sábado, 21 de março de 2026

SÃO JOSÉ – SÃO FRANCISCO: UMA HISTÓRIA

 


1866 o pequeno povoado Pedras dos Angicos, remanescente da fazenda de Domingos do Prado e Oliveira, foi rebatizado com o nome de Vila de São José de Pedras dos Angicos, consequência da criação da Paróquia de São José erguendo-se, logo, uma capelinha consagrada ao padroeiro. Em 1867 o inglês Richard Burton a registrou para a história: “capelinha de São José, padroeiro da localidade”. Em 1877 a Vila de São José de Pedras dos Angicos foi elevada à categoria de cidade recebendo o nome de São Francisco, contudo a mística de São José permaneceu com dois santos para proteger a dadivosa terra: São José e São Francisco. Avançando no tempo a pequena igreja, em estado precário, foi demolida erguendo-se outra, contudo consagrada a Santo Antônio, noutro local. Em 1900 os fiéis decidiram pela construção de nova igreja no mesmo local da antiga capelinha. Os anos foram passando sem concluir a obra. Em 1935 ela foi retomada estando à frente da paróquia o padre José Ribeiro. Foi criada uma comissão presidida pelo prefeito Oscar Caetano Gomes, Sancho Ribas o coordenador da obra e o construtor Garibaldi responsável pela construção da majestosa torre. Fiéis trabalhavam aos domingos, depois da Santa Missa, transportando material para a obra em mutirão. Em 1972, com o padre Vicente realizou-se ampla reforma na Igreja com a retirada das naves laterais criando-se um espaço único e amplo. Com outras alterações internas foi demolido o altar em madeira trabalhada (não havia, à época, o Conselho de Patrimônio Cultural). Padre Genivaldo, à frente da paróquia (de 2009 a 2015) fez a segunda reforma motivando os fiéis para a execução da empreitada: troca de piso, forro, aquisição de novos bancos e instalação de moderno serviço de som.

160 anos decorridos e a devoção ao santo que, ao lado de Maria, cuidou e protegeu Jesus Cristo até o início de sua missão messiânica, mantem-se viva e ardente, e isto comprovou-se com os festejos realizados pela paróquia em sua homenagem neste ano: 9 dias de orações e um encerramento santo e muito festivo.

IMPERMANÊNCIA - I




  Não precisava ser como as águas do São Francisco na sua impermanência. Ora, o que passou, passou; outras águas serão outras, certamente. O fato leva a uma reflexão sobre o mote criado pelo historiador João Botelho Neto: “São Francisco, cidade do já teve”. Pode parecer pejorativo, pessimismo declarado, que contraria a possibilidade de renovação com a chegada de outras águas, que não trazem o passado de volta, mas pode servir de incentivo à renovação ou revivência do que foi bom e produtivo. Figura, apenas como ilustração – e teses para debates e reflexões – um fato real: São Francisco ao longo de sete décadas teve um considerável esvaziamento nas áreas social, cultural, produção e política. O que se perdeu nesse período histórico é de se lamentar considerando o que o compôs na história e participação social do são-franciscano – um enorme vazio.

O Portal propõe a análise, desdobrada em vários capítulos, dos seguintes fatos, ou seja, de perdas consubstanciais.

Um: Associação dos Amigos de São Francisco – uma entidade criada por um grupo de jovens da cidade com sede onde hoje funciona a Câmara Municipal. AASF tinha finalidades recreativa (bar, bailes e cinema), cultural (biblioteca, teatro, jornal (SF-O Jornal de São Francisco), shows artísticos (apresentações de orquestras, bandas, grupos, cantores solo e, em especial, uma inovação como o Theremin, um dos primeiros instrumentos musicais eletrônicos, inventado em 1920, tocado sem contato físico. 

Na década 1970 a AASF encerrou sua atividade

Dois: Cine Canoas que durante anos foi o ponto de encontro da sociedade são-franciscana e a alegria da criançada com os matinês e shows de calouros nas manhãs domingueiras, proporcionados pelo empresário Helvécio Mendes.                  

            Marcou época, mas sucumbiu à chegada da televisão em São Francisco, ainda que precária.

REFLEXÃO

 


Quando a gente pensa que a coisa está ruim, pode esperar que pode ficar pior – é a sensação que experimenta o brasileiro de bom senso diante dos ruidosos escândalos do INSS e Banco Master. Some-se ao fato a perspectiva desanimadora diante de uma relevante massa de pessoas que tem se abdicado do trabalho contentando-se com um benefício social.  Mais assustador é saber da história da criação e formação de um estado novo (o que ocorreu com Israel) com uma prioridade: “o trabalho era considerado detentor da vida moral e rico em qualidade terapêutica, tanto para o indivíduo quanto para a sociedade” O trabalho, como é importante e, sem estender muito, fique com o que descreve a Bíblia em Gênesis quanto aos irmãos Abel e Caim afeitos às atividades do campo. É sagrado. Ora, por outro lado, tem-se que a grandeza do Estado e a melhoria de vida de um povo não virá através de pessoas das altas esferas políticas, mas sim de grupos de trabalhadores. Não é preciso ir longe, basta perguntar de onde vem a riqueza do país e verá, sem dúvida, que é do trabalho. Assim, a política do assistencialismo, ainda que tenha seu lado benéfico e necessário, por extensão apenas com viés político é deletéria e um grande mal para o país. 

Fique-se em São Francisco. Lá se vão os tempos em que a fartura vinha do campo provendo mercado, vendas e lares, levando-se a vivenciar os versos de Saul Martins na Canção do Lavrador: “Multiplicai os campos verdejantes, de raça fortes sois representantes”. O campo ainda se oferece à messe, há oportunidade de trabalho, serviços, mas lavradores tornou-se uma raridade. E não é apenas no campo, também ocorre na zona urbana onde o trabalhador recolhe-se sob o guarda-chuva do benefício social, grande maioria sem dele necessitar, contenta-se com ele assistindo a vida passar sem nenhuma perspectiva, deixando de contribuir com o desenvolvimento de sua comunidade e do país.

sábado, 14 de março de 2026

PROMOTOR PAULO CÉSAR EM SÃO FRANCISCO


  O MP Itinerante trouxe à nossa comunidade uma pessoa em especial, que à frente do Ministério Público da Comarca no início década de 2000 teve um papel de destaque na implantação de programas ambientais no município ao motivar e a apoiar um grupo em ambientalista em um audacioso projeto com vistas à recuperação do Rio São Francisco: promotor de justiça Paulo César Lima. Foi muito interessante este reencontro com o pessoal do Codema possibilitando trazer à memória os primeiros passos de nossa comunidade na implantação de um importante projeto ambiental: o Plano João Botelho Neto que nasceu no corredor do prédio da Promotoria e, depois, com o crescimento do grupo de participantes, passou a se reunir debaixo da frondosa mangueira do Fórum. Então, priorizou-se como primeira meta as ações na da sub-bacia do Pajeú como  projeto piloto com vistas à revitalização Rio São Francisco abrangendo uma área de três mil hectares, uma bacia com 88 famílias nas comunidades de Pajeú, Gameleira, Agreste e Curral Velho. Parecia um sonho, que lembra a fábula do colibri querendo apagar um incêndio na floresta. Nada disto, o importante foi a determinação, o ideal. Com apoio do dr. Paulo César e o inestimável apoio de Hugo Wernek, respeitado ambientalista, que amava São Francisco, o Projeto Plantando Água deslanchou-se, cresceu muito, levou grandes benefícios à comunidade através de ações diretas no meio ambiente com uma patrulha mecanizada, adquirida graças ao apoio do dr. Paulo, de ações no campo da mobilização da população e ações educacionais com a realização de Seminários.

A ocasião levou o pessoal do PJBN a lembrar o pequeno príncipe de Antoine de Saint-Exupéry, “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas” estreitando os laços afetivos posto que são duradouros, destacando a responsabilidade de cultivar relacionamentos com amor. Desta forma a visita do dr. Paulo César foi recebida com especial carinho pelo pessoal do Codema e outros segmentos da comunidade são-franciscana.

CASARÃO DOS CASSI

 

O casarão da família Cassi volta a ocupar uma atenção especial: a sua restauração com fim de patrimônio histórico cultural. Uma ação que alcançou grande repercussão meio aos agentes que estão envoltos em projetos de inventário e tombamento de prédios enquadrados como bens históricos. No caso, tem-se a importância histórica daquela casa que, nos arquivos da Ong Preservar consta: “Não existem dados completos sobre a construção dessa casa, das mais antigas de São Francisco”. A história registra que o padre Modesto, que veio para São Francisco em 1900, aqui fixou residência definitivamente criando grande círculo de amizade.  Tornou-se fazendeiro, proprietário da fazenda Lontra. Segundo registros, ele fez a permuta dessa fazenda com a casa construída por João Francisco Horbilon, pai de Elísio Horbilon. Mais tarde a casa foi passada à família de Cassiano Vieira, localizada na rua João Maynart, esquina com rua José Botelho.

Uma proposta foi levada à Ong Preservar no sentido de restaurá-la e transformá-la em um espaço cultural preservando o nome da família Cassi. A proposta foi recebida com entusiasmo pelos membros da Ong que se propuseram a dar curso a tratativas a respeito através dos canais competentes. Destacou-se, na ocasião, a contribuição da família Cassi cedendo o histórico patrimônio ao município com um fim específico, acolhido pela Ong que, na oportunidade, acenou com o projeto da criação da Casa do Artista. 

sábado, 7 de março de 2026

REFLEXÃO


No plano de discussões políticas no Brasil há sempre uma defesa de princípios baseando-se na verdade. Abre-se um leque às interpretações raramente chegando-se a um conceito comum. Colocar-se-ia termo à questão de restringe-se à verdade absoluta que é invariavelmente verdadeira em qualquer tempo, lugar ou circunstância, contrária da verdade relativa, que depende de perspectivas ou contextos culturais. A verdade absoluta é considerada um fato imutável e independente da opinião humana. Por outro lado, stricto sensu, a verdade é a correspondência entre um pensamento, discurso ou crença e a realidade dos fatos. Pode ser interpretada como objetiva (fato concreto) ou subjetiva (percepção individual). 

Este sucinto preâmbulo leva-se a pensar fatos históricos diante da situação vivida no Brasil onde graça, exasperadamente, o antagonismo de ideias e posições o que não permite jorrar luzes sobre os fatos quando se impõe uma verdade. No caso, tome-se exemplos históricos que  podem ser recordados e, para não se estender muito no assunto, tome-se a Revolução Francesa, um marco importante na história da humanidade, a abertura para a implantação da democracia. No combate à monarquia surgiram duas facções jacobinos e girondinos destacando-se as figuras de Robespierre e Danton. Robespierre era tido como o “incorruptível Radical”, figura central do Comitê da Salvação Pública. Ele defendia o uso do terror como justiça severa e inflexível para proteger a República destacando-se  execuções dos inimigos na guilhotina. Apesar de seus ideais democráticos, liderou o Período do Terror, usando a violência e a repressão para sufocar os inimigos da República, o que o torna uma figura complexa e controversa até nos tempos modernos. Danton era mais moderado, conquanto defendesse a Revolução e o seu posicionamento condenando o radicalismo do jacobinos o levou a ser condenado à guilhotina a mando de Robespierre mais conhecido por seu papel como membro do Comitê de Segurança Pública e por ter assinado, pessoalmente, 542 prisões durante o período do Terror valendo-se do seu poder: ele sentava-se nos bancos mais altos da Assembleia. Acabou lembrado tanto por seus ideais de igualdade quando por sua participação na violência revolucionária. E qual foi o seu fim: condenado à morte pela guilhotina tanto quanto aqueles que ele condenou na sua atuação radical no "Reinado do Terror".  "A história é a mãe da vida"  magistra vitae. 

A MULHER

  Por quê o Dia Internacional da mulher? Ora, qual o dia que não é o da mulher? Fisiologicamente ela é a personalidade da vida e, para tal, o bastante é procurar a história da criação narrada na Bíblia Sagrada: “Criou  Deus, pois o homem à sua imagem. À imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. No momento primeiro chegou a mulher, a companheira do homem e, com ele, e por ela, a grande descendência da humanidade. Por aí tudo se resume, porém no caminhar da humanidade ela surge pontificando-se como referência em todos os campos em atos de heroísmo, solidariedade, humanidade, uma grandeza sem par.

Maria, um nome que diz tanto, a estrela magnificat, a figura exponencial da mulher. Na esteira de sua passagem pelo mundo, ao seu tempo e limites, a mulher  tem  destaque no panteão da história – e são muitas. Despontam, ainda, as mais humildes que arrostam sacrifícios para o bem e a felicidade da família, pois, sem ela não há família. Basta lembrar que a Bíblia sempre atribuiu às mulheres uma posição de honra e sabedoria.

Mulher esposa, mulher amiga, mulher namorada: a VIDA!

A referência ao Dia Internacional da Mulher serve, apenas, para confirmar uma verdade insofismável: sem ela não existiria a humanidade e mundo não teria nenhum encanto, nenhuma beleza, nenhuma candura...

O Portal presta singelas, mas calorosas, homenagens às mulheres!