sábado, 20 de abril de 2024

NOSSA CIDADE: FATOS HISTÓRICOS

 Nota: Esta monografia será dividida em capítulos, 

mais curtos, para uma melhor leitura.


Igrejinha e cruzeirinho de Teodoro



EM BUSCA DAS ORIGENS – XVI

  

        O  CAMINHO PELO RIO


Inaugura-se uma nova era – povoamento das barrancas e a navegação pelo rio São Francisco, que se tornou a via comercial das Minas com a Bahia. Canoas a princípio, depois as barcaças, intensificando a navegação ligando Pirapora a Juazeiro, abrindo uma linha interligando o  Sul e o Norte dando ao rio um papel importante na integração do Brasil, lembrando Geraldo Rocha quando afirmou que o “O Rio São Francisco, fator precípuo da existência do Brasil”. As barcaças, em princípio, tiveram um papel importante como meio de transporte de mercadorias  dando proeminência a São Romão e Januária que tiveram movimentados portos.

Chegando-se ao século XVIII observa-se  importantes mudanças sociais e econômica na região do Médio São Francisco. Zanoni Neves anota o que “Sob o impulso do desenvolvimento comercial, alguns povoados foram fundados ao longo da ribeira. Outros como  Barra do Rio das Velhas, São Romão, Salgado e Matias Cardoso cresceram sob o influxo das articulações regionais e inter-regionais”. Surgem, então, as barcas que tinham como principais atividades o transporte de cargas e o comércio ambulante no curso de Juazeiro a Pirapora. As barcas eram importantes na vida econômica dos habitantes das cidades e vilas. Os donos de vendas, ou seja, os pequenos comerciantes de secos e molhados, eram clientes das barcas, onde compravam a rapadura, o sal, a farinha, o feijão, o arroz, a carne seca, o açúcar, a cachaça, o querosene. E mais, havia barca onde se podia comprar tecidos, adornos para as residências, produtos de ourivesaria, carretéis e novelos e calçados.

A par do fator econômico registra-se que os remeiros legaram ao folclore um acervo significativo, sobretudo no campo da literatura oral, como registrado por Zanoni:  poesia, música, casos, contos, mitos e lendas, anedotas e outras narrativas, como o milagre de Bom Jesus da Lapa foram difundidos em toda a região são-franciscana pelos navegantes das barcas”.

No estudo sobre o papel das barcas na história do Médio São Francisco, quanto a fator socializante, econômico e cultural, recomendo a leitura dos livros Os Remeiros do Rio São Francisco, do mestre Zanoni Neves e São Francisco – o rio da unidade  nacional, editado pela Mercedes-Benz do Brasil S.A. É uma oportunidade interessante para conhecer como era extremamente penoso o trabalho dos remeiros na condução das barcas em viagens que poderiam se prolongar por mais de 4 meses; a interação social deles com as mulheres barranqueiras nos prostíbulos, a sua valentia e a maneira como eram tratados – discriminadamente  – pela sociedade das cidades onde aportavam as barcas. E mais, vale a pena – e muito – ver o belo trabalho fotográfico do  francês Marcel Gautherot – Retratos da Bahia, com texto de Lélia Coelho. Trata-se de uma verdadeira obra de arte.

Os vapores terão o registro do nosso sentimento no próximo capítulo.

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