sábado, 25 de abril de 2026

ABRIL EM SEIS TEMPOS

 


18: Dia Nacional do Livro Infantil. O livro é fundamental para o desenvolvimento humano e social, atuando como veículo de conhecimento, cultura e transformação pessoal. Ele estimula a criatividade, amplia o vocabulário, melhora a escrita, aguça a capacidade crítica e exercita o cérebro. Além disso, proporciona empatia, redução do estresse e preserva a memória histórica. Diante dessa realidade, a EM São Judas Tadeu, que atende os alunos do bairro Sagrada Família, tem se dedicado no sentido de estimular nos alunos o gosto e a importância da leitura. Os resultados são alcançados em todos os anos do ensino naquela escola, do primeiro ao nono turno, o que foi demonstrado em reunião realizada no dia 24, quando crianças apresentaram trabalhos, que resultaram de suas leituras. Muitos deles foram premiados pelo volume de livros que leram. Um destaque: o aluno Murilo Alves Dias, que ocupou um lugar na mesa de honra por ter lido, neste ano, oito livros.
A reunião contou com a participação do escritor são-franciscano João Naves, que destacou a importância da leitura e da escrita, presenteando a biblioteca da Escola com diversos livros de sua autoria que, muito interessante, foram alvos imediatos do interesse de muitos alunos que buscaram folheá-los. A exposição da diretora da Escola, Daniela, foi muito rica destacando o seu gosto pela leitura, o que se tornou um hábito diário, possibilitando ter amplo conhecimento do mundo.
A participação dos alunos no evento foi admirável. Centenas deles acomodados no auditório se comportaram com muita atenção, participando com alegria de cada apresentação dos alunos.



DIA 19

Dia dos Povos Indígenas, data brasileira que homenageia a diversidade cultural e a história dos povos originários, promovendo a reflexão sobre seus direitos e a luta contra o preconceito. Os povos indígenas podem ser considerados como uma nação pois constituem um grupo de pessoas que compartilham os mesmos costumes, hábitos sociais, crenças, cultura e organização política. E assim estavam quando Cabral aportou na costa das terras desconhecidas que viriam, mais tarde, receber o nome de Brasil. Eram tantas as nações que ocupavam terras da costa do Atlântico às terras e selvas interioranas. O dia 21 de abril de 1500 marcou o início da grande transformação dos povos indígenas, infelizmente para pior, pois a aculturação, forçada ou não, transformou o seu modo de ser, de viver. Eles eram senhores da terra por destinação do Criador, segundo registros históricos há mais de 500 anos de Cristo, contudo, em seu direito, foram usurpados. Impôs-se o poder que falou mais alto para que fosse possível acomodar o homem “civilizado” na terra descoberta. A partir daí a vida dos nativos transformou-se em um calvário. Muitos historiadores, romancistas e poetas, abordaram as questões ligadas a eles. Houve uma publicação em especial e que assustou o governo da época: Viagem pitoresca e Histórica ao Brasil do francês Jean Baptiste Debret que, vivendo 15 anos no Brasil, retratou com muito realismo como viviam os nativos, o que causou muito incômodo às autoridades da época censurando-o. O que restou de tantos povos indígenas, no contexto geral, tem sido apenas objeto de exploração política.

21: O DESCOBRIMENTO




Aconteceu por contingências históricas e convulsões que vivia a Europa com a queda do feudalismo e o surgimento do mercantilismo. Portugal ficou premida diante daquela realidade e precisava de riqueza para garantir o poder. O país, contudo, já se encontrava exaurido, preciso era se expandir, buscar novos mundos onde encontrasse as riquezas que tanto necessitava. Ao tempo igual, a Espanha vivia o mesmo drama. Era preciso explorar novos mundos. Os portugueses atiraram-se ao mar. Vasco da Gama descobriu o caminho das Índias, importante feito comercial e expansionista. Logo, com a mesma audácia, Cristóvão Colombo  desembarcou na costa da América, feito que aguçou mais ainda a necessidade da expansão portuguesa. Poucos anos depois Pedro Alvares Cabral aportava na Terra de Santa Cruz. Assim, deu-se por descoberto, ou encontrado, um novo mundo para Portugal. Primeiro a exploração do pau-brasil, depois o açúcar e, mais adiante o ouro, tudo implicando em exploração e, muito pior, abrindo as portas para a abominável escravidão de negros e índios. Em resumo, a descoberta de uma nova terra que viria se constituir em uma grande nação, o Brasil, teve seu preço. A ideia de que o "status quo" (a ordem estabelecida) pagou o preço da colonização é complexa e, em grande parte, histórica e sociologicamente contestada no caso do Brasil. O consenso entre historiadores é que, em vez de pagar o preço, o status quo colonial muitas vezes se perpetuou, transferindo os custos da colonização para as populações escravizadas, indígenas e, posteriormente, para as classes mais pobres.


21. TIRADENTES




O Brasil ainda colônia de Portugal. O anseio de riquezas estabelecia ligações de Portugal com a Colônia. Exploração do pau-brasil deu lugar à busca do ouro e à produção de açúcar. Rendiam as terras descobertas ao reino. Minas Gerais se transformou em palco das atenções da Coroa ávida por ouro. Intensifica-se a mineração e a ganância de Portugal levando-se à imposição da derrama (imposto forçado e arbitrário).  A indignação contra a medida motivou uma reação que gerou o movimento da Inconfidência Mineira com um propósito "Libertas Quae Sera Tamen", despertou-se o sentimento cívico pela libertação. Surgiu, então a figura de Tiradentes como líder. Ele não era um intelectual, não tinha riqueza, prestígio e poder, nada tão importante como uma determinação lídima: lutar contra a opressão dos impostos  e pela liberdade. O idealismo, o destemor ao enfrentar o poder, custou-lhe a vida. Foi condenado e executado porque ousou levantar a voz contra o poder. Deu a vida em prol do povo, daqueles que duramente trabalhavam para sustentar a Coroa. 

21: ANIVERSÁRIO DE BRASÍLIA


Brasília, oh! Brasília consolidada como a capital do Brasil, apesar de tantas objeções, ações contrárias ao que era necessário. O Presidente Juscelino foi ousado, corajoso e enfrentando todas natureza de óbices realizou o seu sonho que correspondia à uma necessidade: levar o pais ao interior. O Brasil, antes de Brasília, era representado apenas pelo litoral onde se concentrava o poder e as melhores cidades. O interior vivia no atraso. Com Brasília descobriu-se um novo mundo e o desenvolvimento alcançou Goiás, Matogrosso, Tocantins e Noroeste de Minas e regiões do Nordeste. Em tempo atrasado e com menos envolvimento de populações, o avanço para o Brasil Central lembra a épica conquista do Oeste americano, atualmente consolidada com ricos e desenvolvidos estados, muitos com PIB superiores a muitos países do mundo.
Não há, neste dia, como não lembrar do Presidente Juscelino que teve a visão do desenvolvimento: "Brasília significa, não apenas a mudança de sede de um Governo, mas de todo o rumo de uma grande nação." E a fé inquebrantável no pais com o otimismo e a promessa: "Deste planalto central, desta solidão que em breve se tornará o cérebro das mais altas decisões".
Bela, saudável e tão verde Brasília, tão consolidada em seus 66 anos.

24: A NOITE DA SERENATA - I


A Ong Preservar e Secretaria Municipal de Cultura promoveram um belo evento: A Noite da Serenata com o propósito de consolidar o projeto da criação da Casa da Cultura/Memória de São Francisco criando espaços para o arquivo do acervo histórico existente na ONG Preservar e futuras aquisições de bens materiais imateriais que se encontram dispersos no município. A Casa da Cultura/Memória será um espaço para promoção dos artesãos do município, de todas as linhas; de artistas de todos tendências – música, pintura, fotografias e outras manifestações artísticas; para promoção de feira-livre com destaque para a degustação de alimentação regional.
O evento teve o propósito de apresenta cantores da terra, talentos que têm se distinguido no município e alhures, buscando valorizar seu trabalho e abrir novas janelas para suas apresentações. No caso, o primeiro momento foi voltado para a seresta buscando promover o resgate da veia artística dos são-franciscano que, em décadas passadas, teve um grande realce com destaque para a Orquestra Feminina Santa Cecília da Escola de Música da professora Virgínia Amélia cujas alunas, crianças, eram consideradas pródigas. Ela formou grande elenco de músicas de violino e bandolim. Bandas de Música com os maestros Manoel Clemente, Elísio Horbilon e Juventino Cunha. Na noite foram reverenciados os músicos Enedino, Antônio Felizardo, Chiquinho Bigode, Tutu, Tião de Adelaide, Carlos Barbosa, Fausto e Aurora e mais recentemente o Grupo de Seresta de São Francisco, que marcou época. Não se trata de reviver este glorioso passado, mas de estabelecer um elo cultural daquele glorioso período com a imensa riqueza que dispõe o município na atualidade, mas que se encontra disperso e sem a devida promoção.

24: A NOITE DA SERENATA - II



A apresentação artística foi iniciada com o grupo Mensageiros da Emoção que interpretou clássicos da música romântica brasileira a começar pela imorredoura melodia Luar do Sertão, seguida da bela canção de Carlos Gomes, Quem Sabe e da romântica Moreninha se eu te pedisse, do folclore do Centro-Oeste e Sudeste. A participação foi encerrada com dr. Francisco cantando Roberto Carlos. A programação seguiu com a apresentação magistral de Ivanilde Lacerda Leite, Geralda de Brito (bandolins) e Zilma Magalhães (violino):  Luzes da Ribalta, La Paloma e a valsa Virgínia de autoria da professora Natália. A dupla Belino e Sérgio cantaram Amor Meu, uma versão do clássico Sound of Silence e a romântica composição de Pablo Milanés, Iolanda. Diney apresentou as canções Amaremos e Tu és o maior amor de minha vida. João Hebber e sua filha Janine apresentaram Tortura de amor, Naquela Mesa, Cantar e Cordão de Ouro. Por fim Kaká Espósi deu um passeio pelos anos 60 com variado repertório. No encerramento do evento a Ong Preservar e Secretaria Municipal de Cultura afirmaram que promoverão outros eventos, o mais amiúde que for possível, buscando a participação de artistas ecléticos, com variados ritmos, pois são diversas as preferências musicais. Como amostra, na procura de novos talentos, foi apresentado, com exclusividade, um jovem talento musical, que  exibe notável talento no violão, uma grata e virtuosa revelação com apenas 14 anos:  EMANNUEL NAVES! A apresentação dele foi sensacional, com o público admirado aplaudindo com entusiasmo.
Foi, sem dúvida uma grande e esplendorosa noite de arte. Um passo importante da Ong Preservar e da Secretaria de Cultura na implantação da Casa da Cultura/Memória.




24: VENERÁVEL PROFESSORA MARIA CÉLIA




Na história das Escolas Caio Martins pontificou uma figura venerável, uma educadora que ia além do seu mister postando-se mais como mãe amorável no trato dos seus pupilos. Ela acompanhou, ou melhor, viveu dia-a-dia, da primeira turma do Curso Normal Regional da Escola Caio Martins de Esmeraldas e, com desprendimento e arrostando sacrifício numa jornada extenuante, entregou 12 de seus alunos/professores ao sertão urucuiano. Ela esteve presente na fundação do Núcleo Colonial do Urucuia abençoando os 12 bandeirantes na missão que os aguardava num local em que existia apenas três ranchos de palha de buriti e colonos pingados nos vãos e gerais. O que ela ensinou e pregou ficou impregnado nos corações daqueles jovens, lições de humanidade (o que muito precisaria na lida com os esquecidos e abandonados sertanejos e seus filhos que nunca imaginaram conhecer uma letra sequer).
Na implantação do Curso Normal Regional a primeira turma se dividia uns abrigados em uma República, ao lado da casa de dona Maria, e outros pingados na região. Crescendo o número de alunos, todos foram instalados em um prédio que recebeu o nome de Artesanato (seria um projeto não realizado). Eram tantos os alunos e lá estava ela, morando com sua família (filhos irmanados com os alunos), com seu modo tão sereno, tão dócil, orientando sem nunca levantar a voz; se reprimia, bastava um olhar. Mais que respeitada, ela era amada.
Dia 24, dia do aniversário dela que se comemora a cada ano, pois ela sempre estará presente nos corações dos seus jovens pupilos. Parabéns, Mãe Célia.

SÍNTESE OS SEIS  DIAS DE ABRIL


1. 18: Dia Internacional do Livro Infantil: um olhar para o futuro. Formar o jovem para que, adulto, não seja objeto de manobra e sim um cidadão consciente e útil à Pátria.

2. Dia dos Povos indígenas. Reverenciá-los com um dia pouco significa quando ainda hoje eles são alvos de políticas de interesse sem resultado de ganho para eles.

3. Tiradentes foi levado à forca porque protestou contra a derrama e quis a liberdade. Hoje, como se encontra o pais, pode-se dizer que foi traído pelo Brasil. A história se repete: derrama (ganância do governo) e restrições à liberdade.

4. Descobrimento do Brasil. Marco de um novo tempo para um continente desconhecido com perspectivas de formar uma grande nação, tantas as suas riquezas. O status quo do país não corresponde aos anseios de desenvolvimento e bem estar da população que vive na insegurança quanto ao dia de amanhã

5. Brasília é, por um lado, uma grata e tão bela cidade, mas o poder que ela comporta deixa a nação à deriva. Não era o sonho de Juscelino.

6. A Noite da Seresta, muito mais que um show artístico é o sinal da largada de um importante projeto cultural. São Francisco precisa, sem dúvida de um local para arquivar a sua memória e promover a sua cultura, tão rica cultura.

Venerável educadora Maria  Célia. Que bom seria se o brasil tivesse tantas educadoras como dona Maria Célia e menos engajamentos e orientações doutrinais transformando jovens alunos em robôs.


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