sábado, 10 de outubro de 2026

NOITE CULTURAL BARRANQUEIRA



  Na sexta-feira 9 a Associação Identidade Barranqueira brindou os são-franciscanos com interessante evento cultural destacando fatos ligados ao folclore barranqueiro e apresentações musicais. Um destaque, quanto ao público, foi a grande participação de universitários dando ao evento um tom de alegria muito especial.  O evento teve os seguintes  destaques: cultural, integração, conhecimento e fatos ligados à “nossa gente”. Música (o sambista Negrinho Carioca), narrativas, apresentação do boi-de-reis do Messias, lançamento de um livro de poesias de Renato Francisco de Almeida Raposo (Coruja Deitado) e histórias barranqueiras apresentadas pelo Tone Raposo.

Foi uma noite muito agradável em ambiente muito acolhedor.

A apresentação do programa foi feita pela historiadora Gesilda Paraizo, como sempre impecável.

A Identidade Barranqueira sob o comando da dinâmica e batalhadora, Carla Duarte, que trabalha incessantemente na divulgação da cultura são-franciscana destacando, especialmente aspectos ligados ao turismo tendo como foco o rio São Francisco e sua imensa riqueza cultural: história, lendas, músicas e a vida de barranqueiros. 

SÃO FRANCISCO NAS LENTES DO GUILHERME

 


Gui com sua câmara viaja o universo são-franciscano registrando os encantos da fauna alada e momentos especiais de nosso cotidiano. Barcos ancorados no barranco, uma sensação de paz ao cair da tarde, depois de viagens feitas. O cromo das lentes de Guilherme ainda tem o registro da centenária torre da Matriz de São José e o cais onde foi plantada a Vila Pedra dos Angicos.


O destino tem de ser o de ficar, onde foi nascido;

Ficar ali, plantado, mesmo de querer ir descendo,

Pois que, como um angico, parece busca o céu;

Os pés ficam/fincam no rio, o porto de sua vida.


(Viajando Sete Portos – JNM)

CONHECENDO VULTOS DE NOSSA HISTÓRIA

 MULHERES DE SÃO FRANCISCO – I


É comum, sempre se fala e descreve mais os feitos do homem, deixando em segundo plano a mulher. Contudo ele não sobrevive sem ela, em todos os sentidos: no amor, no amparo, na paixão, no estímulo, na fábrica de emoções.

São Francisco teve e tem suas grandes mulheres. Particularmente, sobre algumas escrevi algumas crônicas para o jornal O Barranqueiro com imenso prazer e reconhecimento. São tantas as mulheres fantásticas  parte de nossa história. Em primeiro momento fiz o registro de algumas que guardaram certas peculiaridade que revivo no Portal.   

Alice Mendonça, educadora, a primeira diretora do primeiro grupo escolar de São Francisco. Era mais conhecida não como a esposa do famoso Cel. Oscar Caetano, célebre político local e prefeito do tempo da Ditadura de Getúlio, mas como a “Mãe da pobreza”. Mulher doce, de olhos azuis, voz mansa e um enorme coração. Seu nome, muitos anos depois de sua ida, é lembrado com carinho, sinônimo de gratidão e saudade.

Maria Teodora fez a última viagem, já centenária. Era afilhada de um dos primeiros prefeitos (presidente da Câmara de São Francisco) Antônio Ferreira Leite, o Maroto, homem que enfrentou tempos difíceis, conturbados, na política local, agravados com a ascensão do temível jagunço Antônio Dó, que pregava em praça pública, quando invadia a cidade: “Vou fritar Sancho Ribas na banha de Maroto” – na verdade ele tinha uma boa pança.

Irmãs Virgínia, Ditinha e Vita, artistas da música: orquestra feminina de cordas Santa Cecília, escola de música, belas canções compostas. Elas se foram, a música secou – não mais orquestra, escola e juventude voltada para a bela arte, conquanto o que plantaram rende frutos em tempos atuais com excelentes e sempre performances com bandolins e violinos em momentos culturais na cidade: Ivanilde  Lacerda, Zilma Magalhães, Lourdes da Mata e Geralda de Brito........

sábado, 3 de outubro de 2026

DE UMA PROMESSA À REALIDADE

 


Na flor da infância ele já demonstrava a sua veia artística tomando um prato de mesa inox como bateria, que ficou amassado. O pai então comprou uma bateria para ele que, no entanto, foi atraído pelo Cajon e demonstrou, de imediato, o domínio do ritmo acompanhando o pai em cantarolias no ambiente familiar. Passo seguinte encantou-se com o teclado e, logo, tocava trechos de composições de Mozart e Beethoven. As cordas o atraíram vendo o pai tocar no ambiente familiar e na Igreja. Chamou atenção imediatamente um fato: tinha o ouvido absoluto e logo dedilhava, com propriedade o violão. Vendo-o tocar um tio dele lançou um desafio: “Dou 15 dias para você acompanhar a música Sapato Velho (Roupa Nova)”. Como menos de uma semana ele procurou o tio e exibiu o acompanhamento da música. O tio ficou espantado e foi adiante: “Quero ver você acompanhar uma música de João Bosco”. Pouco tempo corrido ele demonstrou que aprendera o acompanhamento, indo além, cantando a música.  Naquele momento nasceu uma paixão:  começou a tocar e a cantar músicas (complicadas) de João Bosco. Um sucesso. O pai premiou seu talento nato matriculando-o na escola de violão do professor Igor. Deu-se bem, logo já fazia leitura de partituras tocando clássicos da Idade Média. Família, amigos e músicos, todos o que o ouviam ficaram impressionados. De uma feita ele surpreendeu a família e amigos  convidando-os para uma viagem musical em uma ambiente que lembrava um palco de música de câmara. Durante uma hora e trinta minutos ele cantou quase todas as canções (dificílimas) de João Bosco passando, ainda, por clássicos de Vinícius de Morais e Tom Jobim... Hoje, com 14 anos, ele domina o violão de 7 cordas de maneira magistral, reconhecido e muito elogiado por músicos e amantes de música. Foi importante o incentivo dos tios Ricardo e André conduzindo-o a João Bosco.

O menino é Emanuel Naves, filho de Eduardo (Dudu) e Nádia. 

SÃO FRANCISCO NAS LENTES DO GUILHERME

 


Gui com sua câmara viaja o universo são-franciscano registrando os encantos da fauna alada e momentos especiais de nosso cotidiano. Há sempre um motivo, mas de especial a presença do rio São Francisco, razão de São Francisco com a marcante estampa da igreja Matriz de São José que, nas origens vem dos momentos primeiros da cidade.


Os caminhos

– como teia de aranha

Levam a um ó ponto:

Este porto


(Viajando Sete portos – JNM)


O pescador não tem tempo de partir, não tem tempo de chegar. O que tem de certo é o seu porto.

CONHECENDO VULTOS DE NOSSA HISTÓRIA

 MARIA ALVES PEREIRA – II


Outras e importantes lembranças vividas por dona Maria Pretinha nas décadas de 1925/1930. Ficou marcada na memória dela uma atrocidade, infelizmente comum naquela era, a morte de Antônio Bispo dos Santos – Antônio Barriga – sumariamente executado pela polícia do tenente Alcides do Amaral. Um fato macabro ela narrou: “A mulher de Barriga Branca mandou uma menina procurá-lo e ela foi parar no pátio da Delegacia. Ao ser indagado sobre o paradeiro dele, o tenente Alcides tirou um lenço do bolso do defunto, passou-o pelo sangue da ferida provocada pelos tiros e o entregou à menina dizendo: aqui está ele. Vai mostrar para a sua mãe”.

Maria Pretinha lembra de Elísio Horbilon, uma figura icônica na sociedade são-franciscana daquela época: “Era um homem forte, inteligente, que sabia dar remédio para sarar qualquer doença. Ele participava do movimento dos vicentinos na Igreja São Félix e fazia reuniões nas furnas da Lapinha (Sociedade Reino Lapínico)”.

Maria Pretinha acompanhou de perto o reboliço que foi a morte de Odorico Mesquita “numa emboscada quando ele voltava, a cavalo, de sua fazenda Carrapicho” e conta os detalhes macabros com árvores tombadas no meio da estrada para impedir a passagem de cavaleiros.

A lembrança de Maria Pretinha passa por coisas boas falando de Reginaldo que tinha um ajoujo que servia para a fazer a travessia do rio. “O ajoujo, para ir mais de pressa tinha uma vela feita com um cobertor. Se ameaçava chuva com muito vento, ele arriava o cobertor para evitar de virar o ajoujo”. Ela lembra que Reginaldo tinha um filho que era muito inteligente (Professor Raul Reginaldo lembrado com o nome de uma escola na cidade).

Maria Pretinha conta que ajudou na construção da igreja matriz carregando pedras, tijolos e areia. Sorrindo, ela lembra do ajudante Joia “um homem muito feio, igual à mulher do sarampo,  que caiu da torre da igreja, em pé e não morreu. Foi o primeiro milagre de São José” em São Francisco.  

sábado, 26 de setembro de 2026

DIA DA ÁRVORE

 


Conquanto tenha diminuído a sua importância; conquanto tenha sido objeto de palanque político; conquanto ainda é fonte de renda, a árvore não tem merecido respeito e relevada a importância quanto à sobrevivência da humanidade. Lá se foi o tempo em que nas escolas  eram realizadas cerimônias especiais com o plantio de árvores insuflando nas crianças o amor e respeito pela natureza. Era comum uma criança plantar uma árvore e nomeá-la carinhosamente. Nos últimos anos a ciência tem comprovado que as árvores e o homem têm muito mais em comum do que poderíamos pensar. Assim como nós, elas se comunicam, mantêm relacionamentos, formam famílias, cuidam dos doentes e dos filhos, têm memória, defendem-se de agressores e competem ferozmente com outras espécies.... Registros fantásticos as descobertas de um mundo oculto sobre a árvores, o que elas sentem, encontra-se no formidável livro do biólogo alemão Peter Wohlleben – A vida secreta das árvores, resultado de pesquisas de mais de 20 anos.

Por cá não se revela tanto amor pelas árvores. Basta ver a devastação do cerrado, a supressão de árvores na área urbana e o pouco que se dá de atenção à árvore. Uma pena, especialmente aqui na cidade que enfrenta um clima de temperatura muito elevada sabendo-se que em ambiente arborizada suporta-se mais a intempérie.

Salve a árvore que apareceu com a criação do mundo no Éden.