sábado, 9 de março de 2024

NOSSA CIDADE: FATOS HISTÓRICOS

  Nota: Esta monografia será dividida em capítulos, 

mais curtos, para uma melhor leitura.


Igrejinha e cruzeirinho de Teodoro



EM BUSCA DAS ORIGENS – XII

  

        Na África, onde ficou a alma do negro? Nas savanas,  florestas,  rios,  lagos,  vales, animais,  choças,  instrumentos de caça e de trabalho, nos cantos e ritos livres, na voz da natureza, no murmurejar dos rios e fragmentar de cachoeiras, nos perfumes inebriantes da flora e tudo resumido no espírito coletivo: homem – terra na liberdade plena do seu assentamento milenar na Terra-Mãe. Ah! África milenar!. África do Kilimanjaro de pico nevado beijando o céu, das cataratas da Vitória cavando abismos, dos lagos alimentando veios d´água, que serpenteiam suas  extensas planícies. África milenar que na travessia da história traça os fios da civilização na estrutura de Lucy.  Do ouro, do diamante, do marfim, objetos da cobiça de homens que, não satisfeitos em usufruir e usurpar seus bens naturais foram além,  quiseram o homem dele fazendo seu escravo ou objeto de riqueza no comércio humano. Alex  Haley em tintas vivas e marcantes pela ignomínia, no livro Raízes, descreve com realismo a escravidão, o desenlace extraordinário de tudo que naturalmente existia, a posse vital, que ao negro foi roubado arrancando-o da sua terra. Roubaram-lhe a Mãe-África e o levaram a um mundo que lhe era estranho em todos os sentidos. Na Mãe-África  ficou a sua alma, tudo o que tinha, desprovendo-o de sua dignidade humana.

            À força brutal foi arrancado da terra-mãe, acorrentado e atirado em navios da morte  com descreveu  Caio Prado (História do Brasil): “Mal alimentados, acumulados de forma a haver um máximo de aproveitamento de espaço, suportando longas semanas de confinamento e as piores condições higiênicas, somente uma parte de cativos alcançava seu destino”.  A travessia do  oceano, mais que nostalgia, era de extrema dor e ignominia. A. Souto Maior (História do Brasil) registrou: “Os traficantes obrigavam também os pobres negros a dançarem, com evidente intenção de livrá-los do torpor e da melancolia, mas o banzo, uma psicose depressiva, provocada pelo sofrimento e nostalgia, dizimava-os. Alguns se atiravam ao mar.”

            Vindo os grupos, em sua maioria da costa oriental aportaram, em maiores contingentes na Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro –  Moçambique, Guiné, Congo, Costa do Marfim;  maiores grupos, os bantos, dois grandes grupos: angola-congoleses e moçambiques. Chegaram destituídos de sua personalidade e dignidade como bem observou Boris Fausto: “O negro  era considerado juridicamente uma coisa e não uma pessoa”.  Em tal situação viraram objeto do interesse econômico dos senhores  como tão bem definiu  os definiu o jesuíta Antonil dono de frases tão sintéticas como cruéis, “Como as mãos e os pés do senhor do engenho, porque sem eles no Brasil não seria possível fazer, conservar e aumentar a fazenda, nem ter engenho corrente”. Real alicerce da sociedade, os escravos chegaram a constituir, em regiões como o recôncavo na Bahia, mais de 75% da população. 

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