sábado, 27 de janeiro de 2018

CAIO MARTINS, RETRATO DE UM BRASIL DE HOJE

                                                                                                           XXVI - Parte

CENTENÁRIO DE JANUÁRIA
Acampamento de alunos da Caio Martins em Januária
Outubro de 1960 marcou um grande encontro de representações das Escolas Caio Martins em Januária. Motivo especial: comemorar o centenário daquela bela cidade, berço natal do fundador das Escolas, Coronel Manoel Almeida, e de um grande caiomartiniano (autor do Hino às Escolas Caio Martins e presidente do Conselho Diretor da instituição), um grande amigo, mestre, pesquisador e propagador do folclore barranqueiro, Coronel Saul Martins.
Não havia, naquela época, a apresentação de shows de artistas, as grandes bandas, como nos tempos atuais. De grande mesmo foi somente a apresentação de uma banda de música que creio ser da Polícia Militar de Montes Claros ou de fuzileiros navais.
Em festa de tão grande importância e repercussão no vale do São Francisco, o coronel Almeida acreditou e ousou apresentar como atração, os meninos das Escolas Caio Martins, muitos deles filhos de sertanejos da região.
Ginastas
Não me lembro bem da apresentação dos grupos de Pirapora, Januária e Carinhanha e Urucuia – creio que se sobressaíram mais nos desfiles, como escoteiros, principalmente, posto que a história da escola é ligada e inspirada na vida do escoteiro Caio Martins tragicamente morto na Serra da Mantiqueira, em um desastre de trem. Dele foi a frase, ao lhe ser oferecido socorro, posto estar muito ferido: “atenda os outros primeiros, pois o escoteiro caminha  com as próprias pernas”. Morreu em consequência dos ferimentos, mas sua frase transformou-se num lema histórico, numa palavra de ordem das escolas Caio Martins –“caminhar com as próprias pernas”.
Alunos da Escola de Esmeraldas apresentaram uma bela alegoria, no desfile pelas ruas da cidade, destacando-se a ginástica rítmica por um grupo de alunas do curso normal e um pelotão de escoteiros. À noite, em um palco armado em praça pública, as alunas da mesma escola apresentaram um número artístico muito especial: quadro das raças que, através de músicas especiais, fazia referência ao índio, ao português e ao escravo.Fechando o quadro, o produto da miscigenação das etnias: o brasileiro, com a apresentação da Aquarela do Brasil.O grupo da ginástica e do quadro foi magistralmente ensaiado pelas professoras do curso normal da Escola Caio Martins de Esmeraldas, Stela e Marisa.
A apresentação do Centro de Treinamento de São Francisco foi especial, uma pequena peça teatral retratando a vida bucólica do homem do campo em perfeita harmonia com a natureza, isso com poemas e músicas com apresentações que chamaram atenção por Davi Lelis e Helenice, declamando, e Lídia, cantando, com muita ternura, que belíssima era sua voz.
O coronel acreditava, botava fé e esperava muito de seus jovens pupilos e eles não o decepcionaram, as Escolas Caio Martins brilharam na festa do centenário de Januária e sua apresentação ficou registrada nos arquivos da Casa da Memória daquela cidade.
Helenice

Lídia

Maria Vilma
Texto e fotos: João Naves de Melo

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