sábado, 14 de junho de 2025

SÃO-FRANCISCANA BRILHA EM ALAGOAS

 

A barranqueira de São Francisco, Roanne Andrade, brilhou em um projeto cultural realizado no estado de Alagoas conquistando o primeiro lugar na seleção da Política Nacional Aldir Blanc com o projeto Cartas ao Velho Chico, concorrendo com mais de três mil propostas.

Idealizado, produzido e executado por Roanne, o projeto nasceu de um profundo afeto pelas águas do São Francisco e da convicção de que o rio não é apenas paisagem, mas personagem central da memória, da identidade e da luta de muitos povos. Roanne, que carrega no olhar sensível as barrancas mineiras, soube transformar sua vivência e pertencimento em potência criativa e instrumento de transformação cultural.

Com execução prevista para o período de 10 a 13 deste ano, na cidade histórica de Penedo (AL), o projeto mobilizará estudantes da rede pública, artistas locais e educadores em torno de uma série de atividades formativas, como oficinas de fotografia, escrita criativa e vivências sensoriais com o território. O ponto alto da iniciativa será a produção de cartas escritas ao rio pelos próprios alunos, que resultarão em uma  exposição aberta ao público prevista para o dia 12 de julho do mesmo ano, na Vila Dão Pedu, espaço gastronômico às margens do rio, e no galpão Zuteta, maior espaço multicultural do Baixo São Francisco.  As cartas e fotografias também serão publicadas em formato de livro digital (e-book), perpetuando as vozes das juventudes ribeirinhas em linguagem poética e comprometida com o território.

Com uma trajetória marcada pela sensibilidade, visão estratégica e compromisso com o desenvolvimento humano, Roanne Andrade vem se consolidando como uma das principais referências da produção cultural em Alagoas. Mesmo fora de seu estado natal, mantém viva a ligação com suas raízes, como declara: "Ser barranqueira é carregar o rio por dentro. Essa conquista é também de São Francisco e de todas as vozes que ecoam pelas margens do Velho Chico."

Cartas ao Velho Chico é mais do que um projeto premiado: é um gesto de devolução simbólica ao rio que dá vida, sustento e identidade a tantas cidades do Brasil profundo. E Roanne, com sua entrega e talento, reafirma o poder da cultura como elo entre passado, presente e futuro. Nossa escola, nosso planeta.

Roanne é filha de Roseanne Andrade, neta de Pompilio de Andrade e Iracy Gomes de Andrade, sobrinha do talentoso compositor Tom Andrade – ela tem, portanto raízes artísticas.

sexta-feira, 6 de junho de 2025

NOSSA ESCOLA, NOSSO PLANETA

 



A E.E. Adão Vieira situada na Vila Travessão de Minas promoveu, na sexta-feira 6, a culminância do projeto Nossa Escola, Nosso Planeta, Cuidar é nosso Lema coordenado pela professora de Ciências da Natureza, Marleide Alves. Participaram do evento alunos, professores, pessoas da comunidade, secretário do Meio Ambiente, Conceir Damião, bióloga, Luciana Mendes, equipe Estratégia Saúde da Família e agentes de endemias.

Como parte do evento foram distribuídas mudas frutíferas e ornamentais na comunidade.

Outras atividades – artísticas, peça de teatro e orientações a respeito do combate à dengue e aferições de pressão e glicemia.

Sem dúvidas, trata-se de um projeto de suma importância cultural e social.


ASPECTOS CULTURAIS DO MUNICÍPIO DE SÃO FRANCISCO

 João Naves de Melo - Membro da Comissão Mineira de Folclore


A LENDA DE SANTO ANTÔNIO DE SERRA DAS ARARAS – A Grande Romaria – II


No sertão urucuiano, universo dos personagens de Guimarães Rosa e do famigerado jagunço Antônio Dó que assombrou o Norte de Minas nas primeiras décadas do século XX, a misteriosa aparição de um santinho, acabou se transformando na maior romaria religiosa do Norte de Minas: Santo Antônio de Serra das Araras, hoje município de Chapada Gaúcha, que reúne, a cada ano, na semana da festa – 13 de junho – mais de 50 mil romeiros. Contam, o que ainda hoje é passado de pai para filho, à moda antiga de contar história criando tradições, que na virada do século XIX ou já entrado no século XX, que homens, zanzando pelo mundo perdido, num lugar desprovido de gentes e coisas, só de cerrado e areia branca, encontraram uma imagem de um santo incrustada numa loca, meio a pedras pontudas, espetadas na terra vermelha, cavada pela chuva em lugar de pouca vegetação, na ponta de um platô que veio ser chamado de Serra das Araras – porque, de verdade, era cheio de ninhos delas, as araras. Homens, cheios de fé e encantamento, com zelo, envolveram a pequena imagem em farrapos das próprias camisas e desceram a serra. No mísero e quase insignificante aglomerado, de pouco se ver e de quase nada de ranchos, uma velha chamaram e entregaram com devoção a pequena imagem. Ela, trêmula, ergueu-a aos céus e declarou com seus ofícios de beata: “Deus salve Santo Antônio!”

Era o santo casamenteiro que logo ganhou um humilde altar num não menos humilde rancho de palha de buriti, a sagrada palmeira do sertão. Um berço humilde, assim como fora o do Menino Jesus.

Acontece, no seguimento dos “poréns” tão comuns aos homens, que logo eles se esqueceram da história de Jesus e, as velhas rezadeiras, mais apegadas à tradição da Igreja, de tempos mais recentes, acharam que seria humilhação deixar o santinho naquele ranchinho tão sem propósitos, feio e triste. Decidiram, e logo mandaram alguns cavaleiros levá-lo  para as Pedras (hoje a formosa cidade de São Francisco), a vila que já existia, com uma pequena igreja tão bonita, debruçada sobre o rio Grande (São Francisco). Contada a história, achou por bem o padre, nela acreditando e ciente da importância da crença do povo, reservar ao santo um belo altar, quentinho, perfumado e destacado na igreja da Vila. Ali ficou e todos admiravam, rezavam e faziam novenas. Um dia... o susto e a gritaria geral – “Santo Antônio sumiu”. Imaginaram que fora obra de algum maluco, ou devoto exagerado ou de gente que não gostava da igreja. A Vila ficou em polvorosa. O mistério logo foi desfeito: um cavaleiro  encontra o santinho na estrada, caminhando ligeiro, suado, sem olhar para os lados. A notícia causou comoção geral: “Santo Antônio sumiu! Ele Voltou para Serra”. Milagre. Uma caravana se organizou logo, uns a cavalo, outros a pé e outros seguindo comboio de carro de boi, para a Serra das Araras. Começou assim a grande romaria de Santo Antônio de Serra das Araras que se repete, religiosamente, a cada ano. No dia 13, missas, dezenas de casamentos, procissão, rezas, batizados, pagamento de promessas (cada romeiro que chega à Vila, tem que dar três voltas em torno da igreja, soltando foguetes).

A festa profana hoje se iguala à religiosa para o desencanto dos mais antigos e é intenso o comércio na semana da romaria. Ainda assim ela não perde o encanto, a atração e mantém a tradição, o que se registrou numa música que ganhou o domínio público: “Adeus Serra das Araras,/ Adeus linda urucuiana / Adeus, está chegando a hora, /Adeus, Alice, já vou embora (...) “Já fiz prece/ fiz promessa,/ para o ano eu pretendo voltar! Adeus!”.

O GUARDIÃO DAS PROFUNDEZAS: SEGREDOS DO SÃO FRANCISCO - V

 Murilo Saraiva Queiroz


A Criatura das Profundezas


"O dourado é o maior peixe de escamas do rio," interrompeu Seu Antônio, sua voz carregando a autoridade de uma vida inteira passada em barcos de pesca. "Escamas douradas que brilham como moedas ao sol. Eles podem crescer até mais de trinta quilos, com mandíbulas fortes o suficiente para quebrar o pulso de um homem."

"Conte a ele o que os antigos dizem que aconteceu com o bebê," insistiu Pedro.

Seu Joaquim assentiu lentamente. "Dizem que um dourado enorme-o rei de todos os dourados-pegou a criança antes que ela pudesse se afogar. Não para comê-la, mas para salvá-la. O peixe carregou o bebê para o fundo das cavernas subaquáticas que se entrelaçam na margem do rio, para um lugar onde água encontra ar em vastas câmaras que nenhum humano jamais viu."

"Exceto um," corrigiu Seu Antônio. "Padre Heinrich seguiu Maria até o rio naquela noite. Tarde demais para salvá-la, mas ele viu algo na água-um lampejo dourado, um pequeno membro pálido, e então... nada. Ele passou o ano seguinte em estado febril, desenhando símbolos estranhos e murmurando sobre 'a criança das profundezas'."

Seu Joaquim continuou, "Duas décadas se passaram. As antigas famílias tentaram esquecer o escândalo. Então veio a seca de 1928. O rio recuou mais do que qualquer um tinha visto, revelando entradas de cavernas ao longo das margens que estiveram submersas por gerações."

"Um grupo de jovens, incluindo meu pai, explorou uma dessas cavernas perto da base de São Félix. Eles encontraram uma câmara subterrânea com paredes que pareciam ter sido esculpidas-não pela natureza, mas por mãos. E no centro, um pequeno altar com uma estátua de Nossa Senhora, a mesma que uma vez esteve no local de oração de Maria à beira do rio."

"Mas não foi tudo que eles encontraram," sussurrou Pedro. "Conte a ele sobre as pegadas."

O rosto de Seu Joaquim ficou grave. "Não eram pegadas como você as conhece, garoto. Um lado mostrava a marca do que poderia ter sido um pé humano-embora grande demais para qualquer homem. O outro... o outro era a impressão espalhada de algo como uma barbatana de peixe, mas articulada, como se pudesse suportar peso."

"E as escamas," acrescentou Seu Antônio. "As escamas douradas espalhadas pelo chão de pedra úmida."

"Padre Heinrich já era um homem velho então," continuou Seu Joaquim. "Quando lhe contaram o que haviam encontrado, ele não pareceu surpreso. Em vez disso, reuniu os anciãos da cidade e entregou um aviso: 'O que dorme abaixo deve permanecer intocado. A criança se tornou algo diferente-nem humano nem peixe, mas algo antigo que o rio despertou.'"

"O padre afirmou que o sistema de cavernas se estendia sob a própria igreja-que os construtores sabiam disso e construíram São Félix diretamente acima da maior câmara para conter o que quer que habitasse abaixo. Ele ordenou que a entrada da caverna fosse selada e construiu uma pequena capela sobre ela, incorporando a estátua de Nossa Senhora que havia sido encontrada lá embaixo."

RIO SÃO FRANCISCO EM TELA

 


O Campus da Unimontes de São Francisco promoveu na sexta-feira 6 a 1ª Plenária Cerpopular com o tema: Sobrevivência no Rio São Francisco: um grito de socorro?

Muito oportuna e importante a iniciativa realizada na semana que marca o Dia Nacional em Defesa do Rio São Francisco (3) e Dia Mundial do Meio Ambiente (5) e, ainda o Dia Municipal do Rio São Francisco (3) com objetivo de “discutir e deliberar a respeito de pautas urgentes que atravessam nosso compromisso com a justiça ambiental colocando em pauta a diversidade de experiências que envolvem a relação da população são-franciscana com o Velho Chico, que é lugar de subsistência e afeto, mas que tem sido modificado e explorado”. Neste sentido foi convidada a comunidade para participar do evento e representantes do poder público para debater o tema e buscar soluções efetivas para proteger nosso rio e nossa história.

Um propósito anunciado: “Neste anos retomamos e cobramos a efetivação de 10 medidas, entre elas: 1. Criação de viveiros de mudas e de bancos de sementes em todos os municípios banhados pelo rio São Francisco. 2. Incentivar a construção de barragens subterrâneas.3. cercamento e arborização de nascentes. 4. Reflorestamento e ampliação de áreas de conservação de matas ciliares. 5. Rever critérios para perfuração de poços tubulares”.

Diversas foram as falas no evento através de representantes do poder público e da sociedade relacionados às questões ambientais, com relatos de experiências, trabalhos realizados em prol do rio São Francisco e de causas ambientais num apanhado que rememora trabalhos realizados no município na área ambiental. Contou-se, em resumo geral, uma grande preocupação quanto à situação do rio São Francisco e do cerrado apontando-se sérios problemas, que vêm ocorrendo ao longo de muitos anos dependendo muito das ações governamentais e envolvimento da sociedade.

Alunos do Campus da Unimontes e da EE Dr. Tarcísio Generoso participaram do evento com demonstração de muito interesse.


CASA DA CULTURA/MUSEU

 


O prefeito Miguel Paulo reuniu-se com os secretários João Hebber – Cultura e Turismo;  Conceir Damião – Meio Ambiente e Diovani Rene Costa – presidente do Codema, na quinta-feira 6, em seu gabinete, para tratar de assuntos relativos às áreas da cultura e do meio ambiente.

Com a relação à cultura, o prefeito Miguel Paulo assinou contrato de comodato com a ONG Preservar cedendo o prédio da antiga cadeia (Instituto Técnico Cel. José Ortiga) para a criação da Casa da Cultura/Museu e espaço para instalação de estandes de exposição do trabalho de artesãos do município.

Com relação ao turismo o prefeito tomou conhecimento do projeto elaborado pela Secretaria de Turismo/Codema visando incrementar a orla do rio São Francisco, no trecho entre a Praça dos Pescadores (Quebra) à rua Hermano Diamantino (saída para São Romão). A arquiteta Daniel Spina, do departamento de Turismo da Secretaria Municipal de Turismo, fez a apresentação do projeto que elaborou transformando a orla em um local de atração turística e de lazer para a população são-franciscana, que teve pronta acolhida do chefe do executivo. O projeto será levado à apreciação de autoridades competentes quanto à questão ambiental e, depois, tendo aprovação, levado ao conhecimento da população.

Em relação ao Codema tratou-se da reestruturação do órgão visando à retomada das atividades voltadas para as questões hídricas no município:  recuperação de nascentes, construção de barraginhas e tanques; e para a fiscalização da poluição sonora. 


GALERIA DA RUA SILVA JARDIM

 


O prefeito Miguel Paulo deu início a obra que é da maior importância para uma área nobre da cidade: a construção da galeria da rua Silva Jardim. Essa área tem enfrentado seríssimos problemas na estação chuvosa com inundações de grande porte decorrendo do crescimento da cidade na parte alta, região do Eldorado, com remoção de vegetação e pavimentação de ruas. Assim, a cada ano, maior fica o problema. A solução não parecia ser fácil, pois como se sabe trata-se de uma obra sem visibilidade aos olhos da população, pois chama mais a atenção a pavimentação de vias públicas ou obras expostas. 

No governo de Josedir de Souza Pinto (1989-1922) foi iniciada a construção da galeria no trecho entre as avenidas Presidente Juscelino e Oscar Caetano Gomes. De lá para cá sucederam-lhe sete governos e a obra não teve continuidade. Caso fosse construída, a cada governo, um trecho relativo a um quarteirão, a galeria já estaria concluída. A proposta do prefeito Miguel Paulo, nesta etapa, é estender a construção até a altura da avenida Euclides Liberato, um trecho bem extenso, que poderá diminuir bastante o fluxo das enxurradas na região central da cidade.

Além desta galeria foi concluída outra no bairro Santo Antônio e, de igual importância, está sendo construída no bairro Sagrada Família, numa área muita crítica, assolada por grandes inundações.