MARIA ALVES PEREIRA – I
Pontos marcantes na história de São Francisco extraídos de entrevista concedida por Maria Alves Pereira, a famosa Maria Pretinha, o jornal O Barranqueiro no ano de 1997, reproduzido no livro Às margens do São Francisco: a cidade e sua gente, publicado online - Amazon.
Maria Pretinha veio ao mundo no dia 9 de setembro de 1910 na pequena vila dos pescadores, no Quebra, descendente de gorutubanos (mudaram para São Francisco por causa da grande seca que assolou aquela região). Aos 14 anos ela foi morar na rua Direita, que era “puro mato”, que quando ela voltava para casa em noite escura só “acertava o caminho pelo brilho dos lampiões acesos pelos homens subindo em escadas”.
Maria Pretinha não pode estudar, pois tinha que trabalhar para manter a casa e os irmãos com a morte de sua mãe. Chegou a frequentar a escola de dona Marcionília (São Francisco ainda não tinha o grupo escolar) e teve como professoras donas Rodolfina, Graziela Pereira e dona Alice Mendonça. Famosa em toda a região como grande cozinheira, criou a família com a cozinha, dizia orgulhosa. Cozinhou 26 anos para o político Carolino do Amor Divino; cozinhou em vapores no itinerário Pirapora-Juazeiro; levou pratos típicos da cozinha são-franciscana para exposição em Montes Claros; servia aos grandes eventos na cidade: recepção a políticos, festas, formaturas, confraternização dos funcionários do Banco do Brasil. Eram famosos seus pratos: o tempero dos seus peixes, o assado (leitão e frangos). .
O lado triste. Volvendo o pensamento ao passado, ela dizia: “Meu filho, São Francisco hoje é um céu”. E por quê? Ela lembrou com certa amargura e tristeza: “era comum, a cada amanhecer do dia, encontrar gente morta pelas ruas da cidade ou abandonadas em canoas a ermo. Os homens eram perversos, viviam em revoltas, todo mundo vivia com medo”.
.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário