartura vinha do campo provendo mercado, vendas e lares, levando-se a vivenciar os versos de Saul Martins na Canção do Lavrador: “Multiplicai os campos verdejantes, de raça fortes sois representantes”. O campo ainda se oferece à messe, há oportunidade de trabalho, serviços, mas lavradores tornou-se uma raridade. E não é apenas no campo, também ocorre na zona urbana onde o trabalhador recolhe-se sob o guarda-chuva do benefício social, grande maioria sem dele necessitar, contenta-se com ele assistindo a vida passar sem nenhuma perspectiva, deixando de contribuir com o desenvolvimento de sua comunidade e do país.

sábado, 14 de março de 2026

PROMOTOR PAULO CÉSAR EM SÃO FRANCISCO


  O MP Itinerante trouxe à nossa comunidade uma pessoa em especial, que à frente do Ministério Público da Comarca no início década de 2000 teve um papel de destaque na implantação de programas ambientais no município ao motivar e a apoiar um grupo em ambientalista em um audacioso projeto com vistas à recuperação do Rio São Francisco: promotor de justiça Paulo César Lima. Foi muito interessante este reencontro com o pessoal do Codema possibilitando trazer à memória os primeiros passos de nossa comunidade na implantação de um importante projeto ambiental: o Plano João Botelho Neto que nasceu no corredor do prédio da Promotoria e, depois, com o crescimento do grupo de participantes, passou a se reunir debaixo da frondosa mangueira do Fórum. Então, priorizou-se como primeira meta as ações na da sub-bacia do Pajeú como  projeto piloto com vistas à revitalização Rio São Francisco abrangendo uma área de três mil hectares, uma bacia com 88 famílias nas comunidades de Pajeú, Gameleira, Agreste e Curral Velho. Parecia um sonho, que lembra a fábula do colibri querendo apagar um incêndio na floresta. Nada disto, o importante foi a determinação, o ideal. Com apoio do dr. Paulo César e o inestimável apoio de Hugo Wernek, respeitado ambientalista, que amava São Francisco, o Projeto Plantando Água deslanchou-se, cresceu muito, levou grandes benefícios à comunidade através de ações diretas no meio ambiente com uma patrulha mecanizada, adquirida graças ao apoio do dr. Paulo, de ações no campo da mobilização da população e ações educacionais com a realização de Seminários.

A ocasião levou o pessoal do PJBN a lembrar o pequeno príncipe de Antoine de Saint-Exupéry, “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas” estreitando os laços afetivos posto que são duradouros, destacando a responsabilidade de cultivar relacionamentos com amor. Desta forma a visita do dr. Paulo César foi recebida com especial carinho pelo pessoal do Codema e outros segmentos da comunidade são-franciscana.

CASARÃO DOS CASSI

 

O casarão da família Cassi volta a ocupar uma atenção especial: a sua restauração com fim de patrimônio histórico cultural. Uma ação que alcançou grande repercussão meio aos agentes que estão envoltos em projetos de inventário e tombamento de prédios enquadrados como bens históricos. No caso, tem-se a importância histórica daquela casa que, nos arquivos da Ong Preservar consta: “Não existem dados completos sobre a construção dessa casa, das mais antigas de São Francisco”. A história registra que o padre Modesto, que veio para São Francisco em 1900, aqui fixou residência definitivamente criando grande círculo de amizade.  Tornou-se fazendeiro, proprietário da fazenda Lontra. Segundo registros, ele fez a permuta dessa fazenda com a casa construída por João Francisco Horbilon, pai de Elísio Horbilon. Mais tarde a casa foi passada à família de Cassiano Vieira, localizada na rua João Maynart, esquina com rua José Botelho.

Uma proposta foi levada à Ong Preservar no sentido de restaurá-la e transformá-la em um espaço cultural preservando o nome da família Cassi. A proposta foi recebida com entusiasmo pelos membros da Ong que se propuseram a dar curso a tratativas a respeito através dos canais competentes. Destacou-se, na ocasião, a contribuição da família Cassi cedendo o histórico patrimônio ao município com um fim específico, acolhido pela Ong que, na oportunidade, acenou com o projeto da criação da Casa do Artista. 

sábado, 7 de março de 2026

REFLEXÃO


No plano de discussões políticas no Brasil há sempre uma defesa de princípios baseando-se na verdade. Abre-se um leque às interpretações raramente chegando-se a um conceito comum. Colocar-se-ia termo à questão de restringe-se à verdade absoluta que é invariavelmente verdadeira em qualquer tempo, lugar ou circunstância, contrária da verdade relativa, que depende de perspectivas ou contextos culturais. A verdade absoluta é considerada um fato imutável e independente da opinião humana. Por outro lado, stricto sensu, a verdade é a correspondência entre um pensamento, discurso ou crença e a realidade dos fatos. Pode ser interpretada como objetiva (fato concreto) ou subjetiva (percepção individual). 

Este sucinto preâmbulo leva-se a pensar fatos históricos diante da situação vivida no Brasil onde graça, exasperadamente, o antagonismo de ideias e posições o que não permite jorrar luzes sobre os fatos quando se impõe uma verdade. No caso, tome-se exemplos históricos que  podem ser recordados e, para não se estender muito no assunto, tome-se a Revolução Francesa, um marco importante na história da humanidade, a abertura para a implantação da democracia. No combate à monarquia surgiram duas facções jacobinos e girondinos destacando-se as figuras de Robespierre e Danton. Robespierre era tido como o “incorruptível Radical”, figura central do Comitê da Salvação Pública. Ele defendia o uso do terror como justiça severa e inflexível para proteger a República destacando-se  execuções dos inimigos na guilhotina. Apesar de seus ideais democráticos, liderou o Período do Terror, usando a violência e a repressão para sufocar os inimigos da República, o que o torna uma figura complexa e controversa até nos tempos modernos. Danton era mais moderado, conquanto defendesse a Revolução e o seu posicionamento condenando o radicalismo do jacobinos o levou a ser condenado à guilhotina a mando de Robespierre mais conhecido por seu papel como membro do Comitê de Segurança Pública e por ter assinado, pessoalmente, 542 prisões durante o período do Terror valendo-se do seu poder: ele sentava-se nos bancos mais altos da Assembleia. Acabou lembrado tanto por seus ideais de igualdade quando por sua participação na violência revolucionária. E qual foi o seu fim: condenado à morte pela guilhotina tanto quanto aqueles que ele condenou na sua atuação radical no "Reinado do Terror".  "A história é a mãe da vida"  magistra vitae. 

A MULHER

  Por quê o Dia Internacional da mulher? Ora, qual o dia que não é o da mulher? Fisiologicamente ela é a personalidade da vida e, para tal, o bastante é procurar a história da criação narrada na Bíblia Sagrada: “Criou  Deus, pois o homem à sua imagem. À imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. No momento primeiro chegou a mulher, a companheira do homem e, com ele, e por ela, a grande descendência da humanidade. Por aí tudo se resume, porém no caminhar da humanidade ela surge pontificando-se como referência em todos os campos em atos de heroísmo, solidariedade, humanidade, uma grandeza sem par.

Maria, um nome que diz tanto, a estrela magnificat, a figura exponencial da mulher. Na esteira de sua passagem pelo mundo, ao seu tempo e limites, a mulher  tem  destaque no panteão da história – e são muitas. Despontam, ainda, as mais humildes que arrostam sacrifícios para o bem e a felicidade da família, pois, sem ela não há família. Basta lembrar que a Bíblia sempre atribuiu às mulheres uma posição de honra e sabedoria.

Mulher esposa, mulher amiga, mulher namorada: a VIDA!

A referência ao Dia Internacional da Mulher serve, apenas, para confirmar uma verdade insofismável: sem ela não existiria a humanidade e mundo não teria nenhum encanto, nenhuma beleza, nenhuma candura...

O Portal presta singelas, mas calorosas, homenagens às mulheres!

sábado, 28 de fevereiro de 2026

REFLEXÃO

 


A história da jornada humana é assustadora tanto do ponto de vista religioso quanto da história e da ciência, tendo como foco a terrível antítese: o Bem e o Mal.

Numa cronologia religiosa tem-se como primeiro momento a desobediência e o pecado de Adão e Eva. No segundo momento surge o bem e o mal, o ódio, a inveja e o crime, no caso de Abel e Caim. No terceiro surge o patriarca Abraão que ao expulsar a escrava Hagar e seu filho Ismael para o deserto deu origem ao surgimento do povo ismaelitas ancestrais de muitos povos árabes (árabes e judeus hoje) – o sectarismo. Sodoma a corrupção e promiscuidade destruída com fogo e enxofre – símbolo do pecado. Salvando a humanidade com o dilúvio Deus escolheu Noé que teve três filhos Cam (cananeus, babilônios, egípcios), Sem (assírios, caldeus, hebreus) Jafé (persas, romanos macedônios) – guerras. Num marco divisor veio Jesus Cristo com a mensagem do amor. Então, Deus em sua misericórdia, acudiu a humanidade. 

Pelo lado da ciência. Homus erecto, de herbívoro a carnívoro, descobriu as mãos se fez caçador, de um pedaço de osso a primeira arma que passou a se defender e a atacar; aparece o ferro e as primeiras armas mais letais: facas, espadas, lanças, armas de defesa e ataques e força de possessão.  Pólvora potencial na fabricação de artefatos explosivos ampliação de poder. Avião e TNT meios de ataque e destruição. Na evolução da física e da química fez do adormecido plutônio a terrível “Fat Man” que destruiu Nagasaki e evoluída põe em risco toda a humanidade. Apenas um diminuto retrato... Tudo isso é muito assustador, triste e espantoso se imaginar que o homem é uma criatura de Deus, percebendo que o ódio e o amor andam de mãos dadas, quando vê-se que os valores são maldades por interesses individuais e culturais; quando se toma o Pathos da Verdade (Nietzsche) com o povo como rebanho que se omite de conhecer a verdade, como fracos, aceitam a verdade dada. Bem, isto é assunto para a próxima reflexão: a Verdade Absoluta com o que se vive no Brasil.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

REFLEXÃO

 


A instituição família foi alvo de achincalhamento no desfile carnavalesco no Rio de Janeiro deste ano, que atingiu, ainda, grupos religiosos e o agronegócio num ativismo ideológico que revela total ignorância e descompromisso com a verdade. No caso do ataque à família presume-se que os autores desse projeto carnavalesco não tenham uma família bem constituída ou que não tenham a alegria de viver no seio do que é verdadeiramente uma família. Certamente desconhecem, no íntimo, o que representa a Família e o que é a beleza e a profundidade da fé para ridicularizando-as de maneira tão vil condensando-as numa lata de conserva. 

Ora, a família é o marco inicial de uma vida. Falar sobre ela envolve seus diferentes tipos (afetivos, sanguíneos, adotivos), sua importância como base de afeto, apoio e educação de valores, e a necessidade de cultivar amor, respeito e diálogo,  sendo um lugar de identidade e pertencimento. A Família é um grupo social fundamental, não apenas por laços de sangue, mas principalmente por afeto, cuidado e confiança; que oferece abrigo, amor e segurança emocional, sendo um "lar" onde se pode ser quem realmente é; transmite cultura, valores, ensina habilidades socioemocionais, respeito e como lidar com desafios; ajuda a formar a identidade e a autoestima dos indivíduos; cria relações saudáveis baseadas em diálogo, afeto, respeito e tempo de qualidade; não é ausência de conflitos, mas a decisão de amar apesar deles; é importante para o desenvolvimento saudável, com pais que investem no convívio e compartilham experiências; o seu maior legado não são bens, mas os valores, a educação e as habilidades emocionais passadas para as novas gerações. Em resumo, pode-se dizer que a família é o nosso porto seguro, a primeira escola de vida, um espaço de crescimento e amor incondicional, que se adapta e se fortalece com o tempo e as experiências. Uma família bem constituída é base sólida para uma Pátria, com ela teve início a formação da sociedade como existe.

Um resumo transcendental: Deus, criador do universo e de tudo que nele existe, contemplou a humanidade, para redimir seus pecados, com a vinda de Seu próprio filho, Jesus, que veio à Terra através de uma FAMÍLIA. 

sábado, 14 de fevereiro de 2026

PRESERVAR LANÇA PROGRAMA SOCIAL E ARTÍSTICO


  A diretoria da ONG Preservar reuniu-se na sexta-feira 13 tendo em pauta a programação de eventos sociais e artísticos visando dinamizar as suas ações e a movimentar o espaço da Casa da Memória/Cultura que está em fase de implantação. No dia 21 deste mês, no espaço da própria sede da ONG será promovido um encontro voltado para pessoas da terceira idade. O evento que deverá ser realizado mensalmente tem como finalidade de abrir um espaço para os idosos se confraternizarem e para a prática de lazer com maior assiduidade. Tem ainda, como objetivo criar condições para promover a autonomia, integração e participação efetiva deles na sociedade, uma visão integral de garantia de direitos e cidadania. 

O programa da Ong espelha-se em Gibran que explora a transição da dor e da intensidade da juventude para uma compreensão mais serena e "radiante" da vida na idade avançada e na experiência deles, a sabedoria que vem da sua vasta experiência, tornando-os mais "vivos" internamente. Levar o idoso a encarar o envelhecimento com aceitação, celebrando-o como parte de um ciclo contínuo e espiritual. 

O outro evento terá como foco a promoção de artistas (compositores, cantores e instrumentistas) com lançamento previsto para o mês de março.

Na mesma reunião foi acolhido novo sócio da Ong, Marcio Alan Nascimento Ramos, técnico em informática a serviço da Câmara Municipal, onde tem realizado um importante trabalho biográfico-político escrevendo a história dos agentes que ali atuaram e atuam.

IMPROVISO: MEU BRASIL

 João Naves de Melo


Agora, talvez, eu não sinta o tempo

Dias escoados, noites intensas vividas

A estrada parecia ser infinita, tão longa

Trilha de entulhos, prolongados tapetes


Vivi, revivi, sequer tenho a conta dos dias

Contas de um rosário que não tem fim

O Sol despontando, Ocidente esquecido

Meus olhos buscando além no Oriente


Insisti na cegueira medieval no itinerário

No avançar insistente querendo a luz

Por vezes encontrei mais poeira opaca

Esmaecida como uma estrela infinita


Sofri fadiga, mas não me fiz um fardo

Imposição tão comum a um peregrino

Incendiava-me o espírito ardente do desejo

Eu queria e queria saber sempre a luz


Agora, talvez, eu não sinta o tempo

Vencido nos tropeços do caminhar

E por mais que sonhasse e buscasse

Mais distante estava da sonhada luz


E pergunto a mim mesmo no desejo

Seria possível chegar-se ao fim, à luz?

Num pequeno tropeço volto à realidade

O meu caminho torna-se tão turvo


Agora, talvez, eu não sinta o tempo

Não há como bordejar a nau da luz

Nas entranhas, de repente, tão de repente

Vivo buscando e sonhando com a luz!


Ao meu Brasil amado, cujo futuro sonhado é uma luz que foge de mim.

10.2.2026

sábado, 7 de fevereiro de 2026

UMA REFLEXÃO SOBRE A VERDADE

 


Ele tomou o amor para abrir portas e chegar aos corações dos homens; Ele pregou a caridade para estabelecer elos entre os homens; Ele pregou a paz para serenar corações dos homens, sem distinção; Ele revelou que a humildade era o caminho para a paz; Ele nunca dispôs de armas para se defender de perseguições, ataques e maldades, tinha apenas a palavra, a Verdade; Ele sofreu injúrias, foi alvo do ódio e perseguições e jamais se revoltou ou fez prevalecer seu poder divino; Ele andava e pregava meio aos indefesos entre dois grandes poderes, capazes de tudo: Roma e o Sinédrio; Ele foi preso e condenado à revelia, mas o que pregou e ensinou se transformou em bandeira vitoriosa.

Noutra trajetória a humanidade assistiu à insanidade do poder, a determinação de impor uma vontade, com expoente que passaram à História da humanidade como símbolo do terror: imperador Nero (e muitos dos Césares), Átila, o Terror dos Hunos, Gengis Kahn, Xerxes. Tudo que conquistaram, tudo o que fizeram, caiu no limo, são lembrados apenas como uma tragédia humana, símbolos das trevas. Não engrandeceram a humanidade.

Jesus foi o divisor dos tempos no vislumbre da verdade sem nada dissimular; foi a luz, o farol que há mais de dois mil anos lume com a mesma intensidade guardando tudo o que ensinou. E dos outros o que restou se não o opróbio, a repugnância e o desvirtuamento do sentido humanismo.

Refletindo sobre o que representa o fato, é preciso abrir uma fresta para a entrada da Verdade no conturbado mundo que vive o Brasil. Num apelo, vale lembrar, também, Buda mensageiro da paz: “Nada mais resta que praticar, contemplar e propagar a Verdade por piedade do mundo, e para o bem dos homens e dos deuses”. Lembrar por fim, como refrigério e um fio de esperança o fundamento da vida em Cristo cuja verdade serve como uma rocha firme para construir a vida, oferecendo segurança em meio às crises e incertezas. Cabe refletir diante do relativismo moral impregnado em setores da população em que as normas morais variam conforme o indivíduo ou a sociedade. E, no caso, pior é quando a Verdade é obscurecida para satisfazer propósitos individuais.

sábado, 24 de janeiro de 2026

FOLIA DE SÃO SEBASTIÃO

 Uma crônica em memória de grandes foliões que se encantaram*


Na manhã do sábado 20, passando pela praça Manoel Clemente (Quebra), deparei-me com o Locha, cercado de amigos contando “causos”. Esbarrei e perguntei o que ele fazia por aquelas bandas. Como resposta ele apontou o movimento na casa do Marciano emendando que iriam sair com a Folia de São Sebastião. Não deu outra, fui para lá e esperei a primeira saudação à bandeira de São Sebastião, antes do terno sair para a jornada. Diferente das outras ocasiões, quando o terno sai apenas no dia do santo, ele estava fechando o sétimo dia, pois era essa a promessa de Tirburtina Fiúza de Brito – mãe do Marciano (Rodrigues de Jesus), que era a favor dele. Feita a saudação da bandeira, com toda reverência, seguiu-se a cerimônia de beijar o altar, com música especial. O primeiro a beijar a bandeira foi o imperador seguindo dos foliões. Guardo os versos solenes da música: “Vou beijar/ E torná a beijar/ Lá na ponta do altar/ Onde Deus está”.

Muito cinzano para afinar a voz e dar ânimo nos braços e lá foi o terno para sua missão. Dei uma esticada à minha casa para pegar a máquina fotográfica com fim de registrar a jornada no Barranqueiro. Reencontrei  o terno aguardando o café depois de uma saudação. Os foliões  papeavam pelos cantos, contando “causos”. Assim que entrei na sala esbarrei com Joel Peba agarrado no sono esparramado em um sofá – não é para menos, pois todos têm uma função de cantar e tocar e a dele era só a de virar copo e gritar a saudação: “E viva São Sebastião! E viva os foliões! E viva o Imperador e a Imperadeira!. E viva os donos da casa” E tome gole. E teve um agrado para os donos da casa – bem dançada suça, que levou para roda muitos dos presentes, que não fazem parte do terno, como Zé Babão. Admirável era a alegria e a vitalidade de Henrique Quente, o excelente rabequeiro, sapateando como criança apesar de seus 75 anos de idade. 

O terno de Marciano é composto pelos foliões: Marciano, Locha e Elpídio – violões; Aniceto, José Veloso e Mauricyr – violas; Henrique Quente – rabeca; Tonho Duro – caixa;   João; Maromba; Vicente Quiabo  – balainhos;  Valdivino e Catarino – pandeiros.

Foi bom rever e ouvir o Locha fazendo dupla com Vicente Quiabo cantando uma suça com os volteios do violão de Marciano e o dengo da rabeca de Henrique Quente, isso sem falar da graça e sutileza da percussão comandada pelo Tonho Duro. É uma beleza. São Sebastião deve estar feliz com as homenagens.


 *  Publicada no jornal o Barranqueiro em 2017

UMA REFLEXÃO

  O nosso querido Brasil corre risco de uma convulsão social ou de uma crítica situação que pode entravar seu crescimento. Vão surgindo problemas e questões que se multiplicam a cada dia criando um clima de insatisfação e descrença no seio da população responsável: “não tem jeito!” Enquanto uma grande parcela da população está vivendo sob o “guarda-chuva” do governo, exclusivamente do benefício social, nada produzindo em seu benefício ou da coletividade. Essa situação tem sido anotada, à evidência, em São Francisco onde há grande dificuldade de encontrar um trabalhador para o campo ou comércio. Tudo bem hoje, e amanhã quem vai pagar a conta? Essa lassidão terá um preço no futuro, quando se perde uma grande força produtiva, levando-se ao caos. São Paulo advertia: “A vida é como um jogo num estádio; é preciso lutar, pois só recebe a coroa quem vence”. Sem luta, sem trabalho, pode-se conformar com a caridade e perde-se um grande contingente de pessoas que poderiam estar trabalhando em prol do seu futuro e da nação.  Esse enorme contingente dependendo das “benesses” do Estado jamais de promoverá no seio da sociedade. O ser humano necessita de valores e de virtudes para tornar nobre sua conduta e sua existência. E qual seria a virtude, no caso? No contexto da Teologia Paulina é “a passagem de um estágio de dependência do vício para a graça e a liberdade!” 

Cada pessoa necessita de educação, orientação e desenvolvimento. O ócio é um vício que não deve ser alimentado (vício quando a falta de atividade se transforma em inércia crônica). Ou devem ser considerados os propósitos?

A CHUVA

 


São Francisco passou por meses de seca (o que tem sido uma constante) uma situação muito preocupante levando desespero à população rural causando imensos prejuízos nas atividades agrícolas, especialmente à pecuária com pastos esturricados. 

Em tempos idos o mês de janeiro era chamado de “veranico”, sem chuva e com sol escaldante, agravamento da seca vindo de meses anteriores.  A terrível situação era enfrentada com atos de fé, um apelo místico: a Procissão com preces pedindo chuva: com os devotos levando pedras, latas d´água na cabeça e ramos, entoando preces: “Abre a porta, meu povo/ Que lá vem Jesus/ Ele vem cansado/ Com o peso da cruz./ De porta em porta/ De rua em rua/Meu Deus, manda bom inverno/ Sem culpa nenhuma”. A procissão partia da Igreja de São Félix ou da igreja de São José – homens, mulheres e crianças, todos descalços para realçar o sacrifício – percorrendo ruas poeirentas, areia escaldante até chegar ao Cruzeiro do Quebra (que já não existe) ou ao do Cemitério, onde eram depositadas as oferendas do sacrifício. 

O RIO

 


O nosso amado rio São Francisco, nos seus 524 anos de descobrimento, passou por mais um período crítico neste ano com reduzida vazão de água. O resultado à vista foram as coroas, no meio, e a extensas praias em suas margens. Some-se à evidência, o transtorno no sistema de travessia das balsas.

Um alento: neste sábado o nível de suas águas alcançaram 6,5m e pode continuar subindo, pois chove a montante.

Comentar sobre a situação do São Francisco com a chegada da chuva leva-se à uma redundância: “é chover no molhado” falando-se do papel dos governantes na proteção dele que nada fazem a curta, médio ou longo prazo para recuperá-lo. ANA, IGAM, CBH, Ministério do Meio Ambiente, Secretaria Estadual do Meio Ambiente – tantos órgãos, tantas repartições e o São Francisco definhando a cada ano.

O município de São Francisco já se empenhou na sua recuperação com o heróico programa “Plantando Água” do PJBN e Codema, interrompido, irresponsavelmente, por um passageiro prefeito.

Hoje o contemplamos numa fase de cheia, pleno de margem à margem, um espetáculo que leva a população a apreciá-lo manifestando muita alegra, mas amanhã como será? Ele, atualmente só depende das chuvas pois as fontes que o alimentam muitas secaram tantas outras tornaram-se intermitentes. 

sábado, 10 de janeiro de 2026

DIA DOS SANTOS REIS

 


Os três Reis Magos Baltazar, Gaspar e Belchior, depois de Maria, José e os pastores, foram os primeiros humanos a contemplar e adorar em seu berço o Menino Jesus. Eles são figuras da tradição cristã que vieram do Oriente, guiados por uma estrela, para adorar o Menino Jesus e lhe oferecer presentes: ouro, incenso e mirra, simbolizando sua realeza, divindade e humanidade, respectivamente. A Bíblia os descreve como "magos" (sábios), mas a tradição os transformou em reis, celebrados no Dia de Reis (6 de janeiro), que marca o fim do ciclo natalino.  No livro Médico de Homens e de Almas sobre a vida de São Lucas a autora, Taylor Caldwell, fala sobre a visão dele com a Estrela que iluminou o céu do Oriente no nascimento de Jesus. Foi a estrela que guiou os Três Reis até Belém para adorar o Menino Jesus. Nesta data, 6 de janeiro, Dia de Reis celebra-se a Epifania, a manifestação de Cristo e encerra-se as festividades de Natal no Brasil com folias de reis e presépio.

As folias de reis revivem a jornada dos Três Reis Magos visitando presépios do dia 25 de dezembro ao dia 6 de janeiro. Ela foi trazida para o Brasil pelos jesuítas. Originada de antigos reiseiros portugueses que cantavam reis de porta em porta, na época do Natal, sua devoção foi de tal modo diversificada que dificilmente se encontram duas folias iguais. Mas, se cada uma representa um universo próprio, único, existem entre elas traços comuns, que são a configuração básica deste auto, que conta o nascimento de Cristo e a viagem dos Reis Magos a Belém. Ela tem cunho essencialmente religioso, são grupos organizados por devoção ou pagamento de promessa, cuja duração, segundo a tradição, é de sete anos, no mínimo. Adão Barbeiro, Locha, Vicente Quiabo, Minervino, Irmãos Corrêa, João Raposo e Tone Raposo com importante trabalho através da Cultuarte e tantos outros que deixaram seus nomes nas jornadas com as folias. 

O encerramento da jornada dos foliões da cidade aconteceu no dia 6 em cerimônia realizada na igreja Santos Reis do bairro São Lucas com celebração de Santa Missa e, depois, várias apresentações de grupos de foliões.