sábado, 13 de dezembro de 2025

O SER-TÃO e os SERTÕES: REFLEXÕES

 


Wenderson Ramos Almeida, barranqueiro são-franciscano da gema nos presenteou com o belo livro O Sertão e os Sertões: Reflexões. Em suas páginas o leitor é levado à vivências no sertão e reflexões bebidas nas palavra de Jesus e de seus apóstolos, todas muito apropriadas para os tempos em que vivemos, levando-os à revelação do que somos e do que podemos ser no plano do Criador: “que é e no que podemos ser”. Ele nos leva a uma viagem ora tranquila no sabor de crônicas descritivas do nosso sertão; ora emparedados pela angústia diante de questões sociais que permeiam a nossa vida. Crônicas telúricas que guardam a pequena terra e as cores das flores do campo; a singeleza da vida fraterna nos lares simples que no entrelaçamento familiar se transformam em paraísos. Provoca saudade em que viveu no sertão a vida bucólica: “E a hortinha. Esta parecia uma criança convidando para brincar. Molhá-la com o prato velho de esmalte era como dar banho em criança” levando-nos à vida comum de anos idos quando em muitos quintais era comum o plantio em canteiros de cebolinha, salsa, coentro, couve e folhas medicinais, tudo verdinho e perfumado. Tempos... tempos. 

Numa passagem, para quem já cuidou de gramado em jardim de sua casa certamente vai aprofundar num passeio telúrico quando Wenderson traz à lembrança uma:  “... e a teimosa tiririca, que ali pousava de dona da casa”, metáfora realçando a soberania da pequena planta, difícil de extinguir.

Noutra passagem ele busca a relação de São Francisco com os angicos símbolo da nossa história primeira: “A São Francisco chorava os angicos que na sua infância tinha”. E cadê o famoso bosque de angicos soberanos no ponto de espia onde nasceu São Francisco?

Outra evocação que conduz ao sublime remete o leitor ao Natal, a uma figura do encantamento da graça que serve tanto de exemplo para a humanidade quando tantos só almejam o poder, a riqueza: “...Menino pobre no ter, mas rico no ser”.

A esperança, a fraternidade entre todos os seres humanos depende de um amor que seja universal, Utopia, mas uma verdade. Assim, Wenderson passeio pelo o espírito do Natal como a grande dádiva para todos os males da humanidade. 

A certa altura Wenderson mostra  preocupação com o mal, a violência e chama atenção, com um alerta valendo-se do eufemismo para uma realidade: “A cada formiga que se combate, descobre-se um formigueiro a ser combatido”. Tão atual no cenário brasileiro.

Um capítulo especial é dedicado à interpretação da canção Romaria de Renato Teixeira empregando, com propriedade a metonímia para adequar, cada verso a situações do nosso cotidiano. Um trecho ilustrativo ressaltando a fé, a confiança em Deus “Ele é sempre o porto seguro onde se aportar, é sempre uma luz (que ilumina a mina escura e funda”).

Ao descrever o São João, aquele São João bão, da roça, a crônica foi especial, precisa, telúrica, pictórica. A sensação que ele passa é que estamos no meio da festa (a tradicional, claro) e, depois no final triste por ter que ir querendo ficar.

Na crônica sobre o sertão, agradavelmente retratada, um resumo que diz tudo: “Ser-tão é a vida. Ser-tão”.

Resumo: um livro para ficar fora da estante, à mão, para se mergulhar na simplicidade, mas tão rica vida nossa: Ser-tão, sertão!

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