sábado, 3 de maio de 2025

DR. LUIZ CARLOS RECEBE MEDALHA DA INCONFIDÊNCIA

 


No dia 21 do mês passado pousou em Ouro Preto, antiga capital de Minas Gerais, o desembargador Luiz Carlos Gomes da Mata, em companhia do procurador-geral do Estado, Paulo de Tarso Morais Filho, em helicóptero da PMMG. A finalidade da viagem do desembargador Luiz Carlos a Ouro Preto foi para participar da solenidade de entrega da Medalhas da Inconfidência, conferida, anualmente, a personalidades que contribuíram para o prestígio e a projeção mineira – ele recebeu a Medalha de Honra.

O desembargador Luiz Carlos Gomes da Mata é filho do casal Edson Gomes da Mata e Nadir Silva Gomes de tradicionais famílias são-franciscanas. Ele comerciante e respeitado cidadão voltado para o desenvolvimento do município sempre presente às reuniões da Câmara Municipal dando, em diversas ocasiões, sugestões a respeito de procedimentos atinentes ao desenrolar dos trabalhos da Casa, especialmente as sessões plenárias. Nadir era secretária do Campo de Sementes do Estado de Minas Gerais e, depois, extinto esse campo, continuou seu trabalho como secretária e professora de bordados do Centro de Treinamento da Escola Caio Martins; era acolhida na comunidade com todo carinho e admiração pelo seu excelente trabalho; destacou-se, ainda, nas ações religiosas na paróquia de São José.

Luiz Carlos graduou-se como advogado na Faculdade Milton Campos, Belo Horizonte, no ano de 1985, destacando-se como orador da turma. Trabalhava, enquanto estudava, na Companhia Belgo Mineira no setor de contabilidade o que deixou assim que formado porque não teve como exercer um cargo jurídico na empresa. Destarte veio para São Francisco e deu início à sua vida como advogado. Em 1988 começou nova fase profissional como procurador geral do município e advogado do Sindicato dos Produtores Rurais. Em 1990 vocacionou-se pela magistratura, logrou aprovação e teve Lagoa da Prata como primeira comarca onde permaneceu durante 3 anos. Por dois anos e meio atuou como juiz da comarca de João Pinheiro, o maior município de Minas Gerais em extensão. A etapa seguinte ele cumpriu em Governador Valadares, grande município do Vale do Rio Doce, onde permaneceu por três anos e meio. Chegou a Belo Horizonte, ocupando 29ª Vara Civil durante onze anos. Por fim, em 2008 o grande salto, foi promovido ao cargo de desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, na 13ª Câmara Cívil e, ainda, exerce a presidência da Comissão Salarial e toma parte do Núcleo 4.0 – que atua na cooperação com as Câmaras atrasadas.

Neste estreito currículo, retratando um pouco da jornada de 36 anos de trabalho do desembargador Luiz Carlos em prol da justiça mineira, como advogado, juiz de direito e desembargador, prestamos um tributo a ele que é motivo de orgulho de sua terra certamente levando o nome dela além fronteiras pela dignidade e reconhecido trabalho. E mais: um bom exemplo de cidadania para nossa juventude. 



ASPECTOS CULTURAIS DO MUNICÍPIO DE SÃO FRANCISCO

 João Naves de Melo - Membro da Comissão Mineira de Folclore


A lenda ou décima do Rio Abaixo - I


Assim como a lenda do Famaliá, do Caboclo d´Água, do Romãozinho, algumas ligadas às maquinações do demo para conquistar a alma do homem, tudo lhe dando em vida para arrastar a sua alma, depois, para as trevas, envolta de profundo mistério, antiga, mas pouco conhecida e envolvente, corre nas barrancas do rio São Francisco, guardada nos profundos recônditos da alma de amedrontados violeiros, a lenda ou décima do Rio Abaixo. Violeiros  antigos e bons ponteadores conhecem o toque, mas não se atrevem executá-lo. Há sempre uma pronta e seca recusa.

A décima recolhida no município de São Francisco – MG, é cantada em dezesseis estrofes. Ela conta a história de um violeiro misterioso, executando uma música envolvente que seduzia mulheres. Uma canoa deslizando no São Francisco sem canoeiro de se ver – às vezes, melhor olhando, possível seria divisar um sinal de chapéu de abas bem largas. O remo não era visto e a canoa descia como abandonada. Dela propagava um som melodioso de viola, alcançando as barrancas, onde se postavam mulheres no afazer de lavar roupa e vasilhame – somente elas, em especial. Encantadas elas pediam para o remeiro-tocador encostar a canoa no barranco, de onde era convidado para ir até ao rancho tomar café, abrindo caminho para outras coisas que ele queria, sempre tocando e tocando. O terceiro personagem da lenda é um menino que jamais era envolvido pela magia e, assim, sempre quebrava o encanto revelando o mistério: o pé do violeiro era redondo. Antes de se sucumbir ao encanto e entregar sua alma ao tinhoso, salva pela criança, a mulher punha-se a se  benzer e começava as rezas do Credo de trás para frente, do Pai-Nosso e tantas outras, das mais fortes. Acuado o tinhoso corria para a canoa gritando: “S´imbora, Gaspar” e tocava a canoa rio abaixo: “Descendo o rio abaixo/ ê, numa canoa furada/  ê, descendo o rio abaixo/  (...)  arriscano a minha vida/ ê, numa coisinha de nada..”

Curioso é o registro feito na décima, na parte declamada: o violeiro não fala qualquer palavra relacionada a Deus ou santos. Um diálogo estranho ocorria: - Bom dia, seu moço!. O siô foi Deus qui mandô – dizia a mulher. Não, dona, eu vim porque quis – replicava o violeiro. A viúva continuava sem perceber a aversão do violeiro ao nome da divindade: Nossa Senhora! O siô toca muito bonito. Ao que ele cortava seco: Senhora, eu toco. Ela continuava em seu encantamento: Esse homem é do céu. E ele, seco e direto: Não, eu sou de casa mesmo.

sábado, 26 de abril de 2025

TIRANDO O CHAPÉU

 João Naves de Melo


Um episódio, com duas fases, aconteceu comigo dias atrás, exasperando-me, levando-me a um exercício de paciência. Gentilmente fui avisado por uma agente de saúde que já se encontrava disponível, no posto de vacinação onde sou cadastrado, a vacina contra a influenza. Bastaria comparecer ao posto sem hora marcada. Em uma manhã, eu e a minha esposa Vilma  fomos ao posto situado na avenida Olegário Maciel (rua da Mangueira), lá chegando às 9h. Incauto, cometi um erro: marquei um compromisso na mesma manhã, sobrando-me escassos 30 minutos para a vacinar. Passaram-se eles. A sala de vacinação ocupada e na fila, antes de nós, duas pessoas. E os minutos escorriam, escorriam e nada. Aflito, de olho no relógio, acabei manifestando meu desagrado. Por fim, abriu a porta e por ela, saíram 4 pessoas – tratava-se da vacinação em grupo, ou seja, de uma só família. Foi a primeira explicação da demora. Mais dois foram na nossa frente, mas logo fomos chamados. Foi aí que tomei conhecimento da demora e me penitenciei: a burocracia. Não era, contudo de se tomá-la como um empecilho, uma procrastinação, pois o que vi foi um sistema implantado que tem o registro de acompanhamento de todas as vacinas que tomei e, se fosse o caso, as que deixei de tomar, tudo muito bem organizado e processado. Novo cartão com diversas informações sobre a saúde do paciente, isto é, o acompanhamento de sua vida sanitária. Arre! Fiquei estupefato e amolado por minha impaciência, o que é sempre muito negativo   no caso de convivência social, pois sempre vemos apenas o nosso lado. Refleti e me penitenciei. Nunca mais. Horários não devem ser acumulados.

Fica, por fim, um registro: o posto é muito bem instalado, oferecendo conforto aos usuários e funcionários, com instalação muito asseada, com ar condicionado e, o que a tudo supera: a amabilidade e a solicitude das atendentes. Com cortesia desconsideraram nossa impaciência e até justificaram com urbanidade a razão da demora no atendimento. Nem precisava, aprendi antes. 

Nosso reconhecimento a toda a equipe do posto.

UMA GRANDE CONQUISTA


A jovem Marcela Almeida Fraga, filha de Charles Fraga Nascimento e Dione Ribeiro Neves chegou à realização de uma jornada com êxito: concluiu o curso de medicina. A colação de grau acontecerá no dia 27 de junho, em Montes Claros. Contudo, Marcela, ao lado de sua família já vive emocionada esta grande conquista, que será a abertura de uma nova etapa de sua vida, um novo norte.

Qual foi a sua emoção? Ela mesma diz: “Não existem palavras que possam descrever a felicidade de uma conquista que almejei desde a minha infância. Esta realização demandou horas de estudo, renúncias e ausências. A Ele, toda honra e glória! Meu Deus, agradeço por me capacitar e por permitir que eu realize meu sonho, por guiar meus passos e ser minha força, esperança e proteção divina. Celebro esta vitória, ciente de que, por trás de alguém que alcança grandes conquistas, existe uma rede de apoio motivadora. Sem dúvida, ao longo desses seis anos, contei com as melhores pessoas ao meu lado. Hoje, pai e mãe, congratulo-me por formar a sua última filha; os dias difíceis e a angústia financeira chegaram ao fim. Seus esforços e sacrifícios para que este momento se concretizasse valeram a pena. Nós vencemos! Expresso minha gratidão a vocês, meus pais, Charles e Dione, por acreditaram em mim e sempre investir em meus sonhos. Vocês são a razão da minha vida. Às minhas irmãs, Larissa e Ana Paula, agradeço por serem uma fonte de amor puro e felicidade em meus dias. Aos meus familiares e avós, em especial à minha avó Cleusa, agradeço pelas orações sinceras! A Lucas, sou grata por estar ao meu lado em cada desafio e celebração. Às minhas amigas de longa data e àquelas que a faculdade me proporcionou, obrigada por tomar a jornada mais leve. Aos meus professores, agradeço pelos ensinamentos compartilhados. A cada paciente que cruzou meu caminho e confiou em mim suas dores e anseios, expresso meus eternos agradecimentos. Com humildade e determinação, embarco nesta nova etapa, pronta para exercer uma medicina baseada em evidências, pautada pela ética e pelo amor: 'curando quando possível, aliviando quando necessário e consolando sempre'”.

REGULAMENTAÇÃO DA POLUIÇÃO SONORA

 


Na quinta-feira, 24, no quartel da  13ª Cia da PMMG de São Francisco,  realizou-se uma reunião para concluir os estudos sobre a regulamentação de procedimentos relativos à poluição sonora no município. Presentes ao encontro o promotor de Justiça Daniel Polignano Godoy, o comandante da Cia PMMG, Ten Cel Wilson Fabiano Gonçalves da Silva, Cap PM Clyver, Conceir Damião Vieira, secretário de Meio Ambiente; o presidente do Codema Giovanni Rene Costa; o procurador jurídico do município Carlos Pereira de Carvalho Júnior, secretário municipal de Infraestrutura, Ranulfo Ribeiro Santos Júnior, Jaila Bastos Carvalho, representante da Polícia Civil; Maria de Lourdes Ferreira e Adele Ribeiro Queiroz, representantes do Conselho Tutelar, Alda Maria  Silva de Souza, conselheira do Codema e promotores de eventos.

A reunião teve como objetivo de implementar o que dispõe o Código Ambiental do Município em face dos limites estabelecidos pela Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABTN – e resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA).

Ao final de mais de duas horas de exposições e debates, ouvidos especialmente as partes diretamente ligadas ao assunto, em particular os promotores de eventos, com ponderações do Ministério Público, da Polícia Militar e Procuradoria do Jurídica do Município, foi elaborada uma minuta da norma deliberativa do Codema, que será dada ao conhecimento, e discutida com o público, em audiência pública na Câmara Municipal em data a ser definida. 


DESPEDIDA


No encerramento da reunião, o promotor Daniel noticiou aos presentes que estava deixando a Comarca de São Francisco, promovido para outra Comarca. Manifestou que se tratava de um imperativo, o que é comum à carreira dos promotores, mas que o fazia com muito pesar, pois teve uma boa acolhida em São Francisco, cidade e povo que muito admira. Recebeu muitos cumprimentos e votos de muito êxito em seu trabalho futuro.

sábado, 19 de abril de 2025

TIRADENTES UM EXEMPLO VIVO

  “Se todos quisermos poderíamos fazer do Brasil uma grande nação”. Augusto de Lima Júnior.



21 de abril uma data que até pouco tempo era reverenciada pelos brasileiros com fervor cívico, especialmente nas escolas. Dias atuais pouco se dá a ela e muito menos sabe-se sobre Tiradentes. O fato leva a estabelecer um paralelo com o que escreveu Vicente Licínio Cardoso: “Rio São Francisco um rio sem história”. No andar da carruagem não vai longe o tempo em que o Brasil será um país sem história. É muito grave, pois refletindo sobre a vida, o pensamento, as ações de Tiradentes e o comportamento do poder à época, chega-se à atual situação, onde se vê que uma nova derrama está a fervilhar diante de um setor da população que está supitando.

21 de abril de 1792 guarda a marca da tirania no cerceamento à liberdade do cidadão. Tiradentes foi levado à forca, mas há de se pensar que enforcados foram seus algozes no panteão da história. Ora, “Tiradentes não morreu, a ideia vive. Tiradentes é a encarnação do pensamento d´um povo, e os povos são imortais”, escreveu Jorge Lasmar membro da Academia Mineira Maçônica de Letras. 

Atendo-se a Tiradentes, o personagem, tem-se que “nenhum país ostenta, nos alicerces da sua liberdade, troféu mais digno e mais trágico que ostenta o Brasil: o corpo, a honra e o sangue de um filho que morreu para que sua Pátria fosse livre” em citação de José Álvares Maciel. Tiradentes foi preso e condenado a morrer na forca por abraçar um ideal defendido pelos iluministas que entendiam que a revolução não era crime exatamente porque se propunham a restaurar as liberdades primitivas que se haviam retirado ao homem pela deturpação progressista do seu estado natural.

A história de cada povo tem seus heróis. Estes homens singulares não alcançam o qualificativo por acaso ou pelo esforço de terceiros, muito menos através de propaganda oficial. Com Tiradentes de certa forma, aconteceu o contrário. A história oficial tentou denegri-lo, diminui-lo, ao mínimo da classificação, louco e insensato, como impingiu o historiador mineiro, da época, Joaquim Noberto da Silva prestando um serviço que é tão atual na quadra que vive atualmente o país com setores da imprensa nacional distorcida e distorcida na propagação das notícias políticas.

A AURORA DO BRASIL


  Metade de um milênio, o que parece ser quase nada em relação à história de países da Europa e da Ásia, é o tempo da história do Brasil: 525 anos do descobrimento. Então não há como comparar o desenvolvimento do nosso país, sobre todos aspectos, com o de muitos países daqueles continentes, mas há de se comparar com o que acontece com os EE.UU,  na descoberta contemporâneo ao Brasil. É um caso a pensar sobre os disparates entre o desenvolvimento das duas nações o que, obrigatoriamente, leva-se a refletir sobre as causas do atraso brasileiro em relação aos americanos. 

Lamentação à parte, não é o caso. Há de se ter orgulho pela pátria brasileira e não são poucos os motivos, como também, há imensa tristeza, por outro lado, diante da desfaçatez de governantes do país, que não acertam o prumo e a coluna está sempre caindo. Tantas riquezas encontram-se na natureza, em grande parte sem um aproveitamento real, especialmente no campo geológico, para não se deter na pujança da agricultura, que alimenta boa parte da humanidade. Um exemplo, entre tantos: o Brasil é o país com a maior concentração de nióbio no mundo, sendo responsável por mais de 90% do volume comercializado. Agora, vem o caso: o Canadá possui apenas 2% das reservas de nióbio do mundo e com ela garante saúde e educação gratuitas para sua população. Só existe um sistema de saúde no Canadá, um sistema público de saúde de altíssima qualidade, financiado pelos recursos do nióbio. O Brasil possui 90% das reservas e o nosso sistema de saúde e educação deixa tanto a desejar. Só?

Fica-se apenas neste exemplo para não ter que desfiar uma linhada de lamentações, decepções, descrenças e problemas. Orgulhosamente e como consolo, fiquemos com a comemoração da data do que deu causa ao surgimento do Brasil. Há muito que se comentar sobre este acontecimento, por que e como se deu, mas não cabe tal reflexão no momento, tantas são as controversas.

Há de ressaltar um fato marcante na história da nação brasileira, o fundamento do cristianismo. No primeiro domingo após a páscoa, dia 26 de abril,  o comandante Cabral ordenou a seus tripulantes que montassem um altar no ilheu da Coroa Vermelha onde foi celebrada, por frei Coimbra, a primeira missa na terra descoberta. No primeiro dia de maio do mesmo ano, uma sexta-feira, os marinheiros ergueram uma grande cruz com cerca de sete metros e cravaram-na no meio de um banco de areia, Por isso a nova terra recebeu, como primeiro nome Ilha de Vera Cruz (cruz verdadeira). Foi, sem dúvida, o que de melhor trouxe Portugal para o Brasil porque sedimentado no espírito da nação.

Registro: o dia 22 de abril não é feriado nacional e muito menos é comemorado pela população. Patriotismo à larga....