José dos Passos, membro do Conselho Municipal de Cultura do município de São Francisco fez uma interessante abordagem sobre a cultura são-franciscana em que destaca algumas manifestações que já se perdiam no tempo e que têm uma beleza muito especial. Assim ele escreveu:
Hoje gostaria de compartilhar um pouco sobre a rica cultura local, com ênfase nas manifestações tradicionais, especialmente aquelas ligadas aos grupos de batuques. Essas manifestações possuem diferentes nomes na nossa região: algumas chamadas de batuque, outras de Carneiro ou lambe-ro. Independente do nome, essas práticas representam a identidade cultural das nossas comunidades tradicionais, especialmente as quilombolas e ribeirinhas, que preservam suas histórias e saberes de geração em geração. Além dos batuques, nossa região possui diversas danças tradicionais que fazem parte da memória coletiva. Entre elas, destaco o Lundu, frequentemente utilizada durante as folias, dança com forte presença histórica, que nos chegou através das tradições populares. Dentro do Lundu, encontramos variações conhecidas como 4, 4 de 8 e 4 de 12, cada uma com seu ritmo, sua cadência e seu papel social, refletindo a diversidade de expressões culturais do município.
Outro aspecto importante são as cantigas de roda e a prática da ciranda, que ainda hoje se mantém viva na comunidade de Santa Helena, sob a liderança da mestra Dona Anitta. Essa prática é um elo entre as crianças e os mais velhos, promovendo a transmissão de valores, histórias e afetos através da música e da dança. Também temos a Curraleira, uma dança que envolve muitas pessoas e que, embora tenha suas origens mais fortes na região norte de Minas Gerais e no estado de Goiás, ainda se faz presente em comunidades como Pau D´Óleo, Rio Pardo, São Martim e Catarina. Nessas localidades, a Curraleira ainda faz parte das folias, mantendo viva uma tradição que conecta pessoas, espaços e histórias locais. Outro exemplo da diversidade cultural do município é a dança do Muzuá, pressentes, ainda, em algumas comunidades. Nessa prática, os participantes colocam uma trouxa de roupa na cabeça e dançam em roda, convidando outras pessoas a se juntarem. Essa dança é um reflexo da coletividade, da criatividade popular e da preservação de práticas que carregam significados profundos sobre identidade e memória cultural. Além dessas, temos também a dança do Mergulhão, que ainda faz parte da história cultural de algumas comunidades. Eu acompanhava muito essa dança na região do Lajedo, mas ela também é encontrada em outras comunidades da margem esquerda do Rio São Francisco. O Mergulhão representa mais uma manifestação viva das tradições locais, mantendo-se como parte essencial da nossa herança cultural.
O que vemos em nosso município é uma cultura viva, que se manifesta em cada canto das nossas comunidades. Cada dança, cada batuque, cada cantiga e cada folia carrega a história, a memória e os valores das pessoas que aqui vivem. Preservar essas tradições não é apenas manter danças e músicas, é fortalecer a identidade de nosso povo, reconhecer a importância das comunidades tradicionais e garantir que essas práticas continuem a ser transmitidas para as futuras gerações.

Nenhum comentário:
Postar um comentário