sábado, 25 de julho de 2026

UMA JUSTA HOMENAGEM


      Uma justa homenagem foi prestada pela Câmara Municipal de São Francisco a Raulino Lopes Neves dando o seu nome a uma rua da cidade – na antiga rua Euclides de Mendonça onde ele residia com a família. Raulino nasceu em Sítio do Mato – Ba. Desembarcado em São Francisco do vapor Benjamim Guimarães trazido por Maximino Magalhães (Massu), agente da Capitania dos Portos  da cidade, com quem trabalhou, no comércio, por alguns anos, mas logo se estabeleceu por conta próprio com comércio na rua que hoje tem seu nome. Em pouco tempo Raulino se integrou à sociedade são-franciscana. Era filiado à UDN, da qual foi tesoureiro e vereador. Na vida social frequentava, como todos os rapazes e casais da época, a Associação dos Amigos de São Francisco da qual era sócio; foi, também, sócio-proprietário do cinema construído na década de 60 – o Cine Canoas.

No início dos anos 50 Raulino conheceu Lídia Mendes, numa festa no Campo de Sementes, hoje Caio Martins – que eram famosas. Em 20 de setembro de 1952, Lídia se tornou-se senhora Lídia Mendes Neves e desta abençoada união nasceram os filhos Ana Maria, Maria de Fátima, Arcênio, Maria da Conceição (Tuca), Raulino Jr., Maria do Socorro, Ney, Neison e Arlete – uma família com notável destaque em diversos campos da vida de São Francisco: cultura, comércio, educação, saúde e arte. 

Raulino transferiu o comércio para o tradicional ponto da Avenida Presidente Juscelino, na esquina com a avenida Dom Pedro de Alcântara, onde fazia contato permanente com os ruralistas da região Sul e os do outro lado do rio, por ser um ponto estrategicamente localizado, na saída da cidade – atualmente o Eskinão.

A cepa baiana mesclada com o tronco mineiro deu a São Francisco uma grande família e Raulino Neves um respeitado cidadão. 

MUITO AMOR NO LAR DOS IDOSOS

 



No dia 22 passado o Lar  dos Idosos São Francisco de Assis viveu momento de muita alegria e amor com programa junino organizado pela Associação de Homens e Mulheres da Terceira Idade tendo à frente Lindaura, Cezar Coyte e equipe que assiste os idosos no lar. Teve quadrilha, animado forró e quitanda com fartura.
Muitos dos idosos, por causa da idade e condições físicas, apenas assistiam o desenvolvimento do programa, mas demonstrando satisfação. Outros, mais dispostos, arriscaram alguns passos no forró.
Importante, acima de tudo, é a atenção, o carinho e desprendimento dos sócios da Associação de sempre estarem levando alegria e conforto aos idosos assistidos naquele Lar. Destacando-se, ainda, o carinho, o zelo e a relação familiar que têm os servidores do Lar com os idosos.
Certamente São Francisco abençoa a todos por esta ação de amor, o que ele pregou.



AO PÔR DO SOL

 




É de rara e de indizível beleza o pôr do sol em São Francisco,  emoldurado por um cenário como uma tela de um grande pintor: o rio São Francisco despontando no pontal a montante descendo até se dobrar suavemente no penedo de pedras calcárias esverdeadas, vigiado por dois velhos pajeús e descendo, em reta, até desaparecer no pontal a jusante, na ilha do Lajedo. Cenário que inspirou Guimarães Rosa a confessar: “Formosa cidade de São Francisco – que a que o Rio olha com melhor amor”; bem ali no rochedo, o Cruzeirinho e no fundo a bela igreja Matriz, símbolos de fé de um povo. 

O Sol vai tombando no Oriente aspergindo raios multicoloridos em fundo azul da abóboda celeste. Ávidos e emocionados aproximam-se do cais os espectadores de tão esfuziante espetáculo, presente de Deus. Olhos fixos no ocaso para não perder um momento sequer da descida do Sol que, aos poucos vai ganhando novo colorido, de dourado flamejante a suave alaranjado até se esconder além nos gerais banhando veredas. 

Agraciados pelo presente do Criador as pessoas vão se dispersando. Algumas voltam às suas casas; outras prosseguem na caminhada pela orla do rio, que saem  de um cenário de paz, de rara contentamento, para enfrentar um perigo iminente: carros e motos, muitos em alta velocidade, disputam com eles o espaço na pista. Adeus paz. Adeus tranquilidade. Interessante anotar que a Prefeitura fixou placas determinando o horário para o tráfego de veículos na orla: de 17 às 20h. Ficou na placa, sem fiscalização severa. Então ficou o dito pelo não dito. Desagradável foi ouvir o brado de uma jovem que, no meio de um grupo, caminhava pela orla quando por eles passou um veículo obrigando-os a se afastarem para as bordas – também perigoso, pois não existe corrimão no local. Dirigindo aos colegas, creio que visitantes, bradou: “Em São Francisco ninguém obedece a lei”. Por causa de uns generalizou-se. Isto será o repetido, lá fora, foi aquela impressão de momento.

A qual órgão municipal está afeto o problema? Urge enfrentá-lo a bem da população e de visitantes.

CAMINHOS PARA A OPACIDADE

 


Caminhava pela orla do rio com meu filho Ricardo quando fui abordou por uma jovem mulher chamando-me pelo nome trazendo nas mãos um livro. Apresentou-se como ex-aluna de minha filha Beatriz e da nora Janete. Seu nome: Gisleide Gonçalves de Almeida. O livro que carinhosamente me ofertou: “Caminhos para a Opacidade” que trazia, no prefácio a recomendação de Marcos Fontoura de Oliveira: “É preciso ler este livro”. Depois, cada um tomou seu rumo. Curiosidade literária acima de tudo levou-me a superficial olhada no livro pois não tinha ideia para onde iria me levar os “Caminhos para a Opacidade”, um tema tão novo e instigante para mim. Apresentou-me, de princípio, o filosofo martiniano Éduoard Glissant na abordagem de um tema que leva à proposição “eu posso me transformar ao me relacionar com o outro, sem com  isso perder ou diluir minha identidade”.  Na apresentação do livro Gisleide discorre sobre o direito à opacidade perguntando: “o que devemos fazer para que esse direito entre no nosso rol de direitos instituídos; o que fazer para que a indiferença e o egoísmo não se apoderem de nós”. Ela conclama “abrir veredas e construir caminhos para a opacidade qualquer que seja a sua crença ou sua religião, seja você ateu ou agnóstico, precisam todos conhecer em profundidade o que é direito à opacidade”

Gisleide é são-franciscana, filha de Joaquim Alves de Almeida e Dalícia Gonçalves Silva, do tronco Almeida (Gregório, fundador do povoado Mocambo), casada com Eduardo César Leonel da Mata.  É uma destacada psicanalista em atividade no Brasil, cm participação notável nos espaços acadêmico e cultural de Belo Horizonte. Tornou-se Mestre em Filosofia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia onde investigou o conceito de  opacidade em Édourd Glissant, autor com quem tem dialogado ao longo de vários anos.

Tive o prazer de recebê-la em meu lar acompanhada do esposo, pai e uma irmã quando foi-me possível conhecer um pouco do seu notável trabalho.


GISLEIDE POETA


Édouard Glissant além de filósofo, era poeta. Gisleide que o estudou, também tem a veia poética. É o que se vê no belo e inspirado poema Transbordamento em que encontramos a alquimia de um encontro com muita sensibilidade.



sábado, 18 de julho de 2026

JOVEM SÃO-FRANCISCANO NA BOLÍVIA

 



João Lucas Spina Lima, filho de Daniel Lima Ivo e Roxane Spina Lima (neto de Diovane Rene Costa) representa os jovens são-franciscanos no grupo de 58 jovens voluntários adventistas do Norte de Minas em Missão na Bolívia no orfanato L'Espérance, localizado em San Mateo Alto, Villa Tunari. Foram 60 horas de viagem para percorrerem quase 3 mil quilômetros. A Missão tem duração de 17 dias e tem como principais objetivos proporcionar acolhimento, cuidado e amor às crianças do Orfanato L'Espérance, por meio de apadrinhamento de cada voluntário. Afirma o pastor Ademir Firme, secretário-executivo da Missão Mineira Norte, “o projeto também busca contribuir para a melhoria da estrutura do orfanato, com pintura, reformas, recursos e mão de obra, além de desenvolver o espírito missionário dos participantes, despertando em seus corações a urgência da pregação do evangelho”. Em síntese: a formação de uma juventude sadia, como se vê na fala de uma das missionárias (Érica): “Ficar aqui durantes os próximos dias contribuirá para o meu crescimento espiritual, além de me permitir desenvolver meus dons e talentos para o Senhor. Ver o rostinho desses pequenos é sempre muito emocionante e marcante. Não tem como não chorar”.

Uma jovem de Pintópolis, Júnia Maísa, também faz parte da missão. 

MOSTRA DE DANÇAS: EVENTO DE RARA BELEZA

 


A quadra de esportes da EE Dr. Tarcísio Generoso na entrada da noite da quarta-feira 15 foi tomada por um público muito especial: pais, avós, tios, padrinhos e muitos amigos para assistir à performance de dançarinas do Espaço de Dança Letícia Assunção, na sua primeira Mostra de Danças em São Francisco. Por volta das 19 horas o palco foi iluminado, frenesi toma conta do público e, logo tem início ao encantador espetáculo com o frescor de dançarinas infantis e adolescentes. O público teve oportunidade de apreciar coreografias de balé de gala com trechos de peças que são exibidas nos maiores teatros do mundo. Uma pequena amostra que leva à uma viagem pelo mundo encantado do balé

No frescor da inocência de corpos ainda em formação o público pode acompanhar a graciosidade das crianças, com seriedade ímpar, compenetradas, apresentando trechos de peças como Lago do Cisne, Bailarinas, ou arranjos criativos de peças conhecidas: A pantera cor de rosa (uma graça encantadora da pequena dançarina);  a graciosidade da dupla da Lua e o Sol; Bailarinas; a evocação de Chapeuzinho Vermelho, Alice no País das Maravilhas, o Circo; o mimo das Borboletas, Bonecas; a evocação de Moana e jornada de Elza Frosen. O encerramento foi magnifico, uma performance muito especial, harmoniosa e de um grupo com a peça Piratas finalizando a bela Mostra.

Foi, sem dúvida, uma noite memorável em que se viu a revelação de tantos talentos e o ressalto do esmerado trabalho do Espaço de Dança, de Brasília de Minas, em atividade em São Francisco neste ano.

COMENTANDO

A 1ª Mostra da Dança do Espaço de Dança em São Francisco deve ser tomada como mais que o evento de arte, vai além, ainda que o balé possa parecer simplesmente uma arte de rico. Pelo contrário, ele  é fundamental para o desenvolvimento físico, cognitivo e emocional. Ele melhora a postura, a flexibilidade, a força muscular e a coordenação motora. Além disso, estimula a disciplina, a concentração, a memória e a expressão artística, promovendo o bem-estar e aliviando o estresse. Portanto um bem considerável na formação de uma juventude sadia livre de deformações sociais.

A apresentação da 1ª Mostra foi um sucesso, contudo poderia ser muito melhor quanto a relação de palco e público. No caso, o palco foi no mesmo nível da plateia o que dificultou muito a visão dos espectadores depois da segunda fila de cadeiras. Culpa dos promotores do evento? Não. Uma grave deficiência da cidade que não tem um espaço (arena) adequado para eventos artísticos: teatro, canto, poesias e tantos outros. Uma pequena arena com acústica não carece de grande investimento. Carece de iniciativa. Que tal o Cine Canoas: tem espaço para plateia e um palco apropriado. É só dar o retoque final.

O MENOR...

  Foi abordado em artigo anterior o problema relacionado às crianças em estado de risco em nosso país, lamentando o que ocorreu com as Escolas Caio Martins – 72 anos amparando crianças e promovendo o homem do campo, atualmente desativadas. O que está sendo feito no sentido de proteger e promover as crianças em estado de risco, em situações sociais críticas e pobres, no vazio deixado pelas Escola Caio Martins? Nada. Contudo,   anuncia-se uma solução: “A cadeia para menores”. Contrapõe-se a essa iniciativa um alerta do educador/deputado federal Manuel Almeida  abordando do problema do menor no país sentenciando: “A criança é o homem de amanhã”. É o cerne da questão. Não dispensando atenção e cuidados às crianças em estado de risco, o futuro delas pode ficar comprometido – existem muitos exemplos a respeito. 

Manuel Almeida na tribuna da Câmara dos Deputados fez referência à condenação à morte do americano Caryl Chessman, famigerado “Bandido da Luz Vermelha” enfatizando que “O menino é realmente o pai do homem” ilustrando com um trecho da carta de Chessman a Mary Crawford (uma dessas coisas que nenhum ser humano pode conhecer sem arrepios na alma): “Dizem que o menino é o pai do homem. Amanhã de manhã, a não ser que haja uma ordem em contrário do Tribunal serei executado. Morrerá o homem, mas que será do menino?” Concluiu Manuel Almeida: “O menino é realmente o pai do homem, como a semente é a mãe da árvore. Vi muitas crianças consideradas perversas transformarem-se em homens de bem. Não conheci uma criança sobre a qual não se fizesse sentir o esforço racional visando ao seu encaminhamento para o lado útil da vida. Mesmo   deficiências psíquicas, tratadas com a filosofia do amor, puderam transformar-se em criaturas dignas, úteis à sociedade. Carryl Chessman, o homem que não teve infância, o menino pobre e atribulado de Glendale, cujo problema pensou a sociedade eliminar eliminando-lhe a vida”.

Fecharam-se as portas de Caio Martins. O ECA delineou novos rumos, burocráticos e sem emoção. Fica uma pergunta percuciente: para aonde irão as crianças desassistidas que, antes encontravam amparo e promoção nas Escolas Caio Martins?

O exame de tão angustiante problema leva à palavra de Jesus (Lc. 19:40): “Asseguro-vos que, se eles se calarem, as próprias pedras clamarão”. Há de chegar em nosso país tempo em que as “pedras clamarão” e aí dos convenientes ouvidos moucos.

sábado, 11 de julho de 2026

MENORES NA MIRA - II

 OS PEQUENINOS



Diante de tantos e tristes acontecimentos sociais, que vêm ocorrendo em nosso país, uma onda avassaladora do mal, envolvendo, principalmente a juventude, volto os olhos para as Escolas Caio Martins antes do  desmantelamento que ela sofreu. E penso: como poderia ser interessante se os governantes estendessem os trabalhos da obra caiomartiniana a todos os rincões e todos os cantões do país, e não a estancassem sem a menor justificativa, senão a falta de sensibilidade. Os exemplos que posso elencar são muitos, muitos mesmos, mas vou ater-me aos que mais me tocam emocionalmente, como cidadão preocupado com seu país, que anda sem rumo e sem quaisquer perspectivas para a meninada menos assistida.
No primeiro caso pouso minha lembrança no Centro Integrado de Esmeraldas. Vejo-me nos primeiros momentos da vida da Escola, ainda no frescor da manhã, no início das atividades dos alunos. Chego à praça emoldurada por um belo jardim – verde e florido –  na frente da casa de recepção. Logo sou cercado pelos  pequeninos. Eles tomam minhas mãos, abraçam-me e sorriem, cada qual querendo disputar um espaço mais próximo. Vislumbro, então, aquele quadro tão meigo, tão puro, sorrisos inocentes, o resplandecer da esperança. Pequeninos – meninos e meninas – no florescer da vida, que perderam a família (e tantos são os motivos, tal como acontece hoje, nos grandes centros e até mesmo no interior), longe do aconchego dos braços da mãe; pequeninos que poderiam cair em um vazio imenso na vida e que, no entanto, ali estavam sorrindo, alegres, confiantes. Mais senti: teriam eles um futuro garantido e disso tinha certeza, pois tantos deles que daquela situação encontraram um ninho na vida, sentiam-se amparados, sentiam-se gente. E de repente me vi rindo com as estripulias do Geraldo que teimava em somente andar plantando bananeira – foi um custo para as monitoras do projeto Educação e Saúde (alunos do Curso de Magistério) reverterem seu caminhar; vi-me, tarde da noite, ao pé da cama de Fernandinho, que por descuido prendera o pintinho com o zíper do  short – não aceitou que ninguém nele encostasse  se não fosse eu. Daí o chefe de lar teve que me buscar, em minha casa, para atendê-lo. Confiou em mim e o problema foi resolvido.
E teve alguém, vendo os pequeninos me chamando pelo nome, sem qualquer deferência, na total intimidade e confiança, que me recomendou que eles me tratassem de senhor, doutor ou professor. Claro que retruquei dizendo que isso os afastaria de mim e eu deles. O respeito havia através do amor, da confiança, do carinho.
Das lembranças que guardo do Centro Integrado a maior é a do sorriso, o alarido, a felicidade e a confiança dos pequeninos – sonhava com seu futuro risonho, sabendo o que fora o seu passado.
Nota: na próxima edição trarei uma história real que ilustra muito bem o drama do menor desamparado.

MENORES NA MIRA

 “Com apoio de 79% da população, a redução da maioridade penal avança no Congresso 

e vira um dos principais temas da campanha presidencial na área de segurança” – 

abertura de reportagem da revista Veja (3 de julho de 2026) com o título “CADEIA PARA MENORES”.


O problema do menor infrator no Brasil leva a uma situação de paroxismo, à exacerbação e exaltação de atitudes. Não se pode negar que o envolvimento de menores na criminalidade é muito sério e até recorrente em decorrência de posições encetadas pelo governo federal, que simplifica o fato classificando como somenos o roubo de celular (que muitas vezes resulta em morte como no caso registrado na reportagem acima mencionada). Justifica-se, em parte, o apelo da população no caso do menor infrator. Insurge-se contra o Estatuto da Criança e do Adolescente tendo-o como redoma do menor que tenha cometido um crime. Aí, então, vai-se do paroxismo ao paradoxo. Sim, apesar de ser um anseio popular e tido como necessária, a medida contradiz a triste realidade brasileira. E qual seria ela? O conceito, a raiz do problema está no sentido primordial: na família, na escola, na formação da personalidade do menor com suporte da justiça social, do amparo e condução em casos especiais. Não faz sentido punir o menor infrator por crime cometido com medida extrema como uma solução final, pois se o problema não for combatido na raiz será como o moto perpétuo. Hoje, sabe-se que a maioria dos menores infratores descabam para o crime com coordenação deletéria que explora sua situação social. É preciso refletir sobre o que lhe ensejou  trilhar o caminho do mal. E o que faz o Estado? Vira o rosto. É o que se vê e que não desperta a sociedade. O Estado tem uma política distorcida, desinteressada em assegurar às crianças em estado de risco uma boa  formação, um acompanhamento, oportunidades. Não é preciso ir longe. Contemplem o papel das Escolas Caio Martins que ampararam e promoveram milhares de menores integrando-os à sociedade como cidadãos úteis, cônscios de seus deveres para com a sociedade e a Pátria. E o que fizeram nossos governos com esse patrimônio educacional e formador de cidadãos? Fecharam todas as unidades, encerraram uma página gloriosa no campo da educação e formação de cidadãos no Estado.

Resumo, para ilustrar o fato, reproduzo um texto do livro  Caio Martins – uma história de amor, na página seguinte.

OS PÁSSAROS

 “Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem segam, nem

ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta...”


A palavra de Jesus no Sermão da Montanha tem significado profundo, uma lição prática contra a ansiedade, reforçando que temos muito valor aos olhos do Criador. Benditas sejam, pois, as aves que me trazem a mensagem de Jesus e tanto alegram nossa vida. Tenho-as em meu quintal. Algumas costumeiras refastelando-se da quirela que lhes ofereço e que, depois de se fartarem, retribuem com uma sinfonia de tons variados, porém harmoniosos: sabiá e sofrê – com sofejos apaixonados e doces;  cardeal com o tope encarnado, rolinhas majestosas no caminhar, pardais saltitantes e arrelientos  construindo ninhos nos beirais da casa e o bem-ti-vi denunciando não se sabe o quê.  Estes são os costumeiros, do dia-a-dia. De quando em quando aparecem anus-brancos – sempre em trica – tão majestosos; uma dupla de xexéu que chama atenção pela barulheira que aprontam no alto da mangueira. Ultimamente, surgiram outros visitantes: sanhaços e maritacas atraídos pela jabuticabeira e cajá-mangueira frutificando. É uma farra. Fartam-se muito mais que os moradores da casa, pois cuidam da colheita bem de madrugada. Tudo bem. Eles não plantam...

O que me surpreendeu, e muito, foi a visita da uma pomba-trocal, majestosa paloma. É uma ave arisca, sempre vista nas grimpas das árvores onde arrulham e cantam apaixonadamente. Pois bem, certa manhã eis que deparei com uma delas bebiricando água escorrida da vasilha da cadela Serena. Bebericava tranquila, sem atropelo, sem se importar com a minha presença. Emocionei-me, pois era uma cena rara, quase impossível, ela ali tão tranquila, levantando a cabecinha e me olhando como velha companheira. Tive tempo em ligar o celular e filmá-la e fotografá-la. Ela ficou o tanto que quis e eu ali, chamando as pessoas para contemplarem o belo espetáculo da mãe natureza. 

Mais tarde telefonei para o Guilherme Barranqueiro, o homem das aves, e narrei o fato para ele que me respondeu: “Tiraram as matas e elas estão cada vez mais urbanas”.

Aí está um dos resultados, uma demonstração sobre o que fazem com o meio ambiente os homens descuidados e, de certa forma, inconscientes. 

Uma observação: a foto que ilustra esta página não resulta de IA.

sábado, 4 de julho de 2026

SÃO FRANCISCO PARA CNBB

 


O município de São Francisco foi incluído no roteiro empreendido pelo padre Luciano da Silva Roberto aos municípios de Januária, Maria da Cruz e São Romão com objetivo de conhecer as expressões culturais, lugares, memórias e a riqueza de sítios naturais. Em primeiro momento, padre Luciano encontrou-se com o escritor João Naves, que em breve interlóquio discorreu sobre a história e a cultura são-franciscana. Presente ao encontro o advogado Allan Johnnes, membro do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico que, por sua vez, destacou os pontos relevantes do município, culminando com a apresentação do seu maior patrimônio histórico: o pôr do sol. 

O pe. Luciano é sacerdote do Clero da Arquidiocese de Mariana - MG. Realizou seus estudos de Filosofia na Faculdade Dom Luciano (FDL) e Teologia no Instituto Teológico São José, ambas instituições do Seminário de Mariana (em funcionamento desde 1750). Pós-graduado em História da Arte Sacra e Arquitetura Religiosa (FDL) e Análise e Gestão do Patrimônio Cultural (Uni-BH). Atualmente é mestrando em História na linha Patrimônio Cultural e Territórios (PUC-Goiá) e Assessor do Setor Cultura e Setor Bens Culturais da Comissão Episcopal para a Cultura e a Educação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil com sede em Brasília. 

Pe. Luciano está em visita ao município de São Francisco e região conhecendo as expressões, bens culturais, lugares de memória e riquezas naturais para o acervo cultural/social da CNBB.