terça-feira, 10 de outubro de 2017

516 ANOS DO RIO SÃO FRANCISCO

A Ong Preservar promoveu um evento, na quarta-feira 4,  para comemorar o 516º aniversário do Rio São Francisco com uma variada programação.
Às 17h o público já se concentrava na Praça dos Pescadores, bairro do Quebra. Chegaram, ao mesmo tempo, os corredores para a disputa da mini maratona divididos em três categorias: masculino, feminino e veterano.
No palanque armado no começo da Orla, com Guilherme Pereira Barbosa, conduzindo a cerimônia, foi aberta a programação que constou do seguinte: palavra do presidente da ONG Preservar, Roberto Mendes; mensagens enviadas  pelo deputado Arlen Santiago, Loja Maçônica Acácia Sanfranciscana e Codema, todas abordando o tema: salvar o Rio São Francisco. Poema magistralmente declamado por Damaris; participação de José Luiz contando “causos”, entre eles a adaptação que fez sobre a saga de Antônio Dó. A parte musical esteve a cargo da dupla Guilherme e João Herbber apresentando canções regionais e ligadas ao rio São Francisco; e Kaká Espósito e seu teclado.
O vereador Professor Rubens colaborou com o evento – primeiro buscando contribuição de seus pares na Câmara Municipal para aquisição de camisetas para os atletas e, depois, coordenando a mini maratona e o passeio de bicicletas.
A mini maratona teve um percurso de 5 km, passando pela orla e centro da cidade. Foi muito bem organizada e os atletas demonstraram esportivo e muita alegria em participar o evento. O passeio ciclístico teve o mesmo roteiro e a mesma alegria.
A Polícia Militar colaborou  com o evento com um veículo batedor acompanhando os atletas. Também colaborou, puxando dos ciclistas, o Amauri com o Galo Móvel.
Participação especial: Prefeitura Municipal de Icaraí de Minas com a presença do coordenador de Meio Ambiente daquele município, Valdercir, que trouxe uma faixa alusiva ao evento e uma considerável quantidade de sementes arbóreas para  produção de mudas destinadas  ao replantio de nascentes e áreas degradadas.

MENSAGENS

Deputado Estadual Arlen Santiago
 Parabéns, Rio São Francisco!
É com grande satisfação que parabenizo um dos principais rios da América do Sul e do Brasil. O Rio São Francisco é um patrimônio cultural e natural do nosso país que necessita de cuidados especiais. A revitalização e a preservação desta riqueza brasileira precisa da conscientização de autoridades, empresários e sociedade em geral. O Velho Chico é protagonista no país e merece ser homenageado todos os dias!
Nesta data especial, meus sinceros cumprimentos a todos que possuem história com este rio!
 LOJA MAÇÔNICA ACÁCIA SANFRANCISCANA
A Loja Maçônica Acácia Sanfranciscana traz seus cumprimentos à ONG Preservar e a todos os participantes do evento em comemoração aos 516 anos de descobrimento do nosso rio São Francisco.
É, sem dúvida, uma iniciativa que demonstra o amor que os são-franciscanos têm por seu maior bem que é o rio São Francisco, a razão da nossa existência.
É também uma iniciativa que busca marcar nossa preocupação com o estado tão lamentável em que o rio se encontra, grande parte pela nefasta ação do homem. Assim, é uma oportunidade para que se dê um grito de alerta, chamando a atenção dos governantes e do povo em geral: ou cuidamos do nosso rio ou, em pouco tempo, poderemos estar amargando sérias consequências.
Lembramos que estudos locais mostram que a situação hídrica do município é crítica, assustadora. Centenas de veredas estão secas, mananciais importantes estão à morte e quase nada tem sido feito pelos governos federal e estadual para evitar um desastre maior.
Não estamos sendo pessimistas e nenhuma Cassandra. O que falamos é a realidade. Basta ver a situação da cidade de Montes Claros, com severo racionamento de água, para ter uma ideia do que pode nos acontecer no futuro se nada fizermos para salvar e proteger o nosso maior patrimônio, o rio São Francisco.
Hipotecamos total apoio a todas as iniciativas que venham em defesa do nosso rio.
Salve o Rio São Francisco.
CODEMA DE SÃO FRANCISCO
A visão que temos do nosso rio São Francisco é aterrorizadora. Fina lâmina d´água cobrem bancos de areia que vão crescendo e crescendo de forma a dominar quase todo seu leito.
Dizem alguns que tal estado é ciclo, mas não é. Basta estender os olhos ao cerrado e verá o desastre ambiental – a morte de veredas, córregos e o fim de importantes rios como Acari e Pardo. É um sinal nunca visto antes.
Nos primórdios não era assim. Viajando no tempo vamos encontrar o relato de pesquisadores que singraram suas águas no século XIX – o botânico Richard Burton e o engenheiro Teodoro Sampaio, descrevendo o mundo quase selvagem, maravilhoso e com uma fantástica quantidade e variedades de peixes, e uma nação pujante que nascia cheia de promessas.
Mais recentemente, no século vinte, encontramos os escritos de Geraldo Rocha que tão bem definiu o rio como “São Francisco – fator precípuo da existência do Brasil”. Sim, o rio da unidade nacional. Não fosse o São Francisco o Brasil não seria este gigantesco e quase continental país, poderia estar esfacelado como as províncias espanholas na América do Sul, que se transformaram em vários países.
Um alerta, contudo, já vem sendo dado, mostrando os problemas que o São Francisco poderia enfrentar pela falta de ações dos governantes. Isso no começo do século XX, como escreveu Vicente Licínio Cardoso, anotando, com tristeza, que o rio São Francisco era um rio sem história.
Carlos Lacerda, ainda jovem jornalista, fez uma excursão pelo vale do São Francisco, quando descreveu suas riquezas, mazelas e problemas, por sua vez, ferindo na mesma tecla – a ausência de políticas públicas – um rio e um povo esquecidos.
São registros importantes que, infelizmente, não sensibilizam os governantes, a não ser para se promoverem, como no caso da famigerada transposição. Ora, como pode levar água às distantes terras, ainda que necessário, se deixam o rio morrer dia a dia e condenam os ribeirinhos a uma vida de desespero – vendo o  minguar de suas águas, a todos os anos, serem tomadas pela cianobactéria. Vendo que os governantes não fizeram e nada fazem; quando o cerrado, pai das águas foi dizimado para produzir carvão alimentando usinas distantes, e, agora dar espaço para o plantio de eucalipto e pastagens. Veredas vão se extinguindo, uma a uma.
O problema do São Francisco é o grave problema do ribeirinho e do morador do cerrado – todos estão comprometidos e, se continuar o tal estado de devastação, em poucos anos estaremos diante de uma violenta catástrofe – desertificação do cerrado e esgotamento do São Francisco que já conta, atualmente, com pouca recarga de seus antigos tributários.
Se nada for feito para salvar o cerrado e sua gente, é factível de alguém diante da calha do rio, de um topo qualquer, venha dizer com saudade a um jovem: meu filho, esse imenso trilho de areia que suas vistas  hoje contemplam, outrora foi o majestoso rio, o mais importante do Brasil, o então falado rio da nacional.
Não há nisso exagero se lembrarmos que, tão recentemente, na década de 60, singravam em suas águas iluminados vapores, transportando viajantes e mercadorias; imensos  batelões e belas lanchas. E hoje, muito mal singram suas águas pequenos barcos ou rabetas.
Assim, como vemos nosso rio, sentimos uma profunda tristeza, cobrindo-nos de preocupação pensando nas gerações de um futuro próximo. O cenário é tétrico, desanimador, preocupante. Muito mais preocupante por três motivos: a seca que assola a região, onde se vê que são mínimas as ações que visam evitar o desastre. A Prefeitura Municipal, através da secretaria municipal de Meio Ambiente e Codema e de entidades não governamentais, como Grufinch e Preservar, têm feito sua parte, mas é muito pouco diante da gravidade do problema. Outro motivo: a ganância. A acelerada produção de carvão vegetal tendo como matéria prima o cerrado, provocou um formidável desequilíbrio ambiental na região, produzindo efeitos danosos na flora e fauna, tudo refletindo na produção de água. Empresários lucraram e, hoje, o povo do município paga a conta.
Outro motivo, muito grave, é o da desgovernança. O governo nada faz para salvar o rio. Pelo contrário, tudo faz para agravar a situação, agindo com liberalidade quanto ao desmatamento do cerrado e com a fragilidade de seus órgãos fiscalizadores.
É um conjunto perverso de motivos agindo contra o Rio São Francisco que, como ser descarnado, mostra seus ossos arrancando lágrimas de nossos olhos e causando profunda dor em nosso coração.

POEMA

O RIO SE VAI
A espuma borbulhante
Que brota do leito verde
É o sangue da água ferida
Sinal de morte do rio
O cheiro asqueroso da morte
Flui malévolo tomando a brisa
Que perfuma as ruas da cidade
Como a doçura da primavera da vida
E lá no ninho aconchegado
O homem do rio estremece
As entranhas se contraem repugnando
E o refluxo de fel enche-lhe a boca
Ardem os olhos querendo a lágrima
Da saudade do rio que já passou
São águas idas tão puras e frescas
Conto e reconto da vida barranqueira
Os viventes outros do secular caminho
Peregrinam exilados sem rumo
Deixam o ninho onde tinham a vida
Para desviverem na saudade que vem.
O grosso lodo avoluma e escorrega
Sem despertar alegrias, sonhos e fantasias
O rio passou antes e não voltou
Homens, o que fizeram com o sagrado rio?
João Naves de Melo – 15.12.2007

ATLETAS CAMPEÕES

FEMININO:
1° Lugar – Rosângela Xavier Vieira (Bairro Moradeiras – Januária)
2° Lugar  – Daiane Rodrigues de Souza (Bairro Quebra – São Francisco)
3° Lugar – Olga Reis de Miranda Meira (Bairro Boa Esperança – Januária)
MASCULINO:
1° Lugar – Alexsandro Oliveira de Souza (Fazenda Corredor – São Francisco)
2° Lugar – Juliano Gonçalves de Jesus – (Bairro Jussara – Januária)
3° Lugar – Vinícius Gonzaga Ferreira (Paraterra I – Pintópolis)
VETERANO:
1° Lugar – Lourenço Rodrigues Ferreira (Bairro Centro – São Francisco)
2° Lugar – Altamiro Ramos de Almeida (Bairro Luzia – São Francisco)
3° Lugar – Antônio Domingos (Bairro Santo Antônio – São Francisco)

APELO DA ONG PRESERVAR

Em sua fala, na abertura do evento comemorativo do aniversário do Rio São Francisco, presidente da ONG Preservar, Roberto Mendes, discorreu, primeiramente, sobre a situação do rio fazendo um alerta no sentido de que toda a população são-franciscana ficasse atenta com o que está acontecendo com o rio, que se mobilize, interesse e trabalhe em benefício de sua revitalização e proteção. Afirmou que não bastam as palavras, as preocupações, mas que fossem elas acompanhadas de atitudes.
O presidente fez um rápido histórico da Ong Preservar, como foi criada e quais eram seus objetivos – cultural, histórico e ambiental- com seu trabalho integralmente voltada para o crescimento de São Francisco e proteção de seus valores. Lamentou, contudo, que é imensa a messe, mas poucos os operários e, menos ainda, os recursos. Conclamou que mais pessoas aderissem ao trabalho da Ong que é para o bem do município.
Roberto enalteceu a participação dos atletas corredores e ciclistas, dizendo que sua atividade significava um busca sadia e preservação da saúde e um bem para a mente. Estavam todos de parabéns pelo que praticam e por sua participação de um evento que tem o um significado muito grande para toda a população ribeirinha.
Agradeceu, ainda o trabalho da equipe da Ong, universitários, artistas e públicos, acentuando que todos foram partes significativas no evento.


















CAIO MARTINS, RETRATO DE UM BRASIL DE HOJE

                                                                                                           X - Parte  

EX-ALUNOS, COMO SER CAIOMARTINIANOS – II






Guilherme Barbosa Pereira contribuiu com nossa página trazendo os nomes abaixo, ex-alunos da FUCAM (C.I. de Esmeraldas). E caprichou registrando com a fotografia de cada um.

PAINEL



Airton Silva Veloso
Analista Educacional – Inspetor Escolar
SRE Januária
São Francisco-MG






 Arnaldo Santos –
Carreira política em
 Itabirito-MG
Vereador







Marlete Rocha

Advogada  Belo Horizonte-MG
(Fucam São FRanciso/Esmeraldas)





Ênio Zeferino de Souza

Prof Colégio Marista Dom Silvério - 
Belo Horizonte-MG
Romeu Rodrigues
Presidente da Comissão 
Nacional 
de Assuntos Penitenciários da 
ABRACRIM na OAB-RJ, 
no I Encontro da Advocacia 
Criminal do Rio de Janeiro.
Advogado




Geovanne Sassá – Músico 
(Tambolelê)
e prof. de música na 
Faculdade Centro Universitário 
Metodista Izabela Hendrix 
(Belho Horizonte-MG)





Jair Montagner -

Prefeito de Chapada Gaúcha






Carlita Barral Empresária Decoração  de Festas Infantis São Paulo - SP



Carlita Barral
Empresária Decoração 
de Festas Infantis
São Paulo - SP







 José Jair Soares Viana

Professor Universitário - Dourados –GO



Rosali Oliveira do Nascimento (Rosinha)
S/A Agroindústria Eldorado – Uberlândia-MG





Cirilo Mendes
Micro Empresário – 
Piscicultura
São Francisco-MG





Marco Antônio Trindade 
de Barros 
(filho de sr Inácio de Barros)
Professor Betim-MG




 Sônia RodriguesFotógrafa 
– Montes Claros
Stela Aparecida Abreu Santos
Superintendente de Ensino – 
SRE Januária
Januária –MG



E mais nomes, do CI Esmeraldas,, unidade educacional de São Francisco e Núcleo Colonial Vale do Urucuia.
Eduardo Leal de Melo, técnico em agropecuária e advogado; Maria Vilma Leal de Melo, professora; Bernardino Mendes, ex-diretor da unidade Educacional da Escola Caio Martins de São Francisco; Silvana Barbosa Pereira, professora; Luciana Barbosa Pereira, enfermeira; Aécio. jornalista – Pirapora; Fernando Dourado, ex-diretor da unidade Educacional Caio Martins de São Francisco e Esmeraldas; Idelino Rodrigues, diretor do centro Integrado de Esmeraldas; Marcos Alberto Fernandes da Silva vereador – Luislândia.

Texto: João Naves de Melo

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

CAIO MARTINS, RETRATO DE UM BRASIL DE HOJE

                                                                                                          IX - Parte  

EX-ALUNOS, COMO SER CAIOMARTINIANOS
Deixando o CNR de Esmeraldas, vamos dar um salto para o futuro para encontrar frutos da obra. Certamente que não alcançarei todos eles, pois sequer sei onde muitos estão residindo. Menciono, apenas, alguns casos, para deixar registrado o quanto foi importante essa obra (atenção para o foi, o que será objeto de nossas conclusões ao final deste levantamento, para o nosso país. Guardo bem uma das frases cunhadas pelo mentor da obra, coronel Almeida quando frisava para seus alunos/jovens um de seus objetivos: “formar homens cônscios de seus deveres para com a sociedade e a pátria”. As Escolas Caio Martins, no desenvolver do seu programa sócio educacional pode não ter sido a melhor e maior de todas as escolas, mas o foi, certamente, ímpar no alcance de seus objetivos e benefício da sociedade.
Nem se fale dos alunos fundadores da unidade de Buritizeiro, dos bandeirantes fundadores dos Núcleos Coloniais Vale do Carinhanha e Urucuia, da equipe professores egressos do CNR (Cordenada pelo professor Julinho Aguiar) que foram dirigir o Curso Normal de Conselheiro Mata. Deles o trabalho é público e notório, registrado nos anais da Escola e até mesma na mídia. Falo de tantos egressos, muitos deles, que têm hoje posição de destaque na sociedade brasileira, em diversos setores: advogados, oficiais da Polícia Militar de Minas Gerais, do Exército, professores graduados. Vereadores, prefeitos, secretários municipais, empresários bem sucedidos, técnicos em agropecuária, engenheiros e educadores.
Desculpo-me em relação a muitos ex-alunos que não serão nominados, agora, mesmo porque de muitos não tenho mais informações, o que tanto queria, mesmo sabendo que diversos grupos se reúnem todos os anos: uns em Esmeraldas, no dia 1º de Maio, tradicional encontro que vai perto de 40 anos, em São Francisco (ex-alunos do C.T.J.R. Caio Martins), turma de 1982 (Anísio Ruas, José Naídes, Serginho,) que se encontra ora numa cidade, ora noutra. Turma de Antônio Ivo, da mesma forma. Dos registrados aqui, na maioria, são do Norte de Minas.
A confraternização, a cada encontro, tem uma só marca: uma grande família, a família de caiomartinianos, que guardam saudades de suas escolas, de seus professores, das oportunidades que tiveram e, sobretudo, pelo estreitamento das amizades.
A união dos caiomartinianos, seu comprometimento com ideal, me faz lembrar de uma simbólica figura ressaltada em uma entidade de respeito: a romã representa um emblema que simboliza a união, as sementes do fruto significam a solidariedade, a humildade e a prosperidade.
Bandeirantes do Urucuia: João Naves de melo, professor, advogado, jornalista, escritor, ex-diretor do Centro Educacional Caio Martins de São Francisco e ex-diretor do Centro Integrado de Educação Caio Martins de Esmeraldas; Jonas Batista – professor, advogado, administrador de empresa, ex-diretor executivo da Fucam; Raimundo Gonçalves de Melo, advogado, delegado de polícia em Montes Claros; Pedro Buchene, professor, ex-diretor do CI de Esmeraldas; Walter de Oliveira Santos, professor ex-diretor o Centro Integrado e EE. Santa Tereza de Esmeraldas; Idelino Rodrigues, professor e diretor do CI de Esmeraldas; Silvano Rodrigues Pereira, professor, ex-inspetor de ensino, ex-diretor do Centro Educacional Caio Martins e EE Dr. Tarcísio Generoso, de São Francisco; Vilma Beatriz Leal de Melo Queiroz, professora e diretora da EE Dr.Tarcísio Generoso (Caio Martins de São Francisco); Guilherme Rodrigues Pereira, professor, diretor da EE. Everardo Gonçalves Botelho, José Reinaldo Almeida, professor e diretor da EEDAM, Sérgio Antônio Gomes da Mata, agrônomo, professor e vice-diretor da EE Brasiliano Braz; Marileide Ribeiro Almeida, professora diretora da EE Mestra Hercília; Políticos: José Raimundo Ribeiro Gomes, Vicente Gonçalves de Almeida e Jair Montagner prefeitos municipais de Chapada Gaúcha; José Henrique Brandão prefeito de Bonfinópolis; Antônio Couto, professor e vereador de Uberlândia; Maria Mendes, Gerson Lima Ivo, diretor da escola Sebastiana Pereira, ex-secretária de Assistência Social e ex-vereadora de São Francisco; Anísio Ruas, professor e vereador de Vilhena, Rondônia; Charles Lázaro, vereador de Pintópolis, Ronaldo Lopes, vereador em São Carlos-SP. Empresários Lotário de Almeida e Silva Neto e Aderilson Almeida (São Francisco).


                                                                  Foto e Texto: João Naves de Melo  

Segue na próxima edição…


RIO SÃO FRANCISCO: 516 ANOS DE DESCOBRIMENTO

No dia 4 vindouro vamos comemorar mais um aniversário do nosso amado rio São Francisco, tão carinhosamente chamado de Velho Chico. Talvez, em tempos atuais, deve-se reforçar o adjetivo: Velho e cansado São Chico.
Sem delongas, trazemos ao portalVEREDAS para nossa reflexão, um grito de alerta feito pelo barranqueiro cantor e compositor Marku Ribas –  muito identificado com São Francisco, suas raízes – (lamentavelmente encantado no ano 2013), publicado no caderno Gabarito do  Estado de Minas, no dia 30 de agosto de 1991. Ao final da leitura, caro barranqueiro, vendo nosso rio hoje, tire suas conclusões.
VELHO CHICO, RIO QUE MORRE?
Batizado com no nome de Rio São Francisco, em 4 de outubro de 1501 por Américo Vespúcio, chora agora seus 490 anos de agressões. Como se  chamava antes? Caminho de Luz, Oca-Uiara-Açu? Imaginemos aquelas tantas vidas banhando desnudas sob estas correntezas, desde antes Casca D’antas até depois de Paulo Afonso!
Quantas luas terão refletido este cristalino espelho margeado por lambiscateiros ramos ora por bronzequarantes rochas, acariciado pela brisa sertânica que nos chega da vegetação ciliar, dos cerrados e veredas? Qualquer de suas brancas “crôas” pode ter sido aquela em que se deitou Iracema sob a luz de Tainá.
Alumbramento e magia encontraram aos primeiros olhos, navegando aventureiros ante tanta beleza, representando “bandeiras” de inocente esperteza mas dede já, forasteiros em busca do que levar. Lento e sinuoso desce o rio, curioso, subindo o mapa, é seu jeito de andar. Vem de longe embrionária, está idéia de progresso e em seu nome cometem todos os desmandos. Vou alinhavando e apontando alguns deles.
Prestimosos e românticos vapores navegavam entre Pirapora-MG e Juazeiro-BA, interligando as culturas deste povo brasileiro. Comercialmente davam prejuízo, os muitos dias ou horas encalhados com o rio seco. Veio Três Marias, linda barragem. Seria para manter o nível das águas em condições de navegabilidade mas se esqueceram das piracemas e dos municípios barranqueiros, que não receberam investimentos pela venda de sua energia. Nas enchentes os náufragos rezavam à sua Santa, mesmo não acreditando nela: “Valei-me Santa de Zumira”, e as lavouras e cidades ficavam alagadas.
Foram tantos os projetos políticos, que me lembro de um especial. Para se construir o cais dinamitaram a CACHOEIRA e, pela manhã, nos juntávamos em bandos para recolhermos os cardumes nos remansos. Já era a Joint Venture com as multinacionais. Reflorestar. Vamos reflorestar! Porque desflorestar? Acabaram com as veredas, com os pequenos cursos d’água, provocaram o assoreamento e ainda jogam entulhos e dejetos em seu leito. De morte? E tome fábricas. Agora mesmo há sangria em sua nascente, pelo garimpo exterminador. Os caboclos, com seus tambores e violas, vão resistindo e denunciando as cicatrizes para prevenirem as feridas.
Pobre São Francisco! A alegria em vozes de crianças junta-se aos pássaros, cedinho, para acordar seu sonho e reanimar os tantos que, conscientes, tentam lhe salvar. Um desses foi um poeta-errante, um cantador-violeiro, conterrâneo de meu avô. Geraldo Magela; raiz e fulô, que o apito do Benjamin Guimarães seja a voz deste vale por onde falaremos todos, quando aqui não estivermos mais. Lutemos agora para que sobreviva, pelo menos o rio, que morre???

VIAJANDO – SETE PORTOS

Em 2003 lancei o livro de poesias Viajando – Sete Portas tendo o rio São Francisco e sua cultura como tema. O livro foi comentado, na parte final, por meu amigo Domingos Diniz, barranqueiro da gema. Sobre ele escreveu um belo comentário, o meu filho Ricardo Leal de Melo, também barranqueiro da gema agosto 2017.
Reproduzo este comentário à guisa da comemoração do 516º aniversário do amado rio.
VIAJANDO,
Estive no último final de semana, sem sair do sofá…
De início, comovido pela “Ofertança”, deixei para trás a `Solidão´ que sinto, enquanto sertanejo n’alma e tão longe do sertão (não apenas fisicamente), para com olhos rasos d’água, secar aquele `Filete´ de saudades que me denunciavam a emoção.
A forte metáfora que representa “a despretensiosa gota”, mais uma vez me faz pensar no quanto frágeis somos nós nessa imensidão e no quanto podemos ser fortes, quando somos uma gota que soma a outras no rumo certo de formar a fonte, de onde viemos, viremos, ou simplesmente para onde vamos. Pena que nem todas as gotas dão caldo ao rio e se entregam por inteiro à fonte, algumas que ficam nas sombras dos remansos, outras que se lançam n’alguma pedra e se deixam secar.
Mas fui em frente, e naveguei o “Rio”, para no “Pescador” deparar o “Homem”. Não temo arriscar, autorizado pela sentença de que a poesia pertence ao leitor: ainda que pelo extinto animal de preservação da espécie, a dedicação do homem à sua prole é talvez o seu maior elo com a Criação (ou com a evolução), o que me conduz à conclusão de o pescador foi pescado, fincado nas barrancas do rio, para ali adotar “o porto de sua vida”: São Francisco.
Nos segundo, terceiro e quarto portos, deparei com temas recorrentes de minha infância, pois fui expectador, atoe e, principalmente, personagem (ainda que figurante) da vida folclórica de São Francisco, em plena efervescência na década de 60 (e início da de 70), antes do infeliz advento da deusa TV.
Mas foi no “Boi-de-Reis” que quedei tempo maior, para ler, reler, sentir… E quase me senti criança de novo, ao declamar, cantando. “Todo mundo me dizia…”. Foi então que percebi: ora, que tipo de poesia é esta que me coloca no palco dos acontecimentos? Li mais uma vez e reparei no estilo, quase jornalístico, nos detalhes narrativos do que de fato é o Boi-de-Reis. Quando já achava que tinha encontrado uma definição para a narrativa, tive que descarta-la, pois em regra o texto jornalístico é feito para informar e não para emocionar. Como estava informado e emocionado, concluo: o estilo mais uma fez é euclidiano, o que há de mais preciso no detalhamento das coisas do Sertão.
No quinto porto, as recorrentes lembranças das tralhas que sempre estiveram no caminhão de mudanças (que saudades da Cara de Barro Amarela!), que muitas vezes critiquei, tocam em mim o gosto despertado pela arte popular de minha terra, em especial as peças do Mestre Minervino que com orgulho coleciono (e até exponho, pois sei lá por quais estantes anda a minha Viola!).
No sexto porto, encontro identificação com todas as iguarias de minha terra, pois “Farinha” com “Rapadura” sempre comi (e sempre me lembrarão meu avô); por requeijão tenho paixão (derretido/a); seguioso sempre estive pelo buriti (desejo!), pelo umbu (maná do Sertão), pelo pequi (sabor do Norte); mas o incrível é que a cachaça só agora me desperta o gosto, como se tardiamente brotada as sementes que assisti os foliões jogarem ao Santo.
No último porto, os caminhos… Para mim, o homem que foi pescador, que fincou raízes, que ensinou e deu vida, aglutinando em torno de si tantas outras gotas ao descer o rio, por mais despretensioso que tenha sido enquanto gota, quando chegar ao mar terá deixado, em cada Porto, a marca indelével de sua existência.
Assim, depois de passar pelos SETE PORTOS, fui dormir. E voltei no tempo, sonhei comigo, meu mano Dudu, de cara suja de barro e voz rouca, dengosa, nos nossos folguedos de criança; com minha mãe, preocupada em nos velar em cada uma das várias casas do nosso Lar. Um detalhe: eu (menino) estava sorrindo…
Pai, Parabéns pela obra!
Do seu filho, Ricardo.
Jan, Rick, Guto e Biel também mandam congratulações e agradecem a dedicatória.

TRIBUTO AO RIO SÃO FRANCISCO






Meu Rio São Francisco,
Rio do santinho irmão das águas,
Do sol, da lua, das flores e dos humildes.
Santinho dos barranqueiros
Bem que me lembro de suas águas claras
Trazendo saudades da Zagaia
Lá dos píncaros da Canastra
E lembranças do cerrado
Das águas brotadas nas locas de buritis
Nas veredas belas como o Éden
Com jeito do dedo de Deus passado.
Lembro-me de suas águas claras e mansas
Correndo na sombra de matas fechadas
A lamber com doçura o capim braço-duro
Que forrava e segurava o barranco
E ficava a assuntar as galhas da ingazeira
Agitadas com suavidade cantando na manhã.
Levantado o irmão sol
Elas refletiam as flores vermelhas do pajeú.
Eu bem me lembro de suas águas claras
Apinhadas de ariscas piabinhas
Beliscadeiras dos pés das lavadeiras
Que nas pedras lisas batiam roupa e contavam causos.
E a espuma branca beijando as praias
Banhando os pés de melancia da coroa
De onde saía o doce fruto desejo do mestre Saul.
Meu rio São Francisco
Berço da Iara bela de olhos e cabelos verdes
Reino do surubim de cabelo guardião do palácio encantado
Rio que esconde nos esconsos profundos
O caboclo d´água, compadre dos pescadores.
Lembro-me do rio das águas fartas e profundas
Por onde deslizavam as barcaças
Levando fincada na proa o mistério
A garantia da boa viagem – a carranca.
Rio caminho dos belos vapores
Apitando saudades em cada porto.
Rio São Francisco caminho da nossa vida
Por ele nasceu nossa civilização.
Nele cresceu e vive nossa civilização
Rio São Francisco onde deita nossa alma
Assim como inspirado cantou o mestre Saul.
Lendas, mitos, histórias, vida vivida
O nosso São Francisco. A nossa vida
Hoje, querido rio,
O que fizeram com seu corpo?
O que fizeram com suas águas?
Você agoniza, a gente sente.
As águas claras, mansas e doces
Foram cobertas de espesso verde.
Não que seja feio o verde,
Mas não este verde que cobre seu leito:
Grosso como uma gosma
Fétido como carniça intolerável.
Nauseabundo cheiro da morte
Que inunda os lares barranqueiros.
Morte aos peixes! Decretaram.
E os peixes morreram aos milhares
Surubins erados de tamanho descomunal
Só vistos nas outrora em grandes pescarias.
Foram retirados de suas cavernas para morrer.
Dourados, sem brilho, boiando na água negra,
Curimatã e até mesmo o pacomã.
A morte corre em suas águas
Silenciosa e feia, onde tudo era vida e belo.
Noraldino Lima, Manoel Ambrósio, Elísio Horbilon
De onde estejam, olhando rio, acudam-nos.
Como cantar o Rio e o barranqueiro?
Qual história nos resta?
Saul Martins, Domingos Diniz, Ivo das Chagas,
Mestre Minervino, estamos emudecidos.
Não se canta o lundu nem dança o quatro
O Rio Abaixo desafinou.
A morte nos surpreende.
São Francisco, querido São Francisco
Rio do Santinho das águas.
O que podemos lhe dar no seu aniversário?
– Ironia, rio, falar em aniversário
Se o descobrindo o homem escreveu seu epitáfio.
O que podemos passar às futuras gerações?
E tem mais ironia, Rio. E que ironia:
E ainda assim, com tanto desprezo,
Querem levar a lama negra, o lodo verde
A fétida água que resta, para o Nordeste.
Aos pobres irmãos nordestinos esta herança.
Hoje, o barranqueiro não pode pôr a mão em suas águas.
Não pode, ao modo antigo, tomar água no cucuruco do chapéu
Ou na concha das mãos
Se o fizer, é advertido: pode adoecer ou morrer.
Diz o governo que sua água natural é imprópria para consumir
Até para os bichos, Rio. Até para eles.
Meu rio, imagina só:
O barranqueiro só pode tomar sua água se tratada.
Então você está mesmo doente e só dão o atestado.
Nós lamentamos e choramos.
Onde temos nossa alma
Vamos consumir o nosso corpo.
Vamos buscar longe Castro Alves para evocar de novo:
Deus, ó Deus, onde estais que não nos acode e salva
Nós morremos. Nosso rio morre
E os homens senhores de hoje vergateam nossa alma
Mudos se fazem. Nada veem.
Rio São Francisco, perdão
E uma lágrima rola, vinda da alma,
Você não merece tanto desprezo
Porque tanto nos dá – a vida.
                                                        João Naves de Melo – 04.10.2007

HISTÓRIA EM FORMA DE CRÔNICA

                                                                                                        JNM   

DUAS JOAQUINAS

Duas matriarcas fizeram história em Minas Gerais – nas regiões Oeste e Noroeste e, por coincidência, assinavam o mesmo nome: Joaquina.  A confusão é explicável: as duas foram figuras proeminentes, de forte personalidade, influentes e muito ricas: Joaquina do Urucuia e Joaquina de Pompéu.
JOAQUINA DO URUCUIA
A Joaquina mais pobre tinha no sertão urucuiano, no antigo território de São Romão, uma fazenda com mais de 12 mil alqueires de terra. Dominava as margens do rio Conceição, confrontando com a fazenda dos Palmas, na Boa Vista, até nas divisas com o Urucuia, ultrapassando o rio Conceição e beirando a Lagoa das Almas, nas proximidades de Porto de Manga, passando pelas serras do Constantino e Confins – era um sertão de perde de vista, como dizia Guimarães Rosa, “sem fronteiras”.
Nova Capela em construção.

Manoel Ambrósio, fechando o último capítulo de sua novela, vaticinou:  “Ah! Tudo passa neste mundo, como passou a fazenda Conceição” e, indo adiante escreveu  finalizando: “Além, ao fundo, memoroso ribeirão na mata virgem, e nessas ribas silenciosas – ela – somente ela, a triste ermida, abandonada, exalando um doloroso remorso. E um dia, bem talvez, nem sinal dela restará”Dona Joaquina do Urucuia teve uma vida muita agitada, cheia de confronto com a família, política de São Romão e tida como tirana no trato com seus peões e temida pelos boiadeiros que com ela comercializavam. Daí, a obra de Manoel Ambrósio, “A Ermida do Planalto”, que com pinceladas pouco lisonjeiras mostram uma matriarca. Joaquina, nos anos 800 foi senhora absoluta de um império sertanejo. Além do escrito de Manoel Ambrósio restaram as histórias, muitas cercadas de lendas que, sem registro escrito, deixaram dúvidas no ar. Afinal, quem foi Joaquina do Urucuia. A respeito das lendas, marcando os anos em que vivi exatamente no sítio onde ela levantara sua fazenda, passando por trilhas que certamente ela percorrera, até sentindo sua presença, nas ruínas de sua casa, nos esteios carcomidos que sobraram da capela de Nossa Senhora da Conceição, no corredor da pedra da emboscada escrevi o romance Joaquina, uma lenda urucuiana. Nada bibliográfico, apenas narrativa das histórias que ficaram, o que ainda hoje contam os moradores da região.
E não foi assim. O nome Conceição foi resgatado. Foi tirado de uns tempos de horror para marcar uma nova fase daquela fazenda. Contava o Cel Almeida que a missão de instalar um núcleo naquela fazenda fora-lhe passada pelo então governador Juscelino K. Aquelas fazenda – Conceição, São João e Rodeio – com mais de 12 mil alqueires de terras férteis, com muita água, pastagem natural e matas, despertava a cobiça de empresário e políticos. Levantavam-se as mãos para arrancar aquele valioso patrimônio do Estado para servir a interesses particulares. O governador preocupou-se com a situação e com o dilema em que se encontrava: se concedesse as fazendas para empresário decretaria o fim de sua carreira política. Se assim não o fizesse, não teria o apoio deles para a sua vida política. Deus o iluminou, pois procurando o Cel. Almeida, então presidente do Conselho Diretor das Escolas Caio Martins, ele destinaria aquelas terras a um projeto inusitado: a Colonização para atender aos agricultores e as crianças, implantando escolas e mais escolas numa região até então esquecida, completamente, no mapa de Minas. Ninguém poderia ir contra um projeto desta natureza.
Assim, em junho de 1957, doze professores/bandeirantes inauguram o que foi conhecido como Núcleo Colonial Vale do Urucuia, na fazenda Conceição, ao pé da Serra da Conceição, às margens do Ribeirão da Conceição e com as águas do Conceiçãozinho. Com os bandeirantes foi desembarcada uma bela imagem de Nossa Senhora da Conceição, que muito depressa ganhou uma pequena igreja, quase próxima da antiga ermida. Enfim, Conceição e de maneira muito especial: abençoando crianças da região que ganharam escolas. Iniciou-se um novo ciclo. Uma nova vida inaugurada.
De certa forma Joaquina foi alçada do esquecimento. Por causa dela e por ela, aquele sítio fora denominado – em tudo – Conceição, uma homenagem à Virgem Conceição sem dúvida, pois lá construíra, para ela, formosa capela.
A fazenda Conceição, a fazenda de Joaquina rejuvenescida ganhou nova vida, uma formosa Vila, Vila Conceição.