sábado, 11 de julho de 2026

MENORES NA MIRA - II

 OS PEQUENINOS



Diante de tantos e tristes acontecimentos sociais, que vêm ocorrendo em nosso país, uma onda avassaladora do mal, envolvendo, principalmente a juventude, volto os olhos para as Escolas Caio Martins antes do  desmantelamento que ela sofreu. E penso: como poderia ser interessante se os governantes estendessem os trabalhos da obra caiomartiniana a todos os rincões e todos os cantões do país, e não a estancassem sem a menor justificativa, senão a falta de sensibilidade. Os exemplos que posso elencar são muitos, muitos mesmos, mas vou ater-me aos que mais me tocam emocionalmente, como cidadão preocupado com seu país, que anda sem rumo e sem quaisquer perspectivas para a meninada menos assistida.
No primeiro caso pouso minha lembrança no Centro Integrado de Esmeraldas. Vejo-me nos primeiros momentos da vida da Escola, ainda no frescor da manhã, no início das atividades dos alunos. Chego à praça emoldurada por um belo jardim – verde e florido –  na frente da casa de recepção. Logo sou cercado pelos  pequeninos. Eles tomam minhas mãos, abraçam-me e sorriem, cada qual querendo disputar um espaço mais próximo. Vislumbro, então, aquele quadro tão meigo, tão puro, sorrisos inocentes, o resplandecer da esperança. Pequeninos – meninos e meninas – no florescer da vida, que perderam a família (e tantos são os motivos, tal como acontece hoje, nos grandes centros e até mesmo no interior), longe do aconchego dos braços da mãe; pequeninos que poderiam cair em um vazio imenso na vida e que, no entanto, ali estavam sorrindo, alegres, confiantes. Mais senti: teriam eles um futuro garantido e disso tinha certeza, pois tantos deles que daquela situação encontraram um ninho na vida, sentiam-se amparados, sentiam-se gente. E de repente me vi rindo com as estripulias do Geraldo que teimava em somente andar plantando bananeira – foi um custo para as monitoras do projeto Educação e Saúde (alunos do Curso de Magistério) reverterem seu caminhar; vi-me, tarde da noite, ao pé da cama de Fernandinho, que por descuido prendera o pintinho com o zíper do  short – não aceitou que ninguém nele encostasse  se não fosse eu. Daí o chefe de lar teve que me buscar, em minha casa, para atendê-lo. Confiou em mim e o problema foi resolvido.
E teve alguém, vendo os pequeninos me chamando pelo nome, sem qualquer deferência, na total intimidade e confiança, que me recomendou que eles me tratassem de senhor, doutor ou professor. Claro que retruquei dizendo que isso os afastaria de mim e eu deles. O respeito havia através do amor, da confiança, do carinho.
Das lembranças que guardo do Centro Integrado a maior é a do sorriso, o alarido, a felicidade e a confiança dos pequeninos – sonhava com seu futuro risonho, sabendo o que fora o seu passado.
Nota: na próxima edição trarei uma história real que ilustra muito bem o drama do menor desamparado.

MENORES NA MIRA

 “Com apoio de 79% da população, a redução da maioridade penal avança no Congresso 

e vira um dos principais temas da campanha presidencial na área de segurança” – 

abertura de reportagem da revista Veja (3 de julho de 2026) com o título “CADEIA PARA MENORES”.


O problema do menor infrator no Brasil leva a uma situação de paroxismo, à exacerbação e exaltação de atitudes. Não se pode negar que o envolvimento de menores na criminalidade é muito sério e até recorrente em decorrência de posições encetadas pelo governo federal, que simplifica o fato classificando como somenos o roubo de celular (que muitas vezes resulta em morte como no caso registrado na reportagem acima mencionada). Justifica-se, em parte, o apelo da população no caso do menor infrator. Insurge-se contra o Estatuto da Criança e do Adolescente tendo-o como redoma do menor que tenha cometido um crime. Aí, então, vai-se do paroxismo ao paradoxo. Sim, apesar de ser um anseio popular e tido como necessária, a medida contradiz a triste realidade brasileira. E qual seria ela? O conceito, a raiz do problema está no sentido primordial: na família, na escola, na formação da personalidade do menor com suporte da justiça social, do amparo e condução em casos especiais. Não faz sentido punir o menor infrator por crime cometido com medida extrema como uma solução final, pois se o problema não for combatido na raiz será como o moto perpétuo. Hoje, sabe-se que a maioria dos menores infratores descabam para o crime com coordenação deletéria que explora sua situação social. É preciso refletir sobre o que lhe ensejou  trilhar o caminho do mal. E o que faz o Estado? Vira o rosto. É o que se vê e que não desperta a sociedade. O Estado tem uma política distorcida, desinteressada em assegurar às crianças em estado de risco uma boa  formação, um acompanhamento, oportunidades. Não é preciso ir longe. Contemplem o papel das Escolas Caio Martins que ampararam e promoveram milhares de menores integrando-os à sociedade como cidadãos úteis, cônscios de seus deveres para com a sociedade e a Pátria. E o que fizeram nossos governos com esse patrimônio educacional e formador de cidadãos? Fecharam todas as unidades, encerraram uma página gloriosa no campo da educação e formação de cidadãos no Estado.

Resumo, para ilustrar o fato, reproduzo um texto do livro  Caio Martins – uma história de amor, na página seguinte.

OS PÁSSAROS

 “Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem segam, nem

ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta...”


A palavra de Jesus no Sermão da Montanha tem significado profundo, uma lição prática contra a ansiedade, reforçando que temos muito valor aos olhos do Criador. Benditas sejam, pois, as aves que me trazem a mensagem de Jesus e tanto alegram nossa vida. Tenho-as em meu quintal. Algumas costumeiras refastelando-se da quirela que lhes ofereço e que, depois de se fartarem, retribuem com uma sinfonia de tons variados, porém harmoniosos: sabiá e sofrê – com sofejos apaixonados e doces;  cardeal com o tope encarnado, rolinhas majestosas no caminhar, pardais saltitantes e arrelientos  construindo ninhos nos beirais da casa e o bem-ti-vi denunciando não se sabe o quê.  Estes são os costumeiros, do dia-a-dia. De quando em quando aparecem anus-brancos – sempre em trica – tão majestosos; uma dupla de xexéu que chama atenção pela barulheira que aprontam no alto da mangueira. Ultimamente, surgiram outros visitantes: sanhaços e maritacas atraídos pela jabuticabeira e cajá-mangueira frutificando. É uma farra. Fartam-se muito mais que os moradores da casa, pois cuidam da colheita bem de madrugada. Tudo bem. Eles não plantam...

O que me surpreendeu, e muito, foi a visita da uma pomba-trocal, majestosa paloma. É uma ave arisca, sempre vista nas grimpas das árvores onde arrulham e cantam apaixonadamente. Pois bem, certa manhã eis que deparei com uma delas bebiricando água escorrida da vasilha da cadela Serena. Bebericava tranquila, sem atropelo, sem se importar com a minha presença. Emocionei-me, pois era uma cena rara, quase impossível, ela ali tão tranquila, levantando a cabecinha e me olhando como velha companheira. Tive tempo em ligar o celular e filmá-la e fotografá-la. Ela ficou o tanto que quis e eu ali, chamando as pessoas para contemplarem o belo espetáculo da mãe natureza. 

Mais tarde telefonei para o Guilherme Barranqueiro, o homem das aves, e narrei o fato para ele que me respondeu: “Tiraram as matas e elas estão cada vez mais urbanas”.

Aí está um dos resultados, uma demonstração sobre o que fazem com o meio ambiente os homens descuidados e, de certa forma, inconscientes. 

Uma observação: a foto que ilustra esta página não resulta de IA.

sábado, 4 de julho de 2026

SÃO FRANCISCO PARA CNBB

 


O município de São Francisco foi incluído no roteiro empreendido pelo padre Luciano da Silva Roberto aos municípios de Januária, Maria da Cruz e São Romão com objetivo de conhecer as expressões culturais, lugares, memórias e a riqueza de sítios naturais. Em primeiro momento, padre Luciano encontrou-se com o escritor João Naves, que em breve interlóquio discorreu sobre a história e a cultura são-franciscana. Presente ao encontro o advogado Allan Johnnes, membro do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico que, por sua vez, destacou os pontos relevantes do município, culminando com a apresentação do seu maior patrimônio histórico: o pôr do sol. 

O pe. Luciano é sacerdote do Clero da Arquidiocese de Mariana - MG. Realizou seus estudos de Filosofia na Faculdade Dom Luciano (FDL) e Teologia no Instituto Teológico São José, ambas instituições do Seminário de Mariana (em funcionamento desde 1750). Pós-graduado em História da Arte Sacra e Arquitetura Religiosa (FDL) e Análise e Gestão do Patrimônio Cultural (Uni-BH). Atualmente é mestrando em História na linha Patrimônio Cultural e Territórios (PUC-Goiá) e Assessor do Setor Cultura e Setor Bens Culturais da Comissão Episcopal para a Cultura e a Educação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil com sede em Brasília. 

Pe. Luciano está em visita ao município de São Francisco e região conhecendo as expressões, bens culturais, lugares de memória e riquezas naturais para o acervo cultural/social da CNBB.

sábado, 27 de junho de 2026

DE OLHO NO FUTURO

 A leitura é uma porta aberta para um mundo de descobertas sem fim - Sandro Costa


Na E.M. São Judas Tadeu, em um programa literário, um garotinho foi chamado para compor a “mesa de honra”. Serenamente ele tomou o assento e participou da programação, inclusive tomando parte em alguns números. Distinção: era um assíduo leitor (leu vários livros neste ano) tendo recebido o primeiro lugar no “Projeto Estrela” realizado pelas professoras bibliotecárias Eva Eliane Cecília Barbosa Pinto e Elzita Lemos de Almeida. Conversamos um pouco e ele, com muita desenvoltura revelou-me que adorava a leitura. Levei a notícia ao meu filho Ricardo, em Belo Horizonte, que se entusiasmou com o envolvimento do menino com a leitura resolvendo presenteá-lo com um belo livro: O Pequeno Príncipe, que se diz para criança, mas que o adulto gosta de ler e tirar lições. Nesta semana fiz a entrega do livro para ele ganhando de volta um doce sorriso de contentamento.

O nome do pequeno aluno: Murilo Alves Dias, 12 anos, cursando o 7º ano, filho de Joelson Pereira Dias e Silvana Alves de Jesus, morador no Brejo dos Angicos, zona rural.

Direção da Escola Municipal São Judas Tadeu: Daniela Moreira Lima e Jucélia Ferreira de Souza.  

É muito importante esse trabalho da escola motivando os alunos para a leitura, pois com isso, proporciona-lhes um mundo de conhecimento ensejando-lhes a formação de salutar cidadania.






UM EXEMPLO DE CIDADANIA

 


Um pouco mais sobre o projeto de revitalização de nascentes e recuperação ambiental na comunidade de Gildete Cunha Rocha, de autoria de Eredi Gonçalves Ferreira Fernandes, membra dessa comunidade e proprietária de parte da área destinada à implantação do projeto apresentado em agosto de 2023.

Da proposta à realização o que se vê em 2026 é que não se trata apenas de uma ideia, de um propósito, mas de uma realização concreta. Em reunião do Codema, Eredi discorreu sobre o trabalho da comunidade na implantação do projeto e, o que é importante, com resultados: nascentes recuperadas e água represada onde antes tudo era árido. Segundo Eredi “a iniciativa surgiu diante da crescente degradação da nascente e da necessidade urgente de ações estruturadas de proteção ambiental, recuperação do solo e conscientização comunitária acerca da importância da preservação das águas. Além das ações de revitalização da nascente, o projeto contempla intervenções complementares voltadas à contenção de erosões, recuperação de áreas degradadas, implantação de cercamento protetivo, recomposição da mata ciliar e fortalecimento da educação ambiental comunitária”.

A presença dela à reunião do Codema foi além afirmando, na ocasião, que “a proposta busca integrar esforços entre comunidade, poder público, órgãos ambientais e instituições parceiras, promovendo uma atuação coletiva em defesa dos recursos naturais e da segurança hídrica das famílias rurais”.

Sem dúvida, trata-se de um importante projeto que deve inspirar todas as comunidades rurais e chamar a atenção do poder público no sentido de disseminar tão importante iniciativa que, outrora esteve na pauta da administração municipal.


ROMARIA DA FAMÍLIA FREIRE COSTA

 



Joaquim Meira, coordenador do Grupo de Poetas de São Francisco, enviou um relato sobre a “Romaria da Família Freire Costa” à Serra das Araras. O roteiro remete-nos a um acontecimento que mistura realidade a uma lenda: o achado de uma pequena imagem de Santo Antônio em uma loca da Serra das Araras, isso sem registro no tempo. No sopé da serra havia um pequeno povoado com moradores muito religiosos, como de comum no meio rural. A pequena imagem foi entregue aos cuidados de uma devota e, mais tarde, levada para a igreja da Vila de São José de Pedras dos Angicos (São Francisco) de onde, pouco depois, evadiu-se, voltando para a Serra. Daí, uma história (ou lenda) envolta em muitos mistérios teve início a peregrinação, as jornadas de romeiros ao pequeno povoado que tem, conforme registrado pelo viajante inglês George Gardner, em 1840 (em um pouso ele encontrou uma mulher que lhe disse que ia cumprir uma promessa a Santo Antônio, feita pouco antes quando estivera doente). Em princípio, as romarias tinham apenas o caráter religioso: cumprir promessas, celebrar batizados e casamentos. Com o tempo, além do ato de fé, o evento se transformou em uma festa popular e com forte apelo comercial. Contudo, o ato religioso persiste, com o pagamento de promessas. É o que conta o Meira.

“Na madrugada do domingo, sete de junho deste ano, um grupo formado pela família Freire Costa partiu, em romaria, rumo ao santuário de Santo Antônio na Vila de Serra das Araras cumprindo uma promessa de realizar a romaria durante treze anos em busca de um milagre.

  A família  Freire Costa, “dona da romaria” reside no bairro Sagrada Família. Neste ano contaram com o apoio de mais duas famílias compondo uma caravana de 21 pessoas.  A caravana chegou à vila de Serra das Araras no dia 11 regressando no dia 14, um dia após a festa do padroeiro, Santo Antônio”.