sábado, 21 de fevereiro de 2026

REFLEXÃO

 


A instituição família foi alvo de achincalhamento no desfile carnavalesco no Rio de Janeiro deste ano, que atingiu, ainda, grupos religiosos e o agronegócio num ativismo ideológico que revela total ignorância e descompromisso com a verdade. No caso do ataque à família presume-se que os autores desse projeto carnavalesco não tenham uma família bem constituída ou que não tenham a alegria de viver no seio do que é verdadeiramente uma família. Certamente desconhecem, no íntimo, o que representa a Família e o que é a beleza e a profundidade da fé para ridicularizando-as de maneira tão vil condensando-as numa lata de conserva. 

Ora, a família é o marco inicial de uma vida. Falar sobre ela envolve seus diferentes tipos (afetivos, sanguíneos, adotivos), sua importância como base de afeto, apoio e educação de valores, e a necessidade de cultivar amor, respeito e diálogo,  sendo um lugar de identidade e pertencimento. A Família é um grupo social fundamental, não apenas por laços de sangue, mas principalmente por afeto, cuidado e confiança; que oferece abrigo, amor e segurança emocional, sendo um "lar" onde se pode ser quem realmente é; transmite cultura, valores, ensina habilidades socioemocionais, respeito e como lidar com desafios; ajuda a formar a identidade e a autoestima dos indivíduos; cria relações saudáveis baseadas em diálogo, afeto, respeito e tempo de qualidade; não é ausência de conflitos, mas a decisão de amar apesar deles; é importante para o desenvolvimento saudável, com pais que investem no convívio e compartilham experiências; o seu maior legado não são bens, mas os valores, a educação e as habilidades emocionais passadas para as novas gerações. Em resumo, pode-se dizer que a família é o nosso porto seguro, a primeira escola de vida, um espaço de crescimento e amor incondicional, que se adapta e se fortalece com o tempo e as experiências. Uma família bem constituída é base sólida para uma Pátria, com ela teve início a formação da sociedade como existe.

Um resumo transcendental: Deus, criador do universo e de tudo que nele existe, contemplou a humanidade, para redimir seus pecados, com a vinda de Seu próprio filho, Jesus, que veio à Terra através de uma FAMÍLIA. 

sábado, 14 de fevereiro de 2026

PRESERVAR LANÇA PROGRAMA SOCIAL E ARTÍSTICO


  A diretoria da ONG Preservar reuniu-se na sexta-feira 13 tendo em pauta a programação de eventos sociais e artísticos visando dinamizar as suas ações e a movimentar o espaço da Casa da Memória/Cultura que está em fase de implantação. No dia 21 deste mês, no espaço da própria sede da ONG será promovido um encontro voltado para pessoas da terceira idade. O evento que deverá ser realizado mensalmente tem como finalidade de abrir um espaço para os idosos se confraternizarem e para a prática de lazer com maior assiduidade. Tem ainda, como objetivo criar condições para promover a autonomia, integração e participação efetiva deles na sociedade, uma visão integral de garantia de direitos e cidadania. 

O programa da Ong espelha-se em Gibran que explora a transição da dor e da intensidade da juventude para uma compreensão mais serena e "radiante" da vida na idade avançada e na experiência deles, a sabedoria que vem da sua vasta experiência, tornando-os mais "vivos" internamente. Levar o idoso a encarar o envelhecimento com aceitação, celebrando-o como parte de um ciclo contínuo e espiritual. 

O outro evento terá como foco a promoção de artistas (compositores, cantores e instrumentistas) com lançamento previsto para o mês de março.

Na mesma reunião foi acolhido novo sócio da Ong, Marcio Alan Nascimento Ramos, técnico em informática a serviço da Câmara Municipal, onde tem realizado um importante trabalho biográfico-político escrevendo a história dos agentes que ali atuaram e atuam.

IMPROVISO: MEU BRASIL

 João Naves de Melo


Agora, talvez, eu não sinta o tempo

Dias escoados, noites intensas vividas

A estrada parecia ser infinita, tão longa

Trilha de entulhos, prolongados tapetes


Vivi, revivi, sequer tenho a conta dos dias

Contas de um rosário que não tem fim

O Sol despontando, Ocidente esquecido

Meus olhos buscando além no Oriente


Insisti na cegueira medieval no itinerário

No avançar insistente querendo a luz

Por vezes encontrei mais poeira opaca

Esmaecida como uma estrela infinita


Sofri fadiga, mas não me fiz um fardo

Imposição tão comum a um peregrino

Incendiava-me o espírito ardente do desejo

Eu queria e queria saber sempre a luz


Agora, talvez, eu não sinta o tempo

Vencido nos tropeços do caminhar

E por mais que sonhasse e buscasse

Mais distante estava da sonhada luz


E pergunto a mim mesmo no desejo

Seria possível chegar-se ao fim, à luz?

Num pequeno tropeço volto à realidade

O meu caminho torna-se tão turvo


Agora, talvez, eu não sinta o tempo

Não há como bordejar a nau da luz

Nas entranhas, de repente, tão de repente

Vivo buscando e sonhando com a luz!


Ao meu Brasil amado, cujo futuro sonhado é uma luz que foge de mim.

10.2.2026

sábado, 7 de fevereiro de 2026

UMA REFLEXÃO SOBRE A VERDADE

 


Ele tomou o amor para abrir portas e chegar aos corações dos homens; Ele pregou a caridade para estabelecer elos entre os homens; Ele pregou a paz para serenar corações dos homens, sem distinção; Ele revelou que a humildade era o caminho para a paz; Ele nunca dispôs de armas para se defender de perseguições, ataques e maldades, tinha apenas a palavra, a Verdade; Ele sofreu injúrias, foi alvo do ódio e perseguições e jamais se revoltou ou fez prevalecer seu poder divino; Ele andava e pregava meio aos indefesos entre dois grandes poderes, capazes de tudo: Roma e o Sinédrio; Ele foi preso e condenado à revelia, mas o que pregou e ensinou se transformou em bandeira vitoriosa.

Noutra trajetória a humanidade assistiu à insanidade do poder, a determinação de impor uma vontade, com expoente que passaram à História da humanidade como símbolo do terror: imperador Nero (e muitos dos Césares), Átila, o Terror dos Hunos, Gengis Kahn, Xerxes. Tudo que conquistaram, tudo o que fizeram, caiu no limo, são lembrados apenas como uma tragédia humana, símbolos das trevas. Não engrandeceram a humanidade.

Jesus foi o divisor dos tempos no vislumbre da verdade sem nada dissimular; foi a luz, o farol que há mais de dois mil anos lume com a mesma intensidade guardando tudo o que ensinou. E dos outros o que restou se não o opróbio, a repugnância e o desvirtuamento do sentido humanismo.

Refletindo sobre o que representa o fato, é preciso abrir uma fresta para a entrada da Verdade no conturbado mundo que vive o Brasil. Num apelo, vale lembrar, também, Buda mensageiro da paz: “Nada mais resta que praticar, contemplar e propagar a Verdade por piedade do mundo, e para o bem dos homens e dos deuses”. Lembrar por fim, como refrigério e um fio de esperança o fundamento da vida em Cristo cuja verdade serve como uma rocha firme para construir a vida, oferecendo segurança em meio às crises e incertezas. Cabe refletir diante do relativismo moral impregnado em setores da população em que as normas morais variam conforme o indivíduo ou a sociedade. E, no caso, pior é quando a Verdade é obscurecida para satisfazer propósitos individuais.

sábado, 24 de janeiro de 2026

FOLIA DE SÃO SEBASTIÃO

 Uma crônica em memória de grandes foliões que se encantaram*


Na manhã do sábado 20, passando pela praça Manoel Clemente (Quebra), deparei-me com o Locha, cercado de amigos contando “causos”. Esbarrei e perguntei o que ele fazia por aquelas bandas. Como resposta ele apontou o movimento na casa do Marciano emendando que iriam sair com a Folia de São Sebastião. Não deu outra, fui para lá e esperei a primeira saudação à bandeira de São Sebastião, antes do terno sair para a jornada. Diferente das outras ocasiões, quando o terno sai apenas no dia do santo, ele estava fechando o sétimo dia, pois era essa a promessa de Tirburtina Fiúza de Brito – mãe do Marciano (Rodrigues de Jesus), que era a favor dele. Feita a saudação da bandeira, com toda reverência, seguiu-se a cerimônia de beijar o altar, com música especial. O primeiro a beijar a bandeira foi o imperador seguindo dos foliões. Guardo os versos solenes da música: “Vou beijar/ E torná a beijar/ Lá na ponta do altar/ Onde Deus está”.

Muito cinzano para afinar a voz e dar ânimo nos braços e lá foi o terno para sua missão. Dei uma esticada à minha casa para pegar a máquina fotográfica com fim de registrar a jornada no Barranqueiro. Reencontrei  o terno aguardando o café depois de uma saudação. Os foliões  papeavam pelos cantos, contando “causos”. Assim que entrei na sala esbarrei com Joel Peba agarrado no sono esparramado em um sofá – não é para menos, pois todos têm uma função de cantar e tocar e a dele era só a de virar copo e gritar a saudação: “E viva São Sebastião! E viva os foliões! E viva o Imperador e a Imperadeira!. E viva os donos da casa” E tome gole. E teve um agrado para os donos da casa – bem dançada suça, que levou para roda muitos dos presentes, que não fazem parte do terno, como Zé Babão. Admirável era a alegria e a vitalidade de Henrique Quente, o excelente rabequeiro, sapateando como criança apesar de seus 75 anos de idade. 

O terno de Marciano é composto pelos foliões: Marciano, Locha e Elpídio – violões; Aniceto, José Veloso e Mauricyr – violas; Henrique Quente – rabeca; Tonho Duro – caixa;   João; Maromba; Vicente Quiabo  – balainhos;  Valdivino e Catarino – pandeiros.

Foi bom rever e ouvir o Locha fazendo dupla com Vicente Quiabo cantando uma suça com os volteios do violão de Marciano e o dengo da rabeca de Henrique Quente, isso sem falar da graça e sutileza da percussão comandada pelo Tonho Duro. É uma beleza. São Sebastião deve estar feliz com as homenagens.


 *  Publicada no jornal o Barranqueiro em 2017

UMA REFLEXÃO

  O nosso querido Brasil corre risco de uma convulsão social ou de uma crítica situação que pode entravar seu crescimento. Vão surgindo problemas e questões que se multiplicam a cada dia criando um clima de insatisfação e descrença no seio da população responsável: “não tem jeito!” Enquanto uma grande parcela da população está vivendo sob o “guarda-chuva” do governo, exclusivamente do benefício social, nada produzindo em seu benefício ou da coletividade. Essa situação tem sido anotada, à evidência, em São Francisco onde há grande dificuldade de encontrar um trabalhador para o campo ou comércio. Tudo bem hoje, e amanhã quem vai pagar a conta? Essa lassidão terá um preço no futuro, quando se perde uma grande força produtiva, levando-se ao caos. São Paulo advertia: “A vida é como um jogo num estádio; é preciso lutar, pois só recebe a coroa quem vence”. Sem luta, sem trabalho, pode-se conformar com a caridade e perde-se um grande contingente de pessoas que poderiam estar trabalhando em prol do seu futuro e da nação.  Esse enorme contingente dependendo das “benesses” do Estado jamais de promoverá no seio da sociedade. O ser humano necessita de valores e de virtudes para tornar nobre sua conduta e sua existência. E qual seria a virtude, no caso? No contexto da Teologia Paulina é “a passagem de um estágio de dependência do vício para a graça e a liberdade!” 

Cada pessoa necessita de educação, orientação e desenvolvimento. O ócio é um vício que não deve ser alimentado (vício quando a falta de atividade se transforma em inércia crônica). Ou devem ser considerados os propósitos?

A CHUVA

 


São Francisco passou por meses de seca (o que tem sido uma constante) uma situação muito preocupante levando desespero à população rural causando imensos prejuízos nas atividades agrícolas, especialmente à pecuária com pastos esturricados. 

Em tempos idos o mês de janeiro era chamado de “veranico”, sem chuva e com sol escaldante, agravamento da seca vindo de meses anteriores.  A terrível situação era enfrentada com atos de fé, um apelo místico: a Procissão com preces pedindo chuva: com os devotos levando pedras, latas d´água na cabeça e ramos, entoando preces: “Abre a porta, meu povo/ Que lá vem Jesus/ Ele vem cansado/ Com o peso da cruz./ De porta em porta/ De rua em rua/Meu Deus, manda bom inverno/ Sem culpa nenhuma”. A procissão partia da Igreja de São Félix ou da igreja de São José – homens, mulheres e crianças, todos descalços para realçar o sacrifício – percorrendo ruas poeirentas, areia escaldante até chegar ao Cruzeiro do Quebra (que já não existe) ou ao do Cemitério, onde eram depositadas as oferendas do sacrifício.