sábado, 24 de janeiro de 2026

FOLIA DE SÃO SEBASTIÃO

 Uma crônica em memória de grandes foliões que se encantaram*


Na manhã do sábado 20, passando pela praça Manoel Clemente (Quebra), deparei-me com o Locha, cercado de amigos contando “causos”. Esbarrei e perguntei o que ele fazia por aquelas bandas. Como resposta ele apontou o movimento na casa do Marciano emendando que iriam sair com a Folia de São Sebastião. Não deu outra, fui para lá e esperei a primeira saudação à bandeira de São Sebastião, antes do terno sair para a jornada. Diferente das outras ocasiões, quando o terno sai apenas no dia do santo, ele estava fechando o sétimo dia, pois era essa a promessa de Tirburtina Fiúza de Brito – mãe do Marciano (Rodrigues de Jesus), que era a favor dele. Feita a saudação da bandeira, com toda reverência, seguiu-se a cerimônia de beijar o altar, com música especial. O primeiro a beijar a bandeira foi o imperador seguindo dos foliões. Guardo os versos solenes da música: “Vou beijar/ E torná a beijar/ Lá na ponta do altar/ Onde Deus está”.

Muito cinzano para afinar a voz e dar ânimo nos braços e lá foi o terno para sua missão. Dei uma esticada à minha casa para pegar a máquina fotográfica com fim de registrar a jornada no Barranqueiro. Reencontrei  o terno aguardando o café depois de uma saudação. Os foliões  papeavam pelos cantos, contando “causos”. Assim que entrei na sala esbarrei com Joel Peba agarrado no sono esparramado em um sofá – não é para menos, pois todos têm uma função de cantar e tocar e a dele era só a de virar copo e gritar a saudação: “E viva São Sebastião! E viva os foliões! E viva o Imperador e a Imperadeira!. E viva os donos da casa” E tome gole. E teve um agrado para os donos da casa – bem dançada suça, que levou para roda muitos dos presentes, que não fazem parte do terno, como Zé Babão. Admirável era a alegria e a vitalidade de Henrique Quente, o excelente rabequeiro, sapateando como criança apesar de seus 75 anos de idade. 

O terno de Marciano é composto pelos foliões: Marciano, Locha e Elpídio – violões; Aniceto, José Veloso e Mauricyr – violas; Henrique Quente – rabeca; Tonho Duro – caixa;   João; Maromba; Vicente Quiabo  – balainhos;  Valdivino e Catarino – pandeiros.

Foi bom rever e ouvir o Locha fazendo dupla com Vicente Quiabo cantando uma suça com os volteios do violão de Marciano e o dengo da rabeca de Henrique Quente, isso sem falar da graça e sutileza da percussão comandada pelo Tonho Duro. É uma beleza. São Sebastião deve estar feliz com as homenagens.


 *  Publicada no jornal o Barranqueiro em 2017

UMA REFLEXÃO

  O nosso querido Brasil corre risco de uma convulsão social ou de uma crítica situação que pode entravar seu crescimento. Vão surgindo problemas e questões que se multiplicam a cada dia criando um clima de insatisfação e descrença no seio da população responsável: “não tem jeito!” Enquanto uma grande parcela da população está vivendo sob o “guarda-chuva” do governo, exclusivamente do benefício social, nada produzindo em seu benefício ou da coletividade. Essa situação tem sido anotada, à evidência, em São Francisco onde há grande dificuldade de encontrar um trabalhador para o campo ou comércio. Tudo bem hoje, e amanhã quem vai pagar a conta? Essa lassidão terá um preço no futuro, quando se perde uma grande força produtiva, levando-se ao caos. São Paulo advertia: “A vida é como um jogo num estádio; é preciso lutar, pois só recebe a coroa quem vence”. Sem luta, sem trabalho, pode-se conformar com a caridade e perde-se um grande contingente de pessoas que poderiam estar trabalhando em prol do seu futuro e da nação.  Esse enorme contingente dependendo das “benesses” do Estado jamais de promoverá no seio da sociedade. O ser humano necessita de valores e de virtudes para tornar nobre sua conduta e sua existência. E qual seria a virtude, no caso? No contexto da Teologia Paulina é “a passagem de um estágio de dependência do vício para a graça e a liberdade!” 

Cada pessoa necessita de educação, orientação e desenvolvimento. O ócio é um vício que não deve ser alimentado (vício quando a falta de atividade se transforma em inércia crônica). Ou devem ser considerados os propósitos?

A CHUVA

 


São Francisco passou por meses de seca (o que tem sido uma constante) uma situação muito preocupante levando desespero à população rural causando imensos prejuízos nas atividades agrícolas, especialmente à pecuária com pastos esturricados. 

Em tempos idos o mês de janeiro era chamado de “veranico”, sem chuva e com sol escaldante, agravamento da seca vindo de meses anteriores.  A terrível situação era enfrentada com atos de fé, um apelo místico: a Procissão com preces pedindo chuva: com os devotos levando pedras, latas d´água na cabeça e ramos, entoando preces: “Abre a porta, meu povo/ Que lá vem Jesus/ Ele vem cansado/ Com o peso da cruz./ De porta em porta/ De rua em rua/Meu Deus, manda bom inverno/ Sem culpa nenhuma”. A procissão partia da Igreja de São Félix ou da igreja de São José – homens, mulheres e crianças, todos descalços para realçar o sacrifício – percorrendo ruas poeirentas, areia escaldante até chegar ao Cruzeiro do Quebra (que já não existe) ou ao do Cemitério, onde eram depositadas as oferendas do sacrifício. 

O RIO

 


O nosso amado rio São Francisco, nos seus 524 anos de descobrimento, passou por mais um período crítico neste ano com reduzida vazão de água. O resultado à vista foram as coroas, no meio, e a extensas praias em suas margens. Some-se à evidência, o transtorno no sistema de travessia das balsas.

Um alento: neste sábado o nível de suas águas alcançaram 6,5m e pode continuar subindo, pois chove a montante.

Comentar sobre a situação do São Francisco com a chegada da chuva leva-se à uma redundância: “é chover no molhado” falando-se do papel dos governantes na proteção dele que nada fazem a curta, médio ou longo prazo para recuperá-lo. ANA, IGAM, CBH, Ministério do Meio Ambiente, Secretaria Estadual do Meio Ambiente – tantos órgãos, tantas repartições e o São Francisco definhando a cada ano.

O município de São Francisco já se empenhou na sua recuperação com o heróico programa “Plantando Água” do PJBN e Codema, interrompido, irresponsavelmente, por um passageiro prefeito.

Hoje o contemplamos numa fase de cheia, pleno de margem à margem, um espetáculo que leva a população a apreciá-lo manifestando muita alegra, mas amanhã como será? Ele, atualmente só depende das chuvas pois as fontes que o alimentam muitas secaram tantas outras tornaram-se intermitentes. 

sábado, 10 de janeiro de 2026

DIA DOS SANTOS REIS

 


Os três Reis Magos Baltazar, Gaspar e Belchior, depois de Maria, José e os pastores, foram os primeiros humanos a contemplar e adorar em seu berço o Menino Jesus. Eles são figuras da tradição cristã que vieram do Oriente, guiados por uma estrela, para adorar o Menino Jesus e lhe oferecer presentes: ouro, incenso e mirra, simbolizando sua realeza, divindade e humanidade, respectivamente. A Bíblia os descreve como "magos" (sábios), mas a tradição os transformou em reis, celebrados no Dia de Reis (6 de janeiro), que marca o fim do ciclo natalino.  No livro Médico de Homens e de Almas sobre a vida de São Lucas a autora, Taylor Caldwell, fala sobre a visão dele com a Estrela que iluminou o céu do Oriente no nascimento de Jesus. Foi a estrela que guiou os Três Reis até Belém para adorar o Menino Jesus. Nesta data, 6 de janeiro, Dia de Reis celebra-se a Epifania, a manifestação de Cristo e encerra-se as festividades de Natal no Brasil com folias de reis e presépio.

As folias de reis revivem a jornada dos Três Reis Magos visitando presépios do dia 25 de dezembro ao dia 6 de janeiro. Ela foi trazida para o Brasil pelos jesuítas. Originada de antigos reiseiros portugueses que cantavam reis de porta em porta, na época do Natal, sua devoção foi de tal modo diversificada que dificilmente se encontram duas folias iguais. Mas, se cada uma representa um universo próprio, único, existem entre elas traços comuns, que são a configuração básica deste auto, que conta o nascimento de Cristo e a viagem dos Reis Magos a Belém. Ela tem cunho essencialmente religioso, são grupos organizados por devoção ou pagamento de promessa, cuja duração, segundo a tradição, é de sete anos, no mínimo. Adão Barbeiro, Locha, Vicente Quiabo, Minervino, Irmãos Corrêa, João Raposo e Tone Raposo com importante trabalho através da Cultuarte e tantos outros que deixaram seus nomes nas jornadas com as folias. 

O encerramento da jornada dos foliões da cidade aconteceu no dia 6 em cerimônia realizada na igreja Santos Reis do bairro São Lucas com celebração de Santa Missa e, depois, várias apresentações de grupos de foliões.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

NATAL


  Os três reis do Oriente não foram os únicos atraídos pela estrela que surgiu, sem previsão dos astrônomos, no céu do Oriente. Noutras distantes regiões a sua luminosidade atraiu olhares ao céu e, mais em campo humilde, despertou os olhares de pastores. Que estrela misteriosa!

Corria nesse tempo revelações de profetas que causavam agitação com anúncios da chegada de um Salvador para a glória da oprimida nação de Israel. Era esperado. E foi numa noite luminosa com coro angelical e humildes saudações de pastores que foi revelado o magnânimo presente do Criador para a humanidade: o nascimento de Seu filho entre nós – Jesus.

Tanto encantamento tem implícito um grande mistério. Passados anos aquele evento levou Lucano a suscitar emocionado “Porque Deus naquele pequeno pedaço de terra, fizera Seu próprio lar, entre os que escolhera para ouvi-Lo”. E repetimos porque Deus enseja que Jesus nasça a cada d: é sempre momento de espera para que aconteça a presença de Jesus. ia em nossos corações e, assim, exaltamos o encanto na noite de Natal na reafirmação de tão grande amor. Com o Natal, a cada ano, temos  que Deus fez em cada um de nós, um templo para ouvi-Lo. 

A festa, a alegria plena de emoção, justifica-se, porque nada pode se igualar, em qualquer plano, com o privilégio e a bênção de poder receber o Menino Jesus em nossos lares, em nossos corações.

Um Feliz e abençoado Natal.

sábado, 20 de dezembro de 2025

O PAU PRETO E O PAVÃO

 


O céu turvou-se, tarde tenebrosa. De repente uma violenta ventania assobiando braviamente pelas ruas isoladas do bairro Jardim Graziela. Ajuizados moradores se esconderam em casa. Passada a tormenta, saíram de casa os moradores da rua Tarcísio Generoso e se surpreenderam espantados: “cadê o Pau Preto?” A ventania tombara a frondosa e centenária árvore que acompanhava parte da história de São Francisco.

Espantada, uma moradora, diante da árvore estendida no chão, ergueu as mãos ao céu e agradeceu a Deus porque a ela tombara perfilada na rua e não atingira nenhuma casa; e não tinha, no momento, um veículo na rua.

Lamentará mais, o pavão que tinha no Pau Preto o pouso para se recolher e cantar ao cair das tardes.