sábado, 26 de setembro de 2026

DIA DA ÁRVORE

 


Conquanto tenha diminuído a sua importância; conquanto tenha sido objeto de palanque político; conquanto ainda é fonte de renda, a árvore não tem merecido respeito e relevada a importância quanto à sobrevivência da humanidade. Lá se foi o tempo em que nas escolas  eram realizadas cerimônias especiais com o plantio de árvores insuflando nas crianças o amor e respeito pela natureza. Era comum uma criança plantar uma árvore e nomeá-la carinhosamente. Nos últimos anos a ciência tem comprovado que as árvores e o homem têm muito mais em comum do que poderíamos pensar. Assim como nós, elas se comunicam, mantêm relacionamentos, formam famílias, cuidam dos doentes e dos filhos, têm memória, defendem-se de agressores e competem ferozmente com outras espécies.... Registros fantásticos as descobertas de um mundo oculto sobre a árvores, o que elas sentem, encontra-se no formidável livro do biólogo alemão Peter Wohlleben – A vida secreta das árvores, resultado de pesquisas de mais de 20 anos.

Por cá não se revela tanto amor pelas árvores. Basta ver a devastação do cerrado, a supressão de árvores na área urbana e o pouco que se dá de atenção à árvore. Uma pena, especialmente aqui na cidade que enfrenta um clima de temperatura muito elevada sabendo-se que em ambiente arborizada suporta-se mais a intempérie.

Salve a árvore que apareceu com a criação do mundo no Éden. 

UM REGISRO CULTURAL IMPORTANTE

 


Keila Moraes Rodrigues e Aline Cardoso Lima*  trazem uma contribuição muito valorosa para a divulgação e preservação de um fato cultural expressivo e marcante no folclore são-franciscano: uma estudo sobre o “Terno Reis dos Temerosos: origem, características e simbolismo culturais.”

É repetido que o município de São Francisco tem um valioso acervo folclórico, em diversas vertentes, que não tem merecido uma melhor atenção – divulgação e publicações. Em tempos corridos, não tão longe, a ONG Preservar esteve à frente de grandes eventos que envolviam as escolas do município e o público, a cada ano, com as famosas Raízes São-franciscanas. Foram mais de uma dezena de eventos, representados a cada ano.

Depois, como uma nuvem que passa ao sabor do vento, não mais se falou do assunto. Pena! Uma publicação, anterior a esta, é o livro Folclore de São Francisco, de João Naves de Melo, com um compêndio de todas as manifestações do nosso folclore, sem contudo, aprofundar nas raízes como se tem agora, com o trabalho de Keila e Aline.  O tema é importante e oportuno, pois são reduzidas as pessoas que têm ideia da origem e desenvolvimento deste auto que é tão apreciado no município, onde é mantido com insistência – aqui chegou, nos idos da década de 1960, na Escola caio Martins com uma apresentação de João Damaceno (Januária). Adão Barbeiro viu, gostou e criou um grupo em São Francisco, que vige até hoje. Contar esta história é mito importante sobre o ponto de vista cultural e, sobretudo da história.

Belo e importante trabalho que merece e precisa ser  apresentado em todas as escolas do município e para o conhecimento da sociedade.


*Keyla é graduada em Pedagogia pela Unopar, m Comunicação  Institucional pela Belas Artes-SP e pós graduada em Arte Cultural e Educação pela Unopar.

Aline é Mestre em História Social pela Unimontes.

SÃO FRANCISCO NAS LENTES DO GUILHERME

 “No rastro da lua cheia

Se chega a qualquer lugar”

                                             Almir Sater


Cantado em prosa e versos é o pôr do sol em São Francisco. À tardinha, o chamado à meditação e ao repouso – o são-franciscano chega ao cais e estende o olhar ao crepúsculo, é a hora mágica.

A lua cheia é diferente, pois quando ela desce ao acaso os admiradores do Sol ainda estão em repouso. Pena! É preciso olhar, admirar e enternecer-se quando ela desce e deita o rastro prateado no São Francisco. E vai que o rastro beija a proa de um barco que chega ao porto, que chega a um lugar. 


CONHECENDO VULTOS DE NOSSA HISTÓRIA

 MARIA ALVES PEREIRA – I


Pontos marcantes na história de São Francisco extraídos de entrevista concedida por Maria Alves Pereira, a famosa Maria Pretinha,  o jornal O Barranqueiro no ano de 1997, reproduzido no livro Às margens do São Francisco: a cidade e sua gente, publicado online - Amazon. 

Maria Pretinha veio ao mundo no dia 9 de setembro de 1910 na pequena vila dos pescadores, no Quebra, descendente de gorutubanos (mudaram para São Francisco por causa da grande seca que assolou aquela região). Aos 14 anos ela foi morar na rua Direita, que era “puro mato”, que quando ela voltava para casa em noite escura só “acertava o caminho pelo brilho dos lampiões acesos pelos homens subindo em escadas”.

Maria Pretinha não pode estudar, pois tinha que trabalhar para manter a casa e os irmãos com a morte de sua mãe. Chegou a frequentar a escola de dona Marcionília (São Francisco ainda não tinha o grupo escolar) e teve como professoras donas Rodolfina, Graziela Pereira e dona Alice Mendonça. Famosa em toda a região como grande cozinheira, criou a família com a cozinha, dizia orgulhosa. Cozinhou 26 anos para o político Carolino do Amor Divino; cozinhou em vapores no itinerário Pirapora-Juazeiro; levou pratos típicos da cozinha são-franciscana para exposição em Montes Claros; servia aos grandes eventos na cidade: recepção a políticos, festas, formaturas, confraternização dos funcionários do Banco do Brasil. Eram famosos seus pratos: o tempero dos seus peixes, o assado (leitão e frangos). .

O lado triste. Volvendo o pensamento ao passado, ela dizia: “Meu filho, São Francisco hoje é um céu”. E por quê? Ela lembrou com certa amargura e tristeza: “era comum, a cada amanhecer do dia, encontrar gente morta pelas ruas da cidade ou abandonadas em canoas a ermo. Os homens eram perversos, viviam em revoltas, todo mundo vivia com medo”.

sábado, 19 de setembro de 2026

SÃO FRANCISCO NAS LENTES DO GUILHERME

 

O Portal Veredas continua sua viagem através das lentes de Guilherme Barbosa Pereira, professor, diretor da EE Everardo Gonçalves, que tem reveladas preciosidades da fauna ribeirinha e belíssimos cromos da nossa urbe. É um presente e um refrigério aos olhos dos leitores,




Era uma vista soberba,

Era um cenário radioso,

Quando o astro formoso

No ocaso se escondia, 

Fantasiando novos quadros

Das cores mais brilhantes,

Joias finas e elegantes

De encantadora poesia

(Pôr do sol de Joviniano da Mata)



Chegar à cidade de São Francisco no deslumbrante do pôr do sol sente-se a alma elevar-se ao Criador num momento de paz, de introspecção, em que o pensamento se detém, apenas, no belo. A avenida Montes iluminada leva à Matriz de São José erguida ao céu rubro.

CONHECENDO VULTOS DE NOSSA HISTÓRIA

 CORONEL ODORICO MESQUITA


Texto publicado no Minas Gerais, edição especial de 1925, quando da viagem do Presidente 

do Estado de Minas, Fernando de Mello Vianna, quando recebido em São Francisco.




Coronel Odorico Mesquita atual presidente da Câmara é um  dos homens públicos, que ao lado do grande democrata Dr. Fernando Mello Viana, vem trabalhando desassombradamente. dessa pelo levantamento da velha cidade de São Francisco. Destarte, o consagrado nas urnas sertanejas outra cousa não há feito que não desenvolver e trabalhar na realização dos sonhos dos seus munícipes, não só embelezando esta velha cidade ribeirinha como também tratando de eliminar da alma do seu povo essa como tara, que de quando em quando faz sentir em sangrentas lutas, suprimindo preciosas vidas e reduzindo os nossos sertões a caverna de inomináveis cangaceiros.

Na administração pública, embora as rendas municipais lhe não permitam realizar e atacar facilmente a construção da velha cidade, onde tudo é colonial atestando que de 50 anos a esta parte nada ali se tem feito de apreciável; vem abrindo escolas municipais m todos os povoados, construindo regulares estradas e dando um pouco de moderno à sede de seu município.


QUEM É ODORICO MESQUITA


Descendente de importante família Mesquita, o coronel Mesquita nasceu em Juazeiro, Bahia, em 25 de dezembro de 1884, filho de Lucílio Mesquita e Ana Mesquita, herdara de seus digníssimos genitores toda aquela vontade de ferro, que caracteriza o homem de princípios, tornando-o credor da consideração e estima de seus amigos, quiçá de todo um povo.


COMENTANDO


Os fatos são examinados, geralmente, sobre a ótica ou o pensamento que é do interesse do observador ou de quem ele representa. Sem mistério, é o que se observa em nosso país na atualidade: pinta-se determinado líder político como cidadão voltado para a realização do bem-comum, sempre em defesa do povo e por aí adiante. Nem sempre corresponde à realidade. No caso do coronel Odorico Mesquita há, ao exame, duas facetas da história: a contada à observação do governador Mello Vianna e a outra pela realidade narrada na história de São Francisco. Sem aprofundamento sobre o que ocorria na década de 1920, fica apenas um observação quanto ao narrado conforme sentimento do governo do Estado que atribuiu ao coronel Mesquita a ação  “de eliminar da alma do seu povo essa como tara, que de quando em quando faz sentir em sangrentas lutas, suprimindo preciosas vidas e reduzindo os nossos sertões a caverna de inomináveis cangaceiros”, quando se sabe, segundo Brasiliano Braz in São Francisco nos Caminhos da História, que o coronel Odorico foi figura de prol na famigerado Barulho de 1924, que ceifou a vida de Raul Caetano e levou ao exílio do presidente da Câmara eleito, Oscar Caetano Gomes. Com a vacância provocada da presidência da Câmara, como segundo colocado na eleição ele ocupou o cargo com o aval do governador Mello Viana. 

O Presidente Mello Viana desconheceu o Barulho de 24 e até mesmo o condenou. Com a Revolução de 1930 os legislativos municipais foram fechados criando-se a figura do interventor municipal e, com isso, o governador Olegário Maciel tirou Oscar Caetano Gomes do exílio e o empossou como interventor do município......

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

BRILHO CAIOMARTINANO

 


Nos dias 5, 6 e 7 deste mês, São Romão recebeu um grupo de ex-alunos do Curso Técnico em Agropecuária da Escola Caio Martins de Esmeralda, turma de 1990, para a realização de mais um encontro anual, que trouxe à realidade a mística caiomartiniana, que além do espírito de fraternidade, mostrou, à evidência, a importância e o valor dessa nobre obra hoje negligenciada por governos. Viu-se, no encontro, o espírito de pura fraternidade expressado em um parágrafo da mensagem lida pelo cerimonial Wandeir Morais: “Olhar para cada rosto aqui é como abrir um livro de memórias que o tempo não conseguiu apagar”. E a Escola foi revivida na memória e no coração de cada participante do encontro. Noutro parágrafo, a cerimonialista Stela Abreu Santos falou sobre a obra: “O Coronel Manoel José de Almeida disse certa vez que as Escolas Caio Martins não nasceram dos livros, surgiram da vida, no futuro se puder, ela mesmo contará a sua história. Aqui estamos nós reunidos para mais uma vez celebrar a vida, as amizades e contar nossas histórias”. Mais que uma profecia, foi uma certeza, no íntimo do fundador, o que seria a grande obra. Ali, naquele encontro, estava o retrato de uma realidade insofismável, inegável, ainda que relegada pelo governo, o encontro de uma juventude vibrante, homens e mulheres realizados a contar uma história vivida intensamente e o quanto Caio Martins foi importante em suas vidas e, numa projeção além, ao país, na formação de cidadãos cônscios de seus deveres para com a sociedade e a pátria. Caio Martins venceu.

Foi emocionante o roteiro da cerimônia apresentado pelos ex-alunos Wandeir Morais e Stela, que abriu a oportunidade para que vários ex-alunos prestassem emocionados e divertidos depoimentos dos seus tempos de alunos e como estão agradecidos pela oportunidade que tiveram para se prepararem como profissionais e cidadãos responsáveis. 


HOMENAGEM AO EX-DIRETOR


O roteiro cerimonial do encontro, um texto brilhante que retratou o espírito caiomartiniano em sua essência, sintetiza-se em uma frase de abertura: “O legado de uma instituição renomada e a força da nossa amizade e união”. Daí, como destaque do encontro reservou-se uma homenagem especial ao professor e ex-diretor do Centro Integrado de Educação de Esmeraldas onde funcionavam os cursos de Técnico em Agropecuária e Magistério, João Naves. Foi um momento de muita emoção, muitas recordações revolvendo “acontecências” no tempo de todos – professor, alunos e alunas. Uma frase ficou marcada demonstrando a sintonia entre .... “falar de João Naves de Melo é falar da própria alma da Fundação Caio Martins”. Denota-se, daí, muito mais que o respeito e a gratidão, o sentimento de profunda amizade e identidade de ideais. Uma página foi aberta para rememorar a trajetória do homenageado, da infância às Escolas Caio Martins, posto que ele atuou em todas elas.

O final do roteiro, no último parágrafo, o resumo de uma vida dedicada à educação e ao próximo: “Mestre, bandeirante e barranqueiro: a semente que o senhor ajudou a plantar no chão de Caio Martins germinou, cresceu e hoje se levanta em forma de aplausos para lhe dizer muito obrigado”.

O homenageado foi às lágrimas, lágrimas do fundo do coração.