No mês de junho São Francisco se transforma com as festas juninas, uma tradição que avança nos anos. Na primeira quinzena as atenções estão voltadas para a Vila de Serra das Araras, município de Chapada Gaúcha (desmembrado do município de São Francisco) onde se celebra, anualmente, a festa de Santo Antônio, que provoca um movimento extraordinário na travessia do rio São Francisco e deixa a cidade em estado de frenesi. A culminância da festa é hoje, dia do santo cuja imagem, segundo uma lenda, foi encontrada por caçadores de ninhos de araras na serra, que foi batizada com o mesmo nome. Indo além diz-se que a pequena imagem, que causou alvoroço no pequeno povoado plantado ao pé da serra, foi levada para a Vila de São José das Pedras dos Angicos onde foi entronizada em belo nicho. O santinho não gostou do agrado e fugiu na calada da noite, enfrentando a pé, uma longa jornada por trilhas arenosas. Nasceu, daí a famosa romaria. E o registro dela vem de longe anotado pelo naturalista inglês George Gardner em 1840 no livro Viagem ao Interior do Brasil (39 anos antes da criação da cidade de São Francisco).
De simples romaria, em jornada enfrentada a pé, com carro de bois ou a cavalo, por trilhas que avançando pelos gerais, cortando encantadoras veredas, ponto de pouso de romeiros, chegou-se, atualmente, a um fantástico aglomerado de milhares de romeiros que transformam a pequena vila em um imenso formigueiro.
Tudo resumindo com tanta expressão, como manifestação religiosa ou simplesmente entretenimento; com o encanto das jornadas com visão de paisagens paradisíacas (veredas), é se perguntar por que São Francisco, sem qualquer esforço, perdeu tão preciso patrimônio religioso, histórico e cultural?


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