sábado, 11 de abril de 2026

POETA MEIRA NA EE DR. TARCÍSIO GENEROSO

 


Na manhã deste sábado, 11, o poeta Joaquim Meira, presidente da Associação dos Poetas de São Francisco, foi entrevistado por alunos da EE Dr. Tarcísio Meira, oportunidade em que ele discorreu sobre seu trabalho literário desde a adolescência como aluno da Escola Caio Martins de São Francisco, quando se apresentava no Grêmio Estudantil declamando poesias de vários autores e os seus primeiros ensaios. O tempo passou... passou, e o Meira continuou vivendo o sonho do poeta escrevendo continuamente as suas poesias chegando à publicação do primeiro livro – Minha Vida, publicado em 2019. E não tem parado, semanalmente – ou quase diariamente – ele publica suas poesias no Grupo dos Poetas de São Francisco.

O trabalho do Meira se estende, ainda, a ações sociais, especialmente na Conferência de São Vicente de Paulo no bairro Aparecida, que tem como presidente a sua esposa Lia.

Meira é um exemplo de cidadão comprometido com a sua terra, com seu país para a juventude são-franciscana. A entrevista que concedeu aos alunos da escola Dr. Tarcísio Generoso teve excelente acolhida e repercussão segundo a professora Vilma Beatriz.

Na página seguinte o Portal traz a apreciação do livro Minha Vida feita pelo nosso editor João Naves de Melo.


MINHA VIDA



Apresentação de um belo livro

Joaquim Meira – poetinha, como carinhosamente o tratamos – nos brinda com a publicação do seu primeiro livro. Insistimos para que o fizesse, pois era preciso registrar e deixar gravada uma trajetória poética que teve início nos idos de 70, quando, aluno da Escola Caio Martins, ele alegrava as reuniões dominicais do grêmio declamando belos poemas. Ficou na memória de muitos amigos daquela época a sua performance declamando o poema Furar Abelha, que escrevi especialmente para ele. O Poetinha era atento. Ele acompanhava com atenção as apresentações do grupo de jogral da Escola – Jorge, Valdecy, Valdir e Ricardo – e, com isso, foi ganhando mais e mais amor pelos versos. De repente começou a poetar, também. Ele tem uma característica peculiar: poemas de versos curtos – especialmente monossílabos, dissílabos e trissílabos, no muito – em que fala muito com poucas palavras. E mais, tem registro do simbolismo, quase sempre. É isso, quem lê precisa penetrar nas palavras como um analista de alma para buscar seus sentidos e, encontrando-os terá revelada a maravilha do seu conteúdo. Não é fácil escrever poesia como o faz o Meira. À vista pode parecer muito singelo, despretensioso, mas mergulhando no sentido de cada palavra costurando-a em cada verso, chega-se ao que quis dizer o poeta – Minha Vida. São muito expressivos os seus poemas. Às vezes me parecem misteriosos, enigmáticos, o que contrasta com o jeito afável e aberto do Meira. Isso é possível ver no poema Busca – “sofrei os sonhos / e os espinhos / para florir caminhos”. E segue filosofando com brandura: “busquei-me no sol / raio de luz / busquei-me na tarde / calma e paz / busquei-me flor / para florir caminhos”. E fecha a sua busca com belo verso: “tornei-me dia / ave de sonhos / vivi em alegrias / e tive sede / de saber o meu ser”.Acredito, Meira, pelo tanto que sei de você (sei?), dos nossos anos de convivência, desde você menino na nossa escola, que, na sua felicidade sempre mostrada, você sabe muito bem o seu ser. Seus versos revelam sua alma pura e bondosa.Em vista de poemas tão curtos, falar muito seria um despropósito e poderia quebrar o encanto. Meira, fico por aqui, com meu abraço e minha alegria pela realização de seu grande sonho: o livro.
João Naves de Melo


SEMPRE ALERTA!

 


Companheiros, amigos marchemos/ Pela estrada de Caio Martins/ Escoteiros! alerta exaltemos/ O seu nome na voz dos clarins.  Quantas vezes ouvi este refrão na voz de crianças na expectativa do futuro; de jovens que abriam as asas para empreender jornadas na vida; de homens feitos saciados no ideal. O Hino às Escolas Caio Martins de autoria do saudoso mestre Saul Martins, caiomartiniano da gema, embalou sonhos, sustentou ideais e sempre se leva a deslumbrar tempos radiosos para o nosso Brasil, sabendo-se que levas e mais levas de cidadãos conscientes de seus deveres para com a Pária e a sociedade estavam sendo formados. Quanto são eles? É difícil somar, mas os tem na perene lembrança como construtores de novos tempos.

Há 78 anos as sementes foram lançadas no município de Esmeraldas à sombra da Serra Negro, no vale do Paraopeba e, de lá se estendeu ao Norte desbravando o sertão. Foram formadas as Bandeiras de Buritizeiro, Carinhanha e o Urucuia, chegando-se aos Centro de Educação de São Francisco e Januária, prestando inestimável serviço à sociedade e ao país a preço tão somente de um ideal e parquíssimos recursos. Lembro que neste ano a Escola de São Francisco completa 70 anos de uma vida que foi marcada por realizações e de tantos serviços prestados ao município na formação de jovens e na transformação do meio. Pelos campos do Brasil espalharam-se os caiomartinianos e todos guardam o mesmo sentimento pela Escola querida, a reverenciam e rendem louvor pelo que a eles ela ensejou. Reconhecem-na e a amam. Atualmente, pelo estado de abandono em que todos os núcleos se encontram, distante do seu fulgor e de serviços, é de se lamentar profundamente; é de se quedar incrédulos ao perguntar: por que o governo de Minas deixou sucumbir tão precioso tesouro humano, cultural e cívico?

O corpo físico se deteriora, mas o sentimento do caiomartinano está vivo, sempre estará vivo. Vamos erguer nossa bandeira, conclamamos. Um ex-aluno vem lutando para manter a flâmula caiomartiniana em diversos momentos: Amauri! Ele está buscando caminhos e, na sua luta poderá ser o porta-voz e manter aceso o nosso ideal. Vamos conhecer o seu trabalho e Sempre Alerta!

IMPERMANÊNCIA - IV

 


Não precisava ser como as águas do São Francisco na sua impermanência. Ora, o que passou, passou; outras águas serão outras, certamente. O fato leva a uma reflexão sobre o mote criado pelo historiador João Botelho Neto: “São Francisco, cidade do já teve”. Então, segue-se ao terceiro capítulo, outra jornada.


FONTE  LUMINOSA


São Francisco passou por uma fase de destruição de patrimônio cultural e religioso com explicações pouco plausíveis e, muitas vezes por idiossincrasia. Ponha-se, no caso, o Coreto, o sobradão da Renascença, casarão-sede da Escola Caio Martins, entre outros. Assim foi o destino da Fonte Luminosa, um presente do governo de Aristomil Mendonça na década de 1960, que era uma atração para a população da cidade e visitantes. Essa fonte, localizada na Praça Heráclito Cunha Ortiga (Peixe-vivo) era uma alegria para as crianças que acorriam ao local, ao cair da noite para assistir a um belo bailado de água colorida. Com a construção do aterro, uma obra contestada, sem necessidade, a fonte foi demolida. E mais causou o aterro: a separação da cidade do rio.


GRUTA DE NOSSA SENHORA


No mesmo governo, ou seja, de Aristomil Mendonça, por iniciativa da primeira dama Gercina Botelho de Mendonça, foi construída uma gruta encravada no cais, o portentoso penedo que distingue a cidade de São Francisco nela entronizando uma imagem de Nossa Senhora. Tornou-se um local de contemplação e oração ao cair da tarde. Fiéis e não fiéis visitavam o local geralmente ao pôr do sol, agraciados com o encanto que Deus nos contempla a cada tarde com atos de fé. A construção do aterro foi a explicação pela demolição da gruta. 

Nada  foi feito para compensar a demolição de dois sítios da maior importância para a cidade, um cultural e outro religioso.

sábado, 4 de abril de 2026

IMPERMANÊNCIA - III




Não precisava ser como as águas do São Francisco na sua impermanência. Ora, o que passou, passou; outras águas serão outras, certamente. O fato leva a uma reflexão sobre o mote criado pelo historiador João Botelho Neto: “São Francisco, cidade do já teve”. Então, segue-se ao terceiro capítulo, outra jornada.

OS CLUBES DE SERVIÇO

LIONS CLUB – Janeiro de 1965 instala-se em São Francisco o Lions Club uma organização internacional de clubes de serviço voluntário teve existência em São Francisco reunindo-se, semanalmente no salão da AASF cultivando o companheirismo. Os sócios tratavam-se como companheiro leão estabelecendo-se forte elo de amizade. A esposa de um membro do Lions Clube era chamada de Domadora, desempenhava um papel fundamental no leonismo, apoiando atividades de serviço comunitário. O Lions deixou como marca de sua passagem na história de São Francisco, a criação do Lar dos Idosos sob a presidência de João Naves com o apoio do então prefeito e leão Aristomil Gonçalves de Mendonça. Ainda naquela época já se falava em organizar o trânsito em São Francisco com um projeto do então presidente do clube Mário Mendes. Por mais de uma década o Lions esteve em frutífera atividade e depois...

ROTARY CLUB é uma rede global de líderes comunitários, amigos e vizinhos que se unem para causar mudanças duradouras, promovendo a paz, saúde, educação e alívio da pobreza em suas comunidades. O membro é tratado como Companheiro e sua esposa como Dama Rotária. Em São Francisco o Rotary desenvolveu campanhas no combate à poliomielite e promoveu ações atendendo dezenas de pessoas em cirurgias de catarata realizadas no município de Coração de Jesus. O Rotary tinha atenção voltada para a juventude com a criação do Clube Rotaract para jovens adultos. No auge de sua atividade em São Francisco o Rotary construiu sede própria, atualmente um prédio abandonado. Sem maiores explicações, o Rotary deixou de existir em São Francisco e muitas têm sido as tentativas para reerguê-lo, frustradas até os dias atuais.

sábado, 28 de março de 2026

IMPERMANÊNCIA - II

 


Não precisava ser como as águas do São Francisco na sua impermanência. Ora, o que passou, passou; outras águas serão outras, certamente. O fato leva a uma reflexão sobre o mote criado pelo historiador João Botelho Neto: “São Francisco, cidade do já teve”. Então, segue-se ao primeiro capítulo, outra jornada.

AUTOMÓVEL  CLUBE


As décadas de 1970 e 1980 foram de esplendor da sociedade são-franciscana com os eventos sociais realizados no Automóvel Clube além de shows artísticos com bandas consagradas em Minas. Destaques para os  bailes de gala do aniversário da cidade,  carnaval, festa das debutantes de tanto encanto e em homenagens a São-franciscanos ausentes ou beneméritos do município. O AC nasceu em decorrência do fim da AASF – a cidade ficou sem um local para a realização de eventos sociais, o que levou à iniciativa de formar uma sociedade para construir um clube para preencher o vazio.  Assim nasceu o AC. Com o tempo os sócios fundadores, por motivos diversos, deixaram o clube e seus sucessores não manifestaram o mesmo interesse. Com isso o AC descerrou as portas e seu ressurgimento está complicado pelo surgimento de diversos salões de festas na cidade. Interesse tem por parte de um grupo, mas tantas são as dificuldades que a ideia não sai da vontade e o prédio, com o tempo, vai se deteriorando.


CLUBE CAMPESTRE CARQUEJO


Nem tanto esplendor como o AC, mas de uma esfuziante força de juventude nasceu o Clube Carquejo em uma área privilegiada que, sem dúvida, cobiçada por muitos visitantes à cidade. Por muitos anos até a entrada do século XXI o clube tinha uma atividade fervilhante: futebol soçaite, churrascadas, encontros sociais e, o que chamava atenção, o ancoradouro de barcos no belíssimo Rio São Francisco. Como se fosse de uma noite para o dia, o clube deixou de existir e hoje se encontra abandonado.

DIA MUNDIAL DA ÁGUA

 


Em 1993, no dia 22 de março a ONU instituiu o Dia Mundial da Água para conscientizar a população sobre a preservação, gestão sustentável e o acesso universal a água potável, alertando sobre a escassez hídrica. Milhões de pessoas ainda carecem de água potável no mundo, tornando a data um chamado global para ação imediata e o quanto se aplica a São Francisco que enfrenta, por comum o problema da seca a cada ano. 

A situação hídrica no município de São Francisco foi alvo de muita atenção anos atrás, quando era intenso o trabalho da Secretaria de Meio Ambiente e do Codema com a construção de barraginhas, terraços, abertura de tanques e campanha de preservação do cerrado “Pai das Águas”. Houve um grave interregno quando ficou comprometida a conquista alcançada. Agora anuncia-se a retomada das ações, sobretudo com o Projeto Plantando Água. Um tanto atrasado, mas com bom propósito, abraçado pelo prefeito Miguel Paulo com equipes da Secretaria e do Codema. Importante, pois a cada ano mais crítica fica a situação hídrica no município, com interrupção de muitos cursos d´água e lagoas. Pior se vê quando chega o período das chuvas que se sabe, de regime muito baixo no município: toda água precipitada é perdida, passava velozmente em enxurradas que parecem riachos, que desaparecem num instante sem deixar sinal. Em vários pontos do município ocorreram inundações, córregos transbordando, passando sobre pontes, invadindo propriedades rurais e, passada a chuva, de novo, tudo seco. O que se viu no córrego do Angical e no Mocambo é um retrato da situação. É preciso proteger. É preciso guardar a água da chuva. É preciso plantar água. 

SÃO JOSÉ – SÃO FRANCISCO: UMA HISTÓRIA - II

 


O artigo publicado na semana passada evocando algumas passagens da história da Matriz de São José trouxe à memória de Ana Maia Neves Mendes, ao lê-lo, uma lembrança muito especial e que, guarda, muito sentimento. Falou sobre o sentido de acolhimento do interior da igreja com três naves e belas pilastras, do altar de madeira e, o que uma geração não conheceu: o coro cuja acesso era dado por uma escada em caracol, que lembrava a escada de Loretto, de São José.  E no coro, o harmônio que com um coral levava a música sacra às solenidades religiosas. Lembrou mais: debaixo do coro ficava o esquife com o Senhor Morto  tradicionalmente utilizado para carregar a sua imagem na paraliturgia da Procissão do Enterro do Senhor de Sexta-feira Santa.

Era, a matriz, muito acolhedora e muito apropriada à meditação, contemplação e momento de intensa serenidade de espírito.