sábado, 18 de novembro de 2017

EDVALSON – GALINHA TONTA

                                                                                                           Parte  II  

Não se sabe porque Edvalson criou o firme propósito de construir uma escolinha de línguas para crianças carentes como ele. Coitado. Se Jesus não fez milagre em sua terra, imagina ele. Tem batido e malhado em ferro frio. Tomando a missão a fio, resolveu mostrar de vez tudo o que sabia e como um “missionário”, passou a andar sempre portando livros em alemão, inglês e japonês. Falando e escrevendo para platéias extasiadas.
Veio uma grande oportunidade. O I Seminário do Meio Ambiente realizado em São Francisco. No meio das exposições e debates, abre-se um espaço, no meio dos ilustres expositores, entre eles o ministro Sepúlvedo Pertence, o procurador geral da República Aristides Junqueira,  renomados advogados e técnicos. Encontrando um espaço o Edvalson discorria sobre temas do encontro em alemão, inglês e japonês, conforme o interlocutor.  O ministro Sepúlveda dispensou-lhe atenção especial, ao lado de sua esposa, Suely: ouviu-o durante horas e ainda o visitou no seu pobre rancho. Depois escreveu-lhe cartas e mandou presentes. Galinha Tonta viu uma luz brilhar em seu céu: iria construir a sonhada Escola. Mas a luz se apagou como tantas outras.
Depois, com uma insistência danada, foi ouvido e escrachado no programa do Ratinho: ele queria um espaço para falar do seu ideal, mas não fez sucesso, pois não servia como motivo de escândalo. Marcos Hume o entrevistou depois no programa Tempo Quente, na TV Bandeirantes. Foi um programa correto, sério, decente. Três professores convidados assistiram às exposições do Galinha, conversaram com ele e analisaram seus escritos. Veredicto unânime, para todo o Brasil ouvir: o Galinha fala com exatidão nos três idiomas e, no caso do japonês, com um detalhe três tipos de escrita – Kanji, Hiragana e Katakana. Quanto ao inglês, ouvindo as pessoas ele distingue, no ato, o inglês bretão do americano.
Depois, ele foi alvo de uma excelente reportagem (Fantástico) com Maurício Maurício Kubrusly em que foi levado a conversar com japoneses no bairro Liberdade, São Paulo e nas ruas, com cidadãos estrangeiros – alemão e americano – conversando naturalmente com todos. O Brasil viu, então, o fenômeno Galinha. Foi entrevistado, mais tarde, pelo TV Globo Bahia pelo repórter José Raimundo – Poder da Mente que seria editada por ocasião do 500 do rio.
De São Paulo e Brasília são constantes os convites para passar uns dias com determinadas famílias. Em 2003 um japonês, Takushi Yamada, leu uma reportagem sobre ele  no Japão e, de lá, escreveu dizendo que viria visitá-lo. Veio e o levou para passar uns dias em Bastos-SP e lá acabou ficando 3 meses. Bastos é uma cidade onde praticamente só se fala o japonês. Edvalson aproveitou do fato: fez um curso da língua japonesa e ganhou um certificado.
Depois esteve em Brasília-DF a convite do presidente da VOETUR, Carlos Monfort., recebendo várias manifestações de carinho. Na vinda, ganhou mil camisetas “SOS Galinha Tonta”, para ajudar na construção de sua escolinha que ele está tentando vender, na cidade, de porta em porta.
Edvalson ainda surpreende. Ele passou pela redação do Barranqueiro, com aquele seu jeito meigo, puro e sempre feliz, e contou uma novidade: além do japonês, alemão, inglês, italiano espanhol ele começava a se aventurar pelo francês e, para demonstrar o seu progresso, cantou uma canção na língua de Voltaire.
Este é o nosso Edvalson dos Santos, o Galinha Tonta, uma preciosidade de ser humano. Ou mais, um ser iluminado.

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