sábado, 25 de julho de 2026

AO PÔR DO SOL

 




É de rara e de indizível beleza o pôr do sol em São Francisco,  emoldurado por um cenário como uma tela de um grande pintor: o rio São Francisco despontando no pontal a montante descendo até se dobrar suavemente no penedo de pedras calcárias esverdeadas, vigiado por dois velhos pajeús e descendo, em reta, até desaparecer no pontal a jusante, na ilha do Lajedo. Cenário que inspirou Guimarães Rosa a confessar: “Formosa cidade de São Francisco – que a que o Rio olha com melhor amor”; bem ali no rochedo, o Cruzeirinho e no fundo a bela igreja Matriz, símbolos de fé de um povo. 

O Sol vai tombando no Oriente aspergindo raios multicoloridos em fundo azul da abóboda celeste. Ávidos e emocionados aproximam-se do cais os espectadores de tão esfuziante espetáculo, presente de Deus. Olhos fixos no ocaso para não perder um momento sequer da descida do Sol que, aos poucos vai ganhando novo colorido, de dourado flamejante a suave alaranjado até se esconder além nos gerais banhando veredas. 

Agraciados pelo presente do Criador as pessoas vão se dispersando. Algumas voltam às suas casas; outras prosseguem na caminhada pela orla do rio, que saem  de um cenário de paz, de rara contentamento, para enfrentar um perigo iminente: carros e motos, muitos em alta velocidade, disputam com eles o espaço na pista. Adeus paz. Adeus tranquilidade. Interessante anotar que a Prefeitura fixou placas determinando o horário para o tráfego de veículos na orla: de 17 às 20h. Ficou na placa, sem fiscalização severa. Então ficou o dito pelo não dito. Desagradável foi ouvir o brado de uma jovem que, no meio de um grupo, caminhava pela orla quando por eles passou um veículo obrigando-os a se afastarem para as bordas – também perigoso, pois não existe corrimão no local. Dirigindo aos colegas, creio que visitantes, bradou: “Em São Francisco ninguém obedece a lei”. Por causa de uns generalizou-se. Isto será o repetido, lá fora, foi aquela impressão de momento.

A qual órgão municipal está afeto o problema? Urge enfrentá-lo a bem da população e de visitantes.

Nenhum comentário:

Postar um comentário