sábado, 29 de agosto de 2026

PÔR DO SOL DO SÃO FRANCISCO

 


O pôr do sol em São Francisco é um registro de rara beleza, que sensibiliza profundamente a todos que o admiram nas tardes   na beira do São Francisco. Este presente da natureza, tão cantado em versos e prosas, alvo de filmes e fotografias, foi alvo da apreciação do escritor Noraldino Lima  quando, em 1925, viajou no vapor Wenceslau Braz de Pirapora a Januária na comitiva do Presidente do Estado, Mello Viana. Ele não resistiu aos encantos do São Francisco e escreveu o livro No vale das maravilhas (edição esgotada, hoje uma raridade) e, como prova desta maravilha ele dedicou uma página à contemplação do pôr do sol no São Francisco – uma página de rara beleza, de profunda contemplação e com sentimento poético. 

O Portal Veredas traz esta página à apreciação dos são-franciscanos e daqueles que tanto apreciam o pôr do sol em São Francisco.


Quero em um preito do meu culto à magia do grande rio – o majestoso São Francisco – levando o espírito ao céu do sertão, às paragens iluminadas onde nada acaba e nada começa, para uma derradeira e comovida evocação. Um pôr do sol em pleno sertão ermo!

Tenho ainda no olhar e na saudade todo o seu esplendor. Coisa banal, por certo, um crepúsculo, mas cheio de um encantamento fantástico, maravilhoso, inenarrável, quando tudo acontece ao longo das retas gigantescas do São Francisco.  Quem assiste uma vez a esses poentes de ouro e sangue não pode mais esquecê-los, tal o fulgor das suas tintas, a confusão de seus aspectos, entre a luz que se vai e a sombra que vem...

Rimas de poeta, palhetas de pintor, palavras de alta expressão dos maiores artistas do pensamento – nada traduziria o envolvente espetáculo daquele crepúsculo singular;  aos lados, como ponto de interseção   entre duas grandezas  – o rio e o céu – as árvores, festivas no  começo, alvoraçadas de trilhos e gorjeios, namorando-se faceiras, na orla buliçosa do rio, depois, debruçadas sobre a frieza de si mesmas – sentinelas do silêncio – como espectros oscilar no fundo das águas tranquilas, guarnecem as margens, como duas colunas, imóveis na sua imponência, sustentando o peso dos espaços. 

O poente no sertão é como um caleidoscópio encantado: o capricho e a fantasia das cores  brincam na concha azul do céu profundo e na face bisotada das águas mansas.

A princípio o sol, como que pairando, resplandecente e glorioso, sobre o tope recortado da mata, vaidoso borda a ouro líquido a superfície das águas;  ao seu mergulho no abismo, o rio parece uma cauda azul e muito longa, e à medida que largas manchas escarlates, como lacre derretido, dominam, de baixo para cima, da âmbula de Deus, o rio é todo um só clarão – condensado aqui, mais tênue ali, todo ele, porém, espelhando as modalidades do mesmo incêndio a propagar-se no braseiro vivo, que agora se tonaliza,  do vermelho rutilo ao fosco, do alaranjado ao violáceo do amarelo em todos os tons ao verde de todos os matizes, até que uma faixa luminosa entre o horizonte e as nuvens, mais viva, mais apagada, limitando-se, diminuindo, morrendo aos poucos, lentamente, penosamente, se vai tornando cor de cinza – da cinza agônica de grande fogaréu.

Diante do espaço, nessa hora, diante do rio, diante da mata, o homem sente-se grande e pequeno ao mesmo tempo a um tempo – grande na grandeza ascensional do espírito, porque este sobretudo nos vapores das tardes, que a gente tem a impressão de que se confunde com as própria nuvens e acima delas com o próprio éter, fazendo-se imponderável, inebriado perdido sem fim; pequeno porque há grandeza cuja majestade esmaga, é a paisagem do São Francisco em um pôr do sol, tem amplitude que os olhos enxergam sem medir, na exaltação que é  um atordoamento dos sentidos.


O crepúsculo... em cima, a suprema dilação do mistério – o colapso da luz e a nostalgia da sombra; embaixo numa empolgante palpitação, como que a se repartir no balanço dos ramos, no sussurar nos ninhos, no vozeio desconhecido do capoeirão, no sereno rolar das águas –  ajoelha-se a alma da solidão, debruçada no céu sobre os dois abismos – o abismo da floresta e o abismo do rio.

O crepúsculo... O êxtase e o silêncio... Há pouco, o reboliço e a luz, irritante na sua orgia, esplêndida na irradiação triunfal de sua nudez; agora o entorpecimento, a quietação: os jaburus e garças, os baguaris e os mergulhões, os tucanos e os papagaios, os martinho-pescadores e os patos selvagens, todo esse dilúvio de penas que alvejavam  nas margens, ou riscavam a flor das águas, buscando, num fugitivo tatalar de asas, o pouso que ninguém conhece – tudo sumiu, tudo passou.

Crepúsculo...Sombra que cai, noite que desce, envolvendo no sono de umas horas até a alvorada próxima, a grandeza que dorme há séculos – na terra e nas águas – a espera de sua madrugada de luz.

Para te saudar ainda uma vez, no teu crepúsculo que é uma aurora, oh! Francisco – vale das maravilhas – só pedindo às “Meditações” de Lamartine, a alma da “Solitude” para, da região dos montes, na tua glória bendizer a glória de Deus que te criou. 


Noraldina Lima escritor e político mineiro – foi interventor do Estado de Minas em 1946. (1855/1951)


NAS BRUMAS DO TEMPO - III

 


Ano após ano foi chegando o progresso com a cidade modernizando-se com muitas avenidas e ruas pavimentadas, com iluminação pública, água encanada, esgoto, telefonia digitalizada, bom hospital, muitas clínicas médicas e odontológica; e tantas drogarias, academias de fisioterapia e de musculação, supermercados, expansão urbana fantástica com duas dezenas de bairros, aumento espantoso de veículos  (carros, motos, bicicletas elétricas e comuns) provocando o caos no trânsito (quem diria a lembrar que no início da década de sessenta transitavam  em São Francisco apenas um jipe, um caminhão e uma rural!) e por aí afora. E mais se anunciam com a construção da ponte sobre o rio São Francisco, na cidade – isto será assunto para ser refletido com muita atenção avaliando os danos e benefícios.

Outra era dos anos trinta e quarenta com tanta diferença e melhorias no sentido material, gozo desfrutado no moderno. Contudo, não se pode medir a felicidade no modo de viver, pelo preço que se paga diante das angustias que assolam a sociedade por múltiplos fatores e, deles, os causados pela inépcia (para não dizer o pior) de governantes. Apenas é possível dizer que, naquele tempo, numa cidade bucólica, o povo era feliz... e sabia.

SÃO FRANCISCO NAS LENTES DO GUILHERME

  Guilherme Barbosa Pereira, professor, diretor da EE Everardo Gonçalves, empunhando a sua máquina fotográfica transforma-se no artista das lentes, o Guilherme Barranqueiro. O Portal Veredas está postando algumas de suas belíssimas e expressivas fotos para que nossos leitores acompanhem a sensibilidade do fotógrafo e admirem como tem São Francisco cenários tão expressivos, belos e históricos.



Estou só no meio do mundo...

Ou serei o mundo?

Quero ter um porto

Ou apenas uma passagem 


Um cromo enigmático ao modo de ver de um poeta substituindo a estaca onde está amarrado o barco com a camisa do pescador no topo no tempo de ficar. Uma coluna com uma bandeira no capitel sinalizando um domínio, a área de um pescador. De lado, uma palhoça, certamente para o recolhimento ao repouso. De brinde, na extensão da foto, a imagem do mui querido Peixe-Vivo. 

sábado, 22 de agosto de 2026

AGOSTO: PRENÚNCIO DA PRIMAVERA

 


O mês de agosto é prenúncio da Primavera. A natureza ainda está em dormência. As árvores estão desfolhadas e aquelas que  suportam algumas folhas, tem-nas marronzadas, retorcidas e ressequidas, e as flores são raras. Eis que, sem dar aviso, algumas espécies vão se adiantando nas vestimentas primaveris e nisso acabam se dando bem, notadas naquele contraste vivaz com o triste cinzento. Isso tenho visto, por andanças pelo cerrado na inflorescência do ipê, árvore símbolo do Brasil e na orla do São Francisco acompanho as transformações manifestadas. Chama a atenção o tamboril. No final de julho ele está desfolhado sustentando apenas as sementes. Nada nadinha de verde, senão ramos de teimosas ervas de passarinho. Algumas plantas são mais sensíveis às umidades profundas, ainda que não se sinalize chuva no céu. Veios d´água devem furar bloqueios de pedras, barro ou tauá procurando caminhos e, com isso saciando raízes mais profundas. Então, é o que se vê: o pajeú, árvore de beira de rio, sempre ali pregada nas barrancas, testemunha de grandes enchentes e terríveis secas, se vestindo de florada: de buquês verdes primeiro e depois passando ao vermelho – flores às pencas cobrindo toda a fronde das árvores. É um topete escarlate refletido nas águas do rio, nesta época tão cristalinas. Um pouco afastadas das barrancas, mas ali na orla, a caraibinha se arrebenta em flores brancas, mimosas e docemente perfumadas. Soltas aqui e acolá, mais próximas do balaustre sobem moitas de algodão manso. É uma plantinha tão comum na catanduva, nas matas secas, muito mais em terrenos de pedreiras e de solos áridos, de pouca água, que poucos dão ligança para ela tendo-a como sem serventia, mas tem: a de servir de brinquedo para as crianças explodindo seus botões brancos em formas de esferas ocas.  E o que têm elas, então, para merecer uma atenção, agora? As flores, tão delicadas e desenhadas. Formam pequenos buquês e quando se abrem aprecia-se a engenhosidade de traços coloridos. É prenúncio da Primavera.  

É preciso tanta tristeza assim para sentir o rebentar da vida, que nos oferece a natureza quando chega a Primavera. É preciso o cinza para festejar o verde lustroso e o colorido de tantas e tantas flores que se abrem. 

Eu queria ser como o tamboril. No inverno seco, enrugado, cascas eriçadas, cinzentas, um quase morto, que chegando a Primavera brotam pequeninas folhas – uma, duas e tantas outras, quase transparentes, translúcidas que depois, mais aglomeradas, como um manto verde, forram a fronde da árvore. Eu, ao contrário,  a cada Inverno vou perdendo o vigor que não se renova com a chegada da Primavera...

COLÉGIO PLANO KIDS E O FOLCLORE

 



O Colégio Plano Kids implementou o Projeto Folclore Brasileiro: nossa história, nossa cultura e nossa tradição atendendo alunos da educação infantil, primeiro, segundo e terceiro anos do ensino fundamental no período de 17 a 22 de agosto. Como se sabe, agosto é o mês do Folclore. Segundo a professora Damaris de Jesus Santos, diretora do Colégio, “o projeto tem como objetivo valorizar o folclore brasileiro como expressão da história da cultura e das tradições do nosso povo. A proposta busca, além de apresentar as manifestações do folclore nacional, dar ênfase especial à cultura e às tradições da região de São Francisco, aproximando as crianças das histórias, costumes, brincadeiras e saberes que fazem parte da memória local.”

Deve ser realçada a importância desse projeto que segundo a professora Damaris “proporciona as crianças uma experiência significativa de conhecimento e valorização do folclore brasileiro, com ênfase especial na cultura e nas tradições da região de São Francisco. A intenção é que nossas crianças não apenas conheçam o folclore por meio dos livros e das atividades em sala de aula, mas tenham a oportunidade de vivenciá-lo, entrando em contato com personagens, histórias, costumes, brincadeiras e manifestações culturais que fazem parte da história do nosso povo e da nossa região. Busca-se, assim, aproximar as crianças da cultura local, possibilitando que reconheçam, valorizem e compreendam a importância das histórias e tradições que foram transmitidas de geração em geração, fortalecendo o sentimento de pertencimento e a preservação da nossa identidade cultural”.

Como parte do projeto os alunos, que dele participam, visitaram o folclorista João Naves de Melo, membro da Comissão Mineira de Folclore para que conhecessem o seu acervo sobre o folclore são-franciscano. Os alunos participaram com vivo interesse do encontro demonstrando grande interesse pelo nosso folclore através de perguntas sobre aspectos variados recebendo do folclorista livros de sua autoria para a biblioteca do colégio.


COMENTANDO


A importância deste projeto vai muito além daquilo que apresenta: é uma prospecção para o futuro. Tome-se como exemplo uma floresta: não fora a semente ela não existiria. A semente é a árvore amanhã, mostra que o futuro grande nasce de um pequeno gesto atual. Ela ensina que o cuidado com o início define o sucesso do fim. Isso vale para a natureza, para a vida pessoal e para a sociedade. Transmite-se a essas crianças o ensinamento de Alceu Maynard que, com muita propriedade, disse que “Mais ama um povo quem ama as suas tradições”. É o que está fazendo, com tanta alegria, o Colégio Plano Kids. 

NAS BRUMAS DO TEMPO - II

 


Transporte terrestre era feito através de tropas de muares, que abriam trilhas pelo sertão definindo rumos que tempos depois se transformavam em estradas. Tempo também das boiadas que eram levadas para Montes Claros e até Diamantina – meses vazando o sertão. Quanta história. E as vendas? Eram interessantes pontos de encontros, de conferir e dar notícias do dia-a-dia – jornal ao vivo. Pequenas mais sortidas. Um balcão de madeira liso pelo uso no tempo; caixotes com arroz, feijão, farinha, açúcar, sal, rapadura, e nas prateleiras queijo, requeijão, velas e anzóis (não poderia faltar, pois na cidade tantos eram os pescadores de precisão ou só por gostar), e um mundo de quinquilharias de servir às senhoras damas e até a querosene para as lamparinas. Ah! de especial eram os tamancos e de tanta profusão levantando poeira nas ruas ou reproduzindo o toc-toc nas pedras do cais.

Era uma cidade gostosa de se viver. Nem tanta comodidade, nem tanto progresso tinha. Para quê? Tinha banda de música: os maestros Elísio Orbilon, Manoel Clemente, Joviniano Cunha; tinha os cavalos esquipadores com exibição de orgulhosos cavaleiros chegando ao Comércio (cidade). E tinha festa do Divino, com procissão guiada pelo Imperador empunhando a bandeira (e muito churrasco, depois, com boi doado por fiéis). Os feriados de respeito além dos oficiais: Santo Antônio, São João, São Pedro, Bom Jesus da Lapa, 13 agosto (dia de aziago), a Semana Santa inteirinha (na quaresma não havia festa, brincadeiras, nada de comer carne e de bebida alcóolica e imperava a lei do silêncio com muita penitência) – e a igreja sempre estava com a porta aberta (tão reverenciada por Vicente Celestino). Na saúde, o pequeno Hospital São Vicente de Paulo (hoje EE Brasiliano Braz), mas grande, muito grande mesmo, era o número de curadores, benzedeiras e parteiras – a farmácia estava na natureza. Na assistência dentária um protético: extração e dentaduras, somente. Farmácia só conhecida a do dr. Tarcísio Generoso, farmacêutico formado, outras eram de boticários. Na arte havia um avanço e muito entretenimento: teatro, serestas, bailes nas residências, bate-papo às tardes nas calçadas na frente das casas.

SÃO FRANCISCO NAS LENTES DO GUILHERME

  Guilherme Barbosa Pereira, professor, diretor da EE Everaldo Gonçalves, empunhando a sua máquina fotográfica transforma-se no artista das lentes, o Guilherme Barranqueiro. O Portal Veredas está postando algumas de suas belíssimas e expressivas fotos para que nossos leitores acompanhem a sensibilidade do fotógrafo e admirem como tem São Francisco cenários tão expressivos, belos e históricos.


A sensação que se tem na foto de dois barcos apoitados nas margens do São Francisco é de paz, repouso e de espera. Espera do raiar de novo dia para ir em busca do peixe. Na noite caída, lá do outro lado, no brilho das luzes do cais, vê-se o sinal da cristandade, a Matriz de São José, no alto do penedo onde foi plantada a cidade de São Francisco no final do século XIX.

sábado, 15 de agosto de 2026

UM PAÍS SEM EXCELÊNCIAS E MORDOMIAS - I

 


O estado de letargia de grande faixa de brasileiro leva a imaginá-los como zumbins vivendo um tempo sem perspectivas, sem se importar. O que acontece, e cada vez mais amadurecendo no País, é de se estarrecer. De ponta a ponta a esteira de escândalos em quase todas as áreas leva-se à incredulidade, ao extremo do absurdo e a perguntar: até quando o país vai suportar? Há uma vala, tal como o maior dos oceanos, entre o que vive a parte maior da população e um grupo de privilegiados, destacadamente a classe política que, no regime democrático, é a legítima representação do povo. Então, pergunta-se, que povo? Entre tantas e tantas ilustrações, encontramos o livro da jornalista Claudia Wallin com o sugestivo título “Um Pais sem Excelência e Mordomias” que mostra, com números, que é possível existir um pais com alto índice de desenvolvimento, com nível de vida da população muito elevado e com todas vantagens sociais possíveis tendo, ao mesmo, tempo, como no Brasil, uma representação popular.  Ela expõe, com dados, que é possível a existência de políticos e governantes vivendo como povo, com toda dignidade e igualdade.

Radicada na Suécia Claudia registra conversas com deputados que desconhecem mordomias e o tratamento de “Excelência”, que não aumentam o próprio salário e – acreditem – não entraram na vida pública para enriquecer ou levar vantagem.  Explica que o sistema político sueco é baseado em três pilares: transparência, educação e igualdade. Uma leitura capaz de provocar vergonha e raiva no leitor e no eleitor brasileiro – dois sentimentos que podem ser um bom começo para a mudança.

UM PAÍS SEM EXCELÊNCIAS E MORDOMIAS - II



No Brasil cada senador tem direito a um veículo oficial alugado pela Casa para uso em deslocamentos no Distrito Federal e entorno. Os deputados federais não recebem um carro oficial fixo individual fornecido diretamente pela instituição. O deslocamento e o aluguel de veículos em Brasília ou nos estados de origem são custeados por meio da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (conhecida como "cotão"). Cada deputado gerencia sua própria verba mensal da cota para alugar carro conforme a sua necessidade de sua atuação política

Na Suécia os parlamentares   vivem em apartamentos funcionais que chegam a ter 18 metros quadrados, e onde não há comodidades como máquina de lavar – as lavanderias são comunitárias. No Brasil senadores e deputados federais têm direito a moradia custeada pelo governo em Brasília, podendo escolher entre ocupar um apartamento funcional da União ou receber um auxílio-moradia em dinheiro caso o imóvel não esteja disponível ou não seja de interesse do parlamentar. Imóveis residenciais de grande porte (geralmente com cerca de 225 m², quatro quartos e mobiliados) mantidos pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal em áreas nobres de Brasília (Asa Sul e Asa Norte)

Nenhum deputado sueco tem direito a pensão vitalícia, plano de saúde privada nem imunidade parlamentar. No Brasil os parlamentares possuem acesso a programas de assistência médica de autogestão de alto padrão bancados parcialmente por recursos públicos e administrados pelas próprias Casas (como o SIS no Senado Federal e o Pró-Saúde na Câmara dos Deputados).

Ex-senadores que exerceram o cargo por um período mínimo (como 180 dias) e seus dependentes mantêm o direito ao plano de saúde de forma vitalícia.  Na Câmara: Os deputados contam com atendimento próprio e podem solicitar reembolsos ou manter a assistência conforme normas internas específicas da mesa diretora. Um caso à parte: o plano de saúde dos Correios foi para o beleléu, quem dependia de atendimento especializado ficou a ver navios.

NAS BRUMAS DO TEMPO - I

 


Corria a década de trinta anunciando a década de quarenta. São Francisco, como o Norte de Minas, parecia adormecido, quieta no tempo. A cidade era um pouquinho de nada com a maior força da população no meio rural. Ligação com o mundo era através do rio São Francisco – Sul e Norte. A ligação mais expressiva era com o Norte, através de vapores ou Estrada Baianeira, de onde veio grande contingente de sua população. As notícias demoravam chegar, que precário era o correio postal ou pelo telégrafo, com constantes avarias da rede de transmissão – trabalho para Zeca Correio, o guarda-fios. Uma caldeira alimentava pequena usina de geração de energia (prédio onde instala-se a Ong Preservar atualmente) apenas para luz em algumas ruas e casas, somente até 22 horas. No mais eram os lampiões ou fifós, e ninguém se importava, pois o costume era dormir com as galinhas e acordar com o canto dos galos. Ainda assim uma conquista, pois poucos anos antes a iluminação das ruas era com lampião a querosene. Cidade e roça eram a mesma coisa, não havia distinção. Moradores da roça, em especial os fazendeiros, vinham às atividades religiosas na cidade trajando ternos, e muitos eram do Apostolado do Sagrado Coração de Jesus; as mulheres, devotas Filhas de Maria. O transporte ainda era feito com carros-de-boi, que chegavam à cidade cantando, vindo por estradas poeirentas e cheias de valas – estradas-carreiras da região da Vaqueta, São Domingos pelo Norte;  Jiboia e Mocambo pelo Sul. E era grande o tráfego deles transportando cal, pedras, tijolos, lenhas e produtos agrícolas; levando mercadoria para embarcar em vapores e do porto para cidade as mercadorias desembarcadas. O movimento era grande. Para embarcar transportavam mamona e algodão, que muito expressiva era a produção do município. Do vapor para o mercado havia de tudo um pouco: pedras de filtro de água e torrefação de farinha, redes, colchas bordadas e outros itens. 

Outra movimentação do comércio se via através de mascates que passavam pela cidade de quando em quando oferecendo uma variada gama de produtos: espelhinhos, canivetes, facas, perfumes, pó-de-arroz, rouge, grampos, pentes e tantas coisas mais. 

SÃO FRANCISCO NAS LENTES DO GUILHERME

  Guilherme Barbosa Pereira, professor, diretor da EE Everardo Gonçalves, empunhando a sua máquina fotográfica transforma-se no artista das lentes, o Guilherme Barranqueiro. O Portal Veredas está postando algumas de suas belíssimas e expressivas fotos para que nossos leitores acompanhem a sensibilidade do fotógrafo e admirem como tem São Francisco cenários tão expressivos, belos e históricos.


A foto desta edição tem um significado muito peculiar e histórico. Trata-se de um trecho da rua Antônio Ferreira Leite (o Maroto) um político emblemático na história de São Francisco, sobretudo pela passagem de Antônio Dó em seu governo. Era tão grande a desavença que Dó manda terríveis recados para ele, através da população: “Vou fritar Sancho Ribas na sanha de Maroto” duas personagens envolvidas na desdita de Antônio Dó, que o levou à vida de jagunço. Detalhe: Sancho era magro e Maroto muito gordo.

Destaque: o trecho é da praça Centenário à praça Januária, com a matriz no fundo – a foto transmite um sentimento de paz, de remessa ao passado.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

ERAS DO ANO – Um passeio no universo urucuiano

 A QUATRAGEM ERAS DO ANO


Quatro com grupo folclórico da Escola Caio Martins de São Francisco


Eu nunca clamei minha vida

Hoje em dia estou clamando

Meus trabalhos vão seguindo

Na regra dos meses do ano

Moça, por seu respeito,

Vivo no mundo penando

Chorei saudade

Recebi o seu desengano


Menina, por seu respeito

Eu sofro o ano inteiro

Sofro paixão por você

De janeiro a janeiro

Menina, o seu olhar

Que me faz ficar banzeiro

Fico triste apaixonado

Seu amante o ano inteiro

Chorei saudade

Do seu olhar banzeiro


Fevereiro, março e abril

Três meses que passei mal

Coração firme e amoroso

Como o meu não tem igual

Seu coração é falso

O meu firme e leal

Seu coração é falso

Me faz sofrer noite e dia

Chorei saudade

Por viver sem alegria


Maio, junho e julho

Meu rabalho foi dobrado

Lembro de você, morena

E fico triste apaixonado

Um coitado como eu

Que só vivo incomodado

Sujeito a sofrimento

Porque não estou ao seu lado

Não posso esquecer

Chorei saudade

Daquele tempo passado



Quando entra o mês de agosto

Logo vai entristecendo

Que o ar fica parado

E o sol fica tremendo

Logo vai chegando a tarde

A fumaça vai descendo

Coração fica amoroso

Logo vai entristecendo

Não posso me esquecer

Chorei saudade

Porque não estou te vendo”


Setembro, outubro e novembro

Eu me queixo com razão

Não posso me acostumar

Com aquele primeiro trovão

Passo o dia e passo noite

Naquela imaginação

Não posso me esquecer

Chorei saudade

A nossa separação


Dezembro é o fim do ano

Completa o meu sofrimento

Não como, não bebo nada

Minha paixão é meu sustento

Tem dia que mal resisto

A todo este sofrimento

Sem vida, sem alegria

Não posso me esquecer

Chorei, saudade

De sumir pelo mundo adentro.

ERAS DO ANO – Um passeio no universo urucuiano

 

Quatro com grupo de foliões


A vez primeira que eu a ouvi foi no misterioso sertão urucuiano, na fazenda Conceição, à luz de um lampião, na quatragem do grupo Serrano: a Eras do Ano. Voltando ao Urucuia, outra vez a ouvi em uma escola da então vila Porto de Manga, na voz de Maria Helena, ex-aluna da Escola Caio Martins de São Francisco. Apaixonei-me pela melodia e pela letra da dança quatragem que, no Urucuia era denominada Guaiano (não encontrei explicação para este nome a ela relacionado) que inclui no repertório do coral da Escola Caio Martins de São Francisco. Despertou a minha atenção a indolência da música e a malemolência dos dançarinos levando a uma onírica viagem pelos gerais e vãos urucuianos, bebendo nas cristalinas águas das veredas ou pousando nas mansas águas do Conceição. A letra narra uma história apaixonada de um caboclo, um clamor do fundo da alma associando, cada verso, ao seu cotidiano: o trabalho, a natureza, levando a um sentimento profundo de paixão no correr de cada mês do ano. É precisa a expressão do sentimento, numa simplicidade que exalta um amor profundo e a ansiedade pela possibilidade de uma perda: “Eu nunca clamei a minha vida, hoje estou clamando”. E chega com uma frustação: “Menina, por seu respeito eu sofro o ano inteiro, que sofro de paixão por ti de dezembro a janeiro”. E de quadra em quadra vai cantando a sua paixão com extravasado sentimento e tristeza. E vai de mês a mês: “Menina, por seu respeito/Eu sofro o ano inteiro/ Sofro paixão por você/ De janeiro a janeiro”. Um primor é o verso revelando o sentimento no mês de agosto: “Quando entra o mês de agosto/ Logo vai entristecendo/ Que o ar fica parado/ E o sol fica tremendo/ Logo vai chegando a tarde/ A fumaça vai descendo/ Coração fica amoroso/ Logo vai entristecendo/ Não posso me esquecer/ Chorei saudade/ Porque não estou te vendo”. E fecha dezembro com um verso nostálgico: Dezembro é o fim do ano/ Completa o meu sofrimento/ Não como, não bebo nada/ Minha paixão é meu sustento/ Tem dia que mal resisto/ A todo este sofrimento/ Sem vida, sem alegria/ Não posso me esquecer/ Chorei, saudade/De sumir pelo mundo adentro. Bonito quatro. Muito bonito, mas de tristeza profunda, paixão lá de dentro do coração de suscitar Schopenhauer (A vida oscila incessantemente entre a dor e o tédio).

CAMINHOS PARA A OPACIDADE


Guilherme Barbosa Pereira, professor, diretor da EE Everaldo Gonçalves, empunhando a sua máquina fotográfica transforma-se no artista das lentes, o Guilherme Barranqueiro, que tem mergulhado no universo da fauna barranqueira registrando a sua riqueza com mais de 200 espécies de aves. O Portal apresentará, a partir desta edição, um painel dos seus registros de paisagens são-franciscanas: um primor visual com muita sensibilidade.

Neste outeiro, banhado pelo rio São Francisco foi implantado o povoado Pedra dos Angicos e nele, os primeiros marcos da civilização foram o cruzeirinho e a capela de São José. Tempos passados Pedras dos Angicos transformou-se em cidade de São Francisco e a pequena capela na bela Matriz consagrada a São José. O outeiro é o mesmo e o São Francisco ainda o beija em jornada eterna, pois como disse Guimarães Rosa, “com mais amor!” E o barco leva o homem, o pescador, o vazanteiro, marcos do liame homem-rio-terra.

sábado, 25 de julho de 2026

UMA JUSTA HOMENAGEM


      Uma justa homenagem foi prestada pela Câmara Municipal de São Francisco a Raulino Lopes Neves dando o seu nome a uma rua da cidade – na antiga rua Euclides de Mendonça onde ele residia com a família. Raulino nasceu em Sítio do Mato – Ba. Desembarcado em São Francisco do vapor Benjamim Guimarães trazido por Maximino Magalhães (Massu), agente da Capitania dos Portos  da cidade, com quem trabalhou, no comércio, por alguns anos, mas logo se estabeleceu por conta próprio com comércio na rua que hoje tem seu nome. Em pouco tempo Raulino se integrou à sociedade são-franciscana. Era filiado à UDN, da qual foi tesoureiro e vereador. Na vida social frequentava, como todos os rapazes e casais da época, a Associação dos Amigos de São Francisco da qual era sócio; foi, também, sócio-proprietário do cinema construído na década de 60 – o Cine Canoas.

No início dos anos 50 Raulino conheceu Lídia Mendes, numa festa no Campo de Sementes, hoje Caio Martins – que eram famosas. Em 20 de setembro de 1952, Lídia se tornou-se senhora Lídia Mendes Neves e desta abençoada união nasceram os filhos Ana Maria, Maria de Fátima, Arcênio, Maria da Conceição (Tuca), Raulino Jr., Maria do Socorro, Ney, Neison e Arlete – uma família com notável destaque em diversos campos da vida de São Francisco: cultura, comércio, educação, saúde e arte. 

Raulino transferiu o comércio para o tradicional ponto da Avenida Presidente Juscelino, na esquina com a avenida Dom Pedro de Alcântara, onde fazia contato permanente com os ruralistas da região Sul e os do outro lado do rio, por ser um ponto estrategicamente localizado, na saída da cidade – atualmente o Eskinão.

A cepa baiana mesclada com o tronco mineiro deu a São Francisco uma grande família e Raulino Neves um respeitado cidadão. 

MUITO AMOR NO LAR DOS IDOSOS

 



No dia 22 passado o Lar  dos Idosos São Francisco de Assis viveu momento de muita alegria e amor com programa junino organizado pela Associação de Homens e Mulheres da Terceira Idade tendo à frente Lindaura, Cezar Coyte e equipe que assiste os idosos no lar. Teve quadrilha, animado forró e quitanda com fartura.
Muitos dos idosos, por causa da idade e condições físicas, apenas assistiam o desenvolvimento do programa, mas demonstrando satisfação. Outros, mais dispostos, arriscaram alguns passos no forró.
Importante, acima de tudo, é a atenção, o carinho e desprendimento dos sócios da Associação de sempre estarem levando alegria e conforto aos idosos assistidos naquele Lar. Destacando-se, ainda, o carinho, o zelo e a relação familiar que têm os servidores do Lar com os idosos.
Certamente São Francisco abençoa a todos por esta ação de amor, o que ele pregou.



AO PÔR DO SOL

 




É de rara e de indizível beleza o pôr do sol em São Francisco,  emoldurado por um cenário como uma tela de um grande pintor: o rio São Francisco despontando no pontal a montante descendo até se dobrar suavemente no penedo de pedras calcárias esverdeadas, vigiado por dois velhos pajeús e descendo, em reta, até desaparecer no pontal a jusante, na ilha do Lajedo. Cenário que inspirou Guimarães Rosa a confessar: “Formosa cidade de São Francisco – que a que o Rio olha com melhor amor”; bem ali no rochedo, o Cruzeirinho e no fundo a bela igreja Matriz, símbolos de fé de um povo. 

O Sol vai tombando no Oriente aspergindo raios multicoloridos em fundo azul da abóboda celeste. Ávidos e emocionados aproximam-se do cais os espectadores de tão esfuziante espetáculo, presente de Deus. Olhos fixos no ocaso para não perder um momento sequer da descida do Sol que, aos poucos vai ganhando novo colorido, de dourado flamejante a suave alaranjado até se esconder além nos gerais banhando veredas. 

Agraciados pelo presente do Criador as pessoas vão se dispersando. Algumas voltam às suas casas; outras prosseguem na caminhada pela orla do rio, que saem  de um cenário de paz, de rara contentamento, para enfrentar um perigo iminente: carros e motos, muitos em alta velocidade, disputam com eles o espaço na pista. Adeus paz. Adeus tranquilidade. Interessante anotar que a Prefeitura fixou placas determinando o horário para o tráfego de veículos na orla: de 17 às 20h. Ficou na placa, sem fiscalização severa. Então ficou o dito pelo não dito. Desagradável foi ouvir o brado de uma jovem que, no meio de um grupo, caminhava pela orla quando por eles passou um veículo obrigando-os a se afastarem para as bordas – também perigoso, pois não existe corrimão no local. Dirigindo aos colegas, creio que visitantes, bradou: “Em São Francisco ninguém obedece a lei”. Por causa de uns generalizou-se. Isto será o repetido, lá fora, foi aquela impressão de momento.

A qual órgão municipal está afeto o problema? Urge enfrentá-lo a bem da população e de visitantes.

CAMINHOS PARA A OPACIDADE

 


Caminhava pela orla do rio com meu filho Ricardo quando fui abordou por uma jovem mulher chamando-me pelo nome trazendo nas mãos um livro. Apresentou-se como ex-aluna de minha filha Beatriz e da nora Janete. Seu nome: Gisleide Gonçalves de Almeida. O livro que carinhosamente me ofertou: “Caminhos para a Opacidade” que trazia, no prefácio a recomendação de Marcos Fontoura de Oliveira: “É preciso ler este livro”. Depois, cada um tomou seu rumo. Curiosidade literária acima de tudo levou-me a superficial olhada no livro pois não tinha ideia para onde iria me levar os “Caminhos para a Opacidade”, um tema tão novo e instigante para mim. Apresentou-me, de princípio, o filosofo martiniano Éduoard Glissant na abordagem de um tema que leva à proposição “eu posso me transformar ao me relacionar com o outro, sem com  isso perder ou diluir minha identidade”.  Na apresentação do livro Gisleide discorre sobre o direito à opacidade perguntando: “o que devemos fazer para que esse direito entre no nosso rol de direitos instituídos; o que fazer para que a indiferença e o egoísmo não se apoderem de nós”. Ela conclama “abrir veredas e construir caminhos para a opacidade qualquer que seja a sua crença ou sua religião, seja você ateu ou agnóstico, precisam todos conhecer em profundidade o que é direito à opacidade”

Gisleide é são-franciscana, filha de Joaquim Alves de Almeida e Dalícia Gonçalves Silva, do tronco Almeida (Gregório, fundador do povoado Mocambo), casada com Eduardo César Leonel da Mata.  É uma destacada psicanalista em atividade no Brasil, cm participação notável nos espaços acadêmico e cultural de Belo Horizonte. Tornou-se Mestre em Filosofia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia onde investigou o conceito de  opacidade em Édourd Glissant, autor com quem tem dialogado ao longo de vários anos.

Tive o prazer de recebê-la em meu lar acompanhada do esposo, pai e uma irmã quando foi-me possível conhecer um pouco do seu notável trabalho.


GISLEIDE POETA


Édouard Glissant além de filósofo, era poeta. Gisleide que o estudou, também tem a veia poética. É o que se vê no belo e inspirado poema Transbordamento em que encontramos a alquimia de um encontro com muita sensibilidade.



sábado, 18 de julho de 2026

JOVEM SÃO-FRANCISCANO NA BOLÍVIA

 



João Lucas Spina Lima, filho de Daniel Lima Ivo e Roxane Spina Lima (neto de Diovane Rene Costa) representa os jovens são-franciscanos no grupo de 58 jovens voluntários adventistas do Norte de Minas em Missão na Bolívia no orfanato L'Espérance, localizado em San Mateo Alto, Villa Tunari. Foram 60 horas de viagem para percorrerem quase 3 mil quilômetros. A Missão tem duração de 17 dias e tem como principais objetivos proporcionar acolhimento, cuidado e amor às crianças do Orfanato L'Espérance, por meio de apadrinhamento de cada voluntário. Afirma o pastor Ademir Firme, secretário-executivo da Missão Mineira Norte, “o projeto também busca contribuir para a melhoria da estrutura do orfanato, com pintura, reformas, recursos e mão de obra, além de desenvolver o espírito missionário dos participantes, despertando em seus corações a urgência da pregação do evangelho”. Em síntese: a formação de uma juventude sadia, como se vê na fala de uma das missionárias (Érica): “Ficar aqui durantes os próximos dias contribuirá para o meu crescimento espiritual, além de me permitir desenvolver meus dons e talentos para o Senhor. Ver o rostinho desses pequenos é sempre muito emocionante e marcante. Não tem como não chorar”.

Uma jovem de Pintópolis, Júnia Maísa, também faz parte da missão. 

MOSTRA DE DANÇAS: EVENTO DE RARA BELEZA

 


A quadra de esportes da EE Dr. Tarcísio Generoso na entrada da noite da quarta-feira 15 foi tomada por um público muito especial: pais, avós, tios, padrinhos e muitos amigos para assistir à performance de dançarinas do Espaço de Dança Letícia Assunção, na sua primeira Mostra de Danças em São Francisco. Por volta das 19 horas o palco foi iluminado, frenesi toma conta do público e, logo tem início ao encantador espetáculo com o frescor de dançarinas infantis e adolescentes. O público teve oportunidade de apreciar coreografias de balé de gala com trechos de peças que são exibidas nos maiores teatros do mundo. Uma pequena amostra que leva à uma viagem pelo mundo encantado do balé

No frescor da inocência de corpos ainda em formação o público pode acompanhar a graciosidade das crianças, com seriedade ímpar, compenetradas, apresentando trechos de peças como Lago do Cisne, Bailarinas, ou arranjos criativos de peças conhecidas: A pantera cor de rosa (uma graça encantadora da pequena dançarina);  a graciosidade da dupla da Lua e o Sol; Bailarinas; a evocação de Chapeuzinho Vermelho, Alice no País das Maravilhas, o Circo; o mimo das Borboletas, Bonecas; a evocação de Moana e jornada de Elza Frosen. O encerramento foi magnifico, uma performance muito especial, harmoniosa e de um grupo com a peça Piratas finalizando a bela Mostra.

Foi, sem dúvida, uma noite memorável em que se viu a revelação de tantos talentos e o ressalto do esmerado trabalho do Espaço de Dança, de Brasília de Minas, em atividade em São Francisco neste ano.

COMENTANDO

A 1ª Mostra da Dança do Espaço de Dança em São Francisco deve ser tomada como mais que o evento de arte, vai além, ainda que o balé possa parecer simplesmente uma arte de rico. Pelo contrário, ele  é fundamental para o desenvolvimento físico, cognitivo e emocional. Ele melhora a postura, a flexibilidade, a força muscular e a coordenação motora. Além disso, estimula a disciplina, a concentração, a memória e a expressão artística, promovendo o bem-estar e aliviando o estresse. Portanto um bem considerável na formação de uma juventude sadia livre de deformações sociais.

A apresentação da 1ª Mostra foi um sucesso, contudo poderia ser muito melhor quanto a relação de palco e público. No caso, o palco foi no mesmo nível da plateia o que dificultou muito a visão dos espectadores depois da segunda fila de cadeiras. Culpa dos promotores do evento? Não. Uma grave deficiência da cidade que não tem um espaço (arena) adequado para eventos artísticos: teatro, canto, poesias e tantos outros. Uma pequena arena com acústica não carece de grande investimento. Carece de iniciativa. Que tal o Cine Canoas: tem espaço para plateia e um palco apropriado. É só dar o retoque final.

O MENOR...

  Foi abordado em artigo anterior o problema relacionado às crianças em estado de risco em nosso país, lamentando o que ocorreu com as Escolas Caio Martins – 72 anos amparando crianças e promovendo o homem do campo, atualmente desativadas. O que está sendo feito no sentido de proteger e promover as crianças em estado de risco, em situações sociais críticas e pobres, no vazio deixado pelas Escola Caio Martins? Nada. Contudo,   anuncia-se uma solução: “A cadeia para menores”. Contrapõe-se a essa iniciativa um alerta do educador/deputado federal Manuel Almeida  abordando do problema do menor no país sentenciando: “A criança é o homem de amanhã”. É o cerne da questão. Não dispensando atenção e cuidados às crianças em estado de risco, o futuro delas pode ficar comprometido – existem muitos exemplos a respeito. 

Manuel Almeida na tribuna da Câmara dos Deputados fez referência à condenação à morte do americano Caryl Chessman, famigerado “Bandido da Luz Vermelha” enfatizando que “O menino é realmente o pai do homem” ilustrando com um trecho da carta de Chessman a Mary Crawford (uma dessas coisas que nenhum ser humano pode conhecer sem arrepios na alma): “Dizem que o menino é o pai do homem. Amanhã de manhã, a não ser que haja uma ordem em contrário do Tribunal serei executado. Morrerá o homem, mas que será do menino?” Concluiu Manuel Almeida: “O menino é realmente o pai do homem, como a semente é a mãe da árvore. Vi muitas crianças consideradas perversas transformarem-se em homens de bem. Não conheci uma criança sobre a qual não se fizesse sentir o esforço racional visando ao seu encaminhamento para o lado útil da vida. Mesmo   deficiências psíquicas, tratadas com a filosofia do amor, puderam transformar-se em criaturas dignas, úteis à sociedade. Carryl Chessman, o homem que não teve infância, o menino pobre e atribulado de Glendale, cujo problema pensou a sociedade eliminar eliminando-lhe a vida”.

Fecharam-se as portas de Caio Martins. O ECA delineou novos rumos, burocráticos e sem emoção. Fica uma pergunta percuciente: para aonde irão as crianças desassistidas que, antes encontravam amparo e promoção nas Escolas Caio Martins?

O exame de tão angustiante problema leva à palavra de Jesus (Lc. 19:40): “Asseguro-vos que, se eles se calarem, as próprias pedras clamarão”. Há de chegar em nosso país tempo em que as “pedras clamarão” e aí dos convenientes ouvidos moucos.

sábado, 11 de julho de 2026

MENORES NA MIRA - II

 OS PEQUENINOS



Diante de tantos e tristes acontecimentos sociais, que vêm ocorrendo em nosso país, uma onda avassaladora do mal, envolvendo, principalmente a juventude, volto os olhos para as Escolas Caio Martins antes do  desmantelamento que ela sofreu. E penso: como poderia ser interessante se os governantes estendessem os trabalhos da obra caiomartiniana a todos os rincões e todos os cantões do país, e não a estancassem sem a menor justificativa, senão a falta de sensibilidade. Os exemplos que posso elencar são muitos, muitos mesmos, mas vou ater-me aos que mais me tocam emocionalmente, como cidadão preocupado com seu país, que anda sem rumo e sem quaisquer perspectivas para a meninada menos assistida.
No primeiro caso pouso minha lembrança no Centro Integrado de Esmeraldas. Vejo-me nos primeiros momentos da vida da Escola, ainda no frescor da manhã, no início das atividades dos alunos. Chego à praça emoldurada por um belo jardim – verde e florido –  na frente da casa de recepção. Logo sou cercado pelos  pequeninos. Eles tomam minhas mãos, abraçam-me e sorriem, cada qual querendo disputar um espaço mais próximo. Vislumbro, então, aquele quadro tão meigo, tão puro, sorrisos inocentes, o resplandecer da esperança. Pequeninos – meninos e meninas – no florescer da vida, que perderam a família (e tantos são os motivos, tal como acontece hoje, nos grandes centros e até mesmo no interior), longe do aconchego dos braços da mãe; pequeninos que poderiam cair em um vazio imenso na vida e que, no entanto, ali estavam sorrindo, alegres, confiantes. Mais senti: teriam eles um futuro garantido e disso tinha certeza, pois tantos deles que daquela situação encontraram um ninho na vida, sentiam-se amparados, sentiam-se gente. E de repente me vi rindo com as estripulias do Geraldo que teimava em somente andar plantando bananeira – foi um custo para as monitoras do projeto Educação e Saúde (alunos do Curso de Magistério) reverterem seu caminhar; vi-me, tarde da noite, ao pé da cama de Fernandinho, que por descuido prendera o pintinho com o zíper do  short – não aceitou que ninguém nele encostasse  se não fosse eu. Daí o chefe de lar teve que me buscar, em minha casa, para atendê-lo. Confiou em mim e o problema foi resolvido.
E teve alguém, vendo os pequeninos me chamando pelo nome, sem qualquer deferência, na total intimidade e confiança, que me recomendou que eles me tratassem de senhor, doutor ou professor. Claro que retruquei dizendo que isso os afastaria de mim e eu deles. O respeito havia através do amor, da confiança, do carinho.
Das lembranças que guardo do Centro Integrado a maior é a do sorriso, o alarido, a felicidade e a confiança dos pequeninos – sonhava com seu futuro risonho, sabendo o que fora o seu passado.
Nota: na próxima edição trarei uma história real que ilustra muito bem o drama do menor desamparado.

MENORES NA MIRA

 “Com apoio de 79% da população, a redução da maioridade penal avança no Congresso 

e vira um dos principais temas da campanha presidencial na área de segurança” – 

abertura de reportagem da revista Veja (3 de julho de 2026) com o título “CADEIA PARA MENORES”.


O problema do menor infrator no Brasil leva a uma situação de paroxismo, à exacerbação e exaltação de atitudes. Não se pode negar que o envolvimento de menores na criminalidade é muito sério e até recorrente em decorrência de posições encetadas pelo governo federal, que simplifica o fato classificando como somenos o roubo de celular (que muitas vezes resulta em morte como no caso registrado na reportagem acima mencionada). Justifica-se, em parte, o apelo da população no caso do menor infrator. Insurge-se contra o Estatuto da Criança e do Adolescente tendo-o como redoma do menor que tenha cometido um crime. Aí, então, vai-se do paroxismo ao paradoxo. Sim, apesar de ser um anseio popular e tido como necessária, a medida contradiz a triste realidade brasileira. E qual seria ela? O conceito, a raiz do problema está no sentido primordial: na família, na escola, na formação da personalidade do menor com suporte da justiça social, do amparo e condução em casos especiais. Não faz sentido punir o menor infrator por crime cometido com medida extrema como uma solução final, pois se o problema não for combatido na raiz será como o moto perpétuo. Hoje, sabe-se que a maioria dos menores infratores descabam para o crime com coordenação deletéria que explora sua situação social. É preciso refletir sobre o que lhe ensejou  trilhar o caminho do mal. E o que faz o Estado? Vira o rosto. É o que se vê e que não desperta a sociedade. O Estado tem uma política distorcida, desinteressada em assegurar às crianças em estado de risco uma boa  formação, um acompanhamento, oportunidades. Não é preciso ir longe. Contemplem o papel das Escolas Caio Martins que ampararam e promoveram milhares de menores integrando-os à sociedade como cidadãos úteis, cônscios de seus deveres para com a sociedade e a Pátria. E o que fizeram nossos governos com esse patrimônio educacional e formador de cidadãos? Fecharam todas as unidades, encerraram uma página gloriosa no campo da educação e formação de cidadãos no Estado.

Resumo, para ilustrar o fato, reproduzo um texto do livro  Caio Martins – uma história de amor, na página seguinte.

OS PÁSSAROS

 “Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem segam, nem

ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta...”


A palavra de Jesus no Sermão da Montanha tem significado profundo, uma lição prática contra a ansiedade, reforçando que temos muito valor aos olhos do Criador. Benditas sejam, pois, as aves que me trazem a mensagem de Jesus e tanto alegram nossa vida. Tenho-as em meu quintal. Algumas costumeiras refastelando-se da quirela que lhes ofereço e que, depois de se fartarem, retribuem com uma sinfonia de tons variados, porém harmoniosos: sabiá e sofrê – com sofejos apaixonados e doces;  cardeal com o tope encarnado, rolinhas majestosas no caminhar, pardais saltitantes e arrelientos  construindo ninhos nos beirais da casa e o bem-ti-vi denunciando não se sabe o quê.  Estes são os costumeiros, do dia-a-dia. De quando em quando aparecem anus-brancos – sempre em trica – tão majestosos; uma dupla de xexéu que chama atenção pela barulheira que aprontam no alto da mangueira. Ultimamente, surgiram outros visitantes: sanhaços e maritacas atraídos pela jabuticabeira e cajá-mangueira frutificando. É uma farra. Fartam-se muito mais que os moradores da casa, pois cuidam da colheita bem de madrugada. Tudo bem. Eles não plantam...

O que me surpreendeu, e muito, foi a visita da uma pomba-trocal, majestosa paloma. É uma ave arisca, sempre vista nas grimpas das árvores onde arrulham e cantam apaixonadamente. Pois bem, certa manhã eis que deparei com uma delas bebiricando água escorrida da vasilha da cadela Serena. Bebericava tranquila, sem atropelo, sem se importar com a minha presença. Emocionei-me, pois era uma cena rara, quase impossível, ela ali tão tranquila, levantando a cabecinha e me olhando como velha companheira. Tive tempo em ligar o celular e filmá-la e fotografá-la. Ela ficou o tanto que quis e eu ali, chamando as pessoas para contemplarem o belo espetáculo da mãe natureza. 

Mais tarde telefonei para o Guilherme Barranqueiro, o homem das aves, e narrei o fato para ele que me respondeu: “Tiraram as matas e elas estão cada vez mais urbanas”.

Aí está um dos resultados, uma demonstração sobre o que fazem com o meio ambiente os homens descuidados e, de certa forma, inconscientes. 

Uma observação: a foto que ilustra esta página não resulta de IA.

sábado, 4 de julho de 2026

SÃO FRANCISCO PARA CNBB

 


O município de São Francisco foi incluído no roteiro empreendido pelo padre Luciano da Silva Roberto aos municípios de Januária, Maria da Cruz e São Romão com objetivo de conhecer as expressões culturais, lugares, memórias e a riqueza de sítios naturais. Em primeiro momento, padre Luciano encontrou-se com o escritor João Naves, que em breve interlóquio discorreu sobre a história e a cultura são-franciscana. Presente ao encontro o advogado Allan Johnnes, membro do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico que, por sua vez, destacou os pontos relevantes do município, culminando com a apresentação do seu maior patrimônio histórico: o pôr do sol. 

O pe. Luciano é sacerdote do Clero da Arquidiocese de Mariana - MG. Realizou seus estudos de Filosofia na Faculdade Dom Luciano (FDL) e Teologia no Instituto Teológico São José, ambas instituições do Seminário de Mariana (em funcionamento desde 1750). Pós-graduado em História da Arte Sacra e Arquitetura Religiosa (FDL) e Análise e Gestão do Patrimônio Cultural (Uni-BH). Atualmente é mestrando em História na linha Patrimônio Cultural e Territórios (PUC-Goiá) e Assessor do Setor Cultura e Setor Bens Culturais da Comissão Episcopal para a Cultura e a Educação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil com sede em Brasília. 

Pe. Luciano está em visita ao município de São Francisco e região conhecendo as expressões, bens culturais, lugares de memória e riquezas naturais para o acervo cultural/social da CNBB.

sábado, 27 de junho de 2026

DE OLHO NO FUTURO

 A leitura é uma porta aberta para um mundo de descobertas sem fim - Sandro Costa


Na E.M. São Judas Tadeu, em um programa literário, um garotinho foi chamado para compor a “mesa de honra”. Serenamente ele tomou o assento e participou da programação, inclusive tomando parte em alguns números. Distinção: era um assíduo leitor (leu vários livros neste ano) tendo recebido o primeiro lugar no “Projeto Estrela” realizado pelas professoras bibliotecárias Eva Eliane Cecília Barbosa Pinto e Elzita Lemos de Almeida. Conversamos um pouco e ele, com muita desenvoltura revelou-me que adorava a leitura. Levei a notícia ao meu filho Ricardo, em Belo Horizonte, que se entusiasmou com o envolvimento do menino com a leitura resolvendo presenteá-lo com um belo livro: O Pequeno Príncipe, que se diz para criança, mas que o adulto gosta de ler e tirar lições. Nesta semana fiz a entrega do livro para ele ganhando de volta um doce sorriso de contentamento.

O nome do pequeno aluno: Murilo Alves Dias, 12 anos, cursando o 7º ano, filho de Joelson Pereira Dias e Silvana Alves de Jesus, morador no Brejo dos Angicos, zona rural.

Direção da Escola Municipal São Judas Tadeu: Daniela Moreira Lima e Jucélia Ferreira de Souza.  

É muito importante esse trabalho da escola motivando os alunos para a leitura, pois com isso, proporciona-lhes um mundo de conhecimento ensejando-lhes a formação de salutar cidadania.






UM EXEMPLO DE CIDADANIA

 


Um pouco mais sobre o projeto de revitalização de nascentes e recuperação ambiental na comunidade de Gildete Cunha Rocha, de autoria de Eredi Gonçalves Ferreira Fernandes, membra dessa comunidade e proprietária de parte da área destinada à implantação do projeto apresentado em agosto de 2023.

Da proposta à realização o que se vê em 2026 é que não se trata apenas de uma ideia, de um propósito, mas de uma realização concreta. Em reunião do Codema, Eredi discorreu sobre o trabalho da comunidade na implantação do projeto e, o que é importante, com resultados: nascentes recuperadas e água represada onde antes tudo era árido. Segundo Eredi “a iniciativa surgiu diante da crescente degradação da nascente e da necessidade urgente de ações estruturadas de proteção ambiental, recuperação do solo e conscientização comunitária acerca da importância da preservação das águas. Além das ações de revitalização da nascente, o projeto contempla intervenções complementares voltadas à contenção de erosões, recuperação de áreas degradadas, implantação de cercamento protetivo, recomposição da mata ciliar e fortalecimento da educação ambiental comunitária”.

A presença dela à reunião do Codema foi além afirmando, na ocasião, que “a proposta busca integrar esforços entre comunidade, poder público, órgãos ambientais e instituições parceiras, promovendo uma atuação coletiva em defesa dos recursos naturais e da segurança hídrica das famílias rurais”.

Sem dúvida, trata-se de um importante projeto que deve inspirar todas as comunidades rurais e chamar a atenção do poder público no sentido de disseminar tão importante iniciativa que, outrora esteve na pauta da administração municipal.


ROMARIA DA FAMÍLIA FREIRE COSTA

 



Joaquim Meira, coordenador do Grupo de Poetas de São Francisco, enviou um relato sobre a “Romaria da Família Freire Costa” à Serra das Araras. O roteiro remete-nos a um acontecimento que mistura realidade a uma lenda: o achado de uma pequena imagem de Santo Antônio em uma loca da Serra das Araras, isso sem registro no tempo. No sopé da serra havia um pequeno povoado com moradores muito religiosos, como de comum no meio rural. A pequena imagem foi entregue aos cuidados de uma devota e, mais tarde, levada para a igreja da Vila de São José de Pedras dos Angicos (São Francisco) de onde, pouco depois, evadiu-se, voltando para a Serra. Daí, uma história (ou lenda) envolta em muitos mistérios teve início a peregrinação, as jornadas de romeiros ao pequeno povoado que tem, conforme registrado pelo viajante inglês George Gardner, em 1840 (em um pouso ele encontrou uma mulher que lhe disse que ia cumprir uma promessa a Santo Antônio, feita pouco antes quando estivera doente). Em princípio, as romarias tinham apenas o caráter religioso: cumprir promessas, celebrar batizados e casamentos. Com o tempo, além do ato de fé, o evento se transformou em uma festa popular e com forte apelo comercial. Contudo, o ato religioso persiste, com o pagamento de promessas. É o que conta o Meira.

“Na madrugada do domingo, sete de junho deste ano, um grupo formado pela família Freire Costa partiu, em romaria, rumo ao santuário de Santo Antônio na Vila de Serra das Araras cumprindo uma promessa de realizar a romaria durante treze anos em busca de um milagre.

  A família  Freire Costa, “dona da romaria” reside no bairro Sagrada Família. Neste ano contaram com o apoio de mais duas famílias compondo uma caravana de 21 pessoas.  A caravana chegou à vila de Serra das Araras no dia 11 regressando no dia 14, um dia após a festa do padroeiro, Santo Antônio”.

sábado, 20 de junho de 2026

BIBLIOTECA DR. GERALDO RIBAS - II

 


O acesso dos são-franciscanos aos livros limitava-se a acanhado acervo da biblioteca da AASF. Circulava na cidade o pequeno jornal semanal SF – O Jornal de São Francisco, editado pela Associação dos Amigos de São Francisco, que publicava uma página literária. Mais nada. Então, Aristomil voltou a sua atenção para o campo cultural: a criação da primeira biblioteca pública da cidade. Sem recursos para investir na aquisição de livros, ele teve a iniciativa de chamar a comunidade para participar do projeto e, assim, ele conseguiu que muitas pessoas comprassem coleções de livros doando-as à biblioteca.  A consagrada Editora José Olímpio apresentou mostruários de coleções aos doadores contratando, diretamente, a venda e, com isso, a entrega imediata das coleções à biblioteca que nascia e que foi entregue à administração da Fundação Municipal Alice Mendonça. Ela recebeu o nome de Artur Versiani, consagrado filósofo e educador de Minas Gerais.

Em 1977 a Fundação Municipal Alice Mendonça foi extinta. a administração da biblioteca passou  à Prefeitura Municipal.

No dia 26 de agosto de 2019, através da Lei Municipal nº 2.300 de 11 de abril de 2006 a biblioteca recebeu a denominação de Dr. Geraldo Ribas em homenagem ao consagrado escritor e político são-franciscano. Ela funciona de segunda à sexta-feira no horário de 7h às 18h oferecendo excelente acervo para pesquisas de estudantes e público em geral contando com um corpo de cinco funcionários e coordenação da bibliotecária Jussara do Nascimento Pereira Madureira.

De dois em dois meses a biblioteca estende o horário de funcionamento a horário noturno participando do projeto Noite Mineira de Museus e Bibliotecas, ocasião em que são feitas apresentações e atividades culturais prestigiando escritores e cantores da terra.

BIBLIOTECA DR. GERALDO RIBAS


São Francisco perde muito de sua história por falta de registros. Depois da fase dos jornais SF-O Jornal de São Francisco, Nosso Tempo, O Barranqueiro e Veredas, não se encontra nenhum registro escrito dos fatos que marcam o dia a dia do município. Perde-se na transitoriedade das postagens eletrônicas, que são vistas hoje e esquecidas amanhã. É o que acontece com a Biblioteca Dr. Geraldo Ribas cuja história é desconhecida levando o Portal Veredas registrá-la em dois capítulos. 


COMO FOI CRIADA A BIBLIOTECA MUNICIPAL


Década de 1960. São Francisco ainda era uma pacata cidade. Poucas ruas pavimentadas. Nenhum bairro, apenas a vila de Pescadores conhecida como Quebra e poucas casas além do hospital onde se encontrava o local da matança de gado, que recebeu o nome de Matadouro. Na saída para Montes Claros, a cidade limitava-se na caixa d´água do DNOCS (hoje COPASA). Na margem direita da avenida havia a manga de Gisélio Generoso, inclusive com um curral; do outro lado o cemitério e o campo de aviação com a residência do zelador, (tempos depois a Escola Municipal Dona Ditinha). Escolas haviam apenas o ginásio municipal (depois Escola Estadual Dona Alice Mendonça), Grupo Escolar Coelho Neto e Escola Caio Martins. A atividade esportiva se limitava a jogos e campeonatos de futebol no campo que se localizava ao lado do Ginásio Municipal, atualmente Centro Cultural, e quadra esportiva para prática de vôlei dos sócios da Associação dos Amigos de São Francisco cuja sede era onde hoje funciona a Câmara Municipal. O mercado municipal não fora ainda construído. As compras de peixes, abóboras e melancias eram feitas na beira do rio.

Nesse cenário, Aristomil Gonçalves de Mendonça assumiu o a administração  municipal, isso no ano de 1967. Seu governo teve como destaque a pavimentação da avenida Presidente Juscelino, criação de uma feira popular, construção da Vila Militar, criação do bairro Aparecida. À míngua de recursos, pois àquela época os municípios não contavam com repasses do Fundo de Participação do governo federal, Aristomil construiu o Mercado Municipal adotando o sistema de incorporação – a venda antecipada das lojas a terceiros que faziam o pagamento diretamente à Incorporadora que, por sua vez, assumiu a construção do Mercado.  Ao município ficou reservada a área central interna.  

COPA NA ORLA DO SÃO FRANCISCO

 


De bom gosto e com muita arte a ornamentação do paredão do cais do rio São Francisco na cidade tendo como motivo a Copa do Mundo. Um trabalho muito esmerado, com muita arte, executado pelos artistas plásticos Fábio Ramos, Uelton Souza, Júlio César e Dyony Oliver, iniciativa da Prefeitura Municipal através das secretarias municipais da Cultura e Infraestrutura. Ressalte-se, ainda, o apoio de muitos comerciantes do município.

O painel reverenciou a figura de craques que deixaram marcas as suas atuações em Copa do Mundo com a camisa brasileira, entre eles Pelé, Ronaldinho, Ronaldo Fenômeno e, dos craques atuais Neymar e Vinicius Jr., com uma qualidade de pintura excelente.

Foi muito interessante a iniciativa da Prefeitura apoiando os jovens artistas plásticos que demonstraram que São Francisco tem excelentes profissionais da arte da pintura. E mais: uma atração para aquele recanto que tem recebido grande público, frequentadores dos três bares e apreciadores do famoso pôr do sol são-franciscano.

Quanto ao futebol é temerária a participação da seleção brasileira, distante dos escretes que tantas glórias trouxeram aos brasileiros conquistando por cinco vezes o título máximo do futebol mundial. Vinte e quatro anos decorridos sem que a camisa canarinho se revestisse de glória, algumas vezes com seleções pífias. O futebol de outros países evoluiu muito, até mesmo saindo do eixo europeu para ganhar a Ásia, a África e a América do Norte. Isso sem mencionar a fantástica evolução da seleção argentina. Infelizmente interesses econômicos e políticos, arrastam o futebol brasileiro a uma posição de desprestígio a nível mundial.