sábado, 11 de abril de 2026

IMPERMANÊNCIA - IV

 


Não precisava ser como as águas do São Francisco na sua impermanência. Ora, o que passou, passou; outras águas serão outras, certamente. O fato leva a uma reflexão sobre o mote criado pelo historiador João Botelho Neto: “São Francisco, cidade do já teve”. Então, segue-se ao terceiro capítulo, outra jornada.


FONTE  LUMINOSA


São Francisco passou por uma fase de destruição de patrimônio cultural e religioso com explicações pouco plausíveis e, muitas vezes por idiossincrasia. Ponha-se, no caso, o Coreto, o sobradão da Renascença, casarão-sede da Escola Caio Martins, entre outros. Assim foi o destino da Fonte Luminosa, um presente do governo de Aristomil Mendonça na década de 1960, que era uma atração para a população da cidade e visitantes. Essa fonte, localizada na Praça Heráclito Cunha Ortiga (Peixe-vivo) era uma alegria para as crianças que acorriam ao local, ao cair da noite para assistir a um belo bailado de água colorida. Com a construção do aterro, uma obra contestada, sem necessidade, a fonte foi demolida. E mais causou o aterro: a separação da cidade do rio.


GRUTA DE NOSSA SENHORA


No mesmo governo, ou seja, de Aristomil Mendonça, por iniciativa da primeira dama Gercina Botelho de Mendonça, foi construída uma gruta encravada no cais, o portentoso penedo que distingue a cidade de São Francisco nela entronizando uma imagem de Nossa Senhora. Tornou-se um local de contemplação e oração ao cair da tarde. Fiéis e não fiéis visitavam o local geralmente ao pôr do sol, agraciados com o encanto que Deus nos contempla a cada tarde com atos de fé. A construção do aterro foi a explicação pela demolição da gruta. 

Nada  foi feito para compensar a demolição de dois sítios da maior importância para a cidade, um cultural e outro religioso.

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