sábado, 6 de junho de 2026

FESTIVAL II – AS CRIANÇAS

 


Prosseguindo nas observações do Nino vamos encontrar o papel de destaque das crianças no evento e observações pertinentes quanto a organização.

“Foi marcante a expressiva participação de crianças e adolescentes nos grupos. A presença das novas gerações nas quadrilhas demonstra que a cultura popular continua viva e em processo de renovação. Em tempos nos quais muitas tradições enfrentam dificuldades para manter sua continuidade, observar jovens envolvidos de forma ativa nas manifestações culturais é um indicativo positivo para a preservação do patrimônio cultural imaterial do município. Esse cenário reforça a importância de que o poder público amplie os investimentos em infraestrutura, formação e fomento, garantindo condições adequadas para que esses grupos possam continuar desenvolvendo seu trabalho.”

A observação do Nino é muito pertinente e comunga com a preocupação que tem sido expressada na Ong Preservar, Conselho Municipal de Cultura e Codema, indicando a necessidade e importância de inserir no trabalho escolar do município abordagens a respeito do meio ambiente, da história e da cultura são-franciscana. Tudo no sentido de que não se perca, de vez, o elo com a história, a cultura e a tradição do povo são-franciscano. 

Em futura postagem serão abordadas outras observações e sugestões apresentadas pelo Nino no embalo do Festival.

O VI Festival de quadrilhas foi um sucesso

 




O VI Festival de Quadrilhas realizado pela Secretária Municipal de Cultura de São Francisco foi um sucesso em todos os aspectos: rara beleza plástica, evolução, histórico, encenação e, sobretudo, reflexo de participação popular, sobretudo crianças. 

Nino, Arquiteto, Urbanista e Fotógrafo que atualmente preside o Conselho Municipal de Patrimônio Cultural de São Francisco, que assistiu ao festival fez, para o Portal, um comentário que merece uma atenção especial do público e, principalmente das autoridades municipais.

Nino relata: “A experiência permitiu não apenas apreciar as apresentações, mas também observar aspectos relevantes relacionados à dinâmica cultural do município e ao fortalecimento das manifestações populares. Como fotógrafo, aproveitei a oportunidade para realizar registros dos grupos culturais participantes, especialmente dos coletivos de São Francisco. Essa é uma prática que procuro desenvolver sempre que possível, pois muitos grupos possuem poucos registros sistematizados de sua trajetória. A produção e posterior disponibilização dessas imagens contribuem para a construção de seus acervos documentais, fortalecendo a memória cultural local e oferecendo subsídios para comprovação de suas atividades em processos de fomento e reconhecimento cultural”.

“O festival foi dividido em duas categorias: municipal e profissional. A categoria municipal reuniu quatro grupos de quadrilha do município, enquanto a categoria profissional contou com a participação de grupos oriundos de Brasília de Minas, Salinas e São Romão. Os grupos da categoria profissional já haviam participado de edições anteriores do festival e retornaram este ano para disputar a competição em um nível mais elevado de exigência técnica e artística. Um dos aspectos que mais me chamou atenção foi o fato de os quatro grupos representantes de São Francisco serem oriundos do Bairro Sagrada Família, sendo um deles originalmente dedicado à manifestação cultural do Boi de Reis e que, este ano, estreou sua atuação com um grupo de quadrilha. Essa concentração e diversificação de atuação cultural dos grupos evidencia a força da mobilização comunitária naquele território e demonstra a existência de um ambiente favorável à manutenção e ao desenvolvimento das tradições culturais populares. Trata-se de uma informação relevante para o planejamento das políticas culturais do município, uma vez que revela a capacidade de organização e engajamento cultural existente nessa comunidade”.

AINDA HÁ ESPERANÇA

 

Na reunião do Codema realizada no dia 2 p. passado foi apresentado um projeto de revitalização de nascentes e recuperação ambiental da mais elevada importância. Ele foi elaborado por  Eredi Gonçalves Ferreira Fernandes, membra da Associação Comunitária da Comunidade Gildete Cunha Rocha e proprietária de parte da área destinada à implantação do projeto, na região da Barriguda. Os membros do Conselho receberam com entusiasmo o projeto, que revela uma grande preocupação de uma comunidade em defesa do meio ambiente com uma ação relevante de proteger e preservar um recurso hídrico tão precioso para aquela comunidade.  O projeto apresentado remete os são-franciscanos aos anos que havia uma preocupação muito expressiva no sentido de revitalizar a bacia do rio São Francisco, o que teve início com a recuperação da bacia do Pajeú com o projeto Plantando Água do PJBN e, depois, Codema. O quanto se fez no município com proteção de nascentes, construções de barraginhas, terraços e tanques recuperando mananciais e dando sustentação a poços tubulares. Quantas as ações foram além protegendo cerrado e veredas com a participação ativa do Ministério Público. Lá se foi o tempo.

Agora, a comunidade Gildete Cunha, por iniciativa e com recursos próprios demonstra que é possível recuperar e manter mananciais que, por extensão, além de servir às comunidades, leva água ao São Francisco. Que seja pouca, mas é importante dizer que se houvesse um trabalho desta natureza em todo o município certamente a contribuição ao rio seria muito maior.

O Portal Veredas traz, nesta página, uma ilustração de parte desse trabalho fantástico. Em páginas futuras serão prestadas mais informações e da verdadeira dimensão desse trabalho.

sábado, 30 de maio de 2026

É BONITO DE SE VER

 Minha terra tem palmeiras/onde canta o sabiá/ 

As aves que gorjeiam/ Não gorjeiam como lá – Gonçalves Dias



Coloque-se na orla do rio São Francisco, da praça dos Pescadores à Lagoa da Luzia. Pare! Assunta em tempo de meditação. Comungue-se com a natureza... E aí vai descobrir quão imensa é a riqueza ecológica que a Natureza presenteia ao são-franciscano que, despercebido, não mergulha no encanto de um paraíso. O trabalho fotográfico de Guilherme Barbosa Pereira registra com rara beleza e sensibilidade, um espetáculo que foge aos olhos das pessoas desatentas  que passeiam pela orla. Nem dá para acreditar que da Pousada do Peixe-vivo, passando pela mata da Fundação Caio Martins, bosques da orla (da Praça dos Pescadores à Lagoa da Luzia), exibem-se, com plumagens multicoloridas, poses especiais, tantas aves, tantas de espécies até desconhecidas comumente. O trabalho fotográfico do Gui vai além fronteiras e são muitas as mensagens de pessoas manifestando desejo de vivenciar tal espetáculo. (Abaixo uma pequena amostra de tão raro espetáculo alado – no geral, da Fucam à Tapera ele registrou 225. Há ainda, uma diversidade de animais: iguana, teiú, cachorro do mato, jaguarundi, coelho do mato, barbado e mico. 

Pois é, com tal riqueza ecológica, há muita gente que pede, e insiste, que essas lagoas pluviais às margens do rio, na cidade, sejam patroladas apontando uma causa, sem comprovação: que elas são viveiros do mosquito da dengue. Com a existência de peixes e visita de tantas aves, a possibilidade é reduzida. Pior, no caso, é o que causam pessoas inescrupulosas que jogam lixo nas margens dessas lagoas. Sem o acúmulo de lixo e folhas secas em suas margens o mosquito não encontra refúgio seguro para depositar os ovos.

Em resumo: cidades como Montes Claros, Sete Lagoas (tem 17 lagoas), Lagoa da Prata, Lagoa Santa e Belo Horizonte têm também lagoas na área urbana.


EM DEFESA DO RIO SÃO FRANCISCO

 

O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco instituiu 3 de junho como Dia Nacional de Mobilização em Defesa do Rio São Francisco. A ação tem como objetivo promover debates sobre a importância de preservar a bacia, que abrange 8% do território nacional, que tem uma extensão de 2.863 km e uma área de drenagem de mais de 639.219 km² se estendendo desde Minas Gerais, onde o rio nasce, na Serra da Canastra, até o Oceano Atlântico, onde deságua, na divisa dos estados de Alagoas e de Sergipe.

O município de São Francisco tem um privilégio duplo em relação ao rio. Primeiro por ser seu caminho na extensão de Sul-Norte; segundo por ser homônimo dele. Em tempos passados o município tinha certa importância com muitos tributários: Acari, Pardo, Angical, Renascença, Mangaí, Guaribas, Pajeú, Boi Morto – muitos deles extintos ou intermitentes – e dois rios: Acari e Pardo seriamente comprometidos por enormes bancos de areia e pouquíssima água. Então é muito séria e comprometedora a situação do município neste contexto, ou seja, somente se vale do rio, o veio principal, e pouco se lhe dá.

O município chegou a avançar muito com ações mitigadoras em defesa do São Francisco, trabalho constante realizado nas áreas de reposição com construção de barraginhas, tanques e proteção de nascentes. Uma desastrada administração municipal não entendeu a importância vital de proteger as águas do município e, consequentemente, o rio São Francisco. Trabalho eficiente perdido.

São Francisco foi responsável (através do Codema) da criação do Comitê de Bacia Hidrográfica-SF9 cobrindo 24 municípios. Neste ano, nem mais isto tem o município, a sede do CBHSF9 foi transferida para Montes Claros. Fica a pergunta: o que há para se comemorar? Tempo há, é o que se vê na página seguinte.

sábado, 23 de maio de 2026

5ª FESTA DO CARRO DE BOIS DE PEREIROS

 


No último sábado (16), aconteceu mais uma edição da tradicional Festa do Carro de Bois das famílias Ribeiro e Almeida, reunindo carreiros, cavaleiros e moradores em um grande momento de cultura, fé e tradição sertaneja.

A programação teve início na Fazenda Capitólio, com a bênção dos carros de bois, carreiros e cavaleiros, que participaram da carreata. Em seguida, os participantes seguiram em cortejo pelas estradas da região, com parada para almoço na fazenda de Tone da Cantina, ponto de encontro marcado pela confraternização entre as famílias e visitantes.

A chegada dos carreiros na Fazenda Almeida foi marcada pela emoção do público, que acompanhou e aplaudiu a apresentação de cada comitiva. Neste ano, o evento contou também com a participação especial de carreiros do município de Pintópolis, fortalecendo ainda mais a valorização das tradições culturais da região.

Encerrando a festa, o público aproveitou shows com artistas da terra. A programação musical começou com a apresentação de viola de Geann Aquino e seguiu animada ao som das bandas de forró Klevinho Soares e Márcio Leal.

Texto: Jonas Silva Ribeiro

sábado, 16 de maio de 2026

O PÔR DO SOL

 



Várias tardes eu vaguei,

Nas coroas que são filhas

Do vale das maravilhas,

Do saudoso Noraldino; 

Indizível alegria

Se apoderava de mim,

Ao mirar o céu sem fim

De fulgor esmeraldino.



Nunca mais esquecerei

O belo efeito de luz,

Que de tarde o sol produz,

Ao despedir-se do dia,

Contrastando com a sombra

Da noite triste caindo

E, meigamente sorrindo,

O astro-rei se despedia.


Era uma vista soberba,

Era um cenário radioso,

Quando o astro formoso

No ocaso se escondia,

Fantasiando novos quadros

Das cores mais brilhantes,

Joias finas e elegantes

De encantadora poesia.


Se um dia quiseres ver

Esplendorosas pinturas

E o canto das saracuras,

Que é o hino do arrebol,

Vinde cá na minha terra, 

No meu torrão belo e arisco,

Vinde ver em São Francisco

Como é lindo o pôr do sol!


Revolvendo velho arquivo encontrei esta beleza de poesia com uma dedicatória: “Ao fulgurante talento do Professor João Naves. Januária, 21 de setembro de 1961. Joviniano dos Santos”. Como ele foi generoso comigo, um jovem professor 

Eu tinha um ano e meio de vivência em São Francisco, transferido da Escola Caio Martins do Núcleo Vale do Urucuia para dirigir o Centro de Treinamento para Jovens Líderes Rurais da Escola Caio Martins substituindo o Coronel Oscar Caetano, que se afastara depois de prestar inestimável contribuição à obra, que inaugurou. À época eu já era cronista do saudoso jornal SF-O Jornal de São Francisco o que ensejou, certamente, contado com o poeta Jovem da Mata.

Diante de tão inspirada poesia, que canta o maior e inigualável tesouro de São Francisco, antes que se perca no tempo, a publico no Veredas, rendendo homenagens ao amigo, para nós conhecido como da Jove da Mata, posto ser fazendeiro na Mata do Engenho, nas barrancas do São Francisco, município de Januária, cidade irmã de São Francisco. Enviada, ainda, cópias para o pessoal do Conselho Municipal da Cultura e Grupo Poetas de São Francisco.