sábado, 9 de maio de 2026

REFLEXÃO

 

O Brasil se encontra como um navio à deriva em alto mar açodado por violentas ondas que, à falta de lastro, está adernando com risco de naufrágio. Para o cidadão de bem e cônscios de seus deveres a situação é crítica se constituindo num verdadeiro dilema expressado em dito popular: “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. O fato é que o cenário é de total desencontro em todas as camadas. Destrambelhou-se a governança tornando-se difícil encontrar um porto seguro (qualquer um é um risco), pois as ondas convergentes não se ajustam e não permitem a governabilidade do leme do barco. 

No Brasil, pelo que se acompanha em eventos sociais, culturais e, principalmente,  artísticos, as pessoas que desejam uma rota do bem, alcançar um porto seguro, ficam desnorteadas. O governo federal não tem a indicação da rota segura, perdeu-se a bússola e, tenta-se tampar os rombos no caso do grande navio. Os marinheiros se desencontram nas ações. Querem, uns, arcar com a responsabilidade de conduzi o barco, produzem esforços nesse sentido; outros apenas esperam a ração e se contentam com isso sem se importar com a tragédia prevista, pois só se interessam pelo presente, o agora. Aí, conclui-se, tem falhado a escola de formação de marinheiros, pois nelas nada mais interessa do que o proselitismo, ou aproveitar-se de benesses apenas pelo comparecimento nela. Aprender, desenvolver-se, tudo não passa de mera questão de aproveitar o tempo. A educação afunda-se como o navio.

  Emite-se o SOS. Ouvidos moucos. O grito perde-se no etéreo. Na cabine confortável, desprezando o perigo, o capitão desenha rotas e mais rotas sempre com o propósito de encontrar um porto que seja do seu e dos seus. Leva-se a uma frase de Kant: “Age de tal modo que possas tratar sempre a humanidade, seja em tua pessoa, seja no próximo, como um fim; não te sirvas jamais disso como um meio”. Pois é, enquanto o capitão e seus comandados e seguidores agirem egoisticamente pensando apenas em si, a outra banda da tripulação corre o risco do naufrágio.

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