Várias tardes eu vaguei,
Nas coroas que são filhas
Do vale das maravilhas,
Do saudoso Noraldino;
Indizível alegria
Se apoderava de mim,
Ao mirar o céu sem fim
De fulgor esmeraldino.
Nunca mais esquecerei
O belo efeito de luz,
Que de tarde o sol produz,
Ao despedir-se do dia,
Contrastando com a sombra
Da noite triste caindo
E, meigamente sorrindo,
O astro-rei se despedia.
Era uma vista soberba,
Era um cenário radioso,
Quando o astro formoso
No ocaso se escondia,
Fantasiando novos quadros
Das cores mais brilhantes,
Joias finas e elegantes
De encantadora poesia.
Se um dia quiseres ver
Esplendorosas pinturas
E o canto das saracuras,
Que é o hino do arrebol,
Vinde cá na minha terra,
No meu torrão belo e arisco,
Vinde ver em São Francisco
Como é lindo o pôr do sol!
Revolvendo velho arquivo encontrei esta beleza de poesia com uma dedicatória: “Ao fulgurante talento do Professor João Naves. Januária, 21 de setembro de 1961. Joviniano dos Santos”. Como ele foi generoso comigo, um jovem professor
Eu tinha um ano e meio de vivência em São Francisco, transferido da Escola Caio Martins do Núcleo Vale do Urucuia para dirigir o Centro de Treinamento para Jovens Líderes Rurais da Escola Caio Martins substituindo o Coronel Oscar Caetano, que se afastara depois de prestar inestimável contribuição à obra, que inaugurou. À época eu já era cronista do saudoso jornal SF-O Jornal de São Francisco o que ensejou, certamente, contado com o poeta Jovem da Mata.
Diante de tão inspirada poesia, que canta o maior e inigualável tesouro de São Francisco, antes que se perca no tempo, a publico no Veredas, rendendo homenagens ao amigo, para nós conhecido como da Jove da Mata, posto ser fazendeiro na Mata do Engenho, nas barrancas do São Francisco, município de Januária, cidade irmã de São Francisco. Enviada, ainda, cópias para o pessoal do Conselho Municipal da Cultura e Grupo Poetas de São Francisco.

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