sábado, 14 de fevereiro de 2026

IMPROVISO: MEU BRASIL

 João Naves de Melo


Agora, talvez, eu não sinta o tempo

Dias escoados, noites intensas vividas

A estrada parecia ser infinita, tão longa

Trilha de entulhos, prolongados tapetes


Vivi, revivi, sequer tenho a conta dos dias

Contas de um rosário que não tem fim

O Sol despontando, Ocidente esquecido

Meus olhos buscando além no Oriente


Insisti na cegueira medieval no itinerário

No avançar insistente querendo a luz

Por vezes encontrei mais poeira opaca

Esmaecida como uma estrela infinita


Sofri fadiga, mas não me fiz um fardo

Imposição tão comum a um peregrino

Incendiava-me o espírito ardente do desejo

Eu queria e queria saber sempre a luz


Agora, talvez, eu não sinta o tempo

Vencido nos tropeços do caminhar

E por mais que sonhasse e buscasse

Mais distante estava da sonhada luz


E pergunto a mim mesmo no desejo

Seria possível chegar-se ao fim, à luz?

Num pequeno tropeço volto à realidade

O meu caminho torna-se tão turvo


Agora, talvez, eu não sinta o tempo

Não há como bordejar a nau da luz

Nas entranhas, de repente, tão de repente

Vivo buscando e sonhando com a luz!


Ao meu Brasil amado, cujo futuro sonhado é uma luz que foge de mim.

10.2.2026

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