sábado, 13 de janeiro de 2024

NOSSA CIDADE: FATOS HISTÓRICOS

 Nota: Esta monografia será dividida em capítulos, 

mais curtos, para uma melhor leitura.


Igrejinha e cruzeirinho de Teodoro



EM BUSCA DAS ORIGENS – VI


A relação da população são-franciscana com os índios é nebulosa. São minguadas as informações deles  tendo-se apenas tangentes de alguns autores, como foi relatado anteriormente o primeiro registro escrito sobre a existência de índios em nossa região. Diogo de Vasconcelos fez referência à carta do padre João Aspilcueta anotando que “o descobrimento se deu no trecho entre  Barra do Mangai e Pandeiros”. Antônio Emílio Pereira também referiu-se a essa carta anotando: “Visitamos a barra do Mangai, rio que limita os município de São Francisco e de Januária, até as proximidades do São Francisco (...) “Esta região, com a nova divisão dos municípios, pertence a Maria da Cruz” (Memorial Januária – Terra, Rios e Gente).

Jean Baptiste Debret, em obra já citada,  também fez  um registro da presença de índios em nossa região: “A grande raça dos Tapuias, considerada pelos historiadores a mais antiga do Brasil ocupava toda a costa, desde o Rio Amazonas, até o Prata e, no interior  das terras, desde o Rio São Francisco até o Cabo Frio”(Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil). Ato histórico confirmado, posteriormente, por Diogo de Vasconcelos, dando conta que tapuias estabeleceram ligames de duas aldeias na ilha Guaíbas (São Romão) e Tapiraçaba (Januária). Como moradores primitivos nessas localidades, certamente, legaram influência genética na etnia de januarense e de são-romanense. Quanto a São Francisco,  a presença do índio em nosso território, à falta de registros, enveredamos na senda das hipóteses,  algumas bem viáveis. Primeiro temos como referência a Barreira dos Índios na foz do Rio Acari no Rio São Francisco. Foi registrado por Diogo de Vasconcelos que índios remanescentes dos tapiraçabas, após serem derrotados pelas tropas de Januário Cardoso, a pedido da índia Catarina, filha do cacique e esposa de Manuel Pires Maciel,  deixaram a serra de Brejo do Amparo e foram para a região Acari (Serra das Araras, São Francisco). Não há registro da presença deles senão  referências a guisa de deduções – a famosa vereda Catarina de Serra das Araras e o nome do rio que por perto tem nascente. Acari é  um nome indígena; quanto a vereda, à falta de outra explicação, o seu nome é possível que seu nome teria sido dado em referência da índia Catarina, que facilitou a libertação dos índios que mudaram para o sertão do Acari.

Sem registro em compêndios de história há notícia da presença de  índios na região do território de Serra das Araras, que me foi passada pela dona Jandira de Souza Pinto em entrevista publicada no meu livro Às margens do São Francisco, a cidade. Dos fatos antigos ela conta “que ouviu de seus pais que a vó Honória era índia, e que, quando criança,  fora capturada na região do Urucuia” – há citações de vários autores dando ciência que índios tapuias, escorraçados do Nordeste, estabeleceram-se na região do Rio Urucuia que se sabe banha o território de Serra das Araras. 

sábado, 6 de janeiro de 2024

NOSSA CIDADE: FATOS HISTÓRICOS

 Nota: Esta monografia será dividida em capítulos, 

mais curtos, para uma melhor leitura.


Igrejinha e cruzeirinho de Teodoro



EM BUSCA DAS ORIGENS – V


Estamos nos aproximando de São Francisco, mas ainda carecemos de informações para saber um pouco mais sobre a etnia do são-franciscano, quais foram as influências que sofreu na formação de sua cultura em sentido amplo,  um estudo que não desperta muita atenção, mormente nas escolas. Na sociedade, perde-se  em estéril fisiologismo estigmatizando grupos, distinguindo-os  somente pela cor, em prejuízo da sua grandeza no contexto da formação da sociedade brasileira, que não tem raça distinta; na homogeneidade está sua beleza, nossa riqueza, incomum no concerto das nações considerando que na propriedade hipotética do Universo, o cosmo, considerado como um todo, se apresenta semelhante para todos os observadores, independentemente do lugar que ocupa.

            Em dois capítulos vamos nos ater um pouco sobre o papel do índio, que originariamente era ele o senhor da terra descoberta pelos portugueses. Em princípio, nações deles se espalhavam por terras virginais tendo como notícia primeira a carta do padre João Aspilcueta Navarro, membro da expedição de Francisco Espinosa, que deixou Porto Seguro no ano de 1555 para explorar o interior da Colônia no afã de satisfazer a cobiça da coroa portuguesa pelo ouro e para converter os gentios à fé cristã. Esta  notícia antecede em quase duzentos anos à dispersão dos tapuias do Ceará e Amazonas, conforme anotado por Diogo de Vasconcelos e Jean Batiste Debret. A carta foi reportado por João Capistrano de Abreu in Capítulos de História Colonial (1500-1800). Nela o padre Aspilcueta narra ter deparado com “uns Índios que chamam Tapuyas, que é uma geração de índios bestial e feroz; porque andam pelos bosques, como manada de veados, nus, com os cabelos compridos como mulheres; a sua fala é bárbara e eles mui carniceiros”. Um detalhe que nos interessa mais, na carta: “Daqui fomos dar com uma nação de gentios que se chama Cathiguçu. Dahi partimos e fomos até um rio mui caudal, por nome Pará, que segundo os índios nos informaram é o rio de S. Francisco e é mui largo. Da parte donde estávamos são os índios que deixei; da outra chamara Tamoyos, inimigos deles e por todas as outras partes Tapuyas”.

            Então, em território original de São Francisco, às margens do rio Mangai, existia uma aldeia dos índios tratados pelo Padre Aspilcueta como Cathiguçu e, ainda na região, aldeias de índios Tapuias. Não há outros registros (pelo menos aos que tive acesso) que noticiam a existência de outras aldeias em nosso território, contudo, não há dúvida que por nossas terras ele viveram. Brasiliano Braz em seu livro São Francisco nos caminhos da história, também não fez nenhum registro sobre a presença de índios no território são-franciscano. A única referência encontrada em seu livro, além da notícia sobre a expedição de Espinosa, foi a lenda indígena que fala sobre uma velha quixabeira e e o palácio encantado de uma sereia tendo como palco um palácio encantado incrustado no penedo do cais onde foi erguida a igreja Matriz de São José.

sábado, 23 de dezembro de 2023

NOSSA CIDADE: FATOS HISTÓRICOS

  Nota: Esta monografia será dividida em capítulos, 

mais curtos, para uma melhor leitura.


Igrejinha e cruzeirinho de Teodoro



EM BUSCA DAS ORIGENS - IV


Razões óbvias*, como veremos em posteriores capítulos, levaram-me a dedicar mais espaço ao desenvolvimento da pecuária na região do São Francisco. Além do trabalho no engenho e outras finalidades, a criação de gado era, também, atrelada à exportação de tabaco, como registrou André João Antonil,  em 1711: “Para que se faça justo conceito das boiadas que se tiram cada ano dos currais do Brasil basta advertir que todos os rolos de tabaco que se embarcam para a qualquer parte vão encourados e sendo cada um de oito arrobas, e da Bahia a  cada ano pelo menos vinte e cinco mil, e dos das lagoas de Pernambuco dous mil e quinhentos, bem se vê quantas reses são necessárias para encourar vinte e sete mil e quinhentos rolos.” (Cultura e opulência do Brasil). E mais: boiadas  eram retiradas para as cidades, vilas e recôncavos do Brasil, para o açougue, fábricas e fornecimento de leite.

Antonil, em seu estudo destaca a pujança do setor, como valor econômico e sua influência na expansão da Colônia:  “A casa da Torre (da família de Antônio Guedes de Brito) tem duzentas e sessenta léguas pelo rio São Francisco, acima à mão direita, indo para o sul, e indo do dito rio para o norte chega a oitenta léguas (...) do Morro do Chapéu (Bahia) até a nascença  do Rio das Velhas, cento e sessenta léguas. E nestas terras, parte os donos delas têm currais próprios, e parte são dos que arrendam sítios delas (...) E, assim, como há currais no território da Bahia e de Pernambuco, e de outras capitanias, de duzentas, trezentas, quatrocentas, quinhentas, oitocentas e mil cabeças, assim há fazendas a quem pertencem tantos currais que chegam a ter seis mil, oito mil, dez mil, quinze mil e mais de vinte mil cabeças de gado, donde tiram cada ano  muitas boiadas, conforme os tempos são mais ou menos favoráveis à parição e multiplicação do mesmo gado e aos pastos assim nos sítios como também nos caminhos.”

A pujança da atividade pastoril na região do São Francisco  em  era mais recente, tem o registro da fazenda da lendária Joaquina de Pompéu, denominado um “Principado”  pelo barão Georg Wilhlem Freyreiss, no final do século XVI. Era um assombro a extensão da fazenda, uma área representada, atualmente, pelos municípios de Pompeu, Abaeté, Dores do Indaiá, Paracatu, Pitangui, Papagaios, Maravilhas e Martinho Campos. Com sua morte, em 1824, ela deixou para seus herdeiros um milhão de alqueires de terra, 53.932 reses de cria, 9 mil éguas, 2.411 juntas de bois.

Joaquina de Pompéu e tantos outros criadores de gado escreveram parte da história do Brasil, demonstrando o que representou a atividade rural e a criação do gado.

·         O município de São Francisco, em tempos mais recentes tinha o quarto rebanho bovino do Estado de Minas Gerais.


sábado, 16 de dezembro de 2023

NOSSA CIDADE: FATOS HISTÓRICOS

 Nota: Esta monografia será dividida em capítulos, 

mais curtos, para uma melhor leitura.


Igrejinha e cruzeirinho de Teodoro


EM BUSCA DAS ORIGENS - III

A criação de uma nova nação ganhava forma, ainda que atrelada à Europa (governo em Portugal e o comércio com outras nações). Como anteriormente destacado, favoreceu o desenlace a implantação da cultura da cana e do tabaco ocupando vastas áreas na região do Nordeste, especialmente Bahia e Pernambuco, e o café no sul, regiões litorâneas. Então como se deu o avanço rumo ao interior chegando à região do rio São Francisco? Celso Furtado em citação  de Francisco M. P. Teixeira e José Dantas analisou o fato: “Ao expandir-se a economia açucareira, a necessidade de animais de tiro tendeu crescer mais que proporcionalmente, pois a devastação das florestas obrigava a buscar a lenha  a distância a cada vez maior. Por outro lado, logo se evidenciou a incompatibilidade de criar gado na faixa litorânea, isso é, dentro das próprias unidades produtoras de açúcar. O conflitos provocados pela penetração de animais nas plantações devem ter sido grandes, pois o governo português proibiu finalmente a criação de gado na faixa litorânea. E foi a separação das duas atividades econômicas – açucareira e criatória – que deu lugar a uma economia dependente na própria região nordestina”(História do Brasil da Colônia). Traçava-se a origem de São Francisco.

            Pelo Sul a penetração dava-se com as bandeiras – a procurara de pedras preciosas e índios para o cativeiro – os mineradores e as Missões. A importância das bandeiras neste processo de interiorização, levando-se à fundação de aldeias, foi bem definida  por Gilberto Freire: “Bandeiras, sociedade em movimento”.

            Desenvolvia-se a Colônia com gentes que se subdividiam entre os colonizadores, nativos e negros. Fernando A. Novais descreve o fato: “E do convívio das inter-relações desse caos foi emergindo, no cotidiano, essa categoria de colonos que, depois, foi se descobrindo como ‘brasileiros’. Brasileiros, como se sabe, no começo e durante muito tempo designava apenas os comerciantes de pau-brasil. A percepção de tal metamorfose, ou melhor, essa tomada de consciência  – isto é, os colonos descobrindo-se como paulistas, pernambucanos, mineiros, etc. para afinal identificarem-se como brasileiros – constituindo, evidentemente, o que há de mais importante na história da Colônia, porque situa-se no cerne da constituição da nossa identidade.” (História da Vida Privada no Brasil)

            À distância, no tempo, encontram-se as raízes da etnia do são-franciscano, como destacaremos  posteriormente. 



sábado, 9 de dezembro de 2023

NOSSA CIDADE: FATOS HISTÓRICOS

 Nota: Esta monografia será dividida em capítulos, 

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Igrejinha e cruzeirinho de Teodoro


EM BUSCA DAS ORIGENS - II


Buscando chegar a São Francisco, entendo ser necessário um comentário, ainda que sucinto, sobre as raízes da brasilidade. Vejamos.  Na primeira questão imposta à Coroa portuguesa, a respeito da descoberta do Brasil, acentua João Ribeiro: “O reinado de D. Manuel escoou-se inutilmente para a terra; mas já nos últimos anos, atenta a pirataria dos traficantes  de pau-brasil, malgrado o monopólio português impunha-se uma das duas alternativas: ou colonizar a terra ou perdê-la” (História do Brasil). Decidiu-se pela colonização implantando-se  as capitanias e a exploração econômica – cultura da cana para a produção de açúcar, importante moeda de troca no mercado internacional, e o tabaco. No segundo momento da colonização divisamos um longo caminho, marcado pela ignomínia da escravidão de nativos e de negros da África para o duro trabalho nos eitos de cana e outros serviços (em capítulos posteriores abordaremos o papel dos negros e dos índios no processo sob a  ótica de expressivos pesquisadores). Dessa tragédia foi sendo formada a etnia brasileira. O negro, segundo A. Souto Maior: “os portugueses já usavam o negro como escravo antes da colonização do Brasil. (...) É provável ser costume árabe de escravizar negros e vendê-los; (...) a própria organização social dos  negros facilitava aos seus captores o nefando comércio; a escravidão era a penalidade imposta pelos juízes da tribo para os mais diversos delitos.(...) Comprava-se por miçangas de vidro, panos baratos, facões, fumo e cachaça. (...).Tomado em conjunto, porém, o negro agiu na formação étnica social e econômica do Brasil como agente de transformação  poderoso (...)com influência na cultura brasileira:  na música; no samba e o maracatu; formação do folclore, a contadora e criadora de histórias infantis. Na culinária: o uso do azeite-de-dendê e do leite de coco, vatapá, caruru, acarajé, mugunzá, tudo de origem africana” (História do Brasil).

Os índios tiveram melhor sorte. Não estavam acostumados ao trabalho agrícola estável, sedentários que eram; além disso, contava com os esforços dos jesuítas em favor da manutenção de sua liberdade, conseguindo junto à Coroa a proibição de sua captura. Contudo, vítimas da perseguição dos senhores de engenhos e de tropas de bandeirantes, eles se dispersaram. Os caiapós deixaram o Maranhão, transpuseram o rio Carinhanha estabelecendo-se na zona do Japoré; outra horda da mesma geração, procedente do Alto Tocantins, se estabeleceu na zona entre os rios Paracatu e Urucuia. Dois ramos da mesma família constituíram um variado ligame de aldeias no vale do São Francisco, a Tapiraçaba e a Guaíba – essas aldeias têm ligações germinais  com a história de São Francisco. Observa Souto Maior, que “o índio, na língua, deixou-nos  quase toda  nossa toponímia e uma infinidade de termos designativos de alimentos, árvores e animais. Tendo influído poderosamente em nossa etnia” (História do Brasil).


sábado, 2 de dezembro de 2023

NOSSA CIDADE: FATOS HISTÓRICOS

 

Nota: Esta monografia será dividida em capítulos, mais curtos, para uma melhor leitura.

Igrejinha e cruzeirinho de Teodoro




O engenheiro Teodoro Sampaio aportando-se em  São Francisco em 1877 fez o desenho da igrejinha de São José e do cruzeirinho – primeiro registro impresso da história de São Francisco.


EM BUSCA DAS ORIGENS - I


Em sucinta monografia, de caráter narrativo,  buscando resgatar fatos que possam compor capítulos esquecidos da história de São Francisco,  recorri ao jornalista italiano Índro Montalelli quando publicou o livro História de Roma alertando seus leitores:  “Escrevi para aprender. Este livro nasce com o mesmo espírito. Escrevi para aprender esta história. Não é livro de historiador, não há pesquisa inédita nos arquivos. Não há conclusões ou interpretações inovadoras. O que há é uma sincera tentativa de contar uma história bem-contada e recuperar essa tradição que já existiu: uma crônica sobre o que a cidade foi e como veio a ser o que é. Advirto, ainda, valendo-me da observação de Fernando A. Novais: “Em história, não pode haver nunca a obra definitiva; tudo o que podemos aspirar são aproximações mais ou menos felizes. Estaremos gratificados pelo esforço se nosso trabalho puder considerar-se uma dessas aproximações”. ( História da vida privada no Brasil)

Este meu intento é uma prova de gratidão pela generosa acolhida que tive em São Francisco, na minha mocidade, honrando-me, ainda, com o título de Cidadão Honorário de São Francisco. Nas buscas  de informações vi-me em um labirinto almejando o Fio de Ariadne, enfrentando intricadas e reduzidas publicações, muitas vezes um  quebra-cabeça, para encontrar o município de São Francisco. Nas minguadas publicações que encontrei sobre o Vale do São Francisco começo por Vicente Licínio Cardoso que, categórico, escreveu: “O São Francisco é um rio sem história”. (Às margens da História do Brasil). Na mesma linha pode-se observar que São Francisco é um município sem história, malgrado o livro de Brasiliano Braz, que ele mesmo classificou como autobiográfico. Sobre São Francisco, ainda como Pedra dos Angicos e Vila de São José de Pedras dos Angicos, encontramos sucintos aprontamentos de Richard Burton, Teodoro Sampaio, Carlos Lacerda, juiz Carlos Otoni e Diogo de Vasconcelos. Tal fato parece não fazer falta, pois nada é reclamado a respeito o que se distancia da advertência de J.J. Benitez: “Existirão fronteiras intransponíveis entre o passado, o presente e o futuro? O passado já não existe senão como memória? O presente se extinguirá como passado? E o futuro já existirá neste momento?”. (Cavalo de Troia). Buscando respostas, como se encontra São Francisco no ponto de vista histórico, é preciso intervir criando laços atemporais entendendo o passado e trabalhando o presente na expectativa do futuro com realizações plausíveis no campo do desenvolvimento e do fortalecimento de sua cultura.

Conquanto possa não parecer de suma importância, merece uma reflexão a respeito da história, pois revendo os acontecimentos que marcaram a trajetória do nosso País, desde sua descoberta e a colonização, muitas e boas lições podem ser extraídas para melhor conduzirmos nossos destinos.


terça-feira, 7 de novembro de 2023

SÃO FRANCISCO: 146 ANOS


Foto: Hannah Klara Emmerich

No ímpeto de alguns vereadores, na ousada ação de transferir a Câmara Municipal de São Romão, sede do município, para a Vila de São José de Pedras dos Angicos, em 1876, vislumbrou-se a história de uma nova cidade. E foi assim, diante de uma evidência, de um ato consagrado, sem volta, que no dia 5 de novembro de 1879 nasceu a cidade de São Francisco. Como consequência, constituída sede do poder municipal, transformou-se, ao mesmo tempo, na sede de um novo município, São Francisco. São Romão, em consequência foi rebaixado de município a distrito de São Francisco. Foi assim o germinal de São Francisco. Nos 146 anos transcorridos, muita água foi passada pelas brilhantes pedras do cais da cidade, levando, o rio São Francisco, rio da Unidade Nacional, as notícias da cidade para o Nordeste e, de lá, trazendo tantas famílias para compor a população do novo município. Cumpri-nos, agora, refletir a respeito do município que temos e o município que queremos. Seria ocasião para repetir a intrépida ação os vereadores que deram causa à criação da cidade e, consequentemente, o município de São Francisco, buscando novos horizontes para nossa terra. Seria o momento, agora, de um choque com atenção voltada para o desenvolvimento. Seria o momento de cantar e propagar nossas riquezas humanas e físicas. Numa reflexão final, tendo como referência a cidade, que é o caso em exposição, recomenda-se tomar o que disse Weber a respeito da função da cidade “de intensificar as energias coletivas, de levar ao mais alto do desenvolvimento possível, as capacidades latentes e dispersas na população”. Seria, hoje, missão precípua do Poder Público e, evidente, com o envolvimento da sociedade. Deus seja louvado por São Francisco existir e mais, agraciada com o nome do santo do amor. 

FELIZ ANIVERSÁRIO SÃO FRANCISCO!