Nota: Esta monografia será dividida em capítulos,
mais curtos, para uma melhor leitura.
Igrejinha e cruzeirinho de Teodoro
EM BUSCA DAS ORIGENS – XVI
AS FAMÍLIAS - I
“Se a
bibliografia expõe o estudioso aos azares das versões inexatas, ou quando nada
discutíveis, o que não se esperar da pesquisa de campo sujeita a visão pessoal
dos depoentes. Não serão, porém, essas possíveis de equívocos de terceiros, que
irão diminuir a importância do trabalho “ Wilson Nunes.
Tenho uma vivência de 64 anos em São
Francisco, onde aportei, muito jovem, para dirigir uma unidade das Escolas Caio
Martins – Dentro de Treinamento para Jovens Líderes Rurais. Barranqueiro do
Bagagem (Estrela do Sul), enraizei-me nas barrancas do Rio São Francisco que,
em tempo, conquistou-me de todo, ou quase todo, pois ainda guardo indeléveis
lembranças do Rio Conceição, tributário do Rio Urucuia, chegando, através dele,
ao São Francisco. Ao curso desta vida estive voltado, com intensidade,
para o universo são-franciscano: sua
gente, sua cultura, sua história; para o
rio, o cerrado com suas veredas, flora, fauna e lagoas. Estive numa vivência de
corpo e alma neste universo. Além de educador, dediquei-me à escrita através do
jornal “SF-O Jornal de São Francisco”, do qual fui cronista, redator e depois
diretor. Nas páginas do “SF” fui registrando o cotidiano são-franciscano e, com
isso, tomei tento pelo seu folclore, incentivado pelos diletos amigos Saul
Martins e Domingos Diniz, publicando artigos semanais como resultado dos meus
mergulhos no dia a dia dos barranqueiros e sertanejos. Através desses escritos
fui alçado membro efetivo da Comissão Mineira de Folclore. Naveguei por muitos anos nesta onda de sensações pulsantes.
Publiquei livros resumindo a minha vivência intelectual tendo com fim precípuo
o homem, o cerrado e o rio. Anos depois, assumi a direção e redação dos jornais
Nosso Tempo e o Barranqueiro e, por fim, na área da comunicação, criei o Portal
Veredas, veículo digitalizado. Foram os instrumentos para navegar em mares
recônditos da vida de muitas famílias são-ranciscanas, levando suas histórias
ao livro Às margens do São Francisco – o rio e sua gente. Com a participação do
caro amigo Elmiro Jr, entrevistei cem famílias, publicando, semanalmente, a sua
história nestes jornais. Foram história muito ricas, um registro de épocas,
pois muitas das pessoas entrevistadas viveram os dias primeiros da história de
São Francisco e um período marcados por fatos históricos de grande importância.
Então, lembro-me, que em certa ocasião, um leitor fez um comentário a respeito
de uma entrevista publicada dizendo que a narrativa não era fidedigna. Ponderei
com ele que aquele registro correspondia ao que fora vivido pelo entrevistado,
era a verdade dele, que eu não poderia interpretar de maneira diferente. Com o
tempo, ouvindo outras pessoas, alguns fatos mereceram uma visão diferente, ou seja, outra visão. Contudo, mantive a
entrevista como colhida fora. Assim, alguns questionamentos podem ser repetidos
agora na reedição dos nomes famílias registradas naquele livro e outros acrescentados.
Vi-me, nos meados do ano de 2023,
com o propósito rebuscar as origens das famílias são-franciscanas quanto à
formação de sua etnia. A iniciativa se deu pelo fato de não ter encontrado
nenhuma publicação a respeito. Referências esparsas encontrei no livro de
Brasiliano Braz, que não me contentaram. Determinei-me a enfrentar a tarefa
nada fácil e são tantos os motivos: muitos dos entrevistados não conheciam ou
lembravam da biografia de suas famílias. Assim, de antemão, considero, o que
certamente ocorrerá com possíveis leitores, que muitos detalhes que trago à publicação são susceptíveis de equívocos e
até mesmo de omissões; atenho-me à observação de Wilson Liz para tomar a
empreitada que julgo de ter importância para nossos pósteros, ainda no que
cunhou Michel Haward, com uma verdade fundamental: “Todas nossas crenças sobre
o presente dependem de nossas crenças sobre o passado”.
Então vamos mergulhar em nosso passado, para solidificando nosso presente, ter o que
guardar para o futuro do nosso tempo.
Por fim, faço um esclarecimento: elenquei as famílias sem
distinção de épocas, ou seja, da sua chegada a São Francisco; nem sempre
consegui encontrar o patriarca de uma família, limitando-me, no caso, em fazer
o registro do casal mais próximo de sua implantação em São Francisco. Nem
sempre será citada a consorte do casal, pois levei em consideração, sobre a
questão de origem, a procedência do
chefe de família. Então, é possível que sejam suscitadas algumas observações a
respeito que, no caso, terei como naturais.
Faço, incialmente, uma ressalva: grande parte dos dados a
respeito das famílias pesquisadas resultaram de entrevistas com representantes das mais longevas. Assim, em
alguns casos, teremos meras referências sem aprofundar nas origens.