sábado, 21 de março de 2026

IMPERMANÊNCIA - I




  Não precisava ser como as águas do São Francisco na sua impermanência. Ora, o que passou, passou; outras águas serão outras, certamente. O fato leva a uma reflexão sobre o mote criado pelo historiador João Botelho Neto: “São Francisco, cidade do já teve”. Pode parecer pejorativo, pessimismo declarado, que contraria a possibilidade de renovação com a chegada de outras águas, que não trazem o passado de volta, mas pode servir de incentivo à renovação ou revivência do que foi bom e produtivo. Figura, apenas como ilustração – e teses para debates e reflexões – um fato real: São Francisco ao longo de sete décadas teve um considerável esvaziamento nas áreas social, cultural, produção e política. O que se perdeu nesse período histórico é de se lamentar considerando o que o compôs na história e participação social do são-franciscano – um enorme vazio.

O Portal propõe a análise, desdobrada em vários capítulos, dos seguintes fatos, ou seja, de perdas consubstanciais.

Um: Associação dos Amigos de São Francisco – uma entidade criada por um grupo de jovens da cidade com sede onde hoje funciona a Câmara Municipal. AASF tinha finalidades recreativa (bar, bailes e cinema), cultural (biblioteca, teatro, jornal (SF-O Jornal de São Francisco), shows artísticos (apresentações de orquestras, bandas, grupos, cantores solo e, em especial, uma inovação como o Theremin, um dos primeiros instrumentos musicais eletrônicos, inventado em 1920, tocado sem contato físico. 

Na década 1970 a AASF encerrou sua atividade

Dois: Cine Canoas que durante anos foi o ponto de encontro da sociedade são-franciscana e a alegria da criançada com os matinês e shows de calouros nas manhãs domingueiras, proporcionados pelo empresário Helvécio Mendes.                  

            Marcou época, mas sucumbiu à chegada da televisão em São Francisco, ainda que precária.

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