sábado, 18 de julho de 2026

O MENOR...

  Foi abordado em artigo anterior o problema relacionado às crianças em estado de risco em nosso país, lamentando o que ocorreu com as Escolas Caio Martins – 72 anos amparando crianças e promovendo o homem do campo, atualmente desativadas. O que está sendo feito no sentido de proteger e promover as crianças em estado de risco, em situações sociais críticas e pobres, no vazio deixado pelas Escola Caio Martins? Nada. Contudo,   anuncia-se uma solução: “A cadeia para menores”. Contrapõe-se a essa iniciativa um alerta do educador/deputado federal Manuel Almeida  abordando do problema do menor no país sentenciando: “A criança é o homem de amanhã”. É o cerne da questão. Não dispensando atenção e cuidados às crianças em estado de risco, o futuro delas pode ficar comprometido – existem muitos exemplos a respeito. 

Manuel Almeida na tribuna da Câmara dos Deputados fez referência à condenação à morte do americano Caryl Chessman, famigerado “Bandido da Luz Vermelha” enfatizando que “O menino é realmente o pai do homem” ilustrando com um trecho da carta de Chessman a Mary Crawford (uma dessas coisas que nenhum ser humano pode conhecer sem arrepios na alma): “Dizem que o menino é o pai do homem. Amanhã de manhã, a não ser que haja uma ordem em contrário do Tribunal serei executado. Morrerá o homem, mas que será do menino?” Concluiu Manuel Almeida: “O menino é realmente o pai do homem, como a semente é a mãe da árvore. Vi muitas crianças consideradas perversas transformarem-se em homens de bem. Não conheci uma criança sobre a qual não se fizesse sentir o esforço racional visando ao seu encaminhamento para o lado útil da vida. Mesmo   deficiências psíquicas, tratadas com a filosofia do amor, puderam transformar-se em criaturas dignas, úteis à sociedade. Carryl Chessman, o homem que não teve infância, o menino pobre e atribulado de Glendale, cujo problema pensou a sociedade eliminar eliminando-lhe a vida”.

Fecharam-se as portas de Caio Martins. O ECA delineou novos rumos, burocráticos e sem emoção. Fica uma pergunta percuciente: para aonde irão as crianças desassistidas que, antes encontravam amparo e promoção nas Escolas Caio Martins?

O exame de tão angustiante problema leva à palavra de Jesus (Lc. 19:40): “Asseguro-vos que, se eles se calarem, as próprias pedras clamarão”. Há de chegar em nosso país tempo em que as “pedras clamarão” e aí dos convenientes ouvidos moucos.

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