João Naves de Melo
Agora, talvez, eu não sinta o tempo
Dias escoados, noites intensas vividas
A estrada parecia ser infinita, tão longa
Trilha de entulhos, prolongados tapetes
Vivi, revivi, sequer tenho a conta dos dias
Contas de um rosário que não tem fim
O Sol despontando, Ocidente esquecido
Meus olhos buscando além no Oriente
Insisti na cegueira medieval no itinerário
No avançar insistente querendo a luz
Por vezes encontrei mais poeira opaca
Esmaecida como uma estrela infinita
Sofri fadiga, mas não me fiz um fardo
Imposição tão comum a um peregrino
Incendiava-me o espírito ardente do desejo
Eu queria e queria saber sempre a luz
Agora, talvez, eu não sinta o tempo
Vencido nos tropeços do caminhar
E por mais que sonhasse e buscasse
Mais distante estava da sonhada luz
E pergunto a mim mesmo no desejo
Seria possível chegar-se ao fim, à luz?
Num pequeno tropeço volto à realidade
O meu caminho torna-se tão turvo
Agora, talvez, eu não sinta o tempo
Não há como bordejar a nau da luz
Nas entranhas, de repente, tão de repente
Vivo buscando e sonhando com a luz!
Ao meu Brasil amado, cujo futuro sonhado é uma luz que foge de mim.
10.2.2026

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