sábado, 30 de maio de 2026

É BONITO DE SE VER

 Minha terra tem palmeiras/onde canta o sabiá/ 

As aves que gorjeiam/ Não gorjeiam como lá – Gonçalves Dias



Coloque-se na orla do rio São Francisco, da praça dos Pescadores à Lagoa da Luzia. Pare! Assunta em tempo de meditação. Comungue-se com a natureza... E aí vai descobrir quão imensa é a riqueza ecológica que a Natureza presenteia ao são-franciscano que, despercebido, não mergulha no encanto de um paraíso. O trabalho fotográfico de Guilherme Barbosa Pereira registra com rara beleza e sensibilidade, um espetáculo que foge aos olhos das pessoas desatentas  que passeiam pela orla. Nem dá para acreditar que da Pousada do Peixe-vivo, passando pela mata da Fundação Caio Martins, bosques da orla (da Praça dos Pescadores à Lagoa da Luzia), exibem-se, com plumagens multicoloridas, poses especiais, tantas aves, tantas de espécies até desconhecidas comumente. O trabalho fotográfico do Gui vai além fronteiras e são muitas as mensagens de pessoas manifestando desejo de vivenciar tal espetáculo. (Abaixo uma pequena amostra de tão raro espetáculo alado – no geral, da Fucam à Tapera ele registrou 225. Há ainda, uma diversidade de animais: iguana, teiú, cachorro do mato, jaguarundi, coelho do mato, barbado e mico. 

Pois é, com tal riqueza ecológica, há muita gente que pede, e insiste, que essas lagoas pluviais às margens do rio, na cidade, sejam patroladas apontando uma causa, sem comprovação: que elas são viveiros do mosquito da dengue. Com a existência de peixes e visita de tantas aves, a possibilidade é reduzida. Pior, no caso, é o que causam pessoas inescrupulosas que jogam lixo nas margens dessas lagoas. Sem o acúmulo de lixo e folhas secas em suas margens o mosquito não encontra refúgio seguro para depositar os ovos.

Em resumo: cidades como Montes Claros, Sete Lagoas (tem 17 lagoas), Lagoa da Prata, Lagoa Santa e Belo Horizonte têm também lagoas na área urbana.


EM DEFESA DO RIO SÃO FRANCISCO

 

O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco instituiu 3 de junho como Dia Nacional de Mobilização em Defesa do Rio São Francisco. A ação tem como objetivo promover debates sobre a importância de preservar a bacia, que abrange 8% do território nacional, que tem uma extensão de 2.863 km e uma área de drenagem de mais de 639.219 km² se estendendo desde Minas Gerais, onde o rio nasce, na Serra da Canastra, até o Oceano Atlântico, onde deságua, na divisa dos estados de Alagoas e de Sergipe.

O município de São Francisco tem um privilégio duplo em relação ao rio. Primeiro por ser seu caminho na extensão de Sul-Norte; segundo por ser homônimo dele. Em tempos passados o município tinha certa importância com muitos tributários: Acari, Pardo, Angical, Renascença, Mangaí, Guaribas, Pajeú, Boi Morto – muitos deles extintos ou intermitentes – e dois rios: Acari e Pardo seriamente comprometidos por enormes bancos de areia e pouquíssima água. Então é muito séria e comprometedora a situação do município neste contexto, ou seja, somente se vale do rio, o veio principal, e pouco se lhe dá.

O município chegou a avançar muito com ações mitigadoras em defesa do São Francisco, trabalho constante realizado nas áreas de reposição com construção de barraginhas, tanques e proteção de nascentes. Uma desastrada administração municipal não entendeu a importância vital de proteger as águas do município e, consequentemente, o rio São Francisco. Trabalho eficiente perdido.

São Francisco foi responsável (através do Codema) da criação do Comitê de Bacia Hidrográfica-SF9 cobrindo 24 municípios. Neste ano, nem mais isto tem o município, a sede do CBHSF9 foi transferida para Montes Claros. Fica a pergunta: o que há para se comemorar? Tempo há, é o que se vê na página seguinte.

sábado, 23 de maio de 2026

5ª FESTA DO CARRO DE BOIS DE PEREIROS

 


No último sábado (16), aconteceu mais uma edição da tradicional Festa do Carro de Bois das famílias Ribeiro e Almeida, reunindo carreiros, cavaleiros e moradores em um grande momento de cultura, fé e tradição sertaneja.

A programação teve início na Fazenda Capitólio, com a bênção dos carros de bois, carreiros e cavaleiros, que participaram da carreata. Em seguida, os participantes seguiram em cortejo pelas estradas da região, com parada para almoço na fazenda de Tone da Cantina, ponto de encontro marcado pela confraternização entre as famílias e visitantes.

A chegada dos carreiros na Fazenda Almeida foi marcada pela emoção do público, que acompanhou e aplaudiu a apresentação de cada comitiva. Neste ano, o evento contou também com a participação especial de carreiros do município de Pintópolis, fortalecendo ainda mais a valorização das tradições culturais da região.

Encerrando a festa, o público aproveitou shows com artistas da terra. A programação musical começou com a apresentação de viola de Geann Aquino e seguiu animada ao som das bandas de forró Klevinho Soares e Márcio Leal.

Texto: Jonas Silva Ribeiro

sábado, 16 de maio de 2026

O PÔR DO SOL

 



Várias tardes eu vaguei,

Nas coroas que são filhas

Do vale das maravilhas,

Do saudoso Noraldino; 

Indizível alegria

Se apoderava de mim,

Ao mirar o céu sem fim

De fulgor esmeraldino.



Nunca mais esquecerei

O belo efeito de luz,

Que de tarde o sol produz,

Ao despedir-se do dia,

Contrastando com a sombra

Da noite triste caindo

E, meigamente sorrindo,

O astro-rei se despedia.


Era uma vista soberba,

Era um cenário radioso,

Quando o astro formoso

No ocaso se escondia,

Fantasiando novos quadros

Das cores mais brilhantes,

Joias finas e elegantes

De encantadora poesia.


Se um dia quiseres ver

Esplendorosas pinturas

E o canto das saracuras,

Que é o hino do arrebol,

Vinde cá na minha terra, 

No meu torrão belo e arisco,

Vinde ver em São Francisco

Como é lindo o pôr do sol!


Revolvendo velho arquivo encontrei esta beleza de poesia com uma dedicatória: “Ao fulgurante talento do Professor João Naves. Januária, 21 de setembro de 1961. Joviniano dos Santos”. Como ele foi generoso comigo, um jovem professor 

Eu tinha um ano e meio de vivência em São Francisco, transferido da Escola Caio Martins do Núcleo Vale do Urucuia para dirigir o Centro de Treinamento para Jovens Líderes Rurais da Escola Caio Martins substituindo o Coronel Oscar Caetano, que se afastara depois de prestar inestimável contribuição à obra, que inaugurou. À época eu já era cronista do saudoso jornal SF-O Jornal de São Francisco o que ensejou, certamente, contado com o poeta Jovem da Mata.

Diante de tão inspirada poesia, que canta o maior e inigualável tesouro de São Francisco, antes que se perca no tempo, a publico no Veredas, rendendo homenagens ao amigo, para nós conhecido como da Jove da Mata, posto ser fazendeiro na Mata do Engenho, nas barrancas do São Francisco, município de Januária, cidade irmã de São Francisco. Enviada, ainda, cópias para o pessoal do Conselho Municipal da Cultura e Grupo Poetas de São Francisco.



13 DE MAIO: UMA DATA COM DOIS SENTIDOS

 


UM: O Dia de Nossa Senhora de Fátima comemorado intensamente pela Igreja Católica em dezenas de países, com destaque especial para Portugal onde ela apareceu para três pastorinhos.

DOIS: dia da Abolição da escravidão, a Lei Áurea assinada pela princesa Isabel em 1889. O ato provocou a impopularidade da Monarquia e a princesa Isabel foi a mais execrada principalmente pelos barões, os grandes fazendeiros do café, porque não foram indenizados pela perda dos escravos (a explicação dada a respeito não se justifica). A princesa foi esquecida pelos brasileiros, nem sequer é festejada a data da abolição, contudo deixou uma célebre mensagem: . "Se mil outros tronos eu tivesse, mil tronos eu perderia para pôr fim à escravidão!"]


TRÊS: escritores, políticos, jornalistas engenheiros e outros negros que se destacaram na história do Brasil e não são reverenciados, conquanto tanto se deve a eles.

José do Patrocínio: foi um dos maiores jornalistas, escritores e líderes abolicionistas do Brasil. Conhecido como o "Tigre do Abolicionismo", ele usou sua oratória e seus jornais para mobilizar a opinião pública contra a escravidão. 

Luiz Gama: advogado, abolicionista, orador, jornalista e escritor. É o Patrono da Abolição da Escravidão do Brasil. Nascido de mãe "negra, africana livre" e pai "fidalgo", Gama era livre quando o próprio pai o vendeu como escravo aos 9 anos de idade, e permaneceu analfabeto até os 17. 

André Rebouças: engenheiro, inventor, empresário e intelectual foi um dos mais importantes articuladores do movimento abolicionista 

Nilo Peçanha: professor, advogado, deputado, senador, governador e presidente da República. Teve papel importante no desenvolvimento da educação no país e na relação com os indígenas com um dos marcos mais importantes da história indigenista brasileira: a criação do Serviço de Proteção aos Índios (SPI), que mais tarde deu origem à atual Fundação Nacional dos Povos Indígenas.

Sem dúvida, o Brasil coleciona outros vultos que foram esquecidos e não são reverenciados pelo tanto que fizeram à nação. 13 de maio, pelo que eles representaram no movimento abolicionista seria a data apropriada para lembrar do feito deles.

MUITO COM TÃO POUCO – I






O trabalho social no município tem se desenvolvido com a participação do voluntariado, associações comunitárias e outras que, às duras penas, promovem mudanças de destaque. Nesse campo encontra-se a Associação Esperança Capoeira que tem à frente Antônio Ferreira Silva, conhecido como Tok-Tok que há mais de 30 anos trabalha com crianças, jovens e adultos sem qualquer apoio do poder público. O centro de suas ações está no CT Esperança localizado no Jardim Milena, onde trabalha com crianças e adolescentes, de 7 a 16 anos ministrando-lhes aulas de capoeira e muay thai. Noutras áreas ele atende nas seguintes comunidades: Porto Velho, Bom Jardim, Santa Helena e na sede da Ong Preservar ministrando aulas de capoterapia para adultos, na maioria idosos; e capoeira e mauy thai para crianças e jovens. E mais, dedica-se ao futebol coordenando a equipe Unidos de São Francisco – infantil, juvenil e amador – que, atualmente, está disputando um torneio regional (Norte de Minas).

Os mestres Tok-Tok e Coyote, outro que se dedica à mesma atividade, recentemente levaram 2 jovens ao Rio de Janeiro para participar de um torneio nacional de muay thai que foram bem sucedidos sagrando-se campeões. Atualmente ele está preparando uma equipe de 8 alunos para participar de um torneio de muay thai regra K1, em Montes Claros, no dia 16, com a participação do CT Energia, de Coyote (inclusive um representante do município de Icaraí de Minas).

É formidável o trabalho do Tok-Tok praticamente voluntário, pois o que recebe pelas aulas de capoterapia e de alguns alunos, mal cobre as despesas de locomoção para as comunidades rurais, inclusive pagando a travessia da lancha. Quantos jovens mudaram de vida graças o envolvimento com as práticas esportivas e as lições recebidas no CT Esperança (o nome já diz tudo)?  

Apoio decisivo Tok Tok só tem recebido de Francis D´Ávila Soares (Nino) na parte organizacional e captação de recursos com o fim de custear as viagens dos alunos/atletas – tema para o próximo capítulo.  

sábado, 9 de maio de 2026

REFLEXÃO

 

O Brasil se encontra como um navio à deriva em alto mar açodado por violentas ondas que, à falta de lastro, está adernando com risco de naufrágio. Para o cidadão de bem e cônscios de seus deveres a situação é crítica se constituindo num verdadeiro dilema expressado em dito popular: “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. O fato é que o cenário é de total desencontro em todas as camadas. Destrambelhou-se a governança tornando-se difícil encontrar um porto seguro (qualquer um é um risco), pois as ondas convergentes não se ajustam e não permitem a governabilidade do leme do barco. 

No Brasil, pelo que se acompanha em eventos sociais, culturais e, principalmente,  artísticos, as pessoas que desejam uma rota do bem, alcançar um porto seguro, ficam desnorteadas. O governo federal não tem a indicação da rota segura, perdeu-se a bússola e, tenta-se tampar os rombos no caso do grande navio. Os marinheiros se desencontram nas ações. Querem, uns, arcar com a responsabilidade de conduzi o barco, produzem esforços nesse sentido; outros apenas esperam a ração e se contentam com isso sem se importar com a tragédia prevista, pois só se interessam pelo presente, o agora. Aí, conclui-se, tem falhado a escola de formação de marinheiros, pois nelas nada mais interessa do que o proselitismo, ou aproveitar-se de benesses apenas pelo comparecimento nela. Aprender, desenvolver-se, tudo não passa de mera questão de aproveitar o tempo. A educação afunda-se como o navio.

  Emite-se o SOS. Ouvidos moucos. O grito perde-se no etéreo. Na cabine confortável, desprezando o perigo, o capitão desenha rotas e mais rotas sempre com o propósito de encontrar um porto que seja do seu e dos seus. Leva-se a uma frase de Kant: “Age de tal modo que possas tratar sempre a humanidade, seja em tua pessoa, seja no próximo, como um fim; não te sirvas jamais disso como um meio”. Pois é, enquanto o capitão e seus comandados e seguidores agirem egoisticamente pensando apenas em si, a outra banda da tripulação corre o risco do naufrágio.