sábado, 11 de julho de 2026

OS PÁSSAROS

 “Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem segam, nem

ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta...”


A palavra de Jesus no Sermão da Montanha tem significado profundo, uma lição prática contra a ansiedade, reforçando que temos muito valor aos olhos do Criador. Benditas sejam, pois, as aves que me trazem a mensagem de Jesus e tanto alegram nossa vida. Tenho-as em meu quintal. Algumas costumeiras refastelando-se da quirela que lhes ofereço e que, depois de se fartarem, retribuem com uma sinfonia de tons variados, porém harmoniosos: sabiá e sofrê – com sofejos apaixonados e doces;  cardeal com o tope encarnado, rolinhas majestosas no caminhar, pardais saltitantes e arrelientos  construindo ninhos nos beirais da casa e o bem-ti-vi denunciando não se sabe o quê.  Estes são os costumeiros, do dia-a-dia. De quando em quando aparecem anus-brancos – sempre em trica – tão majestosos; uma dupla de xexéu que chama atenção pela barulheira que aprontam no alto da mangueira. Ultimamente, surgiram outros visitantes: sanhaços e maritacas atraídos pela jabuticabeira e cajá-mangueira frutificando. É uma farra. Fartam-se muito mais que os moradores da casa, pois cuidam da colheita bem de madrugada. Tudo bem. Eles não plantam...

O que me surpreendeu, e muito, foi a visita da uma pomba-trocal, majestosa paloma. É uma ave arisca, sempre vista nas grimpas das árvores onde arrulham e cantam apaixonadamente. Pois bem, certa manhã eis que deparei com uma delas bebiricando água escorrida da vasilha da cadela Serena. Bebericava tranquila, sem atropelo, sem se importar com a minha presença. Emocionei-me, pois era uma cena rara, quase impossível, ela ali tão tranquila, levantando a cabecinha e me olhando como velha companheira. Tive tempo em ligar o celular e filmá-la e fotografá-la. Ela ficou o tanto que quis e eu ali, chamando as pessoas para contemplarem o belo espetáculo da mãe natureza. 

Mais tarde telefonei para o Guilherme Barranqueiro, o homem das aves, e narrei o fato para ele que me respondeu: “Tiraram as matas e elas estão cada vez mais urbanas”.

Aí está um dos resultados, uma demonstração sobre o que fazem com o meio ambiente os homens descuidados e, de certa forma, inconscientes. 

Uma observação: a foto que ilustra esta página não resulta de IA.

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