Cinco de novembro passou sem festa para comemorar o aniversário de São Francisco. Restou o saudosismo, o que não é interessante, pois a prevalência do passado implica na ausência de ações correlatas no presente. Contudo, sinaliza-se alguma mudança. No interregno do vazio surgiram três movimentos na sociedade com visão voltada para a comemoração do centésimo quinquagésimo aniversário da cidade: duas propostas e um comentário.
A primeira proposta é do professor Roberto Mendes, coordenador do Campus da Unimontes em São Francisco: a criação de um grupo para “pensar coletivamente uma obra em comemoração aos 150 de São Francisco. Seria um livro com diversos textos tratando de temas que deem uma ideia do que foi São Francisco nesses 150 anos: política, economia, formação/surgimento dos bairros, religiosidade, saúde, cultura, sociedade e ainda um texto sobre um olhar para o futuro. Temos um ano para organizar todo material e lançar o livro em novembro de 2027”. Roberto conclama: “Sejam todos bem-vindos ao grupo.”
Outra iniciativa muito interessante é da professora Valquíria Taschetti: o resgate das mulheres escritoras de São Francisco. São poucos os escritores – poucos divulgados – então, o que imaginar das escritoras? No anonimato São Francisco tem boas escritoras principalmente de eras mais recentes. Um projeto muito interessante para marcar o centésimo quinquagésimo aniversário da cidade.
Outra iniciativa que merece atenção vem de José dos Passos Pereira, membro do Conselho Municipal de Cultura: “São Francisco completa 149 anos de emancipação política. Mas a nossa luta continua sendo pela emancipação das ideias, das consciências e das práticas políticas que ainda nos prendem ao passado”. No caso, ele conclama os vereadores para que atuem mais em benefício da comunidade correspondendo aos votos recebidos da população.
AINDA SOBRE OS 149 ANOS DE SÃO FRANCISCO – II
Ainda rememorando, e lamentando, as perdas de São Francisco ao longo de sua existência, que parecem não ter incomodado a comunidade e o rol não é pequeno – em quantidade e em importância, afetando a economia, a cultura e sinalizando o desprestígio político do município.
1. Fábrica de doce Itasa implantada no final da avenida Brasília de Minas próxima do local onde surgia um bairro que, a princípio, recebeu o nome de Itasa, hoje um populoso bairro denominado Sagrada Família graças ao padre Vicente.
2. Mamona: O município foi mobilizado para integra-se ao Programa de Biodiesel e a Logística de Processamento para plantar mamona que colhida e beneficiada teria como destino o abastecimento da usina de biodiesel da Petrobras em Montes Claros. Foi instalada uma usina de beneficiamento de mamona em São Francisco. O programa resultou-se em redundante fracasso com grande prejuízo para os produtores rurais.
3. Seminário Nossa Senhora de Fátima que trouxe a São Francisco uma posição de destaque na formação de padres. Belíssima construção, muita atividade e um fim lamentável, e muito criticado pelo desenlace.
4. Parque de Exposições Zezé Botelho: uma obra comemorada com ufanismo pelos pecuaristas e pela população em vista de sua imponência. Razões tantas reduziram o espetacular espaço a palco de realizações de atividades de entretenimento ocasionais.
5. Escola Caio Martins. Centenas de jovens rurais encontraram nessa escola a oportunidade de se projetarem na vida tendo, como reflexo, a promoção do homem do campo. Num piscar de olhos foi encerrada a sua principal atividades: formação de jovens rurais restando um valioso complexo de prédios na maioria em fase de deterioração. De consolo o funcionamento do centro educacional da FUCAM.
AINDA SOBRE OS 149 ANOS DE SÃO FRANCISCO – III
Esclarecendo um equívoco comum que ocorre em diversos segmentos da sociedade são-franciscana em quase todos os campos. São dois casos.
Primeiro: no dia 5 de novembro comemora-se o aniversário da cidade de São Francisco, que foi criada e elevada à categoria de cidade pela Lei Provincial nº 2.416, de 5 de novembro de 1877. Não se trata de emancipação do município. Com a transferência da sede do município de São Romão para a cidade de São Francisco, o município continuou o mesmo apenas mudando a topónimo de São Romão para São Francisco, com a cidade de São Romão transformada em distrito (emancipado em 1925).
Outro equívoco: fazer referência ao município de São Francisco como “cidade de São Francisco”. Ora, cidade compõe-se de espaço urbano, recorte do espaço geográfico caracterizado pela alta concentração de pessoas, edificações e infraestrutura. Por outro lado, o aspecto físico do meio rural é marcado pela preponderância de elementos naturais e por uma baixa densidade de construções e de circulação de pessoas. Observa-se ainda forte presença de áreas verdes, matas, florestas, pastagens, rios, córregos, cachoeiras e grandes extensões de terra aberta; as habitações (sítios, fazendas, chácaras ou casebres) são espaçadas entre si, sem grandes concentrações verticais (prédios) ou adensamento populacional; presença de lavouras cultivadas, cercas, currais, celeiros, açudes e estradas.