O poeta J.G. Jorge de Araújo inaugurou o soneto Naturismo com esta estrofe: “Foi aprendendo a ler que aprendi a pensar/ e hoje pelo pensar sou um degenerado, / – já foi puro o meu Ser, tal como a Luz e o ar,/ Como o ar e a luz de um céu sereno e descampado...”.
Um sentimento de pessimismo que leva a Shopenhauer, que defende que a existência é fundamentalmente sofrimento, movida por uma "vontade" (desejo) insaciável que gera frustração contínua.
Tanto um caso quanto o outro leva-se ao momento que tem tornado a vida de muitos cidadãos brasileiros em uma incógnita: o que é certo e o que é errado. Vive-se, hoje, até mesmo o cerceamento da palavra, exigindo-se constante vigilância a respeito de tudo que possa expressar o pensamento. Ainda que pudesse ser caricato – para alguns, mas arguidor do pensamento do povo – o fato leva-se a uma das “tiradas” de Kafunga, comentarista esportivo: “O certo é o errado; o errado é o certo”. E, aí, volta-se a Schopenhauer, que argumenta que “a vida oscila como um pêndulo entre a dor (desejo não realizado) e o tédio (desejo realizado), tornando a felicidade duradoura impossível e a existência o "pior dos mundos possíveis”.
No Brasil da atualidade, aquele que de anos tantos passados era anunciado como “O País do futuro”, no cenário pátrio e internacional mostra-se em tela diferente. A sucessão interminável de escândalos políticos, financeiros, tráfico de influência, geração de influenciadores e por aí afora, são tantas as “verdades” que impossível é distinguir as tantas “mentiras”. E, enquanto isso, abre-se uma vala enterrando o país. E pensar que quando jovem ouvi a análise de um professor diante da então crítica situação do país, que pior não poderia ficar, pois ele já se encontrava no fundo do poço. Infelizmente ledo engano, muito otimismo, pois hoje vejo que o poço não em fim!

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