sábado, 2 de maio de 2026

LOCHA NOS DEIXOU

 



No dia 22 deste mês uma fatalidade levou o folião Locha ao encontro de sua esposa Tonica (Antônia da Silva Souza) que o precedeu no encantamento deixando-lhe imenso vazio, reclamado dia a dia. No dia 22  ele sentado no tradicional banquinho, como ficava todos os dias, na frente de sua casa, mais uma vez manifestou: “Tonica, venha me buscar”.  Ao regressar ao interior de seu lar, um escorregão e na queda sofreu uma concussão cerebral que o levou à morte. Foi realizado o seu pedido.

Filomeno Alves de Souza, era seu nome de batismo; Locha o nome comum entre seus companheiros dos ternos de folia e nos campos da Escola Caio Martins fabricando tijolos. Era uma criatura alegre, que se mostrava sempre tão feliz com vida, o que ele sempre  irradiava. Na Escola Caio Martins ele era parte de uma grande família, não apenas como oleiro, mas como grande companheiro e propagador do nosso folclore. Exímio folião, que se exibia tanto na caixa quanto na viola; criador de versos para as danças do Quatro e do Lundu sempre se inspirando na fauna, inventando palavras que ganhavam sentido conforme a história narrada no canto:  “Vô m´imbora, vô m´imbora não/ Pois eu vi duas roxa chorando debaixo do laranjá”, “Papai mamãe não qué que eu case com José/ José é um malandro, não dá conta da muié”. E o belo e sensível verso que embalava a dança do quatro: “Canarim preso na gaiola, que tristeza num será/ Canarim panhô solto, ôiá/ Que alegria num será/ Canarim, passarim bunitim/ Foi pra rua passeá”.

Na década de 1980, quando eu dirigia o Centro Integrado das Escolas Caio Martins de Esmeraldas, onde estudavam diversos jovens de São Francisco e região, formei um grupo para apresentações do nosso folclore – coral, dança e jogral. Sem problema para o coral e o jogral, mas no caso da dança, para ter autenticidade, reproduzindo o nosso folclore, era indispensável o toque inebriante da viola e o sonoro e apaixonado repique da caixa no lundu, no quatro e na catira. Encontrei um meio para resolver o problema, chamei o meu amigo Locha e ele, prontamente, passou meses no CI ensinando os repiques da caixa e os acordes da viola. Com nosso coral era convidado para apresentações em Betim, Belo Horizonte e, uma, de maneira especial em Divinópolis a convite do prefeito. O coral se apresentou em uma acústica em praça pública recebendo cumprimentos do prefeito e, especial, da grande poeta Adélia Prado – Locha foi parte do grande feito.

Em São Francisco Locha era um folião respeitado e amado, sempre alegre, feliz, criativo, excelente cantor e “dançador” do Quatro e do Lundu. Sem dúvida, um nome para a nossa galeria de mestres da arte popular ao lado de Minervino, Nego de Venança, Adão Barbeiro, Vicente Quiabo, Henrique Quente, como parte de uma galeria de tantos foliões que se transformaram em agentes que cultuavam, preservavam e divulgavam a nossa cultura.

Locha se encantou aos 85 anos. Com Tonica ele teve oito filhos (sete mulheres).

Locha, sentimos saudades. Você, agora estará tocando  viola com Minervino e Adão Barbeiro para agradar São Pedro.

REFLEXÃO

 


O poeta J.G. Jorge de Araújo inaugurou o soneto Naturismo com esta estrofe: “Foi aprendendo a ler que aprendi a pensar/ e hoje pelo pensar sou um degenerado, / – já foi puro o meu Ser, tal como a Luz e o ar,/ Como o ar e a luz de um céu sereno e descampado...”.

Um sentimento de pessimismo que leva a Shopenhauer, que defende que a existência é fundamentalmente sofrimento, movida por uma "vontade" (desejo) insaciável que gera frustração contínua. 

Tanto um caso quanto o outro leva-se ao momento que tem tornado a vida de muitos cidadãos brasileiros em uma incógnita: o que é certo e o que é errado. Vive-se, hoje, até mesmo o cerceamento da palavra, exigindo-se constante vigilância a respeito de tudo que possa expressar o pensamento. Ainda que pudesse ser caricato – para alguns, mas arguidor do pensamento do povo – o fato leva-se a uma das “tiradas” de Kafunga, comentarista esportivo: “O certo é o errado; o errado é o certo”. E, aí, volta-se a Schopenhauer, que argumenta que “a vida oscila como um pêndulo entre a dor (desejo não realizado) e o tédio (desejo realizado), tornando a felicidade duradoura impossível e a existência o "pior dos mundos possíveis”.

No Brasil da atualidade, aquele que de anos tantos passados era anunciado como “O País do futuro”, no cenário pátrio e internacional mostra-se em tela diferente. A sucessão interminável de escândalos políticos, financeiros, tráfico de influência, geração de influenciadores e por aí afora, são tantas as “verdades” que impossível é distinguir as tantas “mentiras”. E, enquanto isso, abre-se uma vala enterrando o país. E pensar que quando jovem ouvi a análise de um professor diante da então crítica situação do país, que pior não poderia ficar, pois ele já se encontrava no fundo do poço. Infelizmente ledo engano, muito otimismo, pois hoje vejo que o poço não em fim! 

sábado, 25 de abril de 2026

ABRIL EM SEIS TEMPOS

 


18: Dia Nacional do Livro Infantil. O livro é fundamental para o desenvolvimento humano e social, atuando como veículo de conhecimento, cultura e transformação pessoal. Ele estimula a criatividade, amplia o vocabulário, melhora a escrita, aguça a capacidade crítica e exercita o cérebro. Além disso, proporciona empatia, redução do estresse e preserva a memória histórica. Diante dessa realidade, a EM São Judas Tadeu, que atende os alunos do bairro Sagrada Família, tem se dedicado no sentido de estimular nos alunos o gosto e a importância da leitura. Os resultados são alcançados em todos os anos do ensino naquela escola, do primeiro ao nono turno, o que foi demonstrado em reunião realizada no dia 24, quando crianças apresentaram trabalhos, que resultaram de suas leituras. Muitos deles foram premiados pelo volume de livros que leram. Um destaque: o aluno Murilo Alves Dias, que ocupou um lugar na mesa de honra por ter lido, neste ano, oito livros.
A reunião contou com a participação do escritor são-franciscano João Naves, que destacou a importância da leitura e da escrita, presenteando a biblioteca da Escola com diversos livros de sua autoria que, muito interessante, foram alvos imediatos do interesse de muitos alunos que buscaram folheá-los. A exposição da diretora da Escola, Daniela, foi muito rica destacando o seu gosto pela leitura, o que se tornou um hábito diário, possibilitando ter amplo conhecimento do mundo.
A participação dos alunos no evento foi admirável. Centenas deles acomodados no auditório se comportaram com muita atenção, participando com alegria de cada apresentação dos alunos.



DIA 19

Dia dos Povos Indígenas, data brasileira que homenageia a diversidade cultural e a história dos povos originários, promovendo a reflexão sobre seus direitos e a luta contra o preconceito. Os povos indígenas podem ser considerados como uma nação pois constituem um grupo de pessoas que compartilham os mesmos costumes, hábitos sociais, crenças, cultura e organização política. E assim estavam quando Cabral aportou na costa das terras desconhecidas que viriam, mais tarde, receber o nome de Brasil. Eram tantas as nações que ocupavam terras da costa do Atlântico às terras e selvas interioranas. O dia 21 de abril de 1500 marcou o início da grande transformação dos povos indígenas, infelizmente para pior, pois a aculturação, forçada ou não, transformou o seu modo de ser, de viver. Eles eram senhores da terra por destinação do Criador, segundo registros históricos há mais de 500 anos de Cristo, contudo, em seu direito, foram usurpados. Impôs-se o poder que falou mais alto para que fosse possível acomodar o homem “civilizado” na terra descoberta. A partir daí a vida dos nativos transformou-se em um calvário. Muitos historiadores, romancistas e poetas, abordaram as questões ligadas a eles. Houve uma publicação em especial e que assustou o governo da época: Viagem pitoresca e Histórica ao Brasil do francês Jean Baptiste Debret que, vivendo 15 anos no Brasil, retratou com muito realismo como viviam os nativos, o que causou muito incômodo às autoridades da época censurando-o. O que restou de tantos povos indígenas, no contexto geral, tem sido apenas objeto de exploração política.

21: O DESCOBRIMENTO




Aconteceu por contingências históricas e convulsões que vivia a Europa com a queda do feudalismo e o surgimento do mercantilismo. Portugal ficou premida diante daquela realidade e precisava de riqueza para garantir o poder. O país, contudo, já se encontrava exaurido, preciso era se expandir, buscar novos mundos onde encontrasse as riquezas que tanto necessitava. Ao tempo igual, a Espanha vivia o mesmo drama. Era preciso explorar novos mundos. Os portugueses atiraram-se ao mar. Vasco da Gama descobriu o caminho das Índias, importante feito comercial e expansionista. Logo, com a mesma audácia, Cristóvão Colombo  desembarcou na costa da América, feito que aguçou mais ainda a necessidade da expansão portuguesa. Poucos anos depois Pedro Alvares Cabral aportava na Terra de Santa Cruz. Assim, deu-se por descoberto, ou encontrado, um novo mundo para Portugal. Primeiro a exploração do pau-brasil, depois o açúcar e, mais adiante o ouro, tudo implicando em exploração e, muito pior, abrindo as portas para a abominável escravidão de negros e índios. Em resumo, a descoberta de uma nova terra que viria se constituir em uma grande nação, o Brasil, teve seu preço. A ideia de que o "status quo" (a ordem estabelecida) pagou o preço da colonização é complexa e, em grande parte, histórica e sociologicamente contestada no caso do Brasil. O consenso entre historiadores é que, em vez de pagar o preço, o status quo colonial muitas vezes se perpetuou, transferindo os custos da colonização para as populações escravizadas, indígenas e, posteriormente, para as classes mais pobres.


21. TIRADENTES




O Brasil ainda colônia de Portugal. O anseio de riquezas estabelecia ligações de Portugal com a Colônia. Exploração do pau-brasil deu lugar à busca do ouro e à produção de açúcar. Rendiam as terras descobertas ao reino. Minas Gerais se transformou em palco das atenções da Coroa ávida por ouro. Intensifica-se a mineração e a ganância de Portugal levando-se à imposição da derrama (imposto forçado e arbitrário).  A indignação contra a medida motivou uma reação que gerou o movimento da Inconfidência Mineira com um propósito "Libertas Quae Sera Tamen", despertou-se o sentimento cívico pela libertação. Surgiu, então a figura de Tiradentes como líder. Ele não era um intelectual, não tinha riqueza, prestígio e poder, nada tão importante como uma determinação lídima: lutar contra a opressão dos impostos  e pela liberdade. O idealismo, o destemor ao enfrentar o poder, custou-lhe a vida. Foi condenado e executado porque ousou levantar a voz contra o poder. Deu a vida em prol do povo, daqueles que duramente trabalhavam para sustentar a Coroa. 

21: ANIVERSÁRIO DE BRASÍLIA


Brasília, oh! Brasília consolidada como a capital do Brasil, apesar de tantas objeções, ações contrárias ao que era necessário. O Presidente Juscelino foi ousado, corajoso e enfrentando todas natureza de óbices realizou o seu sonho que correspondia à uma necessidade: levar o pais ao interior. O Brasil, antes de Brasília, era representado apenas pelo litoral onde se concentrava o poder e as melhores cidades. O interior vivia no atraso. Com Brasília descobriu-se um novo mundo e o desenvolvimento alcançou Goiás, Matogrosso, Tocantins e Noroeste de Minas e regiões do Nordeste. Em tempo atrasado e com menos envolvimento de populações, o avanço para o Brasil Central lembra a épica conquista do Oeste americano, atualmente consolidada com ricos e desenvolvidos estados, muitos com PIB superiores a muitos países do mundo.
Não há, neste dia, como não lembrar do Presidente Juscelino que teve a visão do desenvolvimento: "Brasília significa, não apenas a mudança de sede de um Governo, mas de todo o rumo de uma grande nação." E a fé inquebrantável no pais com o otimismo e a promessa: "Deste planalto central, desta solidão que em breve se tornará o cérebro das mais altas decisões".
Bela, saudável e tão verde Brasília, tão consolidada em seus 66 anos.

24: A NOITE DA SERENATA - I


A Ong Preservar e Secretaria Municipal de Cultura promoveram um belo evento: A Noite da Serenata com o propósito de consolidar o projeto da criação da Casa da Cultura/Memória de São Francisco criando espaços para o arquivo do acervo histórico existente na ONG Preservar e futuras aquisições de bens materiais imateriais que se encontram dispersos no município. A Casa da Cultura/Memória será um espaço para promoção dos artesãos do município, de todas as linhas; de artistas de todos tendências – música, pintura, fotografias e outras manifestações artísticas; para promoção de feira-livre com destaque para a degustação de alimentação regional.
O evento teve o propósito de apresenta cantores da terra, talentos que têm se distinguido no município e alhures, buscando valorizar seu trabalho e abrir novas janelas para suas apresentações. No caso, o primeiro momento foi voltado para a seresta buscando promover o resgate da veia artística dos são-franciscano que, em décadas passadas, teve um grande realce com destaque para a Orquestra Feminina Santa Cecília da Escola de Música da professora Virgínia Amélia cujas alunas, crianças, eram consideradas pródigas. Ela formou grande elenco de músicas de violino e bandolim. Bandas de Música com os maestros Manoel Clemente, Elísio Horbilon e Juventino Cunha. Na noite foram reverenciados os músicos Enedino, Antônio Felizardo, Chiquinho Bigode, Tutu, Tião de Adelaide, Carlos Barbosa, Fausto e Aurora e mais recentemente o Grupo de Seresta de São Francisco, que marcou época. Não se trata de reviver este glorioso passado, mas de estabelecer um elo cultural daquele glorioso período com a imensa riqueza que dispõe o município na atualidade, mas que se encontra disperso e sem a devida promoção.

24: A NOITE DA SERENATA - II



A apresentação artística foi iniciada com o grupo Mensageiros da Emoção que interpretou clássicos da música romântica brasileira a começar pela imorredoura melodia Luar do Sertão, seguida da bela canção de Carlos Gomes, Quem Sabe e da romântica Moreninha se eu te pedisse, do folclore do Centro-Oeste e Sudeste. A participação foi encerrada com dr. Francisco cantando Roberto Carlos. A programação seguiu com a apresentação magistral de Ivanilde Lacerda Leite, Geralda de Brito (bandolins) e Zilma Magalhães (violino):  Luzes da Ribalta, La Paloma e a valsa Virgínia de autoria da professora Natália. A dupla Belino e Sérgio cantaram Amor Meu, uma versão do clássico Sound of Silence e a romântica composição de Pablo Milanés, Iolanda. Diney apresentou as canções Amaremos e Tu és o maior amor de minha vida. João Hebber e sua filha Janine apresentaram Tortura de amor, Naquela Mesa, Cantar e Cordão de Ouro. Por fim Kaká Espósi deu um passeio pelos anos 60 com variado repertório. No encerramento do evento a Ong Preservar e Secretaria Municipal de Cultura afirmaram que promoverão outros eventos, o mais amiúde que for possível, buscando a participação de artistas ecléticos, com variados ritmos, pois são diversas as preferências musicais. Como amostra, na procura de novos talentos, foi apresentado, com exclusividade, um jovem talento musical, que  exibe notável talento no violão, uma grata e virtuosa revelação com apenas 14 anos:  EMANNUEL NAVES! A apresentação dele foi sensacional, com o público admirado aplaudindo com entusiasmo.
Foi, sem dúvida uma grande e esplendorosa noite de arte. Um passo importante da Ong Preservar e da Secretaria de Cultura na implantação da Casa da Cultura/Memória.




24: VENERÁVEL PROFESSORA MARIA CÉLIA




Na história das Escolas Caio Martins pontificou uma figura venerável, uma educadora que ia além do seu mister postando-se mais como mãe amorável no trato dos seus pupilos. Ela acompanhou, ou melhor, viveu dia-a-dia, da primeira turma do Curso Normal Regional da Escola Caio Martins de Esmeraldas e, com desprendimento e arrostando sacrifício numa jornada extenuante, entregou 12 de seus alunos/professores ao sertão urucuiano. Ela esteve presente na fundação do Núcleo Colonial do Urucuia abençoando os 12 bandeirantes na missão que os aguardava num local em que existia apenas três ranchos de palha de buriti e colonos pingados nos vãos e gerais. O que ela ensinou e pregou ficou impregnado nos corações daqueles jovens, lições de humanidade (o que muito precisaria na lida com os esquecidos e abandonados sertanejos e seus filhos que nunca imaginaram conhecer uma letra sequer).
Na implantação do Curso Normal Regional a primeira turma se dividia uns abrigados em uma República, ao lado da casa de dona Maria, e outros pingados na região. Crescendo o número de alunos, todos foram instalados em um prédio que recebeu o nome de Artesanato (seria um projeto não realizado). Eram tantos os alunos e lá estava ela, morando com sua família (filhos irmanados com os alunos), com seu modo tão sereno, tão dócil, orientando sem nunca levantar a voz; se reprimia, bastava um olhar. Mais que respeitada, ela era amada.
Dia 24, dia do aniversário dela que se comemora a cada ano, pois ela sempre estará presente nos corações dos seus jovens pupilos. Parabéns, Mãe Célia.

SÍNTESE OS SEIS  DIAS DE ABRIL


1. 18: Dia Internacional do Livro Infantil: um olhar para o futuro. Formar o jovem para que, adulto, não seja objeto de manobra e sim um cidadão consciente e útil à Pátria.

2. Dia dos Povos indígenas. Reverenciá-los com um dia pouco significa quando ainda hoje eles são alvos de políticas de interesse sem resultado de ganho para eles.

3. Tiradentes foi levado à forca porque protestou contra a derrama e quis a liberdade. Hoje, como se encontra o pais, pode-se dizer que foi traído pelo Brasil. A história se repete: derrama (ganância do governo) e restrições à liberdade.

4. Descobrimento do Brasil. Marco de um novo tempo para um continente desconhecido com perspectivas de formar uma grande nação, tantas as suas riquezas. O status quo do país não corresponde aos anseios de desenvolvimento e bem estar da população que vive na insegurança quanto ao dia de amanhã

5. Brasília é, por um lado, uma grata e tão bela cidade, mas o poder que ela comporta deixa a nação à deriva. Não era o sonho de Juscelino.

6. A Noite da Seresta, muito mais que um show artístico é o sinal da largada de um importante projeto cultural. São Francisco precisa, sem dúvida de um local para arquivar a sua memória e promover a sua cultura, tão rica cultura.

Venerável educadora Maria  Célia. Que bom seria se o brasil tivesse tantas educadoras como dona Maria Célia e menos engajamentos e orientações doutrinais transformando jovens alunos em robôs.


sábado, 18 de abril de 2026

SEMPRE ALERTA!

 

FAMÍLIA CAIOMARTINIANA
A fotografia com o seguinte texto: Amauri em Juvenília com 
Alaripe e demais caiomartinianos da região lindeira com a Bahia.


A nossa Escola encontra-se em um estado lastimável que contraria todos os princípios que norteiam os cidadãos de bem, que almejam o melhor para o País. Custa-nos acreditar que governantes possam reelegar ao abandono tão importante obra que já deu sobejas demonstrações de bem servir o País praticamente a custo ínfimo para os cofres públicos. Fica a impressão, ou certeza, que eles só se preocupam com a defesa de seus interesses pessoais, partidários e políticos. Exemplos estão à vista principalmente na esfera federal.

Não foi suficiente o abnegado trabalho de nossas Escolas nos campos educacional e social; na promoção de crianças, jovens e adultos e da sociedade em geral promovendo o meio, formando uma plêiade de jovens cônscios de seus deveres para com a pátria e a sociedade. Em sucinta análise demonstra-se o que elas realizaram em termos práticos, buscamos as fundações dos núcleos do Carinhanha e do Urucuia onde se pontificaram 24 jovens, os bandeirantes, que arrostaram sacrifícios em prol da Pátria tudo porque Caio Martins lhes proporcionou assimilar dois fundamentos preciosos: a Palavra e a Fé. E o que seria a Palavra? Desde a criação, a palavra foi uma ferramenta de grande poder. Na criação do mundo Deus não apenas imaginou, mas verbalizou, e o universo foi formado. A Fé, segundo São Paulo “é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se veem”. E foi isso que ocorreu com os Bandeirantes caiomartinianos e com todas levas de caiomartinianos que, espalhados em diversas regiões, prestam serviços valiosos à Pátria e que alimentam um nobre ideal e estão Sempre Alertas!

Continuemos firmes no ideal e estaremos sempre servindo à família, à sociedade e ao país, independentemente da obra física.

Agora, contamos com um reforço especial: a chegada do caiomartiniano Amauri Rodrigues que sempre esteve à frente na defesa da nossa causa. Vamos trabalhar para que ele chegue à Assembleia Legislativa e seja o porta-voz das Escolas Caio Martins.

A NOITE DA SERESTA

 



A ONG Preservar realizará na próxima sexta-feira, “A Noite da Seresta”. Não se trata apenas de um evento cultural, o que por si já valeria muito, o projeto vai além. Em princípio ele tem um fim mais amplo: consolidar a instalação da Casa da Cultura/Memória de São Francisco. A iniciativa visa cobrir uma lacuna muito grande que tem deixado o município aquém de outros municípios da região e, pior, desprezando a riqueza de sua cultura e a sua memória histórica que se perde nas brumas do tempo.

O primeiro passo, como se anuncia, será o de reunir um elenco de músicos e cantores para a realização de uma “seresta” evocando o quanto foi brilhante São Francisco em tempos mais remotos com a formação de muitos músicos, orquestra feminina, banda de música e teatro. Em tempos mais recentes exibia-se na cidade e em outras cidades da região, e até mesmo em Belo Horizonte, o grupo Seresta de São Francisco constituído por mulheres e homens da cidade – instrumentista e cantores. Infelizmente são páginas viradas e é isto que a ONG busca reconstruir, a riqueza artística de São Francisco.

Assim, o evento da ONG, como porta de entrada de um novo tempo, poderá não apenas fazer um resgate da riqueza musical do passado, mas dar real destaque à riqueza do presente com um elenco de músicos que aqui e alhures já fazem sucesso e não são plenamente reconhecidos. Por extensão, indo mais longe, será a oportunidade de levar esta arte à população são-franciscana.

FUTURO DE SÃO FRANCISCO

 


2026, ano de eleições que podem marcar a história do País. À parte do que ansiosamente se espera das eleições dos poderes Executivos e Legislativos Federais, um cuidado especial deve merecer a eleição para a composição da Assembleia Legislativa do Estado atentos ao quanto é importante um deputado e, mais ainda, daquele que representa um município. São Francisco, neste aspecto, político, tem perdido muito em face de dois fatores: a distinção de candidatos de outros domicílios em detrimento de candidatos da terra. À exceção de Heráclito Cunha Ortiga, em tempos nenhum candidato da terra logrou assento na Assembleia e olha que foram apresentados nomes de muito prestígio e experiência política: Severino e Luizinho. Preferiam os eleitores da terra eleger candidatos de outras cidades como Januária, Montes Claros, Brasília de Minas e Coração de Jesus. Com isso, faça-se uma lista do quanto o município tem perdido no campo da educação e da saúde – apenas como exemplo: hospital regional de Brasília de Minas e o Instituto Federal do Norte de Minas Gerais de Arinos. Tudo vai passando batido e os eleitores locais não estão atentos ao fato, dispersam seus votos à mercê de vapores individuais. 

Mais uma eleição e mais um são-franciscano se apresenta com o propósito de servir São Francisco: Amauri Rodrigues filho de José Rodrigues Damião e professora Sebastiana Pereira, emérita educadora que foi reconhecida por seus serviços prestados à educação e à coletividade dando seu nome à EE de Santana de São Francisco (Jiboia). Amauri tem ampla experiência no campo político com o trabalho de longos anos, como diretor de políticas públicas no combate, prevenção e tratamento  sobre álcool e outras drogas, diretor na Fundação de Parques Municipais em   BH e assessoria parlamentar o que lhe facilita o acolhimento em diversos municípios do Estado. Amauri pode ser a solução, ele pode ajudar muito São Francisco. 

sábado, 11 de abril de 2026

POETA MEIRA NA EE DR. TARCÍSIO GENEROSO

 


Na manhã deste sábado, 11, o poeta Joaquim Meira, presidente da Associação dos Poetas de São Francisco, foi entrevistado por alunos da EE Dr. Tarcísio Meira, oportunidade em que ele discorreu sobre seu trabalho literário desde a adolescência como aluno da Escola Caio Martins de São Francisco, quando se apresentava no Grêmio Estudantil declamando poesias de vários autores e os seus primeiros ensaios. O tempo passou... passou, e o Meira continuou vivendo o sonho do poeta escrevendo continuamente as suas poesias chegando à publicação do primeiro livro – Minha Vida, publicado em 2019. E não tem parado, semanalmente – ou quase diariamente – ele publica suas poesias no Grupo dos Poetas de São Francisco.

O trabalho do Meira se estende, ainda, a ações sociais, especialmente na Conferência de São Vicente de Paulo no bairro Aparecida, que tem como presidente a sua esposa Lia.

Meira é um exemplo de cidadão comprometido com a sua terra, com seu país para a juventude são-franciscana. A entrevista que concedeu aos alunos da escola Dr. Tarcísio Generoso teve excelente acolhida e repercussão segundo a professora Vilma Beatriz.

Na página seguinte o Portal traz a apreciação do livro Minha Vida feita pelo nosso editor João Naves de Melo.


MINHA VIDA



Apresentação de um belo livro

Joaquim Meira – poetinha, como carinhosamente o tratamos – nos brinda com a publicação do seu primeiro livro. Insistimos para que o fizesse, pois era preciso registrar e deixar gravada uma trajetória poética que teve início nos idos de 70, quando, aluno da Escola Caio Martins, ele alegrava as reuniões dominicais do grêmio declamando belos poemas. Ficou na memória de muitos amigos daquela época a sua performance declamando o poema Furar Abelha, que escrevi especialmente para ele. O Poetinha era atento. Ele acompanhava com atenção as apresentações do grupo de jogral da Escola – Jorge, Valdecy, Valdir e Ricardo – e, com isso, foi ganhando mais e mais amor pelos versos. De repente começou a poetar, também. Ele tem uma característica peculiar: poemas de versos curtos – especialmente monossílabos, dissílabos e trissílabos, no muito – em que fala muito com poucas palavras. E mais, tem registro do simbolismo, quase sempre. É isso, quem lê precisa penetrar nas palavras como um analista de alma para buscar seus sentidos e, encontrando-os terá revelada a maravilha do seu conteúdo. Não é fácil escrever poesia como o faz o Meira. À vista pode parecer muito singelo, despretensioso, mas mergulhando no sentido de cada palavra costurando-a em cada verso, chega-se ao que quis dizer o poeta – Minha Vida. São muito expressivos os seus poemas. Às vezes me parecem misteriosos, enigmáticos, o que contrasta com o jeito afável e aberto do Meira. Isso é possível ver no poema Busca – “sofrei os sonhos / e os espinhos / para florir caminhos”. E segue filosofando com brandura: “busquei-me no sol / raio de luz / busquei-me na tarde / calma e paz / busquei-me flor / para florir caminhos”. E fecha a sua busca com belo verso: “tornei-me dia / ave de sonhos / vivi em alegrias / e tive sede / de saber o meu ser”.Acredito, Meira, pelo tanto que sei de você (sei?), dos nossos anos de convivência, desde você menino na nossa escola, que, na sua felicidade sempre mostrada, você sabe muito bem o seu ser. Seus versos revelam sua alma pura e bondosa.Em vista de poemas tão curtos, falar muito seria um despropósito e poderia quebrar o encanto. Meira, fico por aqui, com meu abraço e minha alegria pela realização de seu grande sonho: o livro.
João Naves de Melo