sábado, 17 de outubro de 2026

BARQUEIROS DO VOLGA

 “Não há como não amá-los, pobres inocentes” -  Dostoievski 

JNM

Menino eu era, pequeno estudante no Instituto João Pinheiro em Belo Horizonte. No segundo ano de escola, com apenas 13 anos interessei-me pela música ingressando na Academia de Teoria Musical. Nas aulas havia o estudo do coral solfejando e cantando belas canções. Uma, de maneira especial guardei na memória: Barqueiros do Volga, que ficou internalizada em meu espírito – uma balada triste, profunda e angustiante de barqueiros puxando, pelo barranco, as barcas no rio, com grossas cordas enroladas no peito. No fundo o canto de incentivo: “Firme puxa! Firma puxa! Não largue não! Firme puxa!” E desenvolvia a canção em versos pungentes narrando a angustia, o desespero e a frágil esperança dos pobres barqueiros: o chão duro que era seu leito, do céu azul que era seu cobertor e, o anseio, num canto de dor “Liberdade!. Liberdade!”

Tantos anos transcorrido quis reviver a canção e, então, deparei-me com o célebre quadro de Ilya Repin (1844–1930), um dos maiores expoentes do realismo russo, fielmente retratando os pobres barqueiros. Impressionante realismo, transparecendo tanta dor, tanto sofrimento na fisionomia de cada um daqueles pobres homens. E, depois,  aporto-me em São Francisco e, em pouco, fico conhecendo a história dos remeiros das barcas do São Francisco. A semelhança está na dor e na esperança de uma nova vida.  Não com tanta crueldade a interpretação dois casos leva à reflexão sobre a dureza e a resignação dos trabalhadores ribeirinhos, como os barqueiros do Volga. Ele evoca a imagem de pessoas simples, que enfrentam o sofrimento, a exaustão e o peso de sua sina com determinação e resistência, simbolizada pelo repetido comando "Firme, puxa!". A narrativa faz uma comparação entre a grandiosidade indiferente do rio e a dura realidade dos barqueiros, que, apesar do sacrifício, continuam em sua jornada. Há uma reflexão sobre o destino e o ciclo da vida, inspirada em conceitos como o de semeadura e colheita, sugerindo que tudo tem seu tempo determinado, conforme ensinado pelo o Caibalion. 

Na vida, tudo está junto e misturado, e o trabalho duro deles também tem um lugar especial no coração de Deus. No fim, apesar de toda a dificuldade, existe um carinho e um amor que cuidam da gente. Quer dizer que, por mais que a vida seja pesada e sofrida, Deus não esquece de ninguém, e um dia o descanso e a paz chegam para todo mundo.



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