sábado, 30 de maio de 2026

É BONITO DE SE VER

 Minha terra tem palmeiras/onde canta o sabiá/ 

As aves que gorjeiam/ Não gorjeiam como lá – Gonçalves Dias



Coloque-se na orla do rio São Francisco, da praça dos Pescadores à Lagoa da Luzia. Pare! Assunta em tempo de meditação. Comungue-se com a natureza... E aí vai descobrir quão imensa é a riqueza ecológica que a Natureza presenteia ao são-franciscano que, despercebido, não mergulha no encanto de um paraíso. O trabalho fotográfico de Guilherme Barbosa Pereira registra com rara beleza e sensibilidade, um espetáculo que foge aos olhos das pessoas desatentas  que passeiam pela orla. Nem dá para acreditar que da Pousada do Peixe-vivo, passando pela mata da Fundação Caio Martins, bosques da orla (da Praça dos Pescadores à Lagoa da Luzia), exibem-se, com plumagens multicoloridas, poses especiais, tantas aves, tantas de espécies até desconhecidas comumente. O trabalho fotográfico do Gui vai além fronteiras e são muitas as mensagens de pessoas manifestando desejo de vivenciar tal espetáculo. (Abaixo uma pequena amostra de tão raro espetáculo alado – no geral, da Fucam à Tapera ele registrou 225. Há ainda, uma diversidade de animais: iguana, teiú, cachorro do mato, jaguarundi, coelho do mato, barbado e mico. 

Pois é, com tal riqueza ecológica, há muita gente que pede, e insiste, que essas lagoas pluviais às margens do rio, na cidade, sejam patroladas apontando uma causa, sem comprovação: que elas são viveiros do mosquito da dengue. Com a existência de peixes e visita de tantas aves, a possibilidade é reduzida. Pior, no caso, é o que causam pessoas inescrupulosas que jogam lixo nas margens dessas lagoas. Sem o acúmulo de lixo e folhas secas em suas margens o mosquito não encontra refúgio seguro para depositar os ovos.

Em resumo: cidades como Montes Claros, Sete Lagoas (tem 17 lagoas), Lagoa da Prata, Lagoa Santa e Belo Horizonte têm também lagoas na área urbana.


EM DEFESA DO RIO SÃO FRANCISCO

 

O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco instituiu 3 de junho como Dia Nacional de Mobilização em Defesa do Rio São Francisco. A ação tem como objetivo promover debates sobre a importância de preservar a bacia, que abrange 8% do território nacional, que tem uma extensão de 2.863 km e uma área de drenagem de mais de 639.219 km² se estendendo desde Minas Gerais, onde o rio nasce, na Serra da Canastra, até o Oceano Atlântico, onde deságua, na divisa dos estados de Alagoas e de Sergipe.

O município de São Francisco tem um privilégio duplo em relação ao rio. Primeiro por ser seu caminho na extensão de Sul-Norte; segundo por ser homônimo dele. Em tempos passados o município tinha certa importância com muitos tributários: Acari, Pardo, Angical, Renascença, Mangaí, Guaribas, Pajeú, Boi Morto – muitos deles extintos ou intermitentes – e dois rios: Acari e Pardo seriamente comprometidos por enormes bancos de areia e pouquíssima água. Então é muito séria e comprometedora a situação do município neste contexto, ou seja, somente se vale do rio, o veio principal, e pouco se lhe dá.

O município chegou a avançar muito com ações mitigadoras em defesa do São Francisco, trabalho constante realizado nas áreas de reposição com construção de barraginhas, tanques e proteção de nascentes. Uma desastrada administração municipal não entendeu a importância vital de proteger as águas do município e, consequentemente, o rio São Francisco. Trabalho eficiente perdido.

São Francisco foi responsável (através do Codema) da criação do Comitê de Bacia Hidrográfica-SF9 cobrindo 24 municípios. Neste ano, nem mais isto tem o município, a sede do CBHSF9 foi transferida para Montes Claros. Fica a pergunta: o que há para se comemorar? Tempo há, é o que se vê na página seguinte.

sábado, 23 de maio de 2026

5ª FESTA DO CARRO DE BOIS DE PEREIROS

 


No último sábado (16), aconteceu mais uma edição da tradicional Festa do Carro de Bois das famílias Ribeiro e Almeida, reunindo carreiros, cavaleiros e moradores em um grande momento de cultura, fé e tradição sertaneja.

A programação teve início na Fazenda Capitólio, com a bênção dos carros de bois, carreiros e cavaleiros, que participaram da carreata. Em seguida, os participantes seguiram em cortejo pelas estradas da região, com parada para almoço na fazenda de Tone da Cantina, ponto de encontro marcado pela confraternização entre as famílias e visitantes.

A chegada dos carreiros na Fazenda Almeida foi marcada pela emoção do público, que acompanhou e aplaudiu a apresentação de cada comitiva. Neste ano, o evento contou também com a participação especial de carreiros do município de Pintópolis, fortalecendo ainda mais a valorização das tradições culturais da região.

Encerrando a festa, o público aproveitou shows com artistas da terra. A programação musical começou com a apresentação de viola de Geann Aquino e seguiu animada ao som das bandas de forró Klevinho Soares e Márcio Leal.

Texto: Jonas Silva Ribeiro

sábado, 16 de maio de 2026

O PÔR DO SOL

 



Várias tardes eu vaguei,

Nas coroas que são filhas

Do vale das maravilhas,

Do saudoso Noraldino; 

Indizível alegria

Se apoderava de mim,

Ao mirar o céu sem fim

De fulgor esmeraldino.



Nunca mais esquecerei

O belo efeito de luz,

Que de tarde o sol produz,

Ao despedir-se do dia,

Contrastando com a sombra

Da noite triste caindo

E, meigamente sorrindo,

O astro-rei se despedia.


Era uma vista soberba,

Era um cenário radioso,

Quando o astro formoso

No ocaso se escondia,

Fantasiando novos quadros

Das cores mais brilhantes,

Joias finas e elegantes

De encantadora poesia.


Se um dia quiseres ver

Esplendorosas pinturas

E o canto das saracuras,

Que é o hino do arrebol,

Vinde cá na minha terra, 

No meu torrão belo e arisco,

Vinde ver em São Francisco

Como é lindo o pôr do sol!


Revolvendo velho arquivo encontrei esta beleza de poesia com uma dedicatória: “Ao fulgurante talento do Professor João Naves. Januária, 21 de setembro de 1961. Joviniano dos Santos”. Como ele foi generoso comigo, um jovem professor 

Eu tinha um ano e meio de vivência em São Francisco, transferido da Escola Caio Martins do Núcleo Vale do Urucuia para dirigir o Centro de Treinamento para Jovens Líderes Rurais da Escola Caio Martins substituindo o Coronel Oscar Caetano, que se afastara depois de prestar inestimável contribuição à obra, que inaugurou. À época eu já era cronista do saudoso jornal SF-O Jornal de São Francisco o que ensejou, certamente, contado com o poeta Jovem da Mata.

Diante de tão inspirada poesia, que canta o maior e inigualável tesouro de São Francisco, antes que se perca no tempo, a publico no Veredas, rendendo homenagens ao amigo, para nós conhecido como da Jove da Mata, posto ser fazendeiro na Mata do Engenho, nas barrancas do São Francisco, município de Januária, cidade irmã de São Francisco. Enviada, ainda, cópias para o pessoal do Conselho Municipal da Cultura e Grupo Poetas de São Francisco.



13 DE MAIO: UMA DATA COM DOIS SENTIDOS

 


UM: O Dia de Nossa Senhora de Fátima comemorado intensamente pela Igreja Católica em dezenas de países, com destaque especial para Portugal onde ela apareceu para três pastorinhos.

DOIS: dia da Abolição da escravidão, a Lei Áurea assinada pela princesa Isabel em 1889. O ato provocou a impopularidade da Monarquia e a princesa Isabel foi a mais execrada principalmente pelos barões, os grandes fazendeiros do café, porque não foram indenizados pela perda dos escravos (a explicação dada a respeito não se justifica). A princesa foi esquecida pelos brasileiros, nem sequer é festejada a data da abolição, contudo deixou uma célebre mensagem: . "Se mil outros tronos eu tivesse, mil tronos eu perderia para pôr fim à escravidão!"]


TRÊS: escritores, políticos, jornalistas engenheiros e outros negros que se destacaram na história do Brasil e não são reverenciados, conquanto tanto se deve a eles.

José do Patrocínio: foi um dos maiores jornalistas, escritores e líderes abolicionistas do Brasil. Conhecido como o "Tigre do Abolicionismo", ele usou sua oratória e seus jornais para mobilizar a opinião pública contra a escravidão. 

Luiz Gama: advogado, abolicionista, orador, jornalista e escritor. É o Patrono da Abolição da Escravidão do Brasil. Nascido de mãe "negra, africana livre" e pai "fidalgo", Gama era livre quando o próprio pai o vendeu como escravo aos 9 anos de idade, e permaneceu analfabeto até os 17. 

André Rebouças: engenheiro, inventor, empresário e intelectual foi um dos mais importantes articuladores do movimento abolicionista 

Nilo Peçanha: professor, advogado, deputado, senador, governador e presidente da República. Teve papel importante no desenvolvimento da educação no país e na relação com os indígenas com um dos marcos mais importantes da história indigenista brasileira: a criação do Serviço de Proteção aos Índios (SPI), que mais tarde deu origem à atual Fundação Nacional dos Povos Indígenas.

Sem dúvida, o Brasil coleciona outros vultos que foram esquecidos e não são reverenciados pelo tanto que fizeram à nação. 13 de maio, pelo que eles representaram no movimento abolicionista seria a data apropriada para lembrar do feito deles.

MUITO COM TÃO POUCO – I






O trabalho social no município tem se desenvolvido com a participação do voluntariado, associações comunitárias e outras que, às duras penas, promovem mudanças de destaque. Nesse campo encontra-se a Associação Esperança Capoeira que tem à frente Antônio Ferreira Silva, conhecido como Tok-Tok que há mais de 30 anos trabalha com crianças, jovens e adultos sem qualquer apoio do poder público. O centro de suas ações está no CT Esperança localizado no Jardim Milena, onde trabalha com crianças e adolescentes, de 7 a 16 anos ministrando-lhes aulas de capoeira e muay thai. Noutras áreas ele atende nas seguintes comunidades: Porto Velho, Bom Jardim, Santa Helena e na sede da Ong Preservar ministrando aulas de capoterapia para adultos, na maioria idosos; e capoeira e mauy thai para crianças e jovens. E mais, dedica-se ao futebol coordenando a equipe Unidos de São Francisco – infantil, juvenil e amador – que, atualmente, está disputando um torneio regional (Norte de Minas).

Os mestres Tok-Tok e Coyote, outro que se dedica à mesma atividade, recentemente levaram 2 jovens ao Rio de Janeiro para participar de um torneio nacional de muay thai que foram bem sucedidos sagrando-se campeões. Atualmente ele está preparando uma equipe de 8 alunos para participar de um torneio de muay thai regra K1, em Montes Claros, no dia 16, com a participação do CT Energia, de Coyote (inclusive um representante do município de Icaraí de Minas).

É formidável o trabalho do Tok-Tok praticamente voluntário, pois o que recebe pelas aulas de capoterapia e de alguns alunos, mal cobre as despesas de locomoção para as comunidades rurais, inclusive pagando a travessia da lancha. Quantos jovens mudaram de vida graças o envolvimento com as práticas esportivas e as lições recebidas no CT Esperança (o nome já diz tudo)?  

Apoio decisivo Tok Tok só tem recebido de Francis D´Ávila Soares (Nino) na parte organizacional e captação de recursos com o fim de custear as viagens dos alunos/atletas – tema para o próximo capítulo.  

sábado, 9 de maio de 2026

REFLEXÃO

 

O Brasil se encontra como um navio à deriva em alto mar açodado por violentas ondas que, à falta de lastro, está adernando com risco de naufrágio. Para o cidadão de bem e cônscios de seus deveres a situação é crítica se constituindo num verdadeiro dilema expressado em dito popular: “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. O fato é que o cenário é de total desencontro em todas as camadas. Destrambelhou-se a governança tornando-se difícil encontrar um porto seguro (qualquer um é um risco), pois as ondas convergentes não se ajustam e não permitem a governabilidade do leme do barco. 

No Brasil, pelo que se acompanha em eventos sociais, culturais e, principalmente,  artísticos, as pessoas que desejam uma rota do bem, alcançar um porto seguro, ficam desnorteadas. O governo federal não tem a indicação da rota segura, perdeu-se a bússola e, tenta-se tampar os rombos no caso do grande navio. Os marinheiros se desencontram nas ações. Querem, uns, arcar com a responsabilidade de conduzi o barco, produzem esforços nesse sentido; outros apenas esperam a ração e se contentam com isso sem se importar com a tragédia prevista, pois só se interessam pelo presente, o agora. Aí, conclui-se, tem falhado a escola de formação de marinheiros, pois nelas nada mais interessa do que o proselitismo, ou aproveitar-se de benesses apenas pelo comparecimento nela. Aprender, desenvolver-se, tudo não passa de mera questão de aproveitar o tempo. A educação afunda-se como o navio.

  Emite-se o SOS. Ouvidos moucos. O grito perde-se no etéreo. Na cabine confortável, desprezando o perigo, o capitão desenha rotas e mais rotas sempre com o propósito de encontrar um porto que seja do seu e dos seus. Leva-se a uma frase de Kant: “Age de tal modo que possas tratar sempre a humanidade, seja em tua pessoa, seja no próximo, como um fim; não te sirvas jamais disso como um meio”. Pois é, enquanto o capitão e seus comandados e seguidores agirem egoisticamente pensando apenas em si, a outra banda da tripulação corre o risco do naufrágio.

PROFESSORA SEBASTIANA PEREIRA DA SILVA

 


Muitos vultos que tiveram papel importante na história de São Francisco não têm destacados a sua importância e o seu trabalho em prol da coletividade e fatos de sua vida. Dos mais ilustres aos mais humildes, consultando suas trajetórias, descobre-se como foram elos significativos na composição de nossa história. Neste contexto temos a figura da professora Sebastiana Pereira, um caso à parte, pois seu nome foi dado a uma escola estadual (Santana de São Francisco) e Biblioteca da EE Dr. Tarcísio Generoso. Conquanto relevante os destaques, mister ir além e levar seu trabalho ao conhecimento público apresentando sua biografia.

A professora Sebastiana Pereira da Silva nasceu no dia 8 de agosto de 1939 e faleceu  29 de dezembro de 1979. Filha única do casal Francisco Rodrigues de Macedo e Maria Senhora Natividade, desde cedo demonstrou responsabilidade, força e sensibilidade. Era casada com José Rodrigues Damião com quem teve sete filhos, reconhecida sempre como uma mãe exemplar e uma filha dedicada. Uma destacada família na região de Santana de São Francisco (Jiboia).

Ela destacou-se como uma mulher provedora, resiliente e determinada, enfrentando desafios com coragem e dignidade. Com formação até o Ensino Fundamental (anos finais), cursado na EEDAM em São Francisco, demonstrou grande vocação para o magistério, o que se realizou, pois atuou por 24 anos como educadora em escolas rurais, com dedicação e compromisso. Lecionou na comunidade de Logradouro e foi professora fundadora da Escola Estadual Sapé de Relíquias. Trabalhou na Escola Estadual Doutor Tarcísio Generoso, onde encerrou sua carreira.

Contribuições e Legado: a professora Sebastiana foi uma educadora dedicada que transformou vidas por meio da educação, especialmente em comunidades rurais. Mesmo com poucos recursos, levou conhecimento, esperança e oportunidades a muitos alunos, deixando um legado de compromisso, amor e transformação social.

Sua memória permanece viva na comunidade escolar e entre todos que foram impactados por sua trajetória vê-se manifestações –  de ex-aluno: “Ela ensinava com paciência e carinho, e acreditava no potencial de cada aluno”. De uma ex-aluna: “Mais que professora, foi como uma mãe para muitos de nós”. De uma colega de trabalho: “Foi uma professora dedicada, que nunca desistia diante das dificuldades.”.

A professora Sebastiana sempre foi respeitada como dedicada mestra, comprometida com a missão e de trabalhar como agente transformadora da educação. Seu legado permanece vivo nas escolas, na comunidade e na memória de todos que tiveram a oportunidade de conhecê-la ou aprender com seu exemplo.

sábado, 2 de maio de 2026

LOCHA NOS DEIXOU

 



No dia 22 deste mês uma fatalidade levou o folião Locha ao encontro de sua esposa Tonica (Antônia da Silva Souza) que o precedeu no encantamento deixando-lhe imenso vazio, reclamado dia a dia. No dia 22  ele sentado no tradicional banquinho, como ficava todos os dias, na frente de sua casa, mais uma vez manifestou: “Tonica, venha me buscar”.  Ao regressar ao interior de seu lar, um escorregão e na queda sofreu uma concussão cerebral que o levou à morte. Foi realizado o seu pedido.

Filomeno Alves de Souza, era seu nome de batismo; Locha o nome comum entre seus companheiros dos ternos de folia e nos campos da Escola Caio Martins fabricando tijolos. Era uma criatura alegre, que se mostrava sempre tão feliz com vida, o que ele sempre  irradiava. Na Escola Caio Martins ele era parte de uma grande família, não apenas como oleiro, mas como grande companheiro e propagador do nosso folclore. Exímio folião, que se exibia tanto na caixa quanto na viola; criador de versos para as danças do Quatro e do Lundu sempre se inspirando na fauna, inventando palavras que ganhavam sentido conforme a história narrada no canto:  “Vô m´imbora, vô m´imbora não/ Pois eu vi duas roxa chorando debaixo do laranjá”, “Papai mamãe não qué que eu case com José/ José é um malandro, não dá conta da muié”. E o belo e sensível verso que embalava a dança do quatro: “Canarim preso na gaiola, que tristeza num será/ Canarim panhô solto, ôiá/ Que alegria num será/ Canarim, passarim bunitim/ Foi pra rua passeá”.

Na década de 1980, quando eu dirigia o Centro Integrado das Escolas Caio Martins de Esmeraldas, onde estudavam diversos jovens de São Francisco e região, formei um grupo para apresentações do nosso folclore – coral, dança e jogral. Sem problema para o coral e o jogral, mas no caso da dança, para ter autenticidade, reproduzindo o nosso folclore, era indispensável o toque inebriante da viola e o sonoro e apaixonado repique da caixa no lundu, no quatro e na catira. Encontrei um meio para resolver o problema, chamei o meu amigo Locha e ele, prontamente, passou meses no CI ensinando os repiques da caixa e os acordes da viola. Com nosso coral era convidado para apresentações em Betim, Belo Horizonte e, uma, de maneira especial em Divinópolis a convite do prefeito. O coral se apresentou em uma acústica em praça pública recebendo cumprimentos do prefeito e, especial, da grande poeta Adélia Prado – Locha foi parte do grande feito.

Em São Francisco Locha era um folião respeitado e amado, sempre alegre, feliz, criativo, excelente cantor e “dançador” do Quatro e do Lundu. Sem dúvida, um nome para a nossa galeria de mestres da arte popular ao lado de Minervino, Nego de Venança, Adão Barbeiro, Vicente Quiabo, Henrique Quente, como parte de uma galeria de tantos foliões que se transformaram em agentes que cultuavam, preservavam e divulgavam a nossa cultura.

Locha se encantou aos 85 anos. Com Tonica ele teve oito filhos (sete mulheres).

Locha, sentimos saudades. Você, agora estará tocando  viola com Minervino e Adão Barbeiro para agradar São Pedro.

REFLEXÃO

 


O poeta J.G. Jorge de Araújo inaugurou o soneto Naturismo com esta estrofe: “Foi aprendendo a ler que aprendi a pensar/ e hoje pelo pensar sou um degenerado, / – já foi puro o meu Ser, tal como a Luz e o ar,/ Como o ar e a luz de um céu sereno e descampado...”.

Um sentimento de pessimismo que leva a Shopenhauer, que defende que a existência é fundamentalmente sofrimento, movida por uma "vontade" (desejo) insaciável que gera frustração contínua. 

Tanto um caso quanto o outro leva-se ao momento que tem tornado a vida de muitos cidadãos brasileiros em uma incógnita: o que é certo e o que é errado. Vive-se, hoje, até mesmo o cerceamento da palavra, exigindo-se constante vigilância a respeito de tudo que possa expressar o pensamento. Ainda que pudesse ser caricato – para alguns, mas arguidor do pensamento do povo – o fato leva-se a uma das “tiradas” de Kafunga, comentarista esportivo: “O certo é o errado; o errado é o certo”. E, aí, volta-se a Schopenhauer, que argumenta que “a vida oscila como um pêndulo entre a dor (desejo não realizado) e o tédio (desejo realizado), tornando a felicidade duradoura impossível e a existência o "pior dos mundos possíveis”.

No Brasil da atualidade, aquele que de anos tantos passados era anunciado como “O País do futuro”, no cenário pátrio e internacional mostra-se em tela diferente. A sucessão interminável de escândalos políticos, financeiros, tráfico de influência, geração de influenciadores e por aí afora, são tantas as “verdades” que impossível é distinguir as tantas “mentiras”. E, enquanto isso, abre-se uma vala enterrando o país. E pensar que quando jovem ouvi a análise de um professor diante da então crítica situação do país, que pior não poderia ficar, pois ele já se encontrava no fundo do poço. Infelizmente ledo engano, muito otimismo, pois hoje vejo que o poço não em fim! 

sábado, 25 de abril de 2026

ABRIL EM SEIS TEMPOS

 


18: Dia Nacional do Livro Infantil. O livro é fundamental para o desenvolvimento humano e social, atuando como veículo de conhecimento, cultura e transformação pessoal. Ele estimula a criatividade, amplia o vocabulário, melhora a escrita, aguça a capacidade crítica e exercita o cérebro. Além disso, proporciona empatia, redução do estresse e preserva a memória histórica. Diante dessa realidade, a EM São Judas Tadeu, que atende os alunos do bairro Sagrada Família, tem se dedicado no sentido de estimular nos alunos o gosto e a importância da leitura. Os resultados são alcançados em todos os anos do ensino naquela escola, do primeiro ao nono turno, o que foi demonstrado em reunião realizada no dia 24, quando crianças apresentaram trabalhos, que resultaram de suas leituras. Muitos deles foram premiados pelo volume de livros que leram. Um destaque: o aluno Murilo Alves Dias, que ocupou um lugar na mesa de honra por ter lido, neste ano, oito livros.
A reunião contou com a participação do escritor são-franciscano João Naves, que destacou a importância da leitura e da escrita, presenteando a biblioteca da Escola com diversos livros de sua autoria que, muito interessante, foram alvos imediatos do interesse de muitos alunos que buscaram folheá-los. A exposição da diretora da Escola, Daniela, foi muito rica destacando o seu gosto pela leitura, o que se tornou um hábito diário, possibilitando ter amplo conhecimento do mundo.
A participação dos alunos no evento foi admirável. Centenas deles acomodados no auditório se comportaram com muita atenção, participando com alegria de cada apresentação dos alunos.



DIA 19

Dia dos Povos Indígenas, data brasileira que homenageia a diversidade cultural e a história dos povos originários, promovendo a reflexão sobre seus direitos e a luta contra o preconceito. Os povos indígenas podem ser considerados como uma nação pois constituem um grupo de pessoas que compartilham os mesmos costumes, hábitos sociais, crenças, cultura e organização política. E assim estavam quando Cabral aportou na costa das terras desconhecidas que viriam, mais tarde, receber o nome de Brasil. Eram tantas as nações que ocupavam terras da costa do Atlântico às terras e selvas interioranas. O dia 21 de abril de 1500 marcou o início da grande transformação dos povos indígenas, infelizmente para pior, pois a aculturação, forçada ou não, transformou o seu modo de ser, de viver. Eles eram senhores da terra por destinação do Criador, segundo registros históricos há mais de 500 anos de Cristo, contudo, em seu direito, foram usurpados. Impôs-se o poder que falou mais alto para que fosse possível acomodar o homem “civilizado” na terra descoberta. A partir daí a vida dos nativos transformou-se em um calvário. Muitos historiadores, romancistas e poetas, abordaram as questões ligadas a eles. Houve uma publicação em especial e que assustou o governo da época: Viagem pitoresca e Histórica ao Brasil do francês Jean Baptiste Debret que, vivendo 15 anos no Brasil, retratou com muito realismo como viviam os nativos, o que causou muito incômodo às autoridades da época censurando-o. O que restou de tantos povos indígenas, no contexto geral, tem sido apenas objeto de exploração política.

21: O DESCOBRIMENTO




Aconteceu por contingências históricas e convulsões que vivia a Europa com a queda do feudalismo e o surgimento do mercantilismo. Portugal ficou premida diante daquela realidade e precisava de riqueza para garantir o poder. O país, contudo, já se encontrava exaurido, preciso era se expandir, buscar novos mundos onde encontrasse as riquezas que tanto necessitava. Ao tempo igual, a Espanha vivia o mesmo drama. Era preciso explorar novos mundos. Os portugueses atiraram-se ao mar. Vasco da Gama descobriu o caminho das Índias, importante feito comercial e expansionista. Logo, com a mesma audácia, Cristóvão Colombo  desembarcou na costa da América, feito que aguçou mais ainda a necessidade da expansão portuguesa. Poucos anos depois Pedro Alvares Cabral aportava na Terra de Santa Cruz. Assim, deu-se por descoberto, ou encontrado, um novo mundo para Portugal. Primeiro a exploração do pau-brasil, depois o açúcar e, mais adiante o ouro, tudo implicando em exploração e, muito pior, abrindo as portas para a abominável escravidão de negros e índios. Em resumo, a descoberta de uma nova terra que viria se constituir em uma grande nação, o Brasil, teve seu preço. A ideia de que o "status quo" (a ordem estabelecida) pagou o preço da colonização é complexa e, em grande parte, histórica e sociologicamente contestada no caso do Brasil. O consenso entre historiadores é que, em vez de pagar o preço, o status quo colonial muitas vezes se perpetuou, transferindo os custos da colonização para as populações escravizadas, indígenas e, posteriormente, para as classes mais pobres.


21. TIRADENTES




O Brasil ainda colônia de Portugal. O anseio de riquezas estabelecia ligações de Portugal com a Colônia. Exploração do pau-brasil deu lugar à busca do ouro e à produção de açúcar. Rendiam as terras descobertas ao reino. Minas Gerais se transformou em palco das atenções da Coroa ávida por ouro. Intensifica-se a mineração e a ganância de Portugal levando-se à imposição da derrama (imposto forçado e arbitrário).  A indignação contra a medida motivou uma reação que gerou o movimento da Inconfidência Mineira com um propósito "Libertas Quae Sera Tamen", despertou-se o sentimento cívico pela libertação. Surgiu, então a figura de Tiradentes como líder. Ele não era um intelectual, não tinha riqueza, prestígio e poder, nada tão importante como uma determinação lídima: lutar contra a opressão dos impostos  e pela liberdade. O idealismo, o destemor ao enfrentar o poder, custou-lhe a vida. Foi condenado e executado porque ousou levantar a voz contra o poder. Deu a vida em prol do povo, daqueles que duramente trabalhavam para sustentar a Coroa. 

21: ANIVERSÁRIO DE BRASÍLIA


Brasília, oh! Brasília consolidada como a capital do Brasil, apesar de tantas objeções, ações contrárias ao que era necessário. O Presidente Juscelino foi ousado, corajoso e enfrentando todas natureza de óbices realizou o seu sonho que correspondia à uma necessidade: levar o pais ao interior. O Brasil, antes de Brasília, era representado apenas pelo litoral onde se concentrava o poder e as melhores cidades. O interior vivia no atraso. Com Brasília descobriu-se um novo mundo e o desenvolvimento alcançou Goiás, Matogrosso, Tocantins e Noroeste de Minas e regiões do Nordeste. Em tempo atrasado e com menos envolvimento de populações, o avanço para o Brasil Central lembra a épica conquista do Oeste americano, atualmente consolidada com ricos e desenvolvidos estados, muitos com PIB superiores a muitos países do mundo.
Não há, neste dia, como não lembrar do Presidente Juscelino que teve a visão do desenvolvimento: "Brasília significa, não apenas a mudança de sede de um Governo, mas de todo o rumo de uma grande nação." E a fé inquebrantável no pais com o otimismo e a promessa: "Deste planalto central, desta solidão que em breve se tornará o cérebro das mais altas decisões".
Bela, saudável e tão verde Brasília, tão consolidada em seus 66 anos.

24: A NOITE DA SERENATA - I


A Ong Preservar e Secretaria Municipal de Cultura promoveram um belo evento: A Noite da Serenata com o propósito de consolidar o projeto da criação da Casa da Cultura/Memória de São Francisco criando espaços para o arquivo do acervo histórico existente na ONG Preservar e futuras aquisições de bens materiais imateriais que se encontram dispersos no município. A Casa da Cultura/Memória será um espaço para promoção dos artesãos do município, de todas as linhas; de artistas de todos tendências – música, pintura, fotografias e outras manifestações artísticas; para promoção de feira-livre com destaque para a degustação de alimentação regional.
O evento teve o propósito de apresenta cantores da terra, talentos que têm se distinguido no município e alhures, buscando valorizar seu trabalho e abrir novas janelas para suas apresentações. No caso, o primeiro momento foi voltado para a seresta buscando promover o resgate da veia artística dos são-franciscano que, em décadas passadas, teve um grande realce com destaque para a Orquestra Feminina Santa Cecília da Escola de Música da professora Virgínia Amélia cujas alunas, crianças, eram consideradas pródigas. Ela formou grande elenco de músicas de violino e bandolim. Bandas de Música com os maestros Manoel Clemente, Elísio Horbilon e Juventino Cunha. Na noite foram reverenciados os músicos Enedino, Antônio Felizardo, Chiquinho Bigode, Tutu, Tião de Adelaide, Carlos Barbosa, Fausto e Aurora e mais recentemente o Grupo de Seresta de São Francisco, que marcou época. Não se trata de reviver este glorioso passado, mas de estabelecer um elo cultural daquele glorioso período com a imensa riqueza que dispõe o município na atualidade, mas que se encontra disperso e sem a devida promoção.

24: A NOITE DA SERENATA - II



A apresentação artística foi iniciada com o grupo Mensageiros da Emoção que interpretou clássicos da música romântica brasileira a começar pela imorredoura melodia Luar do Sertão, seguida da bela canção de Carlos Gomes, Quem Sabe e da romântica Moreninha se eu te pedisse, do folclore do Centro-Oeste e Sudeste. A participação foi encerrada com dr. Francisco cantando Roberto Carlos. A programação seguiu com a apresentação magistral de Ivanilde Lacerda Leite, Geralda de Brito (bandolins) e Zilma Magalhães (violino):  Luzes da Ribalta, La Paloma e a valsa Virgínia de autoria da professora Natália. A dupla Belino e Sérgio cantaram Amor Meu, uma versão do clássico Sound of Silence e a romântica composição de Pablo Milanés, Iolanda. Diney apresentou as canções Amaremos e Tu és o maior amor de minha vida. João Hebber e sua filha Janine apresentaram Tortura de amor, Naquela Mesa, Cantar e Cordão de Ouro. Por fim Kaká Espósi deu um passeio pelos anos 60 com variado repertório. No encerramento do evento a Ong Preservar e Secretaria Municipal de Cultura afirmaram que promoverão outros eventos, o mais amiúde que for possível, buscando a participação de artistas ecléticos, com variados ritmos, pois são diversas as preferências musicais. Como amostra, na procura de novos talentos, foi apresentado, com exclusividade, um jovem talento musical, que  exibe notável talento no violão, uma grata e virtuosa revelação com apenas 14 anos:  EMANNUEL NAVES! A apresentação dele foi sensacional, com o público admirado aplaudindo com entusiasmo.
Foi, sem dúvida uma grande e esplendorosa noite de arte. Um passo importante da Ong Preservar e da Secretaria de Cultura na implantação da Casa da Cultura/Memória.




24: VENERÁVEL PROFESSORA MARIA CÉLIA




Na história das Escolas Caio Martins pontificou uma figura venerável, uma educadora que ia além do seu mister postando-se mais como mãe amorável no trato dos seus pupilos. Ela acompanhou, ou melhor, viveu dia-a-dia, da primeira turma do Curso Normal Regional da Escola Caio Martins de Esmeraldas e, com desprendimento e arrostando sacrifício numa jornada extenuante, entregou 12 de seus alunos/professores ao sertão urucuiano. Ela esteve presente na fundação do Núcleo Colonial do Urucuia abençoando os 12 bandeirantes na missão que os aguardava num local em que existia apenas três ranchos de palha de buriti e colonos pingados nos vãos e gerais. O que ela ensinou e pregou ficou impregnado nos corações daqueles jovens, lições de humanidade (o que muito precisaria na lida com os esquecidos e abandonados sertanejos e seus filhos que nunca imaginaram conhecer uma letra sequer).
Na implantação do Curso Normal Regional a primeira turma se dividia uns abrigados em uma República, ao lado da casa de dona Maria, e outros pingados na região. Crescendo o número de alunos, todos foram instalados em um prédio que recebeu o nome de Artesanato (seria um projeto não realizado). Eram tantos os alunos e lá estava ela, morando com sua família (filhos irmanados com os alunos), com seu modo tão sereno, tão dócil, orientando sem nunca levantar a voz; se reprimia, bastava um olhar. Mais que respeitada, ela era amada.
Dia 24, dia do aniversário dela que se comemora a cada ano, pois ela sempre estará presente nos corações dos seus jovens pupilos. Parabéns, Mãe Célia.

SÍNTESE OS SEIS  DIAS DE ABRIL


1. 18: Dia Internacional do Livro Infantil: um olhar para o futuro. Formar o jovem para que, adulto, não seja objeto de manobra e sim um cidadão consciente e útil à Pátria.

2. Dia dos Povos indígenas. Reverenciá-los com um dia pouco significa quando ainda hoje eles são alvos de políticas de interesse sem resultado de ganho para eles.

3. Tiradentes foi levado à forca porque protestou contra a derrama e quis a liberdade. Hoje, como se encontra o pais, pode-se dizer que foi traído pelo Brasil. A história se repete: derrama (ganância do governo) e restrições à liberdade.

4. Descobrimento do Brasil. Marco de um novo tempo para um continente desconhecido com perspectivas de formar uma grande nação, tantas as suas riquezas. O status quo do país não corresponde aos anseios de desenvolvimento e bem estar da população que vive na insegurança quanto ao dia de amanhã

5. Brasília é, por um lado, uma grata e tão bela cidade, mas o poder que ela comporta deixa a nação à deriva. Não era o sonho de Juscelino.

6. A Noite da Seresta, muito mais que um show artístico é o sinal da largada de um importante projeto cultural. São Francisco precisa, sem dúvida de um local para arquivar a sua memória e promover a sua cultura, tão rica cultura.

Venerável educadora Maria  Célia. Que bom seria se o brasil tivesse tantas educadoras como dona Maria Célia e menos engajamentos e orientações doutrinais transformando jovens alunos em robôs.


sábado, 18 de abril de 2026

SEMPRE ALERTA!

 

FAMÍLIA CAIOMARTINIANA
A fotografia com o seguinte texto: Amauri em Juvenília com 
Alaripe e demais caiomartinianos da região lindeira com a Bahia.


A nossa Escola encontra-se em um estado lastimável que contraria todos os princípios que norteiam os cidadãos de bem, que almejam o melhor para o País. Custa-nos acreditar que governantes possam reelegar ao abandono tão importante obra que já deu sobejas demonstrações de bem servir o País praticamente a custo ínfimo para os cofres públicos. Fica a impressão, ou certeza, que eles só se preocupam com a defesa de seus interesses pessoais, partidários e políticos. Exemplos estão à vista principalmente na esfera federal.

Não foi suficiente o abnegado trabalho de nossas Escolas nos campos educacional e social; na promoção de crianças, jovens e adultos e da sociedade em geral promovendo o meio, formando uma plêiade de jovens cônscios de seus deveres para com a pátria e a sociedade. Em sucinta análise demonstra-se o que elas realizaram em termos práticos, buscamos as fundações dos núcleos do Carinhanha e do Urucuia onde se pontificaram 24 jovens, os bandeirantes, que arrostaram sacrifícios em prol da Pátria tudo porque Caio Martins lhes proporcionou assimilar dois fundamentos preciosos: a Palavra e a Fé. E o que seria a Palavra? Desde a criação, a palavra foi uma ferramenta de grande poder. Na criação do mundo Deus não apenas imaginou, mas verbalizou, e o universo foi formado. A Fé, segundo São Paulo “é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se veem”. E foi isso que ocorreu com os Bandeirantes caiomartinianos e com todas levas de caiomartinianos que, espalhados em diversas regiões, prestam serviços valiosos à Pátria e que alimentam um nobre ideal e estão Sempre Alertas!

Continuemos firmes no ideal e estaremos sempre servindo à família, à sociedade e ao país, independentemente da obra física.

Agora, contamos com um reforço especial: a chegada do caiomartiniano Amauri Rodrigues que sempre esteve à frente na defesa da nossa causa. Vamos trabalhar para que ele chegue à Assembleia Legislativa e seja o porta-voz das Escolas Caio Martins.

A NOITE DA SERESTA

 



A ONG Preservar realizará na próxima sexta-feira, “A Noite da Seresta”. Não se trata apenas de um evento cultural, o que por si já valeria muito, o projeto vai além. Em princípio ele tem um fim mais amplo: consolidar a instalação da Casa da Cultura/Memória de São Francisco. A iniciativa visa cobrir uma lacuna muito grande que tem deixado o município aquém de outros municípios da região e, pior, desprezando a riqueza de sua cultura e a sua memória histórica que se perde nas brumas do tempo.

O primeiro passo, como se anuncia, será o de reunir um elenco de músicos e cantores para a realização de uma “seresta” evocando o quanto foi brilhante São Francisco em tempos mais remotos com a formação de muitos músicos, orquestra feminina, banda de música e teatro. Em tempos mais recentes exibia-se na cidade e em outras cidades da região, e até mesmo em Belo Horizonte, o grupo Seresta de São Francisco constituído por mulheres e homens da cidade – instrumentista e cantores. Infelizmente são páginas viradas e é isto que a ONG busca reconstruir, a riqueza artística de São Francisco.

Assim, o evento da ONG, como porta de entrada de um novo tempo, poderá não apenas fazer um resgate da riqueza musical do passado, mas dar real destaque à riqueza do presente com um elenco de músicos que aqui e alhures já fazem sucesso e não são plenamente reconhecidos. Por extensão, indo mais longe, será a oportunidade de levar esta arte à população são-franciscana.

FUTURO DE SÃO FRANCISCO

 


2026, ano de eleições que podem marcar a história do País. À parte do que ansiosamente se espera das eleições dos poderes Executivos e Legislativos Federais, um cuidado especial deve merecer a eleição para a composição da Assembleia Legislativa do Estado atentos ao quanto é importante um deputado e, mais ainda, daquele que representa um município. São Francisco, neste aspecto, político, tem perdido muito em face de dois fatores: a distinção de candidatos de outros domicílios em detrimento de candidatos da terra. À exceção de Heráclito Cunha Ortiga, em tempos nenhum candidato da terra logrou assento na Assembleia e olha que foram apresentados nomes de muito prestígio e experiência política: Severino e Luizinho. Preferiam os eleitores da terra eleger candidatos de outras cidades como Januária, Montes Claros, Brasília de Minas e Coração de Jesus. Com isso, faça-se uma lista do quanto o município tem perdido no campo da educação e da saúde – apenas como exemplo: hospital regional de Brasília de Minas e o Instituto Federal do Norte de Minas Gerais de Arinos. Tudo vai passando batido e os eleitores locais não estão atentos ao fato, dispersam seus votos à mercê de vapores individuais. 

Mais uma eleição e mais um são-franciscano se apresenta com o propósito de servir São Francisco: Amauri Rodrigues filho de José Rodrigues Damião e professora Sebastiana Pereira, emérita educadora que foi reconhecida por seus serviços prestados à educação e à coletividade dando seu nome à EE de Santana de São Francisco (Jiboia). Amauri tem ampla experiência no campo político com o trabalho de longos anos, como diretor de políticas públicas no combate, prevenção e tratamento  sobre álcool e outras drogas, diretor na Fundação de Parques Municipais em   BH e assessoria parlamentar o que lhe facilita o acolhimento em diversos municípios do Estado. Amauri pode ser a solução, ele pode ajudar muito São Francisco. 

sábado, 11 de abril de 2026

POETA MEIRA NA EE DR. TARCÍSIO GENEROSO

 


Na manhã deste sábado, 11, o poeta Joaquim Meira, presidente da Associação dos Poetas de São Francisco, foi entrevistado por alunos da EE Dr. Tarcísio Meira, oportunidade em que ele discorreu sobre seu trabalho literário desde a adolescência como aluno da Escola Caio Martins de São Francisco, quando se apresentava no Grêmio Estudantil declamando poesias de vários autores e os seus primeiros ensaios. O tempo passou... passou, e o Meira continuou vivendo o sonho do poeta escrevendo continuamente as suas poesias chegando à publicação do primeiro livro – Minha Vida, publicado em 2019. E não tem parado, semanalmente – ou quase diariamente – ele publica suas poesias no Grupo dos Poetas de São Francisco.

O trabalho do Meira se estende, ainda, a ações sociais, especialmente na Conferência de São Vicente de Paulo no bairro Aparecida, que tem como presidente a sua esposa Lia.

Meira é um exemplo de cidadão comprometido com a sua terra, com seu país para a juventude são-franciscana. A entrevista que concedeu aos alunos da escola Dr. Tarcísio Generoso teve excelente acolhida e repercussão segundo a professora Vilma Beatriz.

Na página seguinte o Portal traz a apreciação do livro Minha Vida feita pelo nosso editor João Naves de Melo.


MINHA VIDA



Apresentação de um belo livro

Joaquim Meira – poetinha, como carinhosamente o tratamos – nos brinda com a publicação do seu primeiro livro. Insistimos para que o fizesse, pois era preciso registrar e deixar gravada uma trajetória poética que teve início nos idos de 70, quando, aluno da Escola Caio Martins, ele alegrava as reuniões dominicais do grêmio declamando belos poemas. Ficou na memória de muitos amigos daquela época a sua performance declamando o poema Furar Abelha, que escrevi especialmente para ele. O Poetinha era atento. Ele acompanhava com atenção as apresentações do grupo de jogral da Escola – Jorge, Valdecy, Valdir e Ricardo – e, com isso, foi ganhando mais e mais amor pelos versos. De repente começou a poetar, também. Ele tem uma característica peculiar: poemas de versos curtos – especialmente monossílabos, dissílabos e trissílabos, no muito – em que fala muito com poucas palavras. E mais, tem registro do simbolismo, quase sempre. É isso, quem lê precisa penetrar nas palavras como um analista de alma para buscar seus sentidos e, encontrando-os terá revelada a maravilha do seu conteúdo. Não é fácil escrever poesia como o faz o Meira. À vista pode parecer muito singelo, despretensioso, mas mergulhando no sentido de cada palavra costurando-a em cada verso, chega-se ao que quis dizer o poeta – Minha Vida. São muito expressivos os seus poemas. Às vezes me parecem misteriosos, enigmáticos, o que contrasta com o jeito afável e aberto do Meira. Isso é possível ver no poema Busca – “sofrei os sonhos / e os espinhos / para florir caminhos”. E segue filosofando com brandura: “busquei-me no sol / raio de luz / busquei-me na tarde / calma e paz / busquei-me flor / para florir caminhos”. E fecha a sua busca com belo verso: “tornei-me dia / ave de sonhos / vivi em alegrias / e tive sede / de saber o meu ser”.Acredito, Meira, pelo tanto que sei de você (sei?), dos nossos anos de convivência, desde você menino na nossa escola, que, na sua felicidade sempre mostrada, você sabe muito bem o seu ser. Seus versos revelam sua alma pura e bondosa.Em vista de poemas tão curtos, falar muito seria um despropósito e poderia quebrar o encanto. Meira, fico por aqui, com meu abraço e minha alegria pela realização de seu grande sonho: o livro.
João Naves de Melo


SEMPRE ALERTA!

 


Companheiros, amigos marchemos/ Pela estrada de Caio Martins/ Escoteiros! alerta exaltemos/ O seu nome na voz dos clarins.  Quantas vezes ouvi este refrão na voz de crianças na expectativa do futuro; de jovens que abriam as asas para empreender jornadas na vida; de homens feitos saciados no ideal. O Hino às Escolas Caio Martins de autoria do saudoso mestre Saul Martins, caiomartiniano da gema, embalou sonhos, sustentou ideais e sempre se leva a deslumbrar tempos radiosos para o nosso Brasil, sabendo-se que levas e mais levas de cidadãos conscientes de seus deveres para com a Pária e a sociedade estavam sendo formados. Quanto são eles? É difícil somar, mas os tem na perene lembrança como construtores de novos tempos.

Há 78 anos as sementes foram lançadas no município de Esmeraldas à sombra da Serra Negro, no vale do Paraopeba e, de lá se estendeu ao Norte desbravando o sertão. Foram formadas as Bandeiras de Buritizeiro, Carinhanha e o Urucuia, chegando-se aos Centro de Educação de São Francisco e Januária, prestando inestimável serviço à sociedade e ao país a preço tão somente de um ideal e parquíssimos recursos. Lembro que neste ano a Escola de São Francisco completa 70 anos de uma vida que foi marcada por realizações e de tantos serviços prestados ao município na formação de jovens e na transformação do meio. Pelos campos do Brasil espalharam-se os caiomartinianos e todos guardam o mesmo sentimento pela Escola querida, a reverenciam e rendem louvor pelo que a eles ela ensejou. Reconhecem-na e a amam. Atualmente, pelo estado de abandono em que todos os núcleos se encontram, distante do seu fulgor e de serviços, é de se lamentar profundamente; é de se quedar incrédulos ao perguntar: por que o governo de Minas deixou sucumbir tão precioso tesouro humano, cultural e cívico?

O corpo físico se deteriora, mas o sentimento do caiomartinano está vivo, sempre estará vivo. Vamos erguer nossa bandeira, conclamamos. Um ex-aluno vem lutando para manter a flâmula caiomartiniana em diversos momentos: Amauri! Ele está buscando caminhos e, na sua luta poderá ser o porta-voz e manter aceso o nosso ideal. Vamos conhecer o seu trabalho e Sempre Alerta!

IMPERMANÊNCIA - IV

 


Não precisava ser como as águas do São Francisco na sua impermanência. Ora, o que passou, passou; outras águas serão outras, certamente. O fato leva a uma reflexão sobre o mote criado pelo historiador João Botelho Neto: “São Francisco, cidade do já teve”. Então, segue-se ao terceiro capítulo, outra jornada.


FONTE  LUMINOSA


São Francisco passou por uma fase de destruição de patrimônio cultural e religioso com explicações pouco plausíveis e, muitas vezes por idiossincrasia. Ponha-se, no caso, o Coreto, o sobradão da Renascença, casarão-sede da Escola Caio Martins, entre outros. Assim foi o destino da Fonte Luminosa, um presente do governo de Aristomil Mendonça na década de 1960, que era uma atração para a população da cidade e visitantes. Essa fonte, localizada na Praça Heráclito Cunha Ortiga (Peixe-vivo) era uma alegria para as crianças que acorriam ao local, ao cair da noite para assistir a um belo bailado de água colorida. Com a construção do aterro, uma obra contestada, sem necessidade, a fonte foi demolida. E mais causou o aterro: a separação da cidade do rio.


GRUTA DE NOSSA SENHORA


No mesmo governo, ou seja, de Aristomil Mendonça, por iniciativa da primeira dama Gercina Botelho de Mendonça, foi construída uma gruta encravada no cais, o portentoso penedo que distingue a cidade de São Francisco nela entronizando uma imagem de Nossa Senhora. Tornou-se um local de contemplação e oração ao cair da tarde. Fiéis e não fiéis visitavam o local geralmente ao pôr do sol, agraciados com o encanto que Deus nos contempla a cada tarde com atos de fé. A construção do aterro foi a explicação pela demolição da gruta. 

Nada  foi feito para compensar a demolição de dois sítios da maior importância para a cidade, um cultural e outro religioso.

sábado, 4 de abril de 2026

IMPERMANÊNCIA - III




Não precisava ser como as águas do São Francisco na sua impermanência. Ora, o que passou, passou; outras águas serão outras, certamente. O fato leva a uma reflexão sobre o mote criado pelo historiador João Botelho Neto: “São Francisco, cidade do já teve”. Então, segue-se ao terceiro capítulo, outra jornada.

OS CLUBES DE SERVIÇO

LIONS CLUB – Janeiro de 1965 instala-se em São Francisco o Lions Club uma organização internacional de clubes de serviço voluntário teve existência em São Francisco reunindo-se, semanalmente no salão da AASF cultivando o companheirismo. Os sócios tratavam-se como companheiro leão estabelecendo-se forte elo de amizade. A esposa de um membro do Lions Clube era chamada de Domadora, desempenhava um papel fundamental no leonismo, apoiando atividades de serviço comunitário. O Lions deixou como marca de sua passagem na história de São Francisco, a criação do Lar dos Idosos sob a presidência de João Naves com o apoio do então prefeito e leão Aristomil Gonçalves de Mendonça. Ainda naquela época já se falava em organizar o trânsito em São Francisco com um projeto do então presidente do clube Mário Mendes. Por mais de uma década o Lions esteve em frutífera atividade e depois...

ROTARY CLUB é uma rede global de líderes comunitários, amigos e vizinhos que se unem para causar mudanças duradouras, promovendo a paz, saúde, educação e alívio da pobreza em suas comunidades. O membro é tratado como Companheiro e sua esposa como Dama Rotária. Em São Francisco o Rotary desenvolveu campanhas no combate à poliomielite e promoveu ações atendendo dezenas de pessoas em cirurgias de catarata realizadas no município de Coração de Jesus. O Rotary tinha atenção voltada para a juventude com a criação do Clube Rotaract para jovens adultos. No auge de sua atividade em São Francisco o Rotary construiu sede própria, atualmente um prédio abandonado. Sem maiores explicações, o Rotary deixou de existir em São Francisco e muitas têm sido as tentativas para reerguê-lo, frustradas até os dias atuais.

sábado, 28 de março de 2026

IMPERMANÊNCIA - II

 


Não precisava ser como as águas do São Francisco na sua impermanência. Ora, o que passou, passou; outras águas serão outras, certamente. O fato leva a uma reflexão sobre o mote criado pelo historiador João Botelho Neto: “São Francisco, cidade do já teve”. Então, segue-se ao primeiro capítulo, outra jornada.

AUTOMÓVEL  CLUBE


As décadas de 1970 e 1980 foram de esplendor da sociedade são-franciscana com os eventos sociais realizados no Automóvel Clube além de shows artísticos com bandas consagradas em Minas. Destaques para os  bailes de gala do aniversário da cidade,  carnaval, festa das debutantes de tanto encanto e em homenagens a São-franciscanos ausentes ou beneméritos do município. O AC nasceu em decorrência do fim da AASF – a cidade ficou sem um local para a realização de eventos sociais, o que levou à iniciativa de formar uma sociedade para construir um clube para preencher o vazio.  Assim nasceu o AC. Com o tempo os sócios fundadores, por motivos diversos, deixaram o clube e seus sucessores não manifestaram o mesmo interesse. Com isso o AC descerrou as portas e seu ressurgimento está complicado pelo surgimento de diversos salões de festas na cidade. Interesse tem por parte de um grupo, mas tantas são as dificuldades que a ideia não sai da vontade e o prédio, com o tempo, vai se deteriorando.


CLUBE CAMPESTRE CARQUEJO


Nem tanto esplendor como o AC, mas de uma esfuziante força de juventude nasceu o Clube Carquejo em uma área privilegiada que, sem dúvida, cobiçada por muitos visitantes à cidade. Por muitos anos até a entrada do século XXI o clube tinha uma atividade fervilhante: futebol soçaite, churrascadas, encontros sociais e, o que chamava atenção, o ancoradouro de barcos no belíssimo Rio São Francisco. Como se fosse de uma noite para o dia, o clube deixou de existir e hoje se encontra abandonado.

DIA MUNDIAL DA ÁGUA

 


Em 1993, no dia 22 de março a ONU instituiu o Dia Mundial da Água para conscientizar a população sobre a preservação, gestão sustentável e o acesso universal a água potável, alertando sobre a escassez hídrica. Milhões de pessoas ainda carecem de água potável no mundo, tornando a data um chamado global para ação imediata e o quanto se aplica a São Francisco que enfrenta, por comum o problema da seca a cada ano. 

A situação hídrica no município de São Francisco foi alvo de muita atenção anos atrás, quando era intenso o trabalho da Secretaria de Meio Ambiente e do Codema com a construção de barraginhas, terraços, abertura de tanques e campanha de preservação do cerrado “Pai das Águas”. Houve um grave interregno quando ficou comprometida a conquista alcançada. Agora anuncia-se a retomada das ações, sobretudo com o Projeto Plantando Água. Um tanto atrasado, mas com bom propósito, abraçado pelo prefeito Miguel Paulo com equipes da Secretaria e do Codema. Importante, pois a cada ano mais crítica fica a situação hídrica no município, com interrupção de muitos cursos d´água e lagoas. Pior se vê quando chega o período das chuvas que se sabe, de regime muito baixo no município: toda água precipitada é perdida, passava velozmente em enxurradas que parecem riachos, que desaparecem num instante sem deixar sinal. Em vários pontos do município ocorreram inundações, córregos transbordando, passando sobre pontes, invadindo propriedades rurais e, passada a chuva, de novo, tudo seco. O que se viu no córrego do Angical e no Mocambo é um retrato da situação. É preciso proteger. É preciso guardar a água da chuva. É preciso plantar água. 

SÃO JOSÉ – SÃO FRANCISCO: UMA HISTÓRIA - II

 


O artigo publicado na semana passada evocando algumas passagens da história da Matriz de São José trouxe à memória de Ana Maia Neves Mendes, ao lê-lo, uma lembrança muito especial e que, guarda, muito sentimento. Falou sobre o sentido de acolhimento do interior da igreja com três naves e belas pilastras, do altar de madeira e, o que uma geração não conheceu: o coro cuja acesso era dado por uma escada em caracol, que lembrava a escada de Loretto, de São José.  E no coro, o harmônio que com um coral levava a música sacra às solenidades religiosas. Lembrou mais: debaixo do coro ficava o esquife com o Senhor Morto  tradicionalmente utilizado para carregar a sua imagem na paraliturgia da Procissão do Enterro do Senhor de Sexta-feira Santa.

Era, a matriz, muito acolhedora e muito apropriada à meditação, contemplação e momento de intensa serenidade de espírito.

sábado, 21 de março de 2026

SÃO JOSÉ – SÃO FRANCISCO: UMA HISTÓRIA

 


1866 o pequeno povoado Pedras dos Angicos, remanescente da fazenda de Domingos do Prado e Oliveira, foi rebatizado com o nome de Vila de São José de Pedras dos Angicos, consequência da criação da Paróquia de São José erguendo-se, logo, uma capelinha consagrada ao padroeiro. Em 1867 o inglês Richard Burton a registrou para a história: “capelinha de São José, padroeiro da localidade”. Em 1877 a Vila de São José de Pedras dos Angicos foi elevada à categoria de cidade recebendo o nome de São Francisco, contudo a mística de São José permaneceu com dois santos para proteger a dadivosa terra: São José e São Francisco. Avançando no tempo a pequena igreja, em estado precário, foi demolida erguendo-se outra, contudo consagrada a Santo Antônio, noutro local. Em 1900 os fiéis decidiram pela construção de nova igreja no mesmo local da antiga capelinha. Os anos foram passando sem concluir a obra. Em 1935 ela foi retomada estando à frente da paróquia o padre José Ribeiro. Foi criada uma comissão presidida pelo prefeito Oscar Caetano Gomes, Sancho Ribas o coordenador da obra e o construtor Garibaldi responsável pela construção da majestosa torre. Fiéis trabalhavam aos domingos, depois da Santa Missa, transportando material para a obra em mutirão. Em 1972, com o padre Vicente realizou-se ampla reforma na Igreja com a retirada das naves laterais criando-se um espaço único e amplo. Com outras alterações internas foi demolido o altar em madeira trabalhada (não havia, à época, o Conselho de Patrimônio Cultural). Padre Genivaldo, à frente da paróquia (de 2009 a 2015) fez a segunda reforma motivando os fiéis para a execução da empreitada: troca de piso, forro, aquisição de novos bancos e instalação de moderno serviço de som.

160 anos decorridos e a devoção ao santo que, ao lado de Maria, cuidou e protegeu Jesus Cristo até o início de sua missão messiânica, mantem-se viva e ardente, e isto comprovou-se com os festejos realizados pela paróquia em sua homenagem neste ano: 9 dias de orações e um encerramento santo e muito festivo.