sábado, 7 de novembro de 2026

Mensagem da Loja Maçônica Acácia Sanfranciscana aos são-franciscanos pela passagem do 149º aniversário da criação da cidade de São Francisco

 


Prezados concidadãos, no dia 5 de novembro não se comemora tão somente o aniversário da criação da cidade de São Francisco, posto que em evidência temos cento e quarenta anos de história, de construção dia a dia de uma nova civilização. Indo aos primórdios da fundação do núcleo que levaria à formação de um grande povo, vamos encontrar o  pequeno povoado Pedras de Cima, nos anos primeiros de 1700 que, depois, considerando a existência de um bosque de angicos no penedo onde hoje encontram-se Igreja a Matriz e o Cruzeiro, passou-se  à denominação de Pedras dos Angicos. Um fato auspicioso ocorreu em 1876: a criação da Paróquia de São José, o que ensejou a mudança do nome do pequeno povoado, elevando-o à categoria de vila. Criou-se, de tal forma, a Vila de São José de Pedras dos Angicos. Com a paróquia, a vila ganhou status especial no conceito geográfico da região. Eis que em 1877, considerando a proeminência da Vila, o progresso distinguido na região, inclusive de maior destaque que da sede o município, São Romão, ela foi elevada à categoria de cidade passando a sediar o município. Ganhou o nome que se associa ao rio que ultrapassa o seu território: São Francisco. Contudo, há de se relevar um fato de grande importância: o rio foi batizado com o nome do santo amigo das águas, das aves e da natureza.  Ora, regozijemo-nos com o fato de que nossa civilização ganhou proeminência como Vila de São José e entrou no concerto dos municípios como São Francisco. Uma terra abençoada cujo sinal da presença do Criador, através da Cruz de Seu Filho Jesus Cristo, vê-se na cruz no topo da Igreja Matriz e no Cruzeiro, cuja visão se estende aos  pontais a montante e a jusante da cidade. Um auspicioso e afortunado de acolhimento.

Assim, caros são-franciscanos e amigos que aqui escolheram como morada, comemoremos com alegria tão cara data rogando, sempre, a proteção e as bênçãos do Criador.

Franklin Braga Vieira – Venerável

AINDA SOBRE OS 149 ANOS DE SÃO FRANCISCO

 


Cinco de novembro passou sem festa para comemorar o aniversário de São Francisco. Restou o saudosismo, o que não é interessante, pois a prevalência do passado implica na ausência de ações correlatas no presente. Contudo, sinaliza-se alguma mudança. No interregno do vazio surgiram três movimentos na sociedade com visão voltada para a comemoração do centésimo quinquagésimo aniversário da cidade: duas propostas e um comentário.

A primeira proposta é do professor Roberto Mendes, coordenador do Campus da Unimontes em São Francisco: a criação de um grupo para “pensar coletivamente uma obra em comemoração aos 150 de São Francisco. Seria um livro com diversos textos tratando de temas que deem uma ideia do que foi São Francisco nesses 150 anos: política, economia,  formação/surgimento dos bairros, religiosidade, saúde,  cultura,  sociedade e ainda um texto sobre um olhar para o futuro. Temos um ano para organizar todo material e lançar o livro em novembro de 2027”. Roberto conclama: “Sejam todos bem-vindos ao grupo.”

Outra iniciativa muito interessante é da professora Valquíria Taschetti: o resgate das mulheres escritoras de São Francisco. São poucos os escritores – poucos divulgados – então, o que imaginar das escritoras? No anonimato São Francisco tem boas escritoras principalmente de eras mais recentes. Um projeto muito interessante para marcar o centésimo quinquagésimo aniversário da cidade.

Outra iniciativa que merece atenção vem de José dos Passos Pereira, membro do Conselho Municipal de Cultura: “São Francisco completa 149 anos de emancipação política. Mas a nossa luta continua sendo pela emancipação das ideias, das consciências e das práticas políticas que ainda nos prendem ao passado”.  No caso, ele conclama os vereadores para que atuem mais em benefício da comunidade correspondendo aos votos recebidos da população.


AINDA SOBRE OS 149 ANOS DE SÃO FRANCISCO – II


Ainda rememorando, e lamentando, as perdas de São Francisco ao longo de sua existência, que parecem não ter incomodado a comunidade e o rol não é pequeno – em quantidade e em importância, afetando a economia, a cultura e sinalizando o desprestígio político do município.


1. Fábrica de doce Itasa implantada no final da avenida Brasília de Minas próxima do local onde surgia um bairro que, a princípio, recebeu o nome de Itasa, hoje um populoso bairro denominado Sagrada Família graças ao padre Vicente.

2. Mamona: O município foi mobilizado para integra-se ao Programa de Biodiesel e a Logística de Processamento para plantar mamona que colhida e beneficiada teria como destino o abastecimento da usina de biodiesel da Petrobras em Montes Claros. Foi instalada uma usina de beneficiamento de mamona em São Francisco. O programa resultou-se em redundante fracasso com grande prejuízo para os produtores rurais.

3. Seminário Nossa Senhora de Fátima que trouxe a São Francisco uma posição de destaque na formação de padres. Belíssima construção, muita atividade e um fim lamentável, e muito criticado pelo desenlace.

4. Parque de Exposições Zezé Botelho: uma obra comemorada com ufanismo pelos pecuaristas e pela população em vista de sua imponência. Razões tantas reduziram o espetacular espaço a  palco de realizações de atividades de entretenimento ocasionais.

5. Escola Caio Martins. Centenas de jovens rurais encontraram nessa escola a oportunidade de se projetarem na vida tendo, como reflexo, a promoção do homem do campo. Num piscar de olhos foi encerrada a sua principal atividades: formação de jovens rurais restando um valioso complexo de prédios na maioria em fase de deterioração.  De consolo o funcionamento do centro educacional da FUCAM.


AINDA SOBRE OS 149 ANOS DE SÃO FRANCISCO – III


Esclarecendo um equívoco comum que ocorre em diversos segmentos da sociedade são-franciscana em quase todos os campos. São dois casos.

Primeiro: no dia 5 de novembro comemora-se o aniversário da cidade de São Francisco, que foi criada e elevada à categoria de cidade pela Lei Provincial nº 2.416, de 5 de novembro de 1877. Não se trata de emancipação do município. Com a transferência da sede do município de São Romão para a cidade de São Francisco, o município continuou o mesmo apenas mudando a topónimo de São Romão para São Francisco, com a cidade de São Romão transformada em distrito (emancipado em 1925).

Outro equívoco: fazer referência ao município de São Francisco como “cidade de São Francisco”. Ora, cidade compõe-se de espaço urbano,  recorte do espaço geográfico caracterizado pela alta concentração de pessoas, edificações e infraestrutura. Por outro lado, o aspecto físico do meio rural é marcado pela preponderância de elementos naturais e por uma baixa densidade de construções e de circulação de pessoas. Observa-se ainda  forte presença de áreas verdes, matas, florestas, pastagens, rios, córregos, cachoeiras e grandes extensões de terra aberta; as habitações (sítios, fazendas, chácaras ou casebres) são espaçadas entre si, sem grandes concentrações verticais (prédios) ou adensamento populacional; presença de lavouras cultivadas, cercas, currais, celeiros, açudes e estradas.

FEIRA LIVRE DA FUCAM

 




O Centro Educacional Caio Martins da Fucam realizou,  sexta-feira 6, na Praça Centenário, mais uma edição da feira para valorizar os produtos e talentos da região. A feira expôs os seguintes itens: Alimentação – barracas com diversas comidas típicas e gastronomia local. Agricultura Familiar – comercialização de produtos frescos cultivados diretamente por produtores da região. Artesanato – peças exclusivas feitas por artesãos locais. Cultura: apresentações dos alunos da oficina de música da própria Fucam.

Foi uma noite agradável em que o público são-franciscano pôde vivenciar, mais uma vez, o trabalho desenvolvido pelo Centro Educacional Caio Martins da Fucam em São Francisco.

SÃO FRANCISCO NAS LENTES DO GUILHERME


  Guilherme Barbosa, com suas lentes,  tem um acervo fotográfico valioso sobre a fauna são-franciscana, em especial as que têm habitat na orla do rio São Francisco. O acervo atual registra dezenas de aves que não são, comumente, captadas por olhares dos caminheiros pela orla – como diz o barranqueiro, “é preciso assuntar” é o que Guim faz com extrema paciência. 

A fotografia desta edição registra o pouso tranquilo de-cabeças secas, por coincidência nos galhos de uma árvore seca. O cabeça-seca tem aparência do jaburu (tuiuiú) que em priscas eras cruzavam o céu são-franciscano em bandos, como uma esquadrilha, em voo majestoso. Não são a mesma ave, embora pertençam à mesma família científica (Ciconiidae), a das cegonhas.

A pose das três aves nos passa a sensação de paz e de comunhão com a natureza.

CONHECENDO VULTOS DE NOSSA HISTÓRIA

 MULHERES DE SÃO FRANCISCO – V



LETÍCIA PERON MENDES


   Uma mulher amável, atenciosas e extremamente dedicada à sua profissão de enfermeira. Era natural de em Cachoeiro do Itapemirim-ES (conterrânea de Roberto Carlos), estudou na Escola de Enfermagem Ana Néri, no Rio de Janeiro e ao terminar o curso, iniciou o seu trabalho como enfermeira-chefe nos hospitais da Fundação SESP tendo exercido a função em várias cidades. Em 1966 foi transferida para São Francisco onde exerceu o cargo de enfermeira-chefe do Hospital da FSESP, hoje Dr. Brício. Dona Letícia fez um trabalho exemplar, humanitária realizava visitas às escolas vacinando crianças, visitava gestantes acompanhando-as nos pós-parto. Ela cuidava da administração e coordenava toda equipe de enfermagem. Era muito respeitada no seu trabalho e na cidade. Enfim aposentou-se e permaneceu na cidade até os fins dos seus dias. Era casada com Helvécio Mendes, empresário muito atuante em diversos atividades na comunidade (criou um programa de calouros que funcionava nas manhãs domingueiras no Cine Canoas). O casal aqui aportou com os filhos, Júlio Antônio, Helvécio, Alexandre e Bárbara. Uma grande dama com passagem marcante na história de São Francisco.


MAMÃE CASILDA


Casilda Dulce dos Santos foi uma mulher admirável, uma figura que ficou indelevelmente guardada na memória de quantas mulheres que ela atendeu em trabalhos do parto com atenção e carinho. Parteira era a sua profissão – não “curiosa” (leiga). Ela fez cursos de parteira em hospital de Pirapora e na Santa Casa e Hospital São Lucas, em Montes Claros. Trabalhou nos municípios de Manga, São Romão, Brasília de Minas e e Pirapora. Ela foi a primeira parteira formada de São Francisco, iniciando os seus trabalhos  assistindo os partos feitos pelo médico Oséas (médico de cabeceira). Ela era chamada carinhosamente por Mãe Casilda; era a “Mãe-de-pegação”; crianças tomavam-lhe a bênção. Uma curiosidade: teve registro de “pegar” uma mãe e depois, a filha dela. Números: até 1970 Mãe Casilda fez mais de 1500 partos.

segunda-feira, 2 de novembro de 2026

SARAU LITERÁRIO




  As turmas do 1º e 2º períodos do curso de Letras/Português da UNIMONTES – Campus de São Francisco, promoveram o 1º Sarau das Barrancas do São Francisco, evento literário com programação diversificada: palestras, leituras, poesias e música. O evento ocorreu na sexta-feira 30, no Campus; teve como idealizadora e coordenadora geral a acadêmica Valquiria Taschetti de Almeida com a participação das acadêmicas Sueli Gonçalves da Lima Silva e Karla Valeria Santos Silva. 

O professor Roberto Mendes coordenador do Campus destacou o significado e a importância do evento como uma retomada de eventos que tenham como objetivo resgatar, preservar e divulgar a cultura são-franciscana que é muito rica, mas que não tem merecido melhor atenção. A professora Adriana Mendes, com muita propriedade fez uma sucinta abordagem a respeito da atual situação da cultura são-franciscana quanto aos aspectos de sua preservação, divulgação e inserção nas escolas. Foram apresentados trabalhos literários, de arte e poesia (declamação) por acadêmicos e números musicais de autores nacionais e de autorias próprias.

Convidado especial o jovem Emanuel Naves (14 anos),  apresentou, ao violão,  duas peças de música clássica:  Bourrée - J. S. Bach;  Lágrima - Francisco Tárrega;  e as músicas João e Maria – Sivuca e  Bachianinha nº1 - Paulinho Nogueira. Uma performance que surpreendeu o público presente.

O palestrante foi o professor João Naves que discorreu sobre a  relevância da Literatura na formação do Professor da Educação Básica.

Finalizando a acadêmica Valquíria discorreu sobre o propósito do sarau tendo-o como o começo de um trabalho futuro em prol da cultura são-franciscana.

É muito relevante a iniciativa dos acadêmicos do curso de Literatura/Português  do Campus da Unimontes de São Francisco, que merece muito atenção e apoio da comunidade  principalmente do Poder Público, para que possa transformar-se em atividade permanente. São Francisco precisa, e muito.

SÃO FRANCISCO: 149 ANOS

 


5 de novembro de 1877 a Vila São José dos Angicos foi elevada à categoria de cidade (Lei Provincial nº 2.416), o povoamento, contudo, se implantou no início dos anos 1700, como Pedras de Cima, do potentado Domingos do Prado e Oliveira.

Muita água rolou pelo Rio São Francisco, que emprestou o nome à nova cidade. Embates políticos – pouco amistosos –, passagens de bandoleiros que afugentavam a população, uma polícia violenta, uma vida modorrenta. 1930 foi um marco: a inauguração de novos tempos e o município começou a se desenvolver. Em pouco deixava o rio como única via de comunicação avançando-se por via terrestre buscando Montes Claros, que já se destacava no Norte de Minas.

Floresceu São Francisco. Desfrutou de uma fase áurea com resplandecente cultura: teatro, banda de música, orquestra feminina, grande produção agrícola (destaque para a mamona e algodão com elevado índice de exportação). A cidade foi crescendo, se expandindo, mas observando um ordenamento urbano dos mais modernos da região. De um município com área superior a 8.000 km², foi perdendo territórios: Urucuia, Icaraí de Minas, Serra das Araras (Chapada Gaúcha), mas retendo uma considerável extensão territorial 3.308,1 km², onde se desenvolve importantíssima atividade produtiva: a pecuária leiteira e de corte – o município tem o maior rebanho bovino do Norte de Minas. No comércio grande  desenvolvimento: supermercados, drogarias, clínicas médicas, odontológicas e oftálmicas, faculdades e avanço na área da saúde pública.

Considerável foi o progresso, mas muita coisa ficou para trás: o convívio social (fim da Associação dos Amigos de São Francisco, do Automóvel Clube, do Cine Canoas, do Clube Carqueijo), pouca empatia de amor pela cidade e quase total desinteresse por sua formidável cultura. No caso, fica um aceno: os ocasionais eventos da Secretaria Municipal de Cultura e, agora, quem sabe, uma retomada: os Saraus dos acadêmicos da Unimontes. Seria um motivo para comemorar o aniversário da cidade.  

O retrato desta situação: não se fala em comemoração do aniversário da cidade neste ano. Tão distante das épicas festas promovidas pela Sociedade Beneficente Feminina e Preservar: Cidadão Ausente, Corrida de Canoas, Desfiles alegóricos, saraus culturais e tanta coisa mais.