Caminhava pela orla do rio com meu filho Ricardo quando fui abordou por uma jovem mulher chamando-me pelo nome trazendo nas mãos um livro. Apresentou-se como ex-aluna de minha filha Beatriz e da nora Janete. Seu nome: Gisleide Gonçalves de Almeida. O livro que carinhosamente me ofertou: “Caminhos para a Opacidade” que trazia, no prefácio a recomendação de Marcos Fontoura de Oliveira: “É preciso ler este livro”. Depois, cada um tomou seu rumo. Curiosidade literária acima de tudo levou-me a superficial olhada no livro pois não tinha ideia para onde iria me levar os “Caminhos para a Opacidade”, um tema tão novo e instigante para mim. Apresentou-me, de princípio, o filosofo martiniano Éduoard Glissant na abordagem de um tema que leva à proposição “eu posso me transformar ao me relacionar com o outro, sem com isso perder ou diluir minha identidade”. Na apresentação do livro Gisleide discorre sobre o direito à opacidade perguntando: “o que devemos fazer para que esse direito entre no nosso rol de direitos instituídos; o que fazer para que a indiferença e o egoísmo não se apoderem de nós”. Ela conclama “abrir veredas e construir caminhos para a opacidade qualquer que seja a sua crença ou sua religião, seja você ateu ou agnóstico, precisam todos conhecer em profundidade o que é direito à opacidade”.
Gisleide é são-franciscana, filha de Joaquim Alves de Almeida e Dalícia Gonçalves Silva, do tronco Almeida (Gregório, fundador do povoado Mocambo), casada com Eduardo César Leonel da Mata. É uma destacada psicanalista em atividade no Brasil, cm participação notável nos espaços acadêmico e cultural de Belo Horizonte. Tornou-se Mestre em Filosofia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia onde investigou o conceito de opacidade em Édourd Glissant, autor com quem tem dialogado ao longo de vários anos.
Tive o prazer de recebê-la em meu lar acompanhada do esposo, pai e uma irmã quando foi-me possível conhecer um pouco do seu notável trabalho.
GISLEIDE POETA
Édouard Glissant além de filósofo, era poeta. Gisleide que o estudou, também tem a veia poética. É o que se vê no belo e inspirado poema Transbordamento em que encontramos a alquimia de um encontro com muita sensibilidade.


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