sábado, 27 de junho de 2026

DE OLHO NO FUTURO

 A leitura é uma porta aberta para um mundo de descobertas sem fim - Sandro Costa


Na E.M. São Judas Tadeu, em um programa literário, um garotinho foi chamado para compor a “mesa de honra”. Serenamente ele tomou o assento e participou da programação, inclusive tomando parte em alguns números. Distinção: era um assíduo leitor (leu vários livros neste ano) tendo recebido o primeiro lugar no “Projeto Estrela” realizado pelas professoras bibliotecárias Eva Eliane Cecília Barbosa Pinto e Elzita Lemos de Almeida. Conversamos um pouco e ele, com muita desenvoltura revelou-me que adorava a leitura. Levei a notícia ao meu filho Ricardo, em Belo Horizonte, que se entusiasmou com o envolvimento do menino com a leitura resolvendo presenteá-lo com um belo livro: O Pequeno Príncipe, que se diz para criança, mas que o adulto gosta de ler e tirar lições. Nesta semana fiz a entrega do livro para ele ganhando de volta um doce sorriso de contentamento.

O nome do pequeno aluno: Murilo Alves Dias, 12 anos, cursando o 7º ano, filho de Joelson Pereira Dias e Silvana Alves de Jesus, morador no Brejo dos Angicos, zona rural.

Direção da Escola Municipal São Judas Tadeu: Daniela Moreira Lima e Jucélia Ferreira de Souza.  

É muito importante esse trabalho da escola motivando os alunos para a leitura, pois com isso, proporciona-lhes um mundo de conhecimento ensejando-lhes a formação de salutar cidadania.






UM EXEMPLO DE CIDADANIA

 


Um pouco mais sobre o projeto de revitalização de nascentes e recuperação ambiental na comunidade de Gildete Cunha Rocha, de autoria de Eredi Gonçalves Ferreira Fernandes, membra dessa comunidade e proprietária de parte da área destinada à implantação do projeto apresentado em agosto de 2023.

Da proposta à realização o que se vê em 2026 é que não se trata apenas de uma ideia, de um propósito, mas de uma realização concreta. Em reunião do Codema, Eredi discorreu sobre o trabalho da comunidade na implantação do projeto e, o que é importante, com resultados: nascentes recuperadas e água represada onde antes tudo era árido. Segundo Eredi “a iniciativa surgiu diante da crescente degradação da nascente e da necessidade urgente de ações estruturadas de proteção ambiental, recuperação do solo e conscientização comunitária acerca da importância da preservação das águas. Além das ações de revitalização da nascente, o projeto contempla intervenções complementares voltadas à contenção de erosões, recuperação de áreas degradadas, implantação de cercamento protetivo, recomposição da mata ciliar e fortalecimento da educação ambiental comunitária”.

A presença dela à reunião do Codema foi além afirmando, na ocasião, que “a proposta busca integrar esforços entre comunidade, poder público, órgãos ambientais e instituições parceiras, promovendo uma atuação coletiva em defesa dos recursos naturais e da segurança hídrica das famílias rurais”.

Sem dúvida, trata-se de um importante projeto que deve inspirar todas as comunidades rurais e chamar a atenção do poder público no sentido de disseminar tão importante iniciativa que, outrora esteve na pauta da administração municipal.


ROMARIA DA FAMÍLIA FREIRE COSTA

 



Joaquim Meira, coordenador do Grupo de Poetas de São Francisco, enviou um relato sobre a “Romaria da Família Freire Costa” à Serra das Araras. O roteiro remete-nos a um acontecimento que mistura realidade a uma lenda: o achado de uma pequena imagem de Santo Antônio em uma loca da Serra das Araras, isso sem registro no tempo. No sopé da serra havia um pequeno povoado com moradores muito religiosos, como de comum no meio rural. A pequena imagem foi entregue aos cuidados de uma devota e, mais tarde, levada para a igreja da Vila de São José de Pedras dos Angicos (São Francisco) de onde, pouco depois, evadiu-se, voltando para a Serra. Daí, uma história (ou lenda) envolta em muitos mistérios teve início a peregrinação, as jornadas de romeiros ao pequeno povoado que tem, conforme registrado pelo viajante inglês George Gardner, em 1840 (em um pouso ele encontrou uma mulher que lhe disse que ia cumprir uma promessa a Santo Antônio, feita pouco antes quando estivera doente). Em princípio, as romarias tinham apenas o caráter religioso: cumprir promessas, celebrar batizados e casamentos. Com o tempo, além do ato de fé, o evento se transformou em uma festa popular e com forte apelo comercial. Contudo, o ato religioso persiste, com o pagamento de promessas. É o que conta o Meira.

“Na madrugada do domingo, sete de junho deste ano, um grupo formado pela família Freire Costa partiu, em romaria, rumo ao santuário de Santo Antônio na Vila de Serra das Araras cumprindo uma promessa de realizar a romaria durante treze anos em busca de um milagre.

  A família  Freire Costa, “dona da romaria” reside no bairro Sagrada Família. Neste ano contaram com o apoio de mais duas famílias compondo uma caravana de 21 pessoas.  A caravana chegou à vila de Serra das Araras no dia 11 regressando no dia 14, um dia após a festa do padroeiro, Santo Antônio”.

sábado, 20 de junho de 2026

BIBLIOTECA DR. GERALDO RIBAS - II

 


O acesso dos são-franciscanos aos livros limitava-se a acanhado acervo da biblioteca da AASF. Circulava na cidade o pequeno jornal semanal SF – O Jornal de São Francisco, editado pela Associação dos Amigos de São Francisco, que publicava uma página literária. Mais nada. Então, Aristomil voltou a sua atenção para o campo cultural: a criação da primeira biblioteca pública da cidade. Sem recursos para investir na aquisição de livros, ele teve a iniciativa de chamar a comunidade para participar do projeto e, assim, ele conseguiu que muitas pessoas comprassem coleções de livros doando-as à biblioteca.  A consagrada Editora José Olímpio apresentou mostruários de coleções aos doadores contratando, diretamente, a venda e, com isso, a entrega imediata das coleções à biblioteca que nascia e que foi entregue à administração da Fundação Municipal Alice Mendonça. Ela recebeu o nome de Artur Versiani, consagrado filósofo e educador de Minas Gerais.

Em 1977 a Fundação Municipal Alice Mendonça foi extinta. a administração da biblioteca passou  à Prefeitura Municipal.

No dia 26 de agosto de 2019, através da Lei Municipal nº 2.300 de 11 de abril de 2006 a biblioteca recebeu a denominação de Dr. Geraldo Ribas em homenagem ao consagrado escritor e político são-franciscano. Ela funciona de segunda à sexta-feira no horário de 7h às 18h oferecendo excelente acervo para pesquisas de estudantes e público em geral contando com um corpo de cinco funcionários e coordenação da bibliotecária Jussara do Nascimento Pereira Madureira.

De dois em dois meses a biblioteca estende o horário de funcionamento a horário noturno participando do projeto Noite Mineira de Museus e Bibliotecas, ocasião em que são feitas apresentações e atividades culturais prestigiando escritores e cantores da terra.

BIBLIOTECA DR. GERALDO RIBAS


São Francisco perde muito de sua história por falta de registros. Depois da fase dos jornais SF-O Jornal de São Francisco, Nosso Tempo, O Barranqueiro e Veredas, não se encontra nenhum registro escrito dos fatos que marcam o dia a dia do município. Perde-se na transitoriedade das postagens eletrônicas, que são vistas hoje e esquecidas amanhã. É o que acontece com a Biblioteca Dr. Geraldo Ribas cuja história é desconhecida levando o Portal Veredas registrá-la em dois capítulos. 


COMO FOI CRIADA A BIBLIOTECA MUNICIPAL


Década de 1960. São Francisco ainda era uma pacata cidade. Poucas ruas pavimentadas. Nenhum bairro, apenas a vila de Pescadores conhecida como Quebra e poucas casas além do hospital onde se encontrava o local da matança de gado, que recebeu o nome de Matadouro. Na saída para Montes Claros, a cidade limitava-se na caixa d´água do DNOCS (hoje COPASA). Na margem direita da avenida havia a manga de Gisélio Generoso, inclusive com um curral; do outro lado o cemitério e o campo de aviação com a residência do zelador, (tempos depois a Escola Municipal Dona Ditinha). Escolas haviam apenas o ginásio municipal (depois Escola Estadual Dona Alice Mendonça), Grupo Escolar Coelho Neto e Escola Caio Martins. A atividade esportiva se limitava a jogos e campeonatos de futebol no campo que se localizava ao lado do Ginásio Municipal, atualmente Centro Cultural, e quadra esportiva para prática de vôlei dos sócios da Associação dos Amigos de São Francisco cuja sede era onde hoje funciona a Câmara Municipal. O mercado municipal não fora ainda construído. As compras de peixes, abóboras e melancias eram feitas na beira do rio.

Nesse cenário, Aristomil Gonçalves de Mendonça assumiu o a administração  municipal, isso no ano de 1967. Seu governo teve como destaque a pavimentação da avenida Presidente Juscelino, criação de uma feira popular, construção da Vila Militar, criação do bairro Aparecida. À míngua de recursos, pois àquela época os municípios não contavam com repasses do Fundo de Participação do governo federal, Aristomil construiu o Mercado Municipal adotando o sistema de incorporação – a venda antecipada das lojas a terceiros que faziam o pagamento diretamente à Incorporadora que, por sua vez, assumiu a construção do Mercado.  Ao município ficou reservada a área central interna.  

COPA NA ORLA DO SÃO FRANCISCO

 


De bom gosto e com muita arte a ornamentação do paredão do cais do rio São Francisco na cidade tendo como motivo a Copa do Mundo. Um trabalho muito esmerado, com muita arte, executado pelos artistas plásticos Fábio Ramos, Uelton Souza, Júlio César e Dyony Oliver, iniciativa da Prefeitura Municipal através das secretarias municipais da Cultura e Infraestrutura. Ressalte-se, ainda, o apoio de muitos comerciantes do município.

O painel reverenciou a figura de craques que deixaram marcas as suas atuações em Copa do Mundo com a camisa brasileira, entre eles Pelé, Ronaldinho, Ronaldo Fenômeno e, dos craques atuais Neymar e Vinicius Jr., com uma qualidade de pintura excelente.

Foi muito interessante a iniciativa da Prefeitura apoiando os jovens artistas plásticos que demonstraram que São Francisco tem excelentes profissionais da arte da pintura. E mais: uma atração para aquele recanto que tem recebido grande público, frequentadores dos três bares e apreciadores do famoso pôr do sol são-franciscano.

Quanto ao futebol é temerária a participação da seleção brasileira, distante dos escretes que tantas glórias trouxeram aos brasileiros conquistando por cinco vezes o título máximo do futebol mundial. Vinte e quatro anos decorridos sem que a camisa canarinho se revestisse de glória, algumas vezes com seleções pífias. O futebol de outros países evoluiu muito, até mesmo saindo do eixo europeu para ganhar a Ásia, a África e a América do Norte. Isso sem mencionar a fantástica evolução da seleção argentina. Infelizmente interesses econômicos e políticos, arrastam o futebol brasileiro a uma posição de desprestígio a nível mundial.

VALMIR DE OLIVEIRA, CIDADÃO SÃO-FRANCISCANO

 



Em reunião solene realizada na sexta-feira 19 a Câmara Municipal fez a entrega do título de cidadão honorário de São Francisco ao advogado Valmir José de Oliveira. A solenidade, presidida pelo vereador Ramiro Ferreira Lima, foi prestigiada pela família do homenageado, amigos e, especialmente, por membros da Loja Maçônica Acácia Sanfranciscana da qual ele é ativo membro e venerável por dois mandatos.

Em emocionado e profundo discurso Valmir agradeceu a comenda destacando que, de fato, sentia-se um são-franciscano, terra em que se realizou profissionalmente como advogado, constituiu sua família e tornou-se membro ativo da sociedade.

Falaram sobre o evento a desembargadora Karin Emmerich, João Naves de Melo e Franklin Vieira – orador e venerável da Loja Maçônica Acácia Sanfranciscna – ressaltando o importante papel do homenageado em prol da comunidade, que o tornava, de fato,  um são-franciscano o sendo agora por direito. Sem dúvida, pois ele chegou a São Francisco com apenas 9 anos acompanhando seus pais José de Oliveira e dona Maria, e seus irmãos Creuza, Milsa e Airton. Em São Francisco frequentou as escolas do fundamental ao médio (Coelho Neto e Instituto Cel. José Ortiga), ausentou-se uma temporada para bacharelar-se em direito na Universidade de Itaúna-MG e, feito advogado, passou a trabalhar na comarca de São Francisco constituindo respeitável escritório. Como advogado, ainda, exerceu outras atividades como chefe de gabinete do prefeito José Carlos, advogado da agência do Banco do Brasil de São Francisco, advogado do PROCON-SF, presidente de diversas entidades, membro da diretoria da subseção da OAB de São Francisco e rotariano.

Coincidência: Valmir recebeu o título de cidadão são-franciscano no dia de seu aniversário, sendo saudado por todos os presentes ao evento.

sábado, 13 de junho de 2026

SEGUNDA NOITE DA SERESTA

 



5 de junho: repetiu-se a noite de encantamento, muito arte e alegria o evento promovido pela Ong Preservar na Casa da Cultura: a II Noite da Seresta. Formidável público prestigiou o evento vibrando, em vários momentos, com os cantores.

Gesilda Paraizo, mestre de cerimônia que conduziu a apresentação da seresta com muita classe, fala sobre o evento ao Portal.  

  “A noite de 5 de junho foi marcada por um capítulo fundamental para a salvaguarda da história e da identidade são-franciscana. A Casa da Cultura abriu suas portas para a II Noite de Seresta, um evento dedicado ao resgate, à preservação e à celebração da música popular brasileira e das ricas tradições que moldam a nossa comunidade. Promovida pela ONG PRESERVAR, em parceria com a Prefeitura Municipal, Secretaria Municipal de Cultura e Fundação Caio Martins (FUCAM), a ação transformou o espaço histórico em um ponto de encontro entre passado e presente, mantendo viva a memória afetiva e o patrimônio imaterial do município”.

O palco destacou guardiões dessa memória, os artistas/cantores: Sergio Santiago, Higor Cardoso,  Sergio Alves, Wendell Brito, Cibele Brizola e Negrito Marques.

Destacou Gesilda: “Além da música, a Feira FUCAM enriqueceu o ambiente com artesanato local e gastronomia tradicional, preservando saberes passados de geração em geração. O Projeto Social Costura Criativa também esteve em foco com o sorteio de uma colcha de retalhos, unindo solidariedade e o resgate de técnicas manuais”.

E arrematou: “O sucesso da II Noite de Seresta consolida o compromisso de São Francisco com sua história. Os principais resultados incluem: preservação da tradição seresteira; valorização dos artistas e detentores do saber local; fortalecimento do Projeto Social Costura Criativa e integração entre música, memória, artesanato e gastronomia. Valorizar o patrimônio cultural é o caminho para construir o futuro de uma comunidade consciente de suas raízes”.

ROMARIA DE SANTO ANTÔNIO DE SERRA DAS ARARAS

 


No mês de junho São Francisco se transforma com as festas juninas, uma tradição que avança nos anos. Na primeira quinzena as atenções estão voltadas para a Vila de Serra das Araras, município de Chapada Gaúcha (desmembrado do município de São Francisco) onde se celebra, anualmente, a festa de Santo Antônio, que provoca um movimento extraordinário na travessia do rio São Francisco e deixa a cidade em estado de frenesi. A culminância da festa é hoje, dia do santo cuja imagem, segundo uma lenda, foi encontrada por caçadores de ninhos de araras na serra, que foi batizada com o mesmo nome. Indo além diz-se que a pequena imagem, que causou alvoroço no pequeno povoado plantado ao pé da serra, foi levada para a Vila de São José das Pedras dos Angicos onde foi entronizada em belo nicho. O santinho não gostou do agrado e fugiu na calada da noite, enfrentando a pé, uma longa jornada por trilhas arenosas. Nasceu, daí a famosa romaria.  E o registro dela vem de longe anotado pelo naturalista inglês George Gardner em 1840 no livro Viagem ao Interior do Brasil (39 anos antes da criação da cidade de São Francisco).

De simples romaria, em jornada enfrentada a pé, com carro de bois ou a cavalo, por trilhas que avançando pelos gerais, cortando encantadoras veredas, ponto de pouso de romeiros, chegou-se, atualmente, a um fantástico aglomerado de milhares de romeiros que transformam a pequena vila em um imenso formigueiro.

Tudo resumindo com tanta expressão, como manifestação religiosa ou simplesmente entretenimento; com o encanto das jornadas com visão de paisagens paradisíacas (veredas), é se perguntar por que São Francisco, sem qualquer esforço, perdeu tão preciso patrimônio religioso, histórico e cultural?

sábado, 6 de junho de 2026

FESTIVAL II – AS CRIANÇAS

 


Prosseguindo nas observações do Nino vamos encontrar o papel de destaque das crianças no evento e observações pertinentes quanto a organização.

“Foi marcante a expressiva participação de crianças e adolescentes nos grupos. A presença das novas gerações nas quadrilhas demonstra que a cultura popular continua viva e em processo de renovação. Em tempos nos quais muitas tradições enfrentam dificuldades para manter sua continuidade, observar jovens envolvidos de forma ativa nas manifestações culturais é um indicativo positivo para a preservação do patrimônio cultural imaterial do município. Esse cenário reforça a importância de que o poder público amplie os investimentos em infraestrutura, formação e fomento, garantindo condições adequadas para que esses grupos possam continuar desenvolvendo seu trabalho.”

A observação do Nino é muito pertinente e comunga com a preocupação que tem sido expressada na Ong Preservar, Conselho Municipal de Cultura e Codema, indicando a necessidade e importância de inserir no trabalho escolar do município abordagens a respeito do meio ambiente, da história e da cultura são-franciscana. Tudo no sentido de que não se perca, de vez, o elo com a história, a cultura e a tradição do povo são-franciscano. 

Em futura postagem serão abordadas outras observações e sugestões apresentadas pelo Nino no embalo do Festival.

O VI Festival de quadrilhas foi um sucesso

 




O VI Festival de Quadrilhas realizado pela Secretária Municipal de Cultura de São Francisco foi um sucesso em todos os aspectos: rara beleza plástica, evolução, histórico, encenação e, sobretudo, reflexo de participação popular, sobretudo crianças. 

Nino, Arquiteto, Urbanista e Fotógrafo que atualmente preside o Conselho Municipal de Patrimônio Cultural de São Francisco, que assistiu ao festival fez, para o Portal, um comentário que merece uma atenção especial do público e, principalmente das autoridades municipais.

Nino relata: “A experiência permitiu não apenas apreciar as apresentações, mas também observar aspectos relevantes relacionados à dinâmica cultural do município e ao fortalecimento das manifestações populares. Como fotógrafo, aproveitei a oportunidade para realizar registros dos grupos culturais participantes, especialmente dos coletivos de São Francisco. Essa é uma prática que procuro desenvolver sempre que possível, pois muitos grupos possuem poucos registros sistematizados de sua trajetória. A produção e posterior disponibilização dessas imagens contribuem para a construção de seus acervos documentais, fortalecendo a memória cultural local e oferecendo subsídios para comprovação de suas atividades em processos de fomento e reconhecimento cultural”.

“O festival foi dividido em duas categorias: municipal e profissional. A categoria municipal reuniu quatro grupos de quadrilha do município, enquanto a categoria profissional contou com a participação de grupos oriundos de Brasília de Minas, Salinas e São Romão. Os grupos da categoria profissional já haviam participado de edições anteriores do festival e retornaram este ano para disputar a competição em um nível mais elevado de exigência técnica e artística. Um dos aspectos que mais me chamou atenção foi o fato de os quatro grupos representantes de São Francisco serem oriundos do Bairro Sagrada Família, sendo um deles originalmente dedicado à manifestação cultural do Boi de Reis e que, este ano, estreou sua atuação com um grupo de quadrilha. Essa concentração e diversificação de atuação cultural dos grupos evidencia a força da mobilização comunitária naquele território e demonstra a existência de um ambiente favorável à manutenção e ao desenvolvimento das tradições culturais populares. Trata-se de uma informação relevante para o planejamento das políticas culturais do município, uma vez que revela a capacidade de organização e engajamento cultural existente nessa comunidade”.

AINDA HÁ ESPERANÇA

 

Na reunião do Codema realizada no dia 2 p. passado foi apresentado um projeto de revitalização de nascentes e recuperação ambiental da mais elevada importância. Ele foi elaborado por  Eredi Gonçalves Ferreira Fernandes, membra da Associação Comunitária da Comunidade Gildete Cunha Rocha e proprietária de parte da área destinada à implantação do projeto, na região da Barriguda. Os membros do Conselho receberam com entusiasmo o projeto, que revela uma grande preocupação de uma comunidade em defesa do meio ambiente com uma ação relevante de proteger e preservar um recurso hídrico tão precioso para aquela comunidade.  O projeto apresentado remete os são-franciscanos aos anos que havia uma preocupação muito expressiva no sentido de revitalizar a bacia do rio São Francisco, o que teve início com a recuperação da bacia do Pajeú com o projeto Plantando Água do PJBN e, depois, Codema. O quanto se fez no município com proteção de nascentes, construções de barraginhas, terraços e tanques recuperando mananciais e dando sustentação a poços tubulares. Quantas as ações foram além protegendo cerrado e veredas com a participação ativa do Ministério Público. Lá se foi o tempo.

Agora, a comunidade Gildete Cunha, por iniciativa e com recursos próprios demonstra que é possível recuperar e manter mananciais que, por extensão, além de servir às comunidades, leva água ao São Francisco. Que seja pouca, mas é importante dizer que se houvesse um trabalho desta natureza em todo o município certamente a contribuição ao rio seria muito maior.

O Portal Veredas traz, nesta página, uma ilustração de parte desse trabalho fantástico. Em páginas futuras serão prestadas mais informações e da verdadeira dimensão desse trabalho.