sábado, 29 de novembro de 2025

OS OITENTA ANOS DO LUIZ DA ACAR


  É uma grande realização quando possível ter reunida a família e muitos amigos para festejar mais um ano de vida e mais ainda quando se comemora 80 anos. O que significa comemorar oitenta anos de vida? É como um marco de sabedoria, experiência e uma jornada cheia de histórias e realizações. É uma ocasião para celebrar a longevidade, a sabedoria acumulada, os laços de amor e família, e para reunir gerações. As celebrações geralmente envolvem reconhecer o legado da pessoa, aprofundar as conexões familiares e reforçar os votos de saúde e felicidade para os anos que virão. Destarte, o lar de Luiz e Belinha, recebeu no domingo 23 amigos para a comemoração, ao lado de seus filhos e parentes. Foi um encontro aprazível, acolhedor, que teve a participação dos Mensageiros da Emoção para contar um pouco de sua história. 

Luiz Gandra Bittencourt Filho nascido em Viçosa cedo foi morar na fazenda São Geraldo onde iniciou o curso primário fazendo o primeiro contato com o campo que se atrelava à sua vida futura. Foi além cursando Agronomia na universidade de Viçosa. Ingressou na ACAR (hoje EMATER) vindo, em 1971, servir em São Francisco, onde criou profundas raízes e tanto se dedicou a esta terra. O seu trabalho foi reconhecido pela Câmara Municipal concedendo-lhe o Título de Cidadão Honorário de São Francisco.

Casando-se com Belinha ele plantou raízes firmes no município, unindo as famílias Gandra Bittencourt e Souza Pinto, tradicional família são-franciscana, constituindo uma bela família: os rebentos Luiz Neto, Danilo, Renata e Adriana; a noras  e neta.  

Luiz despontou assistindo o homem do campo como extensionista. Colaborou na formação de alunos do Centro de Treinamento de Jovens Líderes Rurais da Escola Caio Martins, que tinha como objetivo formar líderes rurais. 

Uma faceta interessante na vida do Luizão: o craque. O esporte são-franciscano teve em Luizão e Valfrido uma das maiores zagas do nosso futebol atuando pelo Estrela, que levava uma grande torcida ao estádio cantando hinos de amor.

Luiz se integrou de corpo e alma à equipe do Codema na realização de programas direcionados à recuperação da bacia hidrográfica do rio são Francisco e preservação do meio ambiente. Em reconhecimento de sua ação ele recebeu a Comenda do Buriti conferido por ambientalistas do município. 

Luiz como cidadão consciente de seus deveres para com a sociedade e a Pátria dedicou-se ao trabalho em prol da comunidade são-franciscana e de municípios da região: elaboração de projetos agropecuários, implantação da feira livre de animais, participação na fundação do Sindicato dos Produtores Rurais, implantação de projetos agrícolas no PADSA (hoje Chapada Gaúcha); na implantação de vaquejadas na região e, no âmbito de ação social, foi presidente da APACOM. 

CULTURA SÃO-FRANCISCANA

 


José dos Passos, membro do Conselho Municipal de Cultura do município de São Francisco fez uma interessante abordagem sobre a cultura são-franciscana em que destaca algumas manifestações que já se perdiam no tempo e que têm uma beleza muito especial. Assim ele escreveu:

Hoje gostaria de compartilhar um pouco sobre a rica cultura local, com ênfase nas manifestações tradicionais, especialmente aquelas ligadas aos grupos de batuques. Essas manifestações possuem diferentes nomes na nossa região: algumas chamadas de batuque, outras de Carneiro ou lambe-ro. Independente do nome, essas práticas representam a identidade cultural das nossas comunidades tradicionais, especialmente as  quilombolas e ribeirinhas, que preservam suas histórias e saberes de geração em geração. Além dos batuques, nossa região possui diversas danças tradicionais que fazem parte da memória coletiva. Entre elas, destaco o Lundu, frequentemente utilizada durante as folias, dança com forte presença histórica, que nos chegou através das tradições populares. Dentro do Lundu, encontramos variações conhecidas como 4, 4 de 8 e 4 de 12, cada uma com seu ritmo, sua cadência e seu papel social, refletindo a diversidade de expressões culturais do município.

Outro aspecto importante são as cantigas de roda e a prática da ciranda, que ainda hoje se mantém viva na comunidade de Santa Helena, sob a liderança da mestra Dona Anitta. Essa prática é um elo entre as crianças e os mais velhos, promovendo a transmissão de valores, histórias e afetos através da música e da dança. Também temos a Curraleira, uma dança que envolve muitas pessoas e que, embora tenha suas origens mais fortes na região norte de Minas Gerais e no estado de Goiás, ainda se faz presente em comunidades como Pau D´Óleo, Rio Pardo, São Martim e Catarina. Nessas localidades, a Curraleira ainda faz parte das folias, mantendo viva uma tradição que conecta pessoas, espaços e histórias locais. Outro exemplo da diversidade cultural do município é a dança do Muzuá, pressentes, ainda, em algumas comunidades. Nessa prática, os participantes colocam uma trouxa de roupa na cabeça e dançam em roda, convidando outras pessoas a se juntarem. Essa dança é um reflexo da coletividade, da criatividade popular e da preservação de práticas que carregam significados profundos sobre identidade e memória cultural. Além dessas, temos também a dança do Mergulhão, que ainda faz parte da história cultural de algumas comunidades. Eu acompanhava muito essa dança na região do Lajedo, mas ela também é encontrada em outras comunidades da margem esquerda do Rio São Francisco. O Mergulhão representa mais uma manifestação viva das tradições locais, mantendo-se como parte essencial da nossa herança cultural.

O que vemos em nosso município é uma cultura viva, que se manifesta em cada canto das nossas comunidades. Cada dança, cada batuque, cada cantiga e cada folia carrega a história, a memória e os valores das pessoas que aqui vivem. Preservar essas tradições não é apenas manter danças e músicas, é fortalecer a identidade de nosso povo, reconhecer a importância das comunidades tradicionais e garantir que essas práticas continuem a ser transmitidas para as futuras gerações.

SÃO FRANCISCO CANTA TOM ANDRADE

 



São Francisco, através da Secretaria Municipal de Cultura, Patrimônio Cultural, Turismo, Esporte, Lazer e Juventude prestou uma merecida e muito bonita homenagem ao grande poeta e músico Tom Andrade. O programa inserido na 14ª Noite Mineira de Museus e Biblioteca foi realizado na frente da Biblioteca Dr. Geraldo Ribas na quinta-feira, 27. Muito eficiente, e brilhante, a condução do programa pela historiadora da Secretaria de Cultura,  Gesilda Paraízo,  que, depois de saudar o público presente, falou sobre o homenageado, TOM, GRANDE POETA.

Tom Andrade tem lugar especial meio aos grandes músicos e compositores de São Francisco. Desde jovem já revelava seus pendores como intérprete de músicas com sua voz suave, muito afinada. Com o tempo, na vivência musical, foi-lhe despertado o pendor poético e, então, começou a compor suas próprias canções com uma poesia muito apreciada. A sua sensibilidade chama atenção. Ele deu às suas canções um conteúdo histórico e regionalista, como vemos em muitas de suas canções e, em especial, no hino a São Francisco, que ele nos brindou. Vem-nos  à lembrança a sua trajetória manifestada ainda quando muito jovem cantando em rodadas de amigos e  participando das reuniões do grêmio da Escola Caio Martins e das apresentações do jogral. Por fim, como era de se esperar, ele deu um salto formidável, foi para Montes Claros e lá encontrou outras artistas como ele participando do excelente Grupo Agreste – Gútia, Pedro Boi, Zé Chorró, Sérgio, Manoelito e Braúna, cantores e compositores que se consagraram, assim como o Tom. Um destaque muito especial quando Tom nos presenteou, em parceria com o  poeta Fernando Rubinger, a música Andança. Depois, Saudade Teimosa e uma adaptação do Bumba meu boi com Manuelito. No segundo LP do Grupo Agreste, “Chegança”  Tom, participou com duas parcerias com Manoelito: Quebra de Milho e Lamento Agreste.   O terceiro LP, em 1988, o LP “O Caminho se faz no caminhar...” Tom Andrade tinha uma relação muito afetiva com os jovens caiomartinianos e isto o levou, na década de 1980, a gravar um belo LP com um coral formado por alunos da Escola Caio Martins de Esmeraldas gravado em Belo Horizonte. São muitas canções e gravações, solo ou com bandas famosas; várias de suas músicas foram gravas por cantores famosos. Um belíssimo trabalho foi o CD Eternos Girassóis, com canções admiravelmente interpretadas por sua talentosa filha Lívia Andrade. Tom foi sempre muito generoso dando força a novos cantores.

A trajetória do Tom não foi só na música. Ele prestou serviço na Funai como técnico. Preocupado na formação de lideranças indígenas, ele encaminhou um grupo de indígenas para estudar no Centro de Treinamento da Escola Caio Martins de Esmeraldas, o que rendeu frutos sendo o principal Sonia Guajajara ministra do assuntos indígenas.

Atualmente Tom reside em Penedo, numa cidade que o remete diariamente à sua terra natal, pois ela fica às margens do rio São Francisco. 

Nesta noite congratulamo-nos, em nome de todos os são-franciscanos, com nosso tão ilustre conterrâneo e amigo. Sabemos do tanto que ele ama sua terra, assim como ele por ela é amado. Tom, receba nosso carinho e nossas homenagens.


UM SHOW DE GRANDES CANTORES


A participação de cantores da terra foi sensacional. Todos muito emocionados pela oportunidade de cantar para o amigo Tom enviando-lhe emocionadas mensagens, que ele acompanhou através de transmissão ao vivo por Fernando Luiz Fernando Araújo. Cantores e canções interpretadas, todas de autoria do Tom Andrade:  João Herbber: Saudade teimosa; Janine: Meu Olhar; Sérgio Ricardo e Umbelino: Voz da gente; Sérgio Ricardo: Zabumba; Guilherme Barbosa: Desventura do coração; Serjão: As meninas e  Meu Rio; Wendel: Carrancas; Adilson Canhoto: O caminho se faz no caminhar; Kaká Sposi: Quebra de milho (com coro do público); Adilson Chacrinha e Dedé: Saudade Severina; Edna Maria: Chuva no sertão; Dedé, Urucuiana, Agnaldo Roberto e Pepino – Zumbi. A belíssima canção Na minha terra passa um rio teve o solo de flauta de Jefferson Felizardo e a lindíssima declamação de Damaris com perfeita performance.

Apoio musical: Christian - contra – baixo, Tiago Moura - teclado e auxiliar de transmissão. Participação especial: coral de crianças da EE Coelho Neto, cantando o Hino da Escola composto pelo Tom Andrade. 


NOITE FANTÁSTICA


As pessoas que tiveram o privilégio de assistir a este belo espetáculo constaram como São Francisco tem enorme potencial artístico, são tantos e excelentes cantores que deram, com muita cainho e arte um “tom” muito especial às canções do Tom. Foi maravilhoso e a moçada tão talentosa mostrou o seu valor.

De parabéns, também e muito especialmente está o secretário João Hebber e sua equipe – da biblioteca e da Secretaria, que num esforço comum e com muita dedicação, ofereceram ao são-franciscano um espetáculo de rara beleza e muita arte. Melhor, ainda, foi ouvir a mensagem do Tom, lá da distante Penedos, quase à beira do mar, agradecendo, comovido a homenagem do seus conterrâneos e amigos.


 UM DETALHE


Do céu veio um abençoado presente para a festa: a dadivosa chuva. O público resistiu ao vento e ao aguaceiro, agradecendo a chuva e o espetáculo de tanta arte.

sábado, 22 de novembro de 2025

DOIS GRANDES RIOS – DUAS TRAGÉDIAS

 


O rio São Francisco, maior rio totalmente brasileiro, considerado o “fator precípuo da existência do Brasil”, o rio da “Integração Nacional”, tem uma pungente história da sua navegação.

Rio Volga principal via fluvial da Rússia, fundamental para o transporte, economia, cultura e ecossistema

Os dois importantes rios têm, em comum, o registro de uma pungente história: os barqueiros.

No rio São Francisco as barcas faziam o transporte de cargas e passageiros  no percurso entre Pirapora e Juazeiro num percurso de 2.300 km em viagens que duravam  quinze ou mais dias. Segundo  Zanoni Neves (Os remeiros do Rio São Francisco)  “as varas que os remeiros utilizavam para empurrar as embarcações rio acima eram instrumentos de trabalho contundentes, isto é, produziam ferimentos ... O contato do instrumento de trabalho com a pele do “reculta” (recruta), ou seja, o remeiro que que se iniciava na profissão, provocava o surgimento de pequenas bolhas no peito, conhecidas entre eles como cabeça de prego. Na verdade iniciava-se desta forma um processo inflamatório. Até consumar-se a cura, o principiante passava por uma longa e dolorosa iniciação, podia culminar com a utilização de toucinho quente, fervendo (ou sebo quente) aplicado ao ferimento – considerado pelos veteranos muito útil para a formação do calo. Às vezes era preciso segurar o recruta pelos pés e pelas mãos, pois a terapia não era propriamente indolor. O toucinho quente servia para cauterizar a ferida, formando-se então o calo”. Diz Zanoni que mesmo doente, o remeiro às vezes submetia-se ao trabalho para não sofrer agressões de seus pares. A alimentação dos remeiros, comum, era a jacuba feita de farinha de mandioca, rapadura e água.

A história dos barqueiros do Volga   e do São Francisco reflete a dureza e a resignação dos trabalhadores ribeirinhos. Ela evoca a imagem de pessoas simples, que enfrentam o sofrimento, a exaustão e o peso de sua sina com determinação e resistência, simbolizada pelo repetido comando "Firme, puxa!". Há uma comparação entre a grandiosidade indiferente do rio e a dura realidade dos barqueiros, que, apesar do sacrifício, continuam em sua jornada. Há uma reflexão sobre o destino e o ciclo da vida, inspirada em conceitos como o de semeadura e colheita, sugerindo que tudo tem seu tempo determinado, conforme ensinado pelo O Caibalion. O texto busca consolar e homenagear esses "pobres inocentes", reconhecendo a dureza de sua existência e desejando-lhes um descanso ou recompensa divina.

Triste trabalho e sina dos barqueiros, uma vida difícil e sofrida dos barqueiros, trabalhadores que puxam ou empurram barcos ao longo dos rios. Ele mostra a luta e a dor que enfrentam diariamente, carregando cargas pesadas e sentindo o cansaço e o sacrifício físico. Apesar de toda essa dificuldade, eles continuavam firmes em seu trabalho.

O que se deduz: a mensagem espiritual que, apesar das dificuldades, há um tempo certo para tudo. Ele traz a ideia de que existe um equilíbrio na vida, onde o sofrimento faz parte de um ciclo maior. Segundo a espiritualidade, tudo está conectado e nada acontece sem um propósito. Os barqueiros, com toda a sua dor e esforço, também têm um lugar e um momento de descanso no plano divino.

sábado, 15 de novembro de 2025

REALIZAÇÃO DE UM SONHO

 


Na avenida Oscar Caetano Gomes um pequeno prédio se destaca desde o mês de janeiro deste ano ostentando no frontispício o nome: Clínica dos Olhos Alto São Francisco. É mais que simplesmente mais uma clínica, a história desse empreendimento revela muito mais: a realização do sonho da jovem empresária Naiane Cordeiro Oliveira. À frente de uma ótica, no contato constante com clientes ela percebeu como para eles, alguns da zona rural, era precário o atendimento oftalmológico e o acompanhamento em casos de emergências. Aquela vivência, que lhe causava preocupação, a levou realizar um projeto ousado – e põe ousado nisso – construir uma clínica ótica onde pudesse proporcionar um atendimento diário, facilitado e prático às pessoas que dependem de acesso a oftalmologista. Construiu um pequeno prédio para instalar a clínica muito prático, desde o recebimento ao atendimento dos.  Depois, a aquisição dos equipamentos:  oftalmoscópio (para visualizar o fundo do olho), a lâmpada de fenda (para examinar as partes anteriores do olho com alta ampliação), o tonômetro (para medir a pressão ocular) e o autorrefrator (para medir o grau do olho). Prédio e aparelhos não foi tudo. Naiane conseguiu reunir oftalmologistas altamente qualificada, que atendem em Montes Claros e Belo Horizonte. Destarte, tornou possível à clínica agendar atendimento de segunda a sexta-feira. Um detalhe: o atendimento diário do oftalmologista é importante no caso de ocorrência de acidentes oculares como ocorrência de corpos estranhos nos olhos decorrente de acidentes de trabalho e outros. 

Corpo de oftalmologistas: Dr. Juliano Maia, Marden Azevedo, Lucas Veloso e Thiago Bassi. Dr. Juliano tem uma relação familiar com São Francisco, ele é neto do casal José D´Àvila Pinto e Jandira de Souza Pinto. Belo Horizonte tem consultório próprio, atende no Hospital Felício Roxo e em Montes Claros. Em São Francisco, ele faz um atendimento mensal por desprendimento pessoal em benefício da comunidade. A clínica é gerenciada por Leiliane Rocha Neves que, ao mesmo tempo, cuida dos procedimentos que antecedem o atendimento do profissional.

O desprendimento da jovem Naiane mais que um espírito empreendedor, é um exemplo de tenacidade, de trabalho, tudo refletindo em benefício da população são-franciscana.

CONSCIÊNCIA NEGRA

 





No dia 20 de novembro, feriado nacional, celebra-se a importância da cultura e luta do povo negro contra o racismo e a opressão. É oportuno que se faça uma revisão sobre a história do negro no Brasil e, consequentemente, ao fio da nossa etnia. Então, somos levados a ultrapassar a antropologia detendo-nos em um aspecto singular, o que certamente mais fala do negro em nossa formação: à sua personalidade e à sua alma. Isto pode ser visto no fantástico livro MÃE ÁFRICA de Fidêncio Maciel de Freitas, que nos leva a mergulhar na África onde ele viveu na República Camarões por mais de quatro anos como diretor de uma grande construtora brasileira. Interessado apaixonadamente pela África, escreveu o livro revelando religiões, crenças e costumes africanos com singularidade e honestidade – uma obra apaixonante de imenso valor histórico e cultural.

Na apresentação do livro, ele delineia o seu conteúdo fundamental: “Nada mais ultrapassado do que discutir superioridades raciais. Os homens são iguais, embora as culturas sejam diferentes. Usando uma linguagem moderna podemos dizer que o homem é uma máquina viva, dotada de um computador. E o que diferencia um indivíduo do outro não é a máquina, nem o computador, mas o software instalado em cada um. Este software é a cultura da pessoa, no seu sentido mais amplo. Acrescente-se a esta definição materialista o sopro de Deus, já que o homem é um ser religioso, mesmo que, às vezes, possa não aceitar esse fato”. Ele cita Gilberto Freyre (Casa Grande & Senzala) uma verdadeira ode referencial à nossa etnia:  “Todo brasileiro, mesmo o alvo, de cabelo louro, traz na alma, quando não na alma e no corpo (...), a sombra, ou pelo menos a pinta do indígena ou do negro (...) A influência direta, ou vaga e remota do africano. Na ternura, na mímica excessiva, no catolicismo em que se deliciam nossos sentidos, na música, no andar, na fala, no canto de ninar menino pequeno, em tudo que é expressão sincera da vida trazemos quase todos a marca da influência negra da escrava ou sinhama que nos embalou. Que nos deu de mamar. Que nos deu de comer, ela própria amolengando na mão o bolo de comida. Da negra velha que nos contou as primeiras histórias de bicho e de mal-assombrado. Da mulata que nos tirou o primeiro bicho de pé de uma coceira boa, da que nos iniciou no amor físico e nos transmitiu, ao ranger da cama-de-vento, a primeira sensação completa de homem, do moleque que foi o nosso primeiro companheiro de brinquedo”.

Tudo resumido não há de se negar, nem estender polêmicas, somos uma nação com uma bela mescla: branco, negro e índio. E Deus seja louvado!


A ÁFRICA – II

Ao ensejo da comemoração da Consciência Negra, que implica num conceito que a todos interessa pela formação do povo brasileiro, vamos dar um giro ao grande continente africano.  

Na África, onde ficou a alma do negro? Nas savanas, florestas, rios, lagos, vales, animais, choças, instrumentos de caça e de trabalho, nos cantos e ritos livres, na voz da natureza, no murmurejar dos rios e fragmentar de cachoeiras, nos perfumes inebriantes da flora e tudo resumido no espírito coletivo: homem – terra na liberdade plena do seu assentamento milenar na Terra-Mãe. Ah! África milenar! África do Kilimanjaro de pico nevado beijando o céu, das cataratas da Vitória cavando abismos, dos lagos alimentando veios d´água, que serpenteiam suas extensas planícies. África milenar que na travessia da história traça os fios da civilização na estrutura de Lucy.  Do ouro, do diamante, do marfim, objetos da cobiça de homens que, não satisfeitos em usufruir e usurpar seus bens naturais foram além, quiseram o homem dele fazendo seu escravo ou objeto de riqueza no comércio humano. Alex  Haley em tintas vivas e marcantes pela ignomínia, no livro RAÍZES, descreve com realismo a escravidão, o desenlace extraordinário de tudo que naturalmente existia, a posse vital, que ao negro foi roubado arrancando-o da sua terra. Roubaram-lhe a Mãe-África e o levaram a um mundo que lhe era estranho em todos os sentidos. Contudo, como dádiva para a nova nação, da Mãe-África ele trouxe traços de sua alma base de uma nova raça. Por curiosidade, um são-franciscano quis conhecer a sua ancestralidade e para isto recorreu ao laboratório Genera fazendo o teste de ancestralidade genética e como resultado, ainda que considerado branco, teve como resultado que seu DNA procedeu de diversas regiões da África, concluiu, como Fidêncio, que a cor da pele não significa nada, pode ser a “máquina”, mas não o software.

São tantas as histórias, romances, poesias e músicas que buscam descrever a sanha do negro arrancado de sua terra-mãe, que com seu o trabalho, a sua arte e a sua alma, transformou-se em uma agente na criação de novas nações. Encontramos na literatura pátria registros do grito lancinante de revolta de autores diante de tão aviltante ignomínia, dentre eles Castro Alves em dois plangentes poemas: Vozes da África e Navio Negreiros, que em tempos idos eram declamados nas escolas primárias despertando nas crianças o conhecimento da etnia brasileira. Melhor, muito melhor, que o estardalhaço que se vê nos dias atuais sem sequer dar conhecimento daquilo que é mais importante para nossa nação: o que somos!

sábado, 8 de novembro de 2025

EE DR TARCÍSIO GENEROSO HOMENAGEIA PROFESSORES

 


A E.E. Dr. Tarcísio Generoso promoveu no sábado 8 o Programa Minas com Todos: acolher para avançar. O evento aconteceu no auditório do Colégio Pentágono com a presença dos diretores, professores e servidores do estabelecimento.

A abertura do evento foi feita pela vice-diretora, Vilma Beatriz, e diretor Antônio Marcos, manifestando a satisfação e alegria de contar com o trabalho tão dedicado e produtivo do corpo docente e servidores. Participação especial foi a palestra do professor João Naves, exaltando a importância do papel do educador na construção de uma sociedade melhor e na grandeza da pátria.

Participação especial, ressaltando o papel do educador: Mensageiros da Emoção.


Confraternização


Após o programa, a escola promoveu um momento de confraternização entre a direção, professores e familiares. Foi um momento de grande alegria.